O Sol e o “Haja luz”

É interessante notarmos as duas posições de interpretação para a criação do sol:

1ª) O sol foi criado no 4º dia da criação e só.
2ª) O sol “apareceu” no 4º dia da criação, havendo sido criado antes.
Particularmente creio na 2ª opção e explico o por que.
Veja que Deus pode criar algo manifestando-o somente depois – por exemplo, a “porção seca” de Gn 1:9: Ele a criou “no princípio” apesar de ela aparecer depois!
Outro detalhe que é bom enxergar é o seguinte: A que “céus” se refere Moisés em Gn 1:1?
ü  À morada de Deus é bastante estranho posto que o Senhor é “Pai da eternidade” e, portanto, Sua morada é eterna…
ü         Ao céu atmosférico (firmamento) não faz sentido, já que este foi criado no 2º dia (verso 6).
ü  Parece-me que resta somente os “céus” siderais – o espaço! 
           
Daí vem que o conteúdo desses “céus” pode ter-se originado “no princípio”, isto é, antes do 4º dia da criação.
Veja você que, em Gênesis 1 Moisés narra apenas a criação na Terra e não a criação de outros corpos do Universo!
Assim sendo, posso pensar que o “haja luz” do Senhor no 1º dia, pode se referir a luz solar, e ainda porque os horários aparecem após essa ordem divina! “Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre luz e trevas. E chamou Deus à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a manhã, o primeiro dia” (versos 4 e 5). É o movimento de rotação da Terra (movimento de “pião”), cuja duração é de aproximadamente 24 horas cada volta completa, que permite a aparição da “luz” e das “trevas”. Realmente é, para mim, complicado entender o surgimento dos dias e das noites sem a existência do sol…
Agora, julgue ainda um argumento do Profº José Carlos Ramos em favor desta 2ª opção:
“Esta posição explica também o que são as ‘águas abaixo’ do céu atmosférico, e as ‘águas sobre’ o céu atmosférico (v. 7). Naturalmente, os raios solares, aquecendo a superfície aquática (v. 2; compare com II Pe 3:5) da Terra original, produziram uma camada tão espessa de vapor que o bloco líquido, no núcleo, se envolveu em trevas (Gn 1:2). É a partir deste ponto, a meu ver, que Moisés traça o relato da semana da criação. De início essa camada tocava as águas líquidas. Na verdade, a ordem divina ‘haja luz’, do primeiro dia (v. 3), fez com que a camada se dissolvesse parcialmente, tornando-se menos espessa e permitindo que a luz solar penetrasse atingindo o bloco líquido em baixo, que se iluminou mais ou menos como num dia de neblina; houve iluminação sem que o sol fosse visto. O segundo   dia  da  semana  Deus   fez   ‘separação’   entre   águas   e   águas,  colocando  um ‘firmamento’ entre elas (vs. 6 e 7). Em outros termos, Ele ordenou que o vapor se elevasse e se condensasse acima. Este ‘firmamento’ recebeu o nome de ‘céus’ (v. 8), e é, com efeito, a camada atmosférica que envolve o planeta. Isso feito, Deus fez surgir, das águas líquidas, o solo, a chamada ‘porção seca’ do verso 9; a partir deste ponto, a superfície do planeta é dividida em ‘mares’ e ‘terra’ (solo). Havendo vapor d’água e solo, o ambiente tornou-se propício para Deus criar a primeira forma de vida, a vegetal. Esses milagres todos ocorreram no ‘terceiro dia’ (vs. 9-13). (…) Deus, então, no quarto dia, fez com que a camada gasosa restante acima se desvanecesse, e o sol incidisse diretamente sobre as plantas”. [Revista Adventista 12/2001, p.16]
Concluo dizendo que não há ofensa ao relato bíblico quando cremos que o sol não foi criado no 4º dia da criação, mas apenas foi completamente manifestado na Terra nesse dia. (Perguntas & Respostas volume I, pp. 9 e 10)

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