James Hunter, Dan Brown, Augusto Cury ou Ellen White?

Se você é cristão, então é líder! Parte da nossa responsabilidade como seguidores de Jesus é usar nossa influência para levar outros a seguir Jesus. Fazemos isso de diferentes maneiras, de acordo com os nossos dons espirituais. Alguns de nós podem ser administradores, muitos são pais, alguns são professores, alguns são idealizadores e outros têm talentos extraordinários para a hospitalidade, a oração ou para consertar coisas. A verdade é que sempre há pessoas ao seu redor. Por isso, qualquer que seja sua esfera de influência – família, sala de aula, comunidade, local de trabalho ou mesmo a arena global –, conhecer princípios de liderança vai ajudá-lo a ser um melhor líder. Ellen White apresentou diversos princípios de liderança durante sua longa vida como escritora e líder cristã. A própria Ellen White considerou que sua função incluía corrigir o erro e “revelar para outras pessoas as Escrituras, assim como Deus as revelara a [ela]” (Testemunhos para a Igreja, v.8, p.36). Ellen declarou: “Tenho uma obra de grande responsabilidade para fazer: comunicar por escrito e de viva voz as instruções a mim concedidas, não somente para os adventistas do sétimo dia, mas para o mundo” (idem). A missão adventista é evangelismo e serviço. Ela conclama cada membro da igreja, cada cristão, a trabalhar pela salvação daqueles “por quem Cristo morreu” (Atos dos Apóstolos, 24). [Ela] não apenas é coerente em seu apelo aos líderes para que usem sua influência no sentido de promover o reino de Deus, como também preenche lacunas em áreas importantes negligenciadas na literatura contemporânea sobre liderança. Ela fala pouco acerca de políticas de liderança, mas seus princípios permanecem coerentes em seus escritos, pronunciamentos e escolhas na vida. Em geral, os teóricos fazem distinção entre liderança que é basicamente influência – idealizar e inspirar mudanças – e liderança que é administração e supervisão, ou baseada em cargo ou função. Ellen White mescla essas distinções. Ela parece redefinir prática de administração e liderança como estando num plano mais elevado, dando alta prioridade ao serviço e altruísmo. “Os dirigentes de nossas escolas devem ser homens e mulheres de pronta intuição, que tenham o Espírito de Deus para ajudá-los a ler o caráter, possuam capacidade de dirigir, compreendam diferentes feitios de caráter e mostrem sabedoria ao tratar com várias mentes” (Conselhos Sobre a Escola Sabatina, 162). Ela consultou ampla variedade de obras de seus contemporâneos sobre teologia, história e comentário bíblico. A formação espiritual, ou conhecimento de Deus, era o objetivo da vida de Ellen White, bem como o foco de seus conselhos sobre liderança. Ela acreditava que, se um indivíduo pudesse ver a profundeza do amor de Deus, que foi demonstrado ao máximo no Calvário, escolheria ser um leal seguidor de Cristo. Essa crença é a estrutura sobre a qual ela baseia todo o seu aconselhamento sobre liderança. Para ela, não existe verdadeira liderança sem o conhecimento de Deus. Ela via esse conhecimento como sendo partilhado principalmente mediante a aça do Espírito Santo. Ela admoesta, repetidamente, que Deus não pode abençoar, fazer prosperar nem suster líderes que negligenciam a oração por si mesmos, por suas igrejas e por aqueles a quem eles influenciam. Os escritos dela também parecem estar entre os mais fortes em promover a capacitação das mulheres pelo Espírito para a liderança no ministério evangélico. [Ela] é única ao rotular líderes que desestimulam a investigação e discussão de novas verdades escriturísticas como conservadores – uma designação negativa descrevendo o declínio da vida espiritual. Embora a maioria dos autores atuais, cristãos e seculares, discuta a integridade, Ellen White relaciona diretamente o estudo das Escrituras com o desenvolvimento do caráter e o pensamento correto, descrevendo inclusive o aperfeiçoamento do caráter como mais essencial que os negócios da igreja (veja Testemunhos para Ministros, 279). [Ela via] a “liderança espiritual” como se relacionando mais com a promoção de Jesus do que simplesmente com a prática do comportamento ético. Para ela os líderes servem, se sacrificam e se envolvem num comportamento abnegado, não por uma bondade inata, mas como resposta à graça de Cristo e pelo desejo de imitar Sua humildade demonstrada na encarnação. Para ela o grande conflito entre Cristo e Seus anjos e Satanás e seus anjos é o arcabouço do qual emergem as escolhas. [Ellen também aconselhou] no sentido de não permitir a uma pessoa só o controle absoluto sobre uma organização. Ela declara: “Quando Moisés se sobrecarregou, o Senhor lhe suscitou em Jetro um conselheiro e ajudador. O conselho foi aceito e […] Moisés se sentiu aliviado. […] Teve a oportunidade de viver melhor, e os homens aprenderam a assumir posições de confiança, a fim de que Israel não dependesse a buscar um só homem e confiar em um só homem” (Carta para J. H. Kellogg em 1886).  “No coração de Cristo, onde reinava perfeita harmonia com Deus, havia perfeita paz. Nunca se exaltou por aplausos, nem ficou abatido por censuras ou decepções. Entre as maiores oposições e o mais cruel tratamento, ainda permanecia de bom ânimo” (O Desejado de Todas as Nações, 330). Ellen White insistia continuamente com os líderes para que delegassem autoridade, dessem poderes e oportunidades a outros, para fazerem boas escolhas, bem como para cometer erros, dos quais resulta o aprendizado. Warren Benis fala de modo semelhante: “A liderança não é tanto o exercício do próprio poder quanto a capacitação de outros” (Leaders: The Strategies for Taking Charge, 80). O sonho dela era uma igreja composta por membros das várias gerações, que promovessem a inclusão de gênero, idade e raça, se unisse para apresentar Jesus no contexto das mensagens dos três anjos [Ap 14:6-12]. No mundo de Ellen White há igualdade; no mundo naturalista de Charles Darwin não há igualdade. Darwin acreditava que os homens são mais inteligentes que as mulheres, e os europeus mais inteligentes que asiáticos e africanos (The Descent o Man and Selections in Relation to Sex). Achei interessante descobrir que poucos autores que escrevem sobre liderança discutem a capacitação de lideres entre as minorias. Talvez essa falta de ênfase inclusiva aconteça entre os autores de hoje porque já tenham a pressuposição de igualdade de todos os grupos. Outro fator poderia ser a escassez de autores de minorias dentro da literatura mais lida sobre liderança. “Há mulheres que devem trabalhar no ministério evangélico” (Evangelismo, 462). “Jovens de ambos os sexos devem ser educados para se tornar obreiros na própria vizinhança e em outros lugares” (Testemunhos para a Igreja, v.9, p. 118). “Muito se tem perdido para a causa da verdade por falta de atenção às necessidades espirituais dos jovens. Os ministros do evangelho devem manter relacionamento amistoso com a mocidade de sua congregação. Muitos são relutantes neste ponto, mas sua negligência é pecado aos olhos de Deus. […] A juventude é o objeto dos ataques especiais de Satanás; mas a bondade,  a cortesia e a simpatia que emanam de um coração cheio do amor de Jesus conquistarão a confiança dos jovens e os salvarão de muitos laços do inimigo” (Obreiros Evangélicos, 207). “Os jovens podem exercer o dobro de influência na vida dos amigos em comparação com um adulto” (Historical Sketches of the Foreign Missions of the Seventh-day Adventist, p. 288). Ellen White preenche mais uma vez a lacuna e escreve de modo prolífico sobre a questão do serviço aos pobres e necessitados. Dos autores que pesquisei, ela é a mais inequívoca quanto a esse ponto, apelando aos líderes que acham que estão fazendo uma obra muito grande para Cristo a que tomem tempo para observar as necessidades dos carentes e aflitos. O escritor Dwight Nelson concorda com as admoestações dela, declarando: “Acende-se visivelmente a ira de Cristo quando os guardiães da verdade de Deus menosprezam os economicamente destituídos, os socialmente alienados e os nacionalmente marginalizados. Os pobres, os sofredores, os deficientes e as crianças – ignorados pelo ortodoxo. É amaneira pela qual são tratados por aqueles em posições de liderança e autoridade que atrai a ardente ira do ‘manso e gentil Jesus’” (Pursuing the Passion of Jesus, 23). Para Ellen White, uma qualificação essencial para a liderança é a comunhão viva com Jesus Cristo que resulte em total obediência à Sua vontade. Ela vê uma abordagem de equipe como outra qualificação essencial à liderança. Ela incentiva os líderes a se cercarem de pessoas que lhes desafiem o pensamento, em vez de pessoas que não discordem deles. Ela juntamente com Guinness e Ford veem a liderança como um chamado de Deus, e não como posições que as pessoas escolhem para si. Esse chamado pode ou não estar associado a um cargo administrativo ou gerencial. Como Guinness, ela vê Jesus não só como um simples líder religioso, mas como o Senhor de toda a Terra. Charles Swindoll escreve que “a visão é gerada pela fé, sustentada pela esperança, acesa pela imaginação e fortalecida pelo entusiasmo” (Quest for Character, 98). Ford sugere três perguntas como parte do processo de planejamento: (1) É esta uma visão de Deus? (2) É este o método de Deus? (3) É este o momento de Deus? (Transforming Leadership, 94). Embora Ellen White diga que “todas as Suas ordens são promessas habilitadoras” (Parábolas de Jesus, 333), ela parece concordar mais frequentemente com Jim Slevcove, que trabalhou com jovens e escreveu: “É proveitoso quando as pessoas trabalham na área de seus pontos fortes” (Managing Your Ministry, 14). Embora ela diga: “O êxito em qualquer coisa que empreendemos exige um objetivo bem definido” (Educação, 262), ela também diz: “Consagre-se a Deus pela manhã. […] E ore: ‘Toma-me, Senhor, para ser Teu inteiramente. Aos Teus pés deponho todos os meus projetos. […] Peça-Lhe que examine todos os seus planos, para que eles sejam levados avante ou não, conforme a indicação da sua providência’” (Caminho a Cristo, 70). Para Ellen White, o sentido derivado da excelência se encontra em Colossenses 3:23: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens”. Ela apelou ao líder Willian Peabody para que ele assumisse responsabilidade para, assim, “arriscar algo no sucesso desta mensagem” (numa carta em 1859). Ela censurava o “ritmo lento e cético”. O tema do grande conflito é a base estrutural da qual emerge todo seu aconselhamento sobre liderança espiritual e prática.

[Resumo feito por Hendrickson Rogers dos dois primeiros capítulos do livro “Liderança Inspirada” de Cindy Tutsch]
  

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