O pão levedado e a Adoração

Em Levítico 7:13 é dito aos israelitas sobre as “ofertas pacíficas que alguém pode oferecer a JAVÉ” (:11), que entre os ingredientes deveria aparecer, “por sua oferta, pão levedado”. A lei é estranha, pois em todas as cerimônias onde a massa de farinha estaria presente (especialmente na Páscoa), o fermento não deveria constar! “Nenhuma oferta de manjares, que fizerdes a JAVÉ, se fará com fermento” (2:11). Qual é a lição de Deus para Seus filhos aqui?
 
(I) Tanto o Senhor Jesus como Paulo comparam o fermento ao pecado: “Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lc 12:1). “Preveniu-os Jesus, dizendo: Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes” (Mc 8:15). “Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus” (Mt 16:12). “Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade” (I Co 5:6-8). Se tal é o significado do “pão levedado”, por que colocá-lo junto da “oferta de gratidão”?
 
(II) “Esta é a regulamentação da oferta de comunhão que pode ser apresentada a JAVÉ: Se alguém a fizer por gratidão, então, junto com sua oferta de gratidão, terá que oferecer bolos sem fermento e amassados com óleo, pães finos sem fermento e untados com óleo, e bolos da melhor farinha bem amassados e misturados com óleo. Juntamente com sua oferta de comunhão por gratidão, apresentará uma oferta que inclua bolos com fermento” (Lv 7:11-13, NVI). Retornando ao texto em análise vemos que o pecador traria como gratidão pães asmos (ou sem fermento). A oferta aceita seria aquilo que JAVÉ havia ordenado – pães ou bolos sem fermento! Agora, “com os bolos oferecerá pão levedado como sua oferta, com o sacrifício de louvores da sua oferta pacífica” (:13, ARC). O elemento principal da “oferta de gratidão” ou do “sacrifício de louvores” era a massa sem fermento que Deus ordenara, não o acompanhamento, o pão levedado. Além disso, as “ofertas pacíficas” ou “oferta de comunhão” eram o “sacrifício pacífico” de um animal (veja Lv 3), símbolo do “Cordeiro de Deus” (Jo 1:29), sem o qual não haveria “comunhão”, nem “gratidão” e muito menos aceitação. Ou seja, mesmo na demonstração de alegria e gratidão do pecador a Deus, é o Senhor Jesus quem torna sua satisfação e seu louvor aceitáveis a Deus, enquanto ele coopera obedecendo-Lhe os mandamentos!   
 
Aplicações Mesmo vindo de um coração agradecido, desejoso de ofertar e agradar a Deus, a lei deixa claro que o oferecimento deveria satisfazer algumas condições estipuladas pelo próprio Deus. Não era o ofertante quem decidia o que ou como demonstrar seu louvor de gratidão, mas o Ofertado! Observe como esse princípio de adoração a JAVÉ ficaria registrado na mente dos israelitas, caso eles levassem a sério as palavras de Deus pronunciadas por Moisés. O mesmo vale para os adoradores do século XXI. Não é nossa gratidão o mais importante na adoração coletiva ou particular, mas se a expressamos do jeito que o Motivador e Alvo de nossos louvores – Deus – ordenou em Sua Palavra, por meio dos profetas! Isso fica ainda mais sério quando nos lembramos do acompanhamento do “pão levedado”. Mesmo priorizando o Cordeiro e  satisfazendo todas as condições divinas, o pecador ainda carrega consigo o pecado, a natureza pecaminosa, o caráter imperfeito e a atração pelo que é do mal! “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado”. “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”; “mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.” (Rm 7:14, 18, 19 e 23). Vamos refletir nos exemplos que seguem para enxergarmos as verdades espirituais que nosso Deus por meio do “pão levedado” ensinou ao antigo Israel e certamente deseja ensinar aos adoradores hodiernos.
 
Exemplo 1 “O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho” (Lc 18:11 e 12). Aqui o “pão levedado” foi o elemento principal da adoração, em vez de ser apenas o acompanhante inseparável (pelo menos até a glorificação! I Co 15:50-53). Observe que este pecador não levou “bolos sem fermento e amassados com óleo, pães finos sem fermento e untados com óleo, e bolos da melhor farinha bem amassados e misturados com óleo” (Lv 7:12, NVI). Ou seja, ele não obedeceu à ordem do Ofertado de levar perante Ele “os asmos da sinceridade e da verdade (I Co 5:8)”. Semelhante ao adorador Caim, ele levou para Deus ofertas do seu gosto fermentado! (Gn 4:3-5). Resultado: não foi aceito e nem sua adoração ou oferta (Lc 18:14).

Existe um mito no meio cristão que é expresso em afirmações como “dê a Deus o que você tem de melhor” ou “dê a Ele o seu melhor”. Segundo a Bíblia, o melhor do homem está fora dele! “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos” (I Cr 29:14). Até a obediência que precisamos ter para oferecer um louvor aceitável a Deus, não está em nós: “JAVÉ, Deus de nossos pais Abraão, Isaque e Israel, conserva para sempre no coração do teu povo estas disposições e pensamentos, inclina-lhe o coração para contigo… dá coração íntegro para guardar os teus mandamentos, os teus testemunhos e os teus estatutos” (versos 18 e19). O certo é dar ao Todo-poderoso o que Ele pede, do jeito que Ele pede e reconhecendo que, mesmo assim, Ele é o Ofertante de nossas ofertas, o Compositor de nosso louvor e o Autor de nossa adoração! O que vem de nós é apenas o permitir ou (o atrapalhar) Deus atuar.

 
Exemplo 2 “E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: […] Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe. Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude. E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades” (Mc 10:17-22). Neste exemplo, o pecador se ajoelha, apresenta sua oferta (uma falsa obediência) e depois se sai “triste”. Primeiro, se ele estivesse acostumado a obedecer aos mandamentos de Deus, como alegou, ele também obedeceria à ordem de Jesus (veja Mt 25:21). Ou seja, sua desobediência a Cristo revela sua desobediência a Lei! Esse pecador não enxergava que vivia agarrado ao “pão levedado” e ao mundo e pensava que adorava a Deus de verdade. Talvez ele esperasse do Senhor Jesus um elogio. Mas, a sua reação ao que ele recebeu revelou sua incompleta, imperfeita e inaceitável “oferta de gratidão”. Resultado: sua não santificação (secularização) o impediu de rogar a Deus forças para confiar em Jesus e obedecer-Lhe o mandado. Abandonou o Ofertado e não Lhe entregou seu “pão levedado”!
 
Exemplo 3 “Na cidade de Cesaréia havia um homem chamado Cornélio, que era comandante de um batalhão romano chamado Batalhão Italiano. Ele era um homem religioso; ele e todas as pessoas da sua casa adoravam a Deus. Cornélio ajudava muito os judeus pobres e orava sempre a Deus. Um dia, ali pelas três horas da tarde, Cornélio teve uma visão. Ele viu claramente um anjo de Deus, que chegou perto dele e disse: — Cornélio! Ele ficou olhando para o anjo e, com muito medo, perguntou: — O que é, senhor? O anjo respondeu: — Deus aceitou as suas orações e a ajuda que você tem dado aos pobres e ele não esqueceu você” (At 10:1-4, NTLH). Aqui vemos um pecador que, embora não pertencesse a Israel, oferecia a Deus adoração e outras ofertas. O grande missionário divino, o Senhor Espírito, iluminou a mente de Cornélio e este escolheu cooperar com Deus! Ensinou aos de sua própria casa, a outros também próximos a si, ajudou aos pobres, era dedicado no que fazia e “orava sempre a Deus”. Resultado: o Céu o aceitou por meio do Cordeiro aqueles “asmos” mesmo juntos do fermento! E um anjo foi comissionado para usar aquele “pão levedado” aceito para ensinar lindas lições a Pedro (versos seguintes).
 
Conclusão É impossível oferecer uma adoração isenta de pecado a Deus. Mas, Ele sabe disso e quer que Seus adoradores também compreendam isto! A verdadeira gratidão a Jesus envolve obediência completa aos Seus mandamentos. No entanto, até esta obediência completa vem dEle, do Cordeiro que torna a oferta aceitável! Não devemos escolher o que ofertar ao Senhor. Devemos fielmente examinar Sua Palavra e obedecê-la. Isto é gratidão, ainda que estejamos em luta com o pecado. Só Jesus ofereceu a Deus uma oferta de gratidão sem pão levedado e foi aceito (Jo 8:46)! Os demais homens, devemos reconhecer que, mesmo em submissão ao Criador, mesmo temendo-O, dando-Lhe glória e adorando-O (Ap 14:7), carecemos de Sua graça para sermos aceitos, pois nada que façamos muda o fato de possuirmos o fermento do pecado permeando toda nossa vida e é nosso privilégio entregar a Deus este fermento enquanto procuramos seguir Seus reclamos, e sermos conduzidos por Ele para ensinar essa e outras lições para outros pecadores, enquanto Ele nos purifica “de toda injustiça” (I Jo 1:9). Hendrickson Rogers

Deixe uma resposta