O suicídio glutão!

Manteiga e
carne são estimulantes. Isto tem danificado o estômago e pervertido o gosto. Os
nervos sensitivos do cérebro são entorpecidos, e o apetite animal fortalecido
às custas das faculdades morais e intelectuais. Essas elevadas faculdades, de
função controladora, têm sido enfraquecidas, de maneira que as coisas eternas
não têm sido discernidas. A paralisia tem entorpecido o que é espiritual e
devocional. Satanás tem triunfado por ver quão facilmente pode ele vencer pelo
apetite e controlar homens e mulheres de inteligência, destinados pelo Criador
para fazer uma boa e grande obra. (p. 48)

Influência de um Regime Simples Se
todos quantos professam obedecer à lei de Deus estivessem isentos de
iniqüidade, minha alma sentir-se-ia aliviada; não o estão, porém. Mesmo os que
professam guardar todos os mandamentos de Deus são culpados do pecado de
adultério. Que posso eu dizer que lhes desperte as adormecidas sensibilidades?
Os princípios morais, estritamente observados, tornam-se a única salvaguarda da
alma. Se jamais houve tempo em que o regime alimentar devesse ser da mais
simples qualidade, esse tempo é agora. Não devemos pôr carne diante de nossos
filhos. Sua influência é estimular e fortalecer as mais baixas paixões, e têm a
tendência de amortecer as faculdades morais. Cereais e frutas preparados sem
gordura, e no estado mais natural possível, devem ser o alimento para as mesas
de todos os que professam estar-se preparando para a trasladação ao Céu. Quanto
menos estimulante o regime, tanto mais facilmente podem as paixões ser
dominadas. A satisfação do paladar não deve ser consultada sem respeito para
com a saúde física, intelectual ou moral. A condescendência com as paixões inferiores
levará muitíssimos a fechar os olhos à luz; pois temem ver pecados que não
estão dispostos a abandonar. Todos podem ver, se quiserem. Caso prefiram as
trevas em vez da luz, nem por isso será menor a sua culpa. Por que não lêem os
homens e mulheres, tornando-se mais versados nessas coisas que tão
decididamente afetam sua resistência física, intelectual e moral? Deu-vos Deus
uma habitação para que dela cuideis, e a conserveis nas melhores condições para
Seu serviço e Sua glória. (p. 64)
Deus está trabalhando
em favor de Seu povo. Não deseja que fiquem sem recursos. Ele está levando-os
de volta ao regime originalmente dado ao homem. Esse regime deve consistir de
alimentos feitos do material que Ele proveu. O material usado para esses
alimentos deve ser principalmente frutas, cereais e nozes, mas várias raízes
também poderão ser usadas. Repetidamente tem-se-me mostrado que Deus está
trazendo de volta o Seu povo ao Seu desígnio original, isto é, que ele não
dependa da carne de animais mortos. Ele gostaria que ensinássemos ao povo um
caminho melhor. …Se a carne for abandonada, se o gosto não for estimulado
nessa direção, se a apreciação por frutas e cereais for encorajada, logo será
como Deus no início desejou que fosse. Nenhuma carne será usada por Seu povo. (p.
82)
Quando o Deus
de Israel tirou o Seu povo do Egito, privou-os de alimento cárneo em grande
medida, mas deu-lhes pão do Céu e água da dura rocha. Com isto não ficaram eles
satisfeitos. Abominaram o alimento que lhes fora dado e desejaram voltar para o
Egito, onde podiam sentar-se junto às panelas de carne. Preferiam suportar a
escravidão, e até mesmo a morte, a serem privados da carne. Deus lhes satisfez
o desejo, dando-lhes carne, e deixando-os comerem-na até que sua glutonaria
gerou uma praga, em conseqüência da qual muitos morreram. (p. 149)
Há uma classe
de pessoas que professam crer na verdade, e que não usam fumo, rapé, chá, ou
café, e no entanto são culpadas de satisfazer o apetite de modo diferente.
Anseiam por pratos altamente condimentados, com molhos muito fortes, e seu
apetite tornou-se tão pervertido que não se satisfazem nem mesmo com carne, a
menos que seja preparada da maneira mais prejudicial. O estômago torna-se
febril, os órgãos digestivos são sobrecarregados, e ainda o estômago tem de
trabalhar arduamente para desincumbir-se da carga que lhe é imposta. Depois de
efetuar sua tarefa, o estômago fica exausto, o que causa desfalecimento. Aqui é
onde muitos se enganam, pensando que é a falta de alimento que produz tal
sensação, e sem darem ao estômago tempo para descansar, tomam mais alimento, o
que no momento afasta o esmorecimento. E quanto mais se condescende com o
apetite, tanto mais clamará ele por satisfação. Esse desfalecimento é em geral
o resultado de comer carne, e comê-la freqüentemente, e em excesso. (p. 157)
Pessoas que
têm cedido ao apetite para comer livremente carne, molhos ricamente
condimentados, e várias espécies de substanciosos bolos e conservas, não se
satisfazem imediatamente com um regime simples, saudável e nutritivo. Seu
paladar está tão pervertido que não têm apetite para um regime saudável de
frutas, pão simples e verduras. Nem devem esperar que logo ao princípio sintam
prazer em alimento tão diverso daquele com que condescenderam alimentar-se. Se
não podem desde o princípio ter prazer em alimentos simples, devem jejuar até
que tenham. Esse jejum se lhes demonstrará de maior benefício do que os
remédios, pois o abusado estômago encontrará o repouso de que havia tanto
necessitava, e a verdadeira fome se satisfará com um regime simples. Levará
tempo para o paladar recuperar-se dos abusos que sofreu e voltar ao seu tom
natural. Mas a perseverança na adoção de um regime abnegado de comer e beber
bem depressa tornará agradável o alimento simples e saudável, e logo este será
ingerido com maior satisfação do que frui o gastrônomo com suas ricas iguarias.
O estômago assim não fica febril e sobrecarregado de alimentos, mas acha-se em
condição sadia, podendo de pronto efetuar sua tarefa. Não deve haver demora na
reforma. Devem fazer-se esforços para preservar cuidadosamente a força que
resta das forças vitais, evitando qualquer carga excessiva. O estômago talvez
nunca mais recupere saúde plena, mas o procedimento acertado na questão do
regime poupará novas debilidades, e muitos ficarão mais ou menos recuperados, a
menos que tenham ido muito longe no suicídio glutão. (p. 159)
Fonte: Conselhos Sobre o Regime Alimentar, Ellen G. White. 

Alagoano de Escola Pública do interior conquista medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática!

Aluno de escola pública do interior de Alagoas, jovem de 19 anos ganha medalha de ouro na Olimpíada de Matemática.

Coruripe [AL] – Assim como acontece com a maioria dos jovens com quem convive, provavelmente Indiana Jones dos Santos, 19, acabaria seguindo a vida de pescador – como seu pai. Mas, da mesma maneira que o personagem do filme que seu nome homenageia, o jovem gosta de enfrentar desafios. Mesmo vivendo em um Estado que tem um dos piores Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), vindo de uma família pobre, que mora numa casa doada pela prefeitura no povoado de Poxim, município de Coruripe, e ainda ter passado quatro anos fora da escola, ele é um dos vencedores da Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas de 2011 – uma competição nacional. Indiana ganhou medalha de ouro no nível 2, para estudantes dos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental, e agora aguarda ansioso pela viagem ao Rio de Janeiro, ainda sem data prevista, quando receberá a medalha e uma bolsa de estudos, no valor de R$ 100 mensais, pelo período de um ano. O prêmio, entretanto, não foi surpresa para o estudante. Ele participa da Olimpíada de Matemática desde 2007 e ganhou, em anos anteriores, menção honrosa e duas medalhas de bronze, em 2009 e 2010.

A competição fez com que ele voltasse a se interessar pelos estudos, e depois do último bronze disse para os professores e a família que iria se preparar para ganhar medalha de ouro no ano passado – como de fato aconteceu. Os certificados e as medalhas que ganhou são mostrados com orgulho nas paredes da sala da pequena casa, onde vive com a mãe, padastro e dois irmãos mais velhos. Agora, iniciando o ensino médio, conta que pretende ganhar ainda mais medalhas por seu conhecimento em Matemática e diz que não tem muita certeza ainda sobre a profissão que deseja seguir; mas sabe que tem condições de vencer o ciclo da pobreza e ser muito mais do que imaginava.

***

Gazeta. É difícil para um estudante de uma escola pública ganhar uma medalha de ouro em Matemática?

Indiana Jones. Para mim não foi difícil, eu sempre gostei de números. Por isso me interessei em estudar Matemática e participar da Olimpíada. Desde a primeira vez que participei ganhei alguma coisa. Em 2007 foi uma menção honrosa, e em 2009 e 2010, ganhei medalha de bronze.

Então a medalha de ouro não foi uma surpresa?

Surpresa mesmo, para mim, não. Mas muita gente não acreditava que eu fosse ganhar. Eu estava me preparando para isso. Em 2010, quando cheguei na escola com a medalha de bronze, disse para os professores que um ano depois queria trazer a medalha de ouro. As provas da primeira fase, a gente faz na escola mesmo. Depois do resultado, fui fazer a segunda fase em Coruripe, e a terceira fase foi em Maceió.

E como você ficou sabendo do resultado?

Minha mãe que me contou. Estava de férias e a diretora da escola acessou a página da Olimpíada de Matemática e viu o meu nome. Minha mãe foi chamada na escola e, quando chegou em casa contando, foi uma alegria muito grande. Apesar de eu já ter ganhado duas medalhas antes, para a minha família foi surpresa a medalha de ouro.

Como você se preparou para a Olimpíada?

Não teve nenhuma preparação especial. Só estudava bastante em casa. Ano passado eu ia para a escola no período da tarde. Quando chegava em casa, depois de tomar banho e tomar café, aí eu começava a estudar. Estudava para a escola e também para fazer as provas da Olimpíada.

Ganhou essas medalhas por que as provas da Olimpíada são fáceis para você ou você venceu pelo esforço?

As provas não eram fáceis, mas eu me esforçava muito estudando.

Você tem 19 anos e só agora está começando o Ensino Médio. O que aconteceu para você se atrasar nos estudos?

Eu nunca fui reprovado, mas passei um tempo sem ir para a escola. Sei lá… perdi a vontade de estudar. A primeira vez fiquei dois anos sem ir para a escola, de 2004 a 2006, quando ainda morava na comunidade da usina [Coruripe]. Depois que a minha mãe se mudou com meu padastro para Poxim, voltei a estudar em 2007 e ganhei menção honrosa na Olimpíada. Em 2008 desisti de novo e só voltei em 2009. Agora não quero parar mais.

Por que você desistia da escola? Para trabalhar e ajudar em casa?

Não. Era porque eu não tinha vontade mesmo. Era preguiça de ir para a escola. Não entendia por que precisava aprender aquelas coisas e achava a escola muito chata. Só voltei a estudar porque, depois que a gente veio morar no Poxim, o meu padastro insistia muito para que eu e meus irmãos voltássemos para a escola. Foi só por causa da insistência dele que eu voltei, porque, querer, eu não queria.

Nota: Exemplo fantástico da recompensa que vem da dedicação aos estudos independente das circunstâncias! Vamos juventude alagoana! Marchemos diariamente na direção dos estudos, com esforços e   luta! Deus ama isso e dispensa um cuidado visível para com os jovens que nEle se refugiam e confiam (Sl 31:19)! Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo” (Cl 3:23-24).  “Jovens, eu lhes escrevi, porque vocês são fortes, e em vocês a Palavra de Deus permanece e vocês venceram o Maligno” (1 Jo 2:14). Hendrickson Rogers 

Ei, “templo do Espírito Santo”, tome não refrigerante, viu?

 razões para não tomar refrigerante

Mesmo que você não saiba por que, com certeza sabe que refrigerante não faz bem. Desprovido de qualquer valor nutricional, essa água açucarada engorda, leva à obesidade e diabetes, além de outros vários males que não recebem muita atenção nas discussões de saúde, mas que listamos aqui na esperança de lhe recrutar para o lado do suco natural, chá e outras bebidas mais saudáveis. Confira:

1 – Envelhecimento acelerado
Normal, diet, light ou zero, todos os refrigerantes de cola contêm fosfato, ou ácido fosfórico, um ácido que dá ao refri seu sabor típico e aumenta seu tempo de prateleira. Embora ele exista em muitos alimentos integrais, tais como carne, leite e nozes, ácido fosfórico em excesso pode levar a problemas cardíacos e renais, perda muscular e osteoporose, e um estudo sugere que poderia até provocar envelhecimento acelerado.
O estudo, publicado em 2010, descobriu que os níveis de fosfato encontrados em refrigerantes fizeram com que ratos de laboratório morressem cinco semanas mais cedo do que os ratos cujas dietas tinham níveis normais de fosfato. Pior ainda é a tendência preocupante dos fabricantes de refrigerantes de aumentar os níveis de ácido fosfórico em seus produtos ao longo das últimas décadas.
2 – Pode causar câncer
Em 2011, a instituição sem fins lucrativos Centro de Ciência para o Interesse Público solicitou à Administração de Alimentos e Drogas americana para proibir o corante artificial caramelo usado para fazer Coca-Cola, Pepsi e outros refrigerantes marrons. O motivo: dois contaminantes na coloração, 2-metilimidazole e 4-metilimidazol, que já causaram câncer em animais. De acordo com uma lista proposta na Califórnia de 65 de produtos químicos conhecidos por causar câncer, apenas 16 microgramas por pessoa por dia de 4-metilimidazol é o suficiente para representar uma ameaça de câncer. Qualquer refrigerante (normal, diet, zero) contêm 200 microgramas por 570 ml.
3 – Dentes podres e problemas neurológicos
Nos EUA, dentistas até deram o nome de um refrigerante (boca “Mountain Dew”) para uma condição que eles vêem em um monte de crianças que o bebem demais. Elas acabam com a boca cheia de cáries causadas por níveis de açúcar em excesso.
Além disso, um ingrediente chamado óleo vegetal bromado, ou BVO, adicionado para evitar que o aroma separe-se da bebida, é um produto químico industrial usado como retardador de chamas em plásticos. Também encontrado em outros refrigerantes e bebidas esportivas baseados em citros, o produto químico tem sido conhecido por causar distúrbios de memória e perda nervosa quando consumido em grandes quantidades. Os pesquisadores também suspeitam que o produto químico se acumula na gordura do corpo, podendo causar problemas de comportamento, infertilidade e lesões nos músculos do coração ao longo do tempo.
4 – Latas tóxicas
Não é apenas o refrigerante que causa problemas. Quase todas as latas de alumínio de refrigerante são revestidas com uma resina 

chamada bisfenol A (BPA), usada para impedir os ácidos do refrigerante de reagir com o metal. BPA é conhecida por interferir com os hormônios e tem sido associada a tudo, de infertilidade a obesidade a algumas formas de câncer. E, enquanto a Pepsi e a Coca-Cola estão atualmente envolvidas em uma batalha para ver qual empresa pode ser a primeira a desenvolver uma garrafa de plástico 100% baseada em plantas que elas estão divulgando como “sem BPA”, nenhuma empresa está disposta a retirar a substância das latas de alumínio.

5 – Poluição da água
Os adoçantes artificiais utilizados em refrigerantes diet não quebram em nossos corpos, e nem o tratamento de águas residuais consegue separá-los antes que entrem nos cursos de água. Em 2009, cientistas suíços testaram amostras de água tratada, rios e lagos na Suíça e detectaram níveis de acessulfame K, sucralose e sacarina em todos, substâncias usadas em refrigerantes diet. Um teste recente em abastecimentos de água municipal nos EUA também revelou a presença de sucralose em todos os 19 estudados. Não está claro ainda o que esses níveis encontrados podem fazer com as pessoas, mas pesquisas anteriores concluíram que a sucralose em rios e lagos interfere com os hábitos de alimentação de alguns organismos.
Há indicações de que refrigerantes de cola podem prejudicar o esperma e até causar paralisia muscular. Além de potencialmente causarem tantos problemas, podem ser viciantes.

Você está acostumado à paisagem? Cuidado!

Fontes: Nisto Cremos e Rádio Novo Tempo.

Um dos maiores perigos que enfrentamos na vida é o de nos acostumarmos com a paisagem.

Acostumar com a paisagem significa não enxergar mais os detalhes das coisas que vemos todos os dias, dos ambientes em que vivemos o nosso dia a dia. Como vemos sempre a mesma coisa, estamos sempre naquele lugar, já não prestamos mais atenção nas coisas erradas, quebradas, sujas. Como estamos sempre com as mesmas pessoas elas se tornam parte da paisagem e não damos mais a atenção que deveríamos dar a elas.
Passamos a não tratar bem, com respeito e polidez, as pessoas com quem convivemos diariamente

. A verdade é que nos acostumamos com aquela paisagem e ligamos nosso piloto automático.

Vejo empresas com paredes sujas, cantos quebrados, salas de espera mal arrumadas, banheiros sujos e mal cuidados e até plantas secas em vasos secos. Quando chamo a atenção, as pessoas da empresa se surpreendem. Elas não enxergam mais aquilo tudo. Elas se acostumaram com a paisagem.
Conheço subordinados que perderam o respeito em relação a seus chefes e chefes que perderam o respeito em relação a seus subordinados. Esse relacionamento diário fez com que ambos os lados não prestassem mais atenção ao que falam, aos como falam, como se comportam, etc. O mesmo acontece com velhos clientes e velhos fornecedores. Eles acabam fazendo parte de nossa paisagem e aí não damos mais a atenção que dávamos a eles e até acabamos perdendo o respeito que deveríamos ter.

Na vida pessoal é a mesma coisa. A nossa esposa, o nosso marido, nossos filhos e até pais e amigos começam a fazer parte de nossa paisagem e não damos mais a atenção que deveríamos dar a eles. Perdemos o respeito que se traduz em gentileza, consideração, em ouvir com atenção e levar a sério o que dizem.
Há até mesmo o risco de nossa imagem começar a fazer parte da paisagem e não percebemos mais o quanto estamos gordos, feios, mal vestidos e até com falta de cuidados em nossa higiene pessoal. Aquela imagem que vemos todos os dias no espelho acaba fazendo parte da paisagem como se não pudesse ser mudada.
Cuidado, pois, para não se acostumar com a paisagem. Preste atenção!
Pense nisso. Sucesso!

Lúcifer, músico? E os músicos, lúciferes? – Buscando o equilíbrio bíblico

[Meus comentários (Hendrickson Rogers) estão entre colchetes!]
O uso incorreto dos
escritos de Ellen White tem dado origem a muitas lendas e mitos adventistas. A
maneira como isso ocorre é semelhante à brincadeira do telefone sem fio. Você
sabe como é o jogo, a simples frase “Maria foi nadar na piscina” torna-se no fim
da roda em “Azarias não jogou nada na latrina”. Quando trabalhei como Assistente
de Pesquisas no Centro White, Unasp-2, publiquei um artigo na Revista
Adventista (“Revisão de Arquivo” RA,
Abril de 1995) em que abordei algumas dessas citações “apócrifas” do Espírito
de Profecia, e mais recentemente no artigo “Órion e os Eventos Finais”.
Tenho aprendido que o problema não está com certas declarações de Ellen White e
sim com a maneira em que seus escritos são lidos, descontextualizados e
abusados. Uma das interpretações que tem se
tornado quase proverbial em nosso meio é a idéia de que Lúcifer era “regente do
coro celeste”. A idéia é baseada na seguinte citação de Ellen White:

“Satanás tinha dirigido o coro
celestial. Tinha ferido a primeira nota; então todo o exército angelical
havia-se unido a ele, e gloriosos acordes musicais haviam ressoado através do
Céu em honra a Deus e Seu amado Filho. Mas agora, em vez de suaves notas
musicais, palavras de discórdia e ira caíam aos ouvidos do grande líder
rebelde.”
 (História da
Redenção, 25).

Primeiramente, é importante
ressaltar que a revelação Bíblica, a luz maior, em nenhum momento retrata
Lúcifer como regente do coro celeste
[embora ele e a música apareçam relacionados na Palavra! Cf. Is 14:11, “som da tua harpa”]. Isso já seria razão suficiente para
sermos cautelosos ao fazer afirmações categóricas sobre as atividades de
Lúcifer no céu antes de sua queda.

Mas alguns textos bíblicos são
usados para provar a idéia de que Satanás era músico; veja Ezequiel 28:13-15:
“Estiveste no Éden, jardim de
Deus; cobrias-te de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a
crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti
se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram
preparados. Eu te coloquei com o querubim da guarda; estiveste sobre o monte santo
de Deus; andaste no meio das pedras afogueadas. Perfeito eras nos teus
caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniqüidade.”
A passagem acima faz parte de um
juízo proferido sobre o rei de Tiro, portanto, a intenção original de Ezequiel [ôps, a “palavra” era do profeta ou de “JAVÉ”? Ez 28:1. A intenção de JAVÉ é dupla claramente! Ou o “rei de Tiro” estava no “Éden”?] não é tratar de Lúcifer em seu estado não caído e por isso, precisamos
respeitar o contexto. Mesmo que haja certos paralelos entre a altivez do rei de
Tiro e Lúcifer, a linguagem não trata deles de forma literal. Por exemplo,
porque o texto trata de instrumentos musicais, alguns concluem que isso se
refere ao dom musical de Lúcifer no céu, enquanto outros até vêem aí uma prova
de que havia “tambores” no céu. Não é bem assim que se faz exegese, a linguagem
aqui é poética, simbólica e metafórica e o hebraico é de difícil tradução e
inconclusivo ao falar de instrumentos, é necessária cautela. Podemos, no entanto, aplicar os
princípios da queda do rei de Tiro como símbolo da queda de Lúcifer, já que há
alguns paralelos óbvios, tais como “eras o selo da perfeição, cheio de
sabedoria e perfeito em formosura” (v. 12). Mas ao mesmo tempo em que há
paralelos, há também disparidades entre os dois personagens que nos impedem de
criar um paralelo literal entre cada elemento do texto de Ezequiel com Lúcifer.
Assim, tentar literalizar a passagem de Ezequiel nos traz dificuldades já que
se Lúcifer era músico e tocava “tambores e pífaros” (v. 13) no céu, então ele
também era coberto de jóias preciosas literalmente, se engajou em “comércio” lá
(v. 16, 18), profanou os seus próprios “santuários” (v. 18) e Deus o expulsou
em direção à “terra” (que supostamente ainda não havia sido criada!) e o expôs
perante “reis” (v. 16, 17). O disparate exegético deveria ser óbvio.  
Concluir, portanto, que Lúcifer
era regente do coro celestial ou até mesmo músico celeste com base nos
instrumentos citados na passagem de Ezequiel é forçar o texto bíblico. Isso não
quer dizer necessariamente que Lúcifer não era músico no céu, a Bíblia contém
muitas cenas de louvor oferecido pelos anjos a Deus. Mas querer precisar que
função Lúcifer tinha no céu é ir além da revelação.
O outro texto citado é Jó 38:4-7,
que mostra que fala do “coro celestial”:
“Onde estavas tu, quando eu
lançava os fundamentos da terra? … quando juntas cantavam as estrelas da
manhã, e todos os filhos de Deus bradavam de júbilo?” 
O texto pode estar se referindo a
um coro de anjos cantando nas eras sem fim da eternidade, mas não trata de
Lúcifer em específico. Acima de tudo, assim como Ezequiel, o texto de Jó é
poético e simbólico. É interessante notar que a idéia
de que Lúcifer tivera posição de líder dos anjos não é original de Ellen White.
Esse conceito parece ter se tornado parte da tradição cristã e era idéia comum
para alguns autores no tempo de Ellen White.[1] Ela estaria apenas refletindo
uma idéia periférica da sua época neste ponto (como fez em muitos outros[2])
para expressar um ponto mais importante sobre a atuação de Lúcifer. [Por outro lado, a própria Bíblia deixa claro a liderança exercida pelo Lúcifer mudado, o Diabo, ainda lá no Céu, cf. Ap 12:7.]
Com esse breve pano de fundo
bíblico e histórico, voltemos então à passagem de Ellen White. Uma leitura mais
cuidadosa da passagem indica que Ellen White não pretendeu fazer uma declaração
sobre a posição de regente musical de Lúcifer. Ela escreveu que “Satanás tinha
dirigido o coro celestial. Tinha ferido a primeira nota,” o que expressa uma
ação pontiliar [pontual, certo??] num passado distante e não uma ação constante necessariamente.
Note que a conclusão que Satanás tinha a posição estabelecida de “regente do
coro” não está no texto. Essa nuance é importante para o entendimento da
intenção de Ellen White.
 Ela claramente não está
fazendo uma declaração sobre a função de músico de Lúcifer ou como a música é
executada nas cortes celestiais, mas está ressaltando sua posição em relação
aos anjos: ele era o anjo mais exaltado, tinha primazia em termos de criação e
função.

Lúcifer é retratado aqui como
aquele que, dentre os anjos, primeiro sentiu em seu coração o desejo de louvar
a Deus, ele iniciou o louvor, feriu a “primeira nota” e os anjos
seguiram. Assim, a metáfora da música celestial é usada por Ellen White para
criar um forte contraste entre a submissão de Lúcifer a Deus ao alçar louvores
a Ele e a rebelião que começava a surgir em seu coração através da discórida [discórdia…] e
desarmonia. Veja que ela continua dizendo “Mas agora, em vez de suaves
notas musicais, palavras de discórdia e ira caíam aos ouvidos do grande líder
rebelde.
” Aqui Lúcifer abandonara o desejo de louvar a Deus. Dessa
forma, a metáfora musical é usada para fins primordialmente homiléticos, para
expressar um ponto mais importante, a saber, a exaltação de Lúcifer perante os
anjos e sua repentina queda.
Além da precariedade do argumento
do ponto de vista bíblico e o fato de que Ellen White não disse que Satanás era
“regente” do coro celeste, a idéia de que Lúcifer tinha esse função
específica também esbarra em problemas lógicos. O primeiro deles é o tamanho do
coro celeste; se houvesse mesmo a necessidade de um regente, deveria haver
milhares de sub-regentes para um coro de milhares, milhões ou bilhões de anjos,
como ocorre com grandes corais aqui. O problema é que a necessidade de um
regente nos moldes de um diretor de coral terrestre fere o conceito bíblico de
que os anjos são perfeitos em todos os sentidos e superiores ao homem (Salmo
8:5; Heb 2:7). Por quê? Anjos perfeitos em poder não devem
necessitar de um regente que indique o compasso, mudanças de dinâmica,
cadência, rallentandos, pianissimos ou mezzo fortes, se é que a música celeste
sequer pode ser descrita nos moldes terrestres!
[Discordo. A Bíblia apresenta sim o conceito de funções e até ordens angélicas tanto quanto a ideia de perfeição desses majestosos seres superiores aos pecadores: “príncipes”, Dn 10:13; “arcanjo” (anjo chefe) Jd 9. Perfeição não exige uniformidade! Deus ama a diversidade e Ele mesmo, JAVÉ trino, apresenta as Três Pessoas divinas com funções e até ordens distintas, obviamente devido as funções e não à natureza divina! Cf. Jo 14:28]
Nem mesmo deve ser necessário que
alguém lhes dê a “primeira nota” nos padrões de um regente terrestre, como se
os anjos precisassem disso para se manterem no tom. Existem seres humanos que
possuem o que chamamos de “ouvido absoluto”, ou seja, não precisam que ninguém
lhes toque ao piano ou sopre num diapasão um Dó ou Fá, eles ouvem a nota
automaticamente em seu ouvido e cantam no tom. Quanto mais os anjos que foram
criados de forma superior ao homem! E até mesmo em nossa esfera decaída, há
muito coral profissional por aí que não necessita de regente. Creio que deu
para entender os problemas com uma leitura rígida da passagem em questão. [Penso que aqui o autor confundiu perfeição com presença de todos os dons e talentos do Senhor Espírito! Um anjo não caído continua sendo perfeito mesmo alguns dons não se achando presentes em seu caráter. Esse sentido de perfeição=plenitude só é devido a Jesus (Deus)! Cf. Cl 1:19]
 Em conclusão, nosso estudo revela
que Ellen White se valeu de certa forma de uma idéia comum em seu tempo [e também da própria Escritura Sagrada!], a
saber, de que Lúcifer era líder do anjos, inclusive nos louvores, para ilustrar
um ponto mais importante, o da sua posição elevada e repentina queda. Também
não há nada na passagem que indique que esse conceito fora parte de uma
revelação especial a Ellen White.
Se Lúcifer era ou não
“regente do coro celestial” é irrelevante, já que ele não caiu de sua
elevada posição por rebelião ao governo de Deus por questões
musicais. Assim, devemos ler a passagem sobre Lúcifer e o coro celeste
mais por sua força retórica sobre a exaltação e subsequente queda de Lúcifer, e
não como uma declaração de qual função musical ele exercia no céu ou como é
realizada a música celeste
.
Cabe aqui também uma
palavra de exortação. Infelizmente a intenção de muitos que usam a passagem de
Satanás como suposto “regente do coro celeste” é quase sempre demonizar
(literalmente) a música sacra contemporânea. Ouvem-se afirmações do tipo
“Satanás é músico, temos que ter cuidado com avanços na música adventista.”
Assim, cria-se um espantalho ao redor da música adventista para coibir, oprimir
e ostracizar músicos. Nossos músicos não têm liberdade para trabalhar porque
sempre correm o risco de se tornar culpados por associação com Lúcifer, o
músico par excellence, o “regente do coro celeste”. [Mas também pelo fato de uma fatia dos ditos músicos só fazerem isso na Igreja e nada mais! Não demonstram intimidade com a Bíblia, com a missão, apresentam um conhecimento bíblico raquítico e até mal se sentam nas cadeiras que não estão na plataforma! Cantam e passeiam…]

Com certeza Satanás deve ter um vasto conhecimento da música celeste e bem como
da terrestre, mas ele não foi originador da música, Deus o é. Não entreguemos a
Satanás algo que pertence a Deus, o dom da música, e não façamos os músicos da
Igreja culpados por associação porque um suposto “regente do coro celeste” caiu
em rebelião. [Satanás não criou nada a não ser o mal! E dentro desse mal estão os pseudo-músicos adventistas e outros cuja vida não é um “sacrifício de louvor” a Deus! Cf. Hb 13:15 e Lv 22:29]

E, ironicamente, Satanás sempre
alcança seu objetivo de espalhar desarmonia na igreja quando, no afã de evitar
o complexo do “regente Lúcifer”, caímos em extremos na questão da música sacra,
julgando a intenção dos nossos irmãos, impondo nossas idéias pessoais do que
Deus aceita ou não (“Se eu não gosto, Deus não gosta também”),
criticando e condenando.
No fim das contas, o maior
problema dos músicos e adoradores adventistas não é tanto “musical” e sim
“relacional”, seja no relacionamento com Deus ou com nosso próximo, como foi
para Lúcifer. Cultive relacionamentos saudáveis na questão da música sacra para
não cair no mesmo problema daquele anjo caído. 
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[1] Veja, por exemplo, John Milton, Paradise Lost
(Londres: 1674), Livro IV, 600-605; ibid., Livro VII, 130; Daniel Defoe, The
Political History of the Devil 
(1726), p. 49, ibid., The Life
and Adventures of Robinson Crusoe 
(1800), p. 119, Emily
Percival, The Token of Friendship(1852), que usa linguagem bem
semelhante à de Ellen White: “Lúcifer pode haver sido o líder daquele coro
celeste” (p. 26).
[2] Como por exemplo, 6.000 anos para a idade da terra, idéia comum no século
19 hoje questionada por cientistas criacionistas e arqueólogos Adventistas. A
história da civilização humana tem pouco mais de 6.000 anos, talvez 10.000.
Ellen White nunca procurou estabelecer a idade da terra, ela usou o cômputo
para ressaltar um ponto mais importante, a saber, a longa odisséia do pecado na
terra.
 Fonte: André Reis.