Cronologia da historicidade da doutrina bíblica da Trindade – 6ª parte

Século 4
Teólogos desafiaram Basílio
quanto ao uso que ele fazia das preposições “com” e “junto com” na bênção: “Glória
ao Pai com o Filho juntamente com o Espírito Santo”. Eles
defendiam que essa oração utilizada no final dos cultos deveria ser: “Glória ao Pai através do Filho no
Espírito Santo”. Basílio contra-argumentou que as Escrituras não fazem uma
distinção tão clara quanto ao uso de preposições relativas às Três Pessoas da
Divindade. Teólogos argumentaram que o uso de preposições específicas
manteria a subordinação do Filho e do Espírito ao Pai. Basílio
demonstrou a Partir das Escrituras que tal subordinação do Filho envolve
apenas a Sua encarnação! E ele contra-argumentou ainda que, embora o uso tão
preciso de preposições fosse comum na filosofia, ele era estranho às
Escrituras. Destacou que a Bíblia utiliza praticamente todas as combinações
de preposições comuns para descrever o Pai, o Filho e o Espírito Santo! Basílio
repassou literalmente dezenas de passagens escriturísticas demonstrando o
amplo uso de preposições aplicadas a todas as Três Pessoas divinas, anulando
a aparente subordinação existente na Divindade! (Para uma pequena amostra,
cf. Rm 11:36; Mt 1:20 e Gl 6:8).
Basílio venceu
intelectualmente o argumento a partir das Escrituras, mas pragmaticamente foi
através da prática da adoração cristã que ele persuadiu os bispos cristãos a
reconhecerem o Espírito Santo como plenamente Deus! Ele demonstrou como no
batismo e na oração os cristãos haviam adorado igualmente o Pai, o Filho e o
Espírito Santo através dos séculos, a despeito de todos os argumentos
teológicos do quarto século. Todos os grupos, com a possível exceção do
partido defensor de heteroousios de
Eunômio, haviam continuado a
adorar o Pai e o Filho, a despeito de sua teologia. Basílio provou isso
poderosamente nos últimos capítulos de seu livro Sobre o Espírito Santo, e as reflexões que ele provocou
estabeleceram as bases para que o Concílio
de Constantinopla
reconhecesse plenamente o Filho e o Espírito Santo como
pessoas da Divindade, ao lado do Pai!
É verdade
que ambos os Concílios, de Nicéia e o de Constantinopla, fizeram algumas declarações que, comparadas com a
Bíblia, são rejeitáveis. Mesmo alguns aspectos da compreensão que Atanásio teve do Filho, como sua
descrição dEle como “eternamente gerado”, mais criam problemas do que os resolvem!
Embora os Concílios e os teólogos
cristãos não sejam autoridades proféticas, como seguidores da Palavra de Deus, temos a oportunidade
de reconhecer a validade de argumentos como os de Basílio, por exemplo, a partir da Bíblia! Como cristãos
bíblicos,
não aceitaremos a fórmula trinitariana baseados na autoridade
dos dogmas do Catolicismo ou na
autoridade dos dogmas de nossa
denominação cristã
, mas a aceitaremos pelo fato de que ela melhor representa
o que as Escrituras dizem a
respeito do Pai, do Filho e do Espírito Santo como sendo Deus!

Pesquisa baseada no livro “A Trindade” de Woodrow Whidden, Jerry Moon e John W. Reeve. Ela está em construção. Aguardem sua conclusão! 

As demais partes da pesquisa: Primeira aqui. Segunda parte desta Cronologia aqui! A terceira parte aqui e a quarta, aqui! Quinta parte aqui. (Hendrickson Rogers) 

Cronologia da historicidade da doutrina bíblica da Trindade – 5ª parte

Século 4 
Diversas circunstâncias na década que antecedeu o
Concílio de Constantinopla, em 381, prepararam o caminho para esse encontro,
no qual a fórmula trinitariana finalmente se tornou a teologia ortodoxa
oficial da igreja cristã. Um dos eventos com repercussão extremamente
importante sobre o concílio foi a coroação do imperador Teodósio, que se
achava comprometido com a fórmula homoousios.
Durante 50 anos, cada novo imperador havia assumido diferentes compromissos
com os vários grupos teológicos. O imperador Juliano, por exemplo, durante um
breve período até mesmo tentou levar o império de volta ao paganismo e
afastá-lo do cristianismo. O imperador Valêncio, que morreu em 378, foi o
último dos imperadores a abertamente favorecer o arianismo e dar apoio a
teólogos arianos. É duvidoso afirmar se o apoio ou a oposição do imperador,
por si só, haveria sido capaz de determinar o resultado final do Concílio de
Constantinopla, pois apenas 75 anos antes outro imperador – Diocleciano
havia tentado manipular e destruir a igreja por meio da força e fracassara! O
cristianismo se expandira por séculos, a despeito da censura ou da aprovação
imperial!
Outro fator
a preparar o caminho para o concílio foram os escritos teológicos e a
liderança política de três teólogos da Capadócia: Basílio de Cesaréia, Gregório
de Nazianzo
(amigo de Basílio) e o irmão mais novo de Basílio chamado Gregório de Nissa. Eles se tornaram a
força teológica e política por trás do trinitarianismo quando o velho Atanásio deixou o cenário. Basílio
comparou a situação de bispos e imperadores mudando de ideia e trocando de
lado com “uma batalha naval sendo
travada em meio a uma furiosa tempestade, na qual as duas esquadras se
encontram tão destruídas pela tormenta que as bandeiras não podem mais ser
vistas, os sinais não mais são reconhecidos, e a pessoa não mais consegue
distinguir entre seus aliados e seus inimigos”
(de seu livro “On the Holy
Spirit”)! Os três teólogos da
Capadócia
escreveram tratados e cartas, explorando e solidificando a
teologia trinitariana e criando uma terminologia padronizada. Falaram do Pai,
Filho e Espírito Santo como sendo simultaneamente três quanto à personalidade
(hypostasis), mas apenas um em
relação à natureza (ousia). Os
capadócios estenderam a natureza compartilhada do Pai e do Filho ao Espírito
Santo, clarificando assim este ponto vago do Credo de Nicéia. Em sua obra Sobre o Espírito Santo, Basílio
argumentou em favor do reconhecimento da relação entre Pai, Filho e Espírito
Santo como sendo de uma mesma substância e de igual status, portanto igualmente dignos de adoração!

Pesquisa baseada no livro “A Trindade” de Woodrow Whidden, Jerry Moon e John W. Reeve. Ela está em construção. Aguardem sua conclusão! 

As demais partes da pesquisa: Primeira aqui. Segunda parte desta Cronologia aqui! A terceira parte aqui e a quarta, aqui! (Hendrickson Rogers) 

Aos mestres, com carinho!

Compus esta hipercrônica com uma seleção das minhas citações preferidas sobre educação e sobre o transcendente papel do professor na preparação das gerações futuras. Mais que uma homenagem, é uma forma que encontrei para expressar minha gratidão.
A todos os meus professores,
“Se a Educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” (Paulo Freire)
“Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra.”
(Anísio Teixeira)
“A sociedade e cada meio social particular determinam o ideal que a educação realiza.”
(Émile Durkheim)
“O indivíduo é social não como resultado de circunstâncias externas, mas em virtude de uma necessidade interna.”
(Henri Wallon)
“O principal objetivo da Educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram.”
(Jean Piaget)
“Nós nos tornamos nós mesmos através dos outros.”
(Lev Vygostky)
“A tarefa do professor é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir.”
(Maria Montessori)
“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”
(Paulo Freire)
“Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública.”
(Anísio Teixeira)
“Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.”
(Derek Bok)
“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”
(Nelson Mandela)
“O essencial, com efeito, na educação, não é a doutrina ensinada, é o despertar.”
(Ernest Renan)
“A educação é um seguro para a vida e um passaporte para a eternidade.”
(Antonio Guijarro)
“Ensinar é um exercício de imortalidade, que de alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra, sendo que, desse modo, o professor não morre jamais, estando a cada dia no pensamento daqueles a quem ensinou.”
(Rubem Alves)
“Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.”
(Pitágoras)
“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”
(Cora Coralina)
“Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar.”
(Esopo)
“A educação é para a alma o que a escultura é para um bloco de mármore.”
(Joseph Addison)
“Educar não é encher um cântaro, mas sim, acender uma chama.”
(William Yeats)

Livro: “Mente e Cosmos: por que é que a concepção materialista neodarwinista da natureza é quase de certeza falsa”

livro mind and cosmospor John G. West

Em setembro, a Oxford University Press lança oficialmente uma versão de um novo livro da autoria do filósofo de renome Thomas Nagel, da Universidade de Nova York. É uma bomba. Já disponível na versão Kindle, o livro de Nagel tem o título provocante de Mind and Cosmos: Why the Materialist Neo-Darwinian Conception of Nature Is Almost Certainly False (Mente e Cosmos: por que é que a concepção materialista neodarwinista da natureza é quase de certeza falsa). Você leu bem: o sub-título do livro declara que “a concepção materialista neodarwinista da natureza é quase de certeza falsa”. Nagel é um ateu que não está a favor do argumento do Design Inteligente. Mas ele considera de uma forma clara que a evidência a favor da moderna teoria darwinista deixa muito a desejar.Para além disso, ele demonstra apreciar profundamente o fato dos “iconoclastas” do movimento do Design Inteligente levantarem um desafio significativo à atual ortodoxia científica. No capítulo 1, Nagel cita de forma favorável, em particular o trabalho de três membros do Discovery Institute:

“Ao pensar sobre essas questões, eu tenho sido estimulado pelas críticas à visão de mundo científica predominante… pelos defensores do Design Inteligente. Apesar de escritores como Michael Behe e Stephen Meyer serem, motivados, pelo menos em parte, por suas crenças religiosas, os argumentos empíricos que eles oferecem contra a probabilidade da origem da vida e da sua história evolucionária poderem ser plenamente explicadas pela física e pela química são por si só de grande interesse. Outro cético, David Berlinski, tem abordado estes problemas de uma forma activa sem fazer referência à inferência de design. Mesmo que uma pessoa não seja atraída pela explicação alternativa de ações de um designer, os problemas que esses iconoclastas apresentam ao consenso ortodoxo científico devem ser considerados seriamente. Eles não merecem o escárnio com que eles são confrontados habitualmente. Isso é manifestamente injusto”.

De uma forma refrescante, Nagel não alinha com os esforços unilaterais de evitar os argumentos dos proponentes do Design Inteligente, esforços esses que estigmatizam as suas presumidas “crenças religiosas”. Como Nagel realçou, “os argumentos empíricos” oferecidos pelos proponentes do DI “são por si só de grande interesse”. É a evidência que interessa, e é a evidência que precisa de uma resposta. Nagel prossegue e diz algo que provavelmente vai mesmo irritar alguns defensores da ortodoxia darwinista:

“Eu creio que os defensores do Design Inteligente merecem a nossa gratidão por desafiarem uma visão do mundo científico pela qual alguns dos seus adeptos se apaixonaram em parte precisamente pelo fato de pensarem que ela nos libertaria da religião. Aquela visão do mundo está envelhecida, e está na altura de ser substituída…”.

Uau! Quem ainda acredita que o peso das evidências apoia a visão darwinista, e que nenhuma pessoa racional pode duvidar do consenso darwinista, precisa ler o livro de Nagel. Nagel é Membro da Academia Americana de Artes e Ciências, e recebeu o prestigiado Prêmio Balzan pelo seu trabalho em Filosofia Moral. Ele recebeu bolsas de estudos da National Science Foundation e da National Endowment for the Humanities, entre outras instituições. Ele é um dos filósofos de topo dos Estados Unidos. Obviamente, ele também é um homem de grande coragem e de independência de pensamento. Prepare-se para as sessões de queima de livros por parte dos defensores da ortodoxia darwinista. Eu nem ficaria supreso se houver mesmo um esforço para convencer a Oxford University Press em repudiar o livro de Nagel. Então pode ser que você queira ler o livro enquanto pode.

Fonte: Design Inteligente.

Violência indígena amazônica amenizada com a colonização?

(OBS.: As desnecessárias e cientificamente irrelevantes referências à teoria da evolução presentes no texto original não são partilhadas pelo editor do blog. E o idioma abaixo é o de Portugal!)

Segundo um estudo recente levado a cabo pelo antropólogo da Universidade do Missouri (MU)  Robert Walker, antes do contacto com os Europeus os conflitos violentos nas sociedades tribais da floresta Amazónica eram responsáveis por 30% de todas as mortes. Entender os motivos por trás dessas altercações na Amazónia incide alguma luz nas motivações instintivas que continuam a empurrar os grupos humanos para a violência, bem como as formas como a cultura influencia a intensidade e frequência da violência. Walker, autor principal e professor-assistente de antropologia na “College of Arts and Science” da MU, afirmou:
Os mesmos motivos – vingança, honra, território e inveja centrada nas mulheres – que motivaram conflitos mortais na Amazónia, continuam fomentar a violência do mundo actual. A história evolutiva  humana em torno de conflitos violentos entre grupos rivais teve origem nos nossos ancestrais primatas. São necessárias doses maciças de treinamento social e controle institucional para resistir os nossos instintos e resolver as disputas verbalmente – e não com armas.
Felizmente, as pessoas desenvolveram formas de canalizar e desviar esses instintos para longe de conflitos mortíferos. Por exemplo, o desporto e os jogos de computador normalmente envolvem os mesmos impulsos de derrotar um grupo rival. Walker examinou os registos de 1,145 mortes violentas em 44 sociedades . . . . da América do Sul revendo 11 estudos antropológicos prévios. Ele analisou as mortes numa base caso-a-caso como forma de determinar quais os factores culturais influenciaram a contagem dos corpos. Ataques internos entre tribos com linguagens e culturas similares foram os motivos mais frequentes, mas com menos casualidades, quando comparados com os menos frequentes mas mais mortíferos  ataques externos provenientes de tribos com linguagem distinta.
Walker afirma:
A língua e outras diferenças culturais desempenham um papel no “choque de civilizações” que resultaram em actos violentos recentes, tais como o ataque à embaixada dos EUA na Líbia e a contínua guerra no Afeganistão. Trabalhar para desenvolver um sentido de humanidade para todas as pessoas da Terra pode ajudar a reduzir os episódios de violência mais significativos ao encorajar as pessoas a olhar umas para as outras como um grupo unificado que trabalha para os objectivos globais comuns.
Os ataques às vezes envolviam o rapto de mulheres e em média, um similar número de mulheres foram raptadas tanto nos conflitos internos como nos conflitos externos. Outro aspecto da guerrilha amazónica era a traição – tal como o acto de convidar um grupo rival para uma celebração e prosseguir com a chacina do mesmo depois deles estarem embriagados. Estes ataques resultaram em níveis elevados de mortalidade.
Walker diz:
A vingança era histórica guerra intertribal, tal como os modernos conflitos entre gangues, porque demonstrar fraqueza poderia resultar em mais ataques. O ciclo de violência poderia resultar na erradicação mútua das tribos. Depois do contactos com os Europeus, a dinâmica da vida tribal amazónica mudou de forma dramática. Embora a disseminação do Cristianismo e a imposição de estruturas legais nacionais tenham resultado numa enorme perda da identidade cultural, ela também resultou na redução dos mortíferos ataques. Hoje em dia, tal tipo de violência é raro. A doença e o conflito com lenhadores ilegais e mineiros é a causa de morte mais comum.
Estudo: “Body counts in lowland South American violence,” publicado no jornal científico Evolution & Human Behavior. (Provided by University of Missouri-Columbia)
* * * * * * *
Aparentemente o Cristianismo, ao contrário do paganismo, é uma ideologia que motiva-nos a “resistir os nossos instintos e resolver as disputas verbalmente – e não com armas” para além de “canalizar e desviar esses instintos para longe de conflitos mortíferos”. Para além disso, o Cristianismo fornece “um sentido de humanidade para todas as pessoas da Terra” e encoraja “as pessoas a olhar umas para as outras como um grupo unificado que trabalha para os objectivos globais comuns.” Por outro lado, como o Cristianismo não vê a mulher como propriedade mas como companheira e adjutora no plano de Deus, ataques (“raids”) que têm em vista o rapto de mulheres é algo condenado. Como a Bíblia proíbe o uso da mentira (Êxodo 20:16), “o acto de convidar um grupo rival para uma celebração e prosseguir com a chacina do mesmo” é uma práctica também proibida pela Palavra de Deus. Por fim, uma pergunta: a perda da “identidade cultural” duma cultura que era responsável pela morte de 30% dos seus próprios cidadãos é algo que deve ser lamentado?
Fonte: Darwinismo.

Faça uma criança sorrir!

Cerca de 2 mil crianças e adolescentes de comunidades carentes são atendidos diariamente nos núcleos da ADRA espalhados pelo país. Além de muito amor e carinho, elas recebem reforço escolar e nutricional, musicalização, inclusão digital, esportes, entre outras atividades. Tudo isto só é possível graças ao apoio de pessoas como você que quer fazer a diferença na vida das pessoas. Investir na criança é investir na esperança. Neste dia 12 de outubro, dê um presente especial para elas.

Clique aqui e doe agora!

Doe esperança para aqueles que trazem esperança – as crianças, por elas, agradecemos!
Feliz Dia das Crianças!

Livro: “Medicina, Religião e Saúde – O Encontro da Ciência e da Espiritualidade”

A revista Veja desta semana (5/10/2012) traz a ótima entrevista “Um poder invisível da fé”, com o psiquiatra americano Harold Koenig. Ele afirma que as pesquisas são claras ao relacionar as diversas formas de religiosidade com a prevenção de doenças cardiovasculares e da hipertensão. Quem o entrevistou foi a repórter Fernanda Allegretti. Koenig é professor da Universidade Duke, na Carolina do Norte, e há 28 anos se dedica a estudos que relacionam religião com saúde. Tem 40 livros publicados e mais de 300 artigos sobre o tema. Sua tese é que a fé religiosa ajuda as pessoas em diversos aspectos da vida cotidiana, reduzindo o stress, fazendo-as adquirir hábitos saudáveis e dando-lhes conforto nos momentos difíceis, entre outros benefícios. Koenig, de 60 anos, nasceu em uma família católica, mas hoje, por influência da mulher, frequenta a igreja protestante. Ele esteve recentemente no Brasil para dar uma palestra em Porto Alegre e lançar a edição brasileira de seu livro Medicina, Religião e Saúde – O Encontro da Ciência e da Espiritualidade. Leia a entrevista abaixo, republicada no site da Legrand:
Como o senhor chegou à conclusão de que a religiosidade aumenta a sobrevida das pessoas em até 29%?
Há uma relação significativa entre frequência da prática religiosa e longevidade. Acredito que o impacto na sobrevida seja até maior, algo em tomo de 35%. Três fatores influenciam a saúde de quem pratica uma religião. O primeiro são as crenças e o significado que essas crenças atribuem à vida. Elas orientam as decisões diárias e até as facilitam, o que contribui para reduzir o stress. O segundo fator está relacionado ao apoio social. As pessoas devotadas convivem em comunidades com indivíduos que acreditam nas mesmas coisas e oferecem suporte emocional e, às vezes, até financeiro. O terceiro fator é o impacto que a religião tem na adoção de hábitos saudáveis. Tanto os mandamentos religiosos quanto a vida em comunidade estimulam a boa saúde. Os religiosos tendem a ingerir menos álcool, porque circulam em um meio onde ele é mais escasso e com pessoas que bebem menos. Eles também têm inclinação a não fumar. É menos provável que adotem um comportamento sexual de risco, tendo múltiplos parceiros ou parceiros fora do casamento. Tudo isso influencia a saúde e faz com que vivam mais e sejam mais saudáveis.
Também se beneficiam da fé os adeptos de religiões que proíbem cuidados médicos, como é o caso das testemunhas de Jeová com a transfusão de sangue?
A maioria dos estudos comprova que os benefícios de ser adepto de urna religião são maiores que os malefícios. No caso das testemunhas de Jeová, há pesquisas que mostram que a longevidade deles não é diferente da dos católicos ou dos protestantes. Outro ponto importante é que não há tantas testemunhas de Jeová no mundo. Os grupos religiosos que se opõem a cuidados médicos são muito pequenos em comparação à grande maioria que se beneficia de suas crenças religiosas.
Quem se toma religioso tardiamente também se beneficia?
Quem se toma religioso numa idade mais madura também se beneficia, especialmente dos aspectos psicológicos e sociais. A vida passa a ter mais sentido, a pessoa ganha apoio da comunidade, esperança e interlocutores afinados com o seu jeito de ver o mundo. A consequência é a melhora da qualidade de vida. A saúde física, no entanto, não será tão influenciada porque não dá para apagar os anos de maus hábitos e os estragos feitos pelo excesso de stress.
Ter fé não é o mesmo que seguir uma religião. Do ponto de vista dos benefícios, isso também faz diferença?
Não adianta só dizer que é espiritualizado e não fazer nada. É preciso ser comprometido com a religião para gozar seus benefícios. É preciso acordar cedo para ir aos cultos, fazer parte de uma comunidade, expressar sua fé em casa, por meio de orações ou do estudo das escrituras. As crenças religiosas precisam influenciar sua vida para que elas influenciem também sua saúde.

Como as diferentes religiões se comparam nesse efeito positivo sobre a saúde e a longevidade que o senhor detectou?


Não há estudos confiáveis comparando as religiões. Até porque as mesmas religiões se desenvolvem em ambientes completamente diferentes e são influenciadas por esses ambientes. Um credo cujos benefícios são óbvios no Brasil pode não ter o mesmo efeito positivo sobre as pessoas nos países árabes.
Algumas enfermidades respondem melhor à prática religiosa do que outras?
As doenças relacionadas ao stress, como as disfunções cardiovasculares e a hipertensão, parecem ser mais reativas a uma disposição mental de cunho religioso. O stress influencia as funções fisiológicas de maneira já muito conhecida e tem impacto em três sistemas ligados à defesa do organismo: o imunológico, o endócrino e o cardiovascular. Se esses sistemas não funcionam bem. Ficamos doentes. A religiosidade põe o paciente em outro patamar de tratamento. Pacientes infartados que são religiosos, por exemplo, têm menos complicações após a cirurgia, ficam menos tempo internados e, claro, pagam contas hospitalares mais baixas.
O senhor diz que quem vê Deus como uma entidade distante e punitiva tem menos benefícios para a saúde do que quem o vê como um ser compreensivo e que perdoa. Por quê?
A religião pode virar uma fonte de stress se aumentar o sentimento de culpa ou gerar um mal-estar na pessoa por ela não conseguir cumprir com o que a doutrina considera que são suas obrigações religiosas. Não existem pesquisas que constatem isso, mas certamente um Deus punitivo, que vigia e condena seus erros, vai elevar esse stress. Por isso, acho que faz bastante diferença acreditar em um Deus amoroso e misericordioso.
Existem estudos que ligam a religiosidade profunda à ausência da depressão psicológica. O senhor também registrou esse efeito?

Os pacientes que lidam melhor com suas doenças, perdas e incapacidades ficam menos depressivos. Os religiosos suportam melhor suas limitações porque a religião dá significado a essas circunstâncias difíceis. O sofrimento adquire um propósito. O indivíduo não sofre sem razão nem se sente sozinho. As religiões têm inúmeros exemplos de sofrimento: Jesus torturado e crucificado; Jó, que perdeu bens, família, saúde; Maomé, que passou por momentos difíceis na infância. Todos sofreram, e a fé os fez seguir adiante. Um estudo recente da Universidade Colúmbia demonstrou que, quando são religiosos, filhos de pai ou mãe depressivos têm menor risco de desenvolver depressão. Provar que pessoas com fatores genéticos de risco podem ser protegidas pela religião é sensacional.

Muitos pacientes terminais desenvolvem a espiritualidade mesmo sem ter fé durante a vida. O que sua experiência revela sobre essas pessoas?


O que podemos afirmar com segurança é que pacientes religiosos toleram melhor o processo da morte. Eles acreditam que não é o fim e, por isso, não ficam tão ansiosos. Sabem que vão para um lugar melhor, no qual não sentirão mais dor ou mal-estar. Isso afeta a qualidade de vida da pessoa no período terminal e melhora a relação dela com a família.
Qual sua opinião sobre as chamadas cirurgias espirituais?

Os charlatões tendem a se aproveitar de pessoas doentes e desesperadas. Os pacientes que frequentam esses centros, em geral, não recebem benefício algum e se sentem desapontados. Alguns chegam a se revoltar contra a religião. O sofrimento acaba sendo maior porque, a partir do momento em que a pessoa perde a confiança na sua fé, perde também a habilidade de se adaptar à sua condição.
Um estudo da Santa Casa de Porto Alegre mostra que 70% dos pacientes gostariam que o médico falasse sobre religião com efes, mas apenas 15% dos médicos o fazem. Por que isso acontece?
Os médicos não recebem treinamento apropriado sobre como fazer a abordagem religiosa. Eles não sabem trazer o assunto à tona, nem como responder a perguntas do paciente sobre religião. Nos Estados Unidos e também no Brasil, ainda são poucas as faculdades de medicina que tratam do tema. A medicina é considerada uma ciência e, historicamente, há uma grande divisão entre religião e ciência. A religião é muito mais vaga e nebulosa do que a medicina e, por isso, continua não levando muito crédito. Médicos tendem a ser menos religiosos do que a população em geral, então eles não conhecem muito bem o potencial da religião.
Como o médico deve falar de religião com o paciente?
É mais simples do que parece. Só de perguntar ao paciente quanto a religião é importante na vida dele, o médico está abrindo caminho para atender às suas necessidades espirituais. O paciente deve sentir-se confortável falando sobre esse assunto com seu médico. O médico pode, naquele momento mais especial, tentar saber das decisões que um paciente terminal espera dele em situações-limite. Pode descobrir se o paciente terminal quer ser ressuscitado em caso de parada cardíaca, se deseja receber tratamento extenuante prolongado ou se prefere não estender o sofrimento. Ajuda muito o médico puxar assunto com o paciente sobre o que ele pensa da existência dos milagres ou se quer receber orações. O paciente tem de estar seguro de que o médico não vai ignorar ou fazer pouco-caso de suas carências espirituais.
Como deve ser a abordagem com um ateu?
Eu não incentivaria nenhum médico a tentar converter um ateu. Simplesmente porque essa abordagem não funciona. O médico deve apenas conversar com o paciente e tentar compreender as causas que o levaram a ser ateu. Médicos não são pastores ou padres. Nosso trabalho não é catequizar ninguém, é tentar entender o paciente e como sua crença religiosa ou a falta dela influencia sua recuperação e as decisões que vão ter consequências em seu tratamento.
O que o senhor pensa sobre os ateus e os agnósticos?
Acho que eles estão mais adiante no caminho religioso do que muita gente que nunca questionou sua religiosidade. Algumas pessoas são religiosas simplesmente porque os pais são e nunca pararam para pensar sobre isso. Para decidir ser ateu ou agnóstico, o indivíduo tem de questionar a si mesmo e a religião. Refletir sobre isso é um progresso. Mas sugiro a essas pessoas que mantenham sempre a mente aberta. Apenas uma fração do mundo pode ser explicada pela ciência. Há muitas coisas que não são claras na vida para afirmar categoricamente que Deus não existe. Noventa por cento da população mundial acredita em Deus e, se você faz parte dos 10% que não exercem ou não têm certeza, ao menos mantenha a mente aberta. […]
Fonte 2: Criacionismo.

As células evoluíram?

Segundo o pesquisador, Alan Linton: “Através de 150 anos da ciência da bacteriologia, não há nenhuma evidência de que uma espécie de bactéria mudou em outra… Uma vez que não existe nenhuma evidência para as mudanças de espécies entre as formas mais simples de vida unicelular, não é surpreendente que não haja nenhuma evidência a favor da evolução a partir de células procarióticas [i.e., bacteriana] para células eucarióticas [i.e., planta e animal], sem falar em todo o vasto conjunto de organismos multicelulares mais superiores.”

― Alan H. Linton, professor emérito de Bacteriologia, Universidade de Bristol.