Cronologia da historicidade da doutrina bíblica da Trindade – 7ª parte

Século 4 
Ulfila foi um missionário cristão, possivelmente descendente
de um soldado romano tomado cativo pelo exército godo invasor da Ásia Menor
no terceiro século. Ele falava fluentemente o grego e o latim e conhecia bem
tanto a cultura greco-romana quanto a cultura gótica, na qual crescera. Ele foi
enviado como missionário cristão os godos, tendo sido consagrado pelo bispo
de Nicomédia Eusébio, por volta de 340 d.C. (Eusébio estudara com Ário sob a
instrução de Luciano de Antioquia, e foi uma das três pessoas que se
posicionaram a favor de Ário no Concílio de Nicéia, em 325. Por isso, muitos
assumem que Eusébio era simpatizante dos arianos, e que deve ter consagrado
Ulfila como um missionário ariano, o que tornaria arianos os conversos de
Ulfila.) Embora seja fato que Eusébio defendesse a absolvição de Ário, não
está claro se ele concordava com a interpretação que este tinha do Cristo
como ser criado. Também não se sabe se Eusébio concordou com a fórmula nicena
do homoousios (da mesma natureza).
O mais provável é que o cristianismo ensinado por Ulfila aos godos fosse
ambíguo acerca do Pai e do Filho, e não uma exposição da doutrina ariana
real! Após 7 anos de serviço missionário direto, Ulfila foi expulso do
território gótico em virtude de conexões suspeitas com os inimigos romanos.
No entanto, sua influência sobre os godos não cessou – ele gastou vários anos
seguintes colocando a linguagem gótica sob a forma escrita e traduzindo a
maior parte das Escrituras ao idioma gótico! Durante esse tempo Ulfila ainda
se opunha à fórmula nicena e favorecia o termo ambíguo homoion (similar), em vez de homoousios.
Sua tendência apareceu na tradução que efetuou da Bíblia gótica, dando-lhe
uma sutil inclinação antitrinitariana!  
Século
5
Quaisquer
que fossem as crenças dos godos a
respeito da Divindade, quando essas tribos cristãs começaram a invadir o Império Romano cristão durante o
quinto século, seus inimigos “ortodoxos” os rotularam como arianos. Tivessem
ou não diferenças teológicas entre si, os dois lados utilizavam terminologia
diferente para descrever a Divindade. Havia razões políticas de ambos os
lados para ver a outra parte como herética, o que passava a justificar a
animosidade mútua. Por não haver motivação real para o mútuo entendimento, ao
longo dos poucos séculos seguintes, cristãos góticos e romanos buscaram
alternadamente destruir-se uns aos outros ou coexistir lado a lado. Cada
parte buscou manter sua própria identidade através dos rótulos “ariano” e
“trinitariano”, até que a corrente principal da igreja, com sua descrição
trinitariana da Divindade, absorveu as tribos góticas, possivelmente através
da influência de alguns de seus parentes germânicos do oeste, os quais
aceitaram o cristianismo em estágio posterior, já seguramente firmado sobre o
sistema de crença trinitariano.

Pesquisa baseada no livro “A Trindade” de Woodrow Whidden, Jerry Moon e John W. Reeve. Ela está em construção. Aguardem sua conclusão! (Hendrickson Rogers)

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