Crendices e superstições cristãs. A existência de uma parte folclórica na teologia popular em todas as denominações cristãs (Parte V)

“Um profeta verdadeiro só está
presente numa única denominação e esta é necessariamente cristã e esta é
necessariamente a descendência da mulher de Apocalipse 12 (‘os restantes’)”
Para desmistificarmos esse folclore presente em
algumas denominações cristãs, o qual é fruto principalmente do preconceito que
a ignorância bíblica traz, é necessário sabermos o que é o dom profético, ou
seja, o que é ser um profeta verdadeiro de Deus e para quê Deus levanta um
profeta. “Então JAVÉ Deus disse a Moisés: — Vou fazer com que você seja como
Deus para o rei; e Arão, o seu irmão, falará por você como profeta. Você dirá a
Arão tudo o que eu mandar, e ele falará com o rei, pedindo que deixe os
israelitas saírem da terra dele” (Êx 7:1,2, NTLH). Esse conhecido episódio na
história dos descendentes de Abraão nos ensina que o profeta é aquele pecador
que recebe de Deus uma mensagem e a repassa. Não conheço nenhum caso na Bíblia
onde o ser humano escolheu ser profeta e Deus o tornou profeta. Deus é quem
escolhe o profeta: “Porém é um só e o mesmo Espírito quem faz tudo isso. Ele dá
um dom diferente para cada pessoa, conforme ele quer” (I Co 12:11, NTLH). “Do
meio de vocês Deus escolherá para vocês um profeta que será parecido comigo
[com Moisés, a quem JAVÉ também escolheu], e vocês vão lhe obedecer” (Dt 18:15,
NTLH). Enfatizo o fato de Deus escolher o possuidor do dom de profecia, pois as
Escrituras o fazem! Abrão foi profeta (cf. Gn 20:7) eleito por Deus (Ne 9:7),
mesmo vindo de “Ur dos caldeus”. Abrão não descendeu dos judeus, só pra
lembrar. Ele os gerou. Logo, é possível Deus suscitar um profeta de onde menos
os homens religiosos esperam (cf. Lc 19:40)! Outras: embora o dom de profecia
esteja sujeito ao profeta (I Co 14:32), ou seja, não tem essa de “possessão
divina” sobre os profetas, Deus não está sujeito a eles. Deus já ficou em
silêncio para com Seus próprios profetas (cf. I Sm 28:6,15) e Deus já colocou,
literalmente, Sua Palavra na boca de um profeta – Balaão (Nm 22:20,38; 23:5),
aliás, outro exemplo de profeta não descendente de alguma denominação judaica
(cf. Nm 22:5-12,18). Um profeta pode ser verdadeiro, ter o dom dado por JAVÉ,
mas escolher mentir (cf. I Rs 13:18 e 22:15,16); um profeta de Deus é um
pecador como qualquer outro pecador – salvo pela graça ou perdido pela
desobediência, e o dom profético é só um dentre muitos que o Senhor Espírito
tem e dá de acordo com os Seus planos para o corpo de Cristo (I Co 12:7-14).
Novamente, não quero diminuir a importância do dom profético nem o trabalho
precioso de um profeta verdadeiro; mas, eu gostaria de calibrar o olhar
eclesiástico sobre esse assunto! Deificar um profeta verdadeiro, não é bíblico.
Demonizar o profeta da outra denominação cristã, só porque ele não é membro da
sua igreja, não é bíblico. Crer que existe uma denominação cristã que cumpre
Apocalipse 12:17 pelo fato de ela possuir um profeta verdadeiro, também não é
bíblico!

Ter o “testemunho de Jesus” da passagem
supracitada claramente é o dom da profecia (no grego: “echonton tem marturian Iesou” = “têm”, “possuem” ou “sustentam o
testemunho de Jesus”, Ap 12:17), segundo o profeta escritor do Apocalipse e o
profeta Paulo: “Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me
disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o
testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da
profecia” (Ap 19:10). “Eu, João, sou quem ouviu e viu estas coisas. E, quando
as ouvi e vi, prostrei-me ante os pés do anjo que me mostrou essas coisas, para
adorá-lo. Então, ele me disse: Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos
teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a
Deus” (Ap 22:8,9). “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar
aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por
intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, o qual atestou a palavra
de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu” (Ap 1:1,2).
Esta pesquisa está em construção! Confira as primeiras quatro partes dela (é só clicar): Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4.  

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: