Epilepsia, Ciência, Religião e o bondoso Deus!

A Epilepsia é definida como um transtorno paroxístico cerebral crônico, de descargas neuronais incontroláveis, que causam crises epilépticas de repetição e que não são desencadeadas por febre ou distúrbios tóxico-metabólicos. A forma clínica de apresentação da crise epiléptica depende da localização da descarga elétrica e da sua propagação cortical. É um dos problemas neurológicos mais comuns, ocorrendo em cerca de 1% da população. A Epilepsia foi descrita há mais de 2000 anos por Hipócrates e deriva do verbo grego epilambanein que significa “possuir”, “acometer” ou “apossar-se de”,sugerindo que uma força externa provoca a crise. Foi considerada ora como doença dos deuses (só um deus seria capaz de derrubar qualquer pessoa, tirar-lhe a consciência e depois devolvê-la), ora como possessão pelo demônio. O encontro de ossadas e pinturas medievais onde se observa crânios com trepanações(presença de grandes orifícios realizados por hábeis cirurgiões), favorece a especulação de que tais aberturas tinham por finalidade liberar os maus espíritos ou demônios presos na caixa craniana.
Na Babilônia o tratamento era realizado por meio de orações, súplicas e rituais de exorcismo praticados por sacerdotes, pois a doença era considerada sobrenatural, havendo interferência de deuses e demônios no organismo humano.
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No Egito a epilepsia era identificada como a entrada de uma pessoa morta ou de um demônio no interior da vítima, sendo uma enfermidade espiritual e misteriosa. O tratamento incluía trepanações nos homens e cirurgias uterinas nas mulheres, acreditando que nelas ocorreria uma posição anômala do útero.
Entre os Hebreus, a Epilepsia foi atribuída como resultante de um coito (relação sexual) em condições bizarras e consideravam os enfermos como lunáticos, proibindo-os de prestar declarações ou servir de testemunhas.
Na Índia, a Epilepsia era considerada como um transtorno mental e não devido a causas sobrenaturais. No tratamento das pessoas acometidas praticavam a “limpeza do corpo” com enemas, purgativos e indução de vômitos.
Na Grécia, no período arcaico (séc. XIII – V a.C.), a Epilepsia era considerada como “a doença sagrada”, regida por deuses, sendo considerada como uma punição e não poderia ser curada por meios humanos, mas apenas por intervenção divina. No período clássico (séc. V – IV a.C.) houve grande desenvolvimento da Medicina e foi introduzido o conceito de que não se tratava de acometimento sagrado, porém um distúrbio cerebral. O tratamento não deveria ser através de mágicas, mas por dietas e drogas.
Entre os Romanos, a Epilepsia era considerada como passível de ser transmitida entre uma pessoa impura e outra, por contágio. Outros acreditavam que se tratava de um espírito demoníaco e, para se defender, cuspiam no indivíduo acometido pela crise. Após Hipócrates, desenvolveu-se a ideia de que poderia ser provocada por excesso de sangue levado à cabeça e o tratamento passou a incluir torniquetes, sangrias, sanguessugas e, até, amputação do membro no qual a crise se iniciava.
Outras interpretações surgiram na Antiguidade para tentar entender as causas da Epilepsia. No século XVI, alguns pesquisadores acreditavam que as crises eram determinadas pela influência da lua, principalmente na fase de lua cheia, em que a luz afetaria o sono, induzindo-as. Celso considerava a crise epilética como dependente do sexo e que a relação sexual é um ataque leve. Assim, a puberdade era decisiva no curso da Epilepsia. Alguns tratamentos sugeridos para a cura incluíam: abstinência sexual e até castração; no primeiro ato sexual, utilizar de violência; obrigar a criança a ter relação sexual para apressar a cura; impedir a qualquer custo a masturbação, entre outros. As influências das interpretações antigas persistem até hoje. Existem crenças de que a Epilepsia pode advir de excessos sexuais, de vermes, das mudanças hormonais que ocorrem nos adolescentes, da suspensão da menstruação por tomar líquido gelado, de excesso de temperatura dentro do cérebro por exposição excessiva ao sol ou a febre alta, não ter o desejo de criança satisfeito, entre outras. Acompanhando o desenvolvimento das crendices, os tratamentos preconizados para a Epilepsia foram se desenvolvendo desde purificação, feitiçaria, utilização de sangue humano borrifado na boca ou ingerido diretamente de feridas, até dietas restritivas evitando certos peixes ou caças como bode, cervo e porco, ou vegetais como hortelã, alho e cebola. A utilização de drogas teve início com Paracelso, que fez uso do ópio (cápsulas não amadurecidas da papoula do ópio), mas somente a partir de 1826 (após isolamento do elemento químico bromo das algas) teve início o desenvolvimento de drogas antiepilépticas específicas como o fenobarbital (Gardenal(R)) em 1912 e a difenilhidantoína (Hidantal(R)) em 1938.”¹
CONCLUSÃO Vimos no texto acima, a ciência não é inimiga da religião, pelo contrário, ajuda a elucidar os mistérios da natureza. Se a natureza revela o Criador, então conhecer a natureza é conhecer o Criador, logo, a ciência é um instrumento de Deus, nas mãos dos homens, a fim de desvendar os Seus mistérios. Como diz o Apóstolo Paulo:“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;” Romanos 1:20.
REFERÊNCIA
  1-   VICENTE, J. A.F; SIMONE, F. C; Contribuições da neurologia a docência. Curso de Pós-Graduação Lato Sensu a Distância, parceria Universidade Católica Dom Bosco e Portal Educação. 

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