Crendices e superstições cristãs. A existência de uma parte folclórica na teologia popular em todas as denominações cristãs (Parte VI)

“Um profeta verdadeiro só está
presente numa única denominação e esta é necessariamente cristã e esta é
necessariamente a descendência da mulher de Apocalipse 12 (‘os restantes’)”
 

Para desmistificarmos esse folclore presente em
algumas denominações cristãs, o qual é fruto principalmente do preconceito que
a ignorância bíblica traz, é necessário sabermos o que é o dom profético, ou
seja, o que é ser um profeta verdadeiro de Deus e para quê Deus levanta um
profeta. “Então JAVÉ Deus disse a Moisés: — Vou fazer com que você seja como
Deus para o rei; e Arão, o seu irmão, falará por você como profeta. Você dirá a
Arão tudo o que eu mandar, e ele falará com o rei, pedindo que deixe os
israelitas saírem da terra dele” (Êx 7:1,2, NTLH). Esse conhecido episódio na
história dos descendentes de Abraão nos ensina que o profeta é aquele pecador
que recebe de Deus uma mensagem e a repassa. Não conheço nenhum caso na Bíblia
onde o ser humano escolheu ser profeta e Deus o tornou profeta. Deus é quem
escolhe o profeta: “Porém é um só e o mesmo Espírito quem faz tudo isso. Ele dá
um dom diferente para cada pessoa, conforme ele quer” (I Co 12:11, NTLH). “Do
meio de vocês Deus escolherá para vocês um profeta que será parecido comigo
[com Moisés, a quem JAVÉ também escolheu], e vocês vão lhe obedecer” (Dt 18:15,
NTLH). Enfatizo o fato de Deus escolher o possuidor do dom de profecia, pois as
Escrituras o fazem! Abrão foi profeta (cf. Gn 20:7) eleito por Deus (Ne 9:7),
mesmo vindo de “Ur dos caldeus”. Abrão não descendeu dos judeus, só pra
lembrar. Ele os gerou. Logo, é possível Deus suscitar um profeta de onde menos
os homens religiosos esperam (cf. Lc 19:40)! Outras: embora o dom de profecia
esteja sujeito ao profeta (I Co 14:32), ou seja, não tem essa de “possessão
divina” sobre os profetas, Deus não está sujeito a eles. Deus já ficou em
silêncio para com Seus próprios profetas (cf. I Sm 28:6,15) e Deus já colocou,
literalmente, Sua Palavra na boca de um profeta – Balaão (Nm 22:20,38; 23:5),
aliás, outro exemplo de profeta não descendente de alguma denominação judaica
(cf. Nm 22:5-12,18). Um profeta pode ser verdadeiro, ter o dom dado por JAVÉ,
mas escolher mentir (cf. I Rs 13:18 e 22:15,16); um profeta de Deus é um
pecador como qualquer outro pecador – salvo pela graça ou perdido pela
desobediência, e o dom profético é só um dentre muitos que o Senhor Espírito
tem e dá de acordo com os Seus planos para o corpo de Cristo (I Co 12:7-14).
Novamente, não quero diminuir a importância do dom profético nem o trabalho
precioso de um profeta verdadeiro; mas, eu gostaria de calibrar o olhar
eclesiástico sobre esse assunto! Deificar um profeta verdadeiro, não é bíblico.
Demonizar o profeta da outra denominação cristã, só porque ele não é membro da
sua igreja, não é bíblico. Crer que existe uma denominação cristã que cumpre
Apocalipse 12:17 pelo fato de ela possuir um profeta verdadeiro, também não é
bíblico!

Ter
o “testemunho de Jesus” da passagem supracitada claramente é o dom da profecia
(no grego: “echonton tem marturian Iesou
= “têm”, “possuem” ou “sustentam o testemunho de Jesus”, Ap 12:17), segundo o
profeta escritor do Apocalipse e o profeta Paulo: “Prostrei-me ante os seus pés
para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos
teus irmãos que mantêm o testemunho de
Jesus
; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”
(Ap 19:10). “Eu, João, sou quem ouviu e viu estas coisas. E, quando as ouvi e
vi, prostrei-me ante os pés do anjo que me mostrou essas coisas, para adorá-lo.
Então, ele me disse: Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as
palavras deste livro. Adora a Deus” (Ap 22:8,9). “Revelação de Jesus Cristo,
que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem
acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu
servo João, o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu” (Ap 1:1,2). “Sempre
dou graças a [meu] Deus a vosso respeito, a propósito da sua graça, que vos foi
dada em Cristo Jesus;  porque, em tudo,
fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento; assim
como o testemunho de Cristo tem sido
confirmado em vós, de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo, o
qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de
nosso Senhor Jesus Cristo” (I Co 1:4-8). Para os dois o “testemunho de Jesus”
não era qualquer testemunho sobre Jesus, a pregação do evangelho; mas, ter o
“dom” profético vindo do Senhor Espírito Santo. E segundo Paulo, todos os dons
do Espírito Santo, inclusive o de profecia, devem existir até “a revelação de
nosso Senhor Jesus Cristo” (2ª vinda de Cristo), para a educação dos filhos de
Deus de modo que eles se tornem “irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus
Cristo”! Ora, no tópico anterior (o mito da denominação cristã remanescente)
estudamos que Deus possui Seus fiéis espalhados nas muitas igrejas cristãs, não
cristãs e, possivelmente, em igreja nenhuma (qual a igreja do centurião romano
cujo servo o Senhor Jesus curou?! Cf. por exemplo textos que apresentam a visão
de Deus sobre a verdadeira religião: Mt 7:12; Tg 1:27 e Lc 10:25-37). Assim
sendo, se aquele raciocínio estiver correto, o misericordioso Pai concederá o
misericordioso Senhor Espírito Santo sobre “cristãos” e “não-cristãos”, membros
de igreja e membros sem igreja, enfim, todo o corpo de Cristo (cf. Ef 4:7-16),
para que este se ache “irrepreensível”, “sem mácula, ruga, nem cousa
semelhante”, porém santo e sem defeito (cf. Ef 5:27). “Eu sou adorado em todos
os países do mundo, e em todos os lugares queimam incenso em minha honra e me
oferecem sacrifícios puros. Todos me honram” (Ml 1:11, NTLH). “Os vossos olhos
o verão, e vós direis: Grande é JAVÉ também fora dos limites de Israel” (Ml
1:5). Ou seja, os dons espirituais não se restringem a membros de igrejas
cristãs! Incluindo (e eu penso, principalmente) o dom de profecia, pois, como
já dizia Paulo: “Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito
mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em
outras línguas, salvo se as interpretar, para
que a igreja receba edificação
” (I Co 14:5). Penso que Paulo imitou Moisés
ao desejar o dom profético para todos os membros da igreja cristã de Corinto: “Eu
gostaria que JAVÉ desse o seu Espírito a todo o seu povo e fizesse com que
todos fossem profetas!” (Nm 11:29, NTLH). O dom de profecia é um dom distinto
pelo fato de trazer a vontade de Deus para as pessoas sem interferência, perda
de sinal, ao vivo e on line! Não que
o profeta seja mais importante que o professor, o pastor, o curador, o que fala
línguas estrangeiras, etc. No entanto, Moisés e Paulo, colocando na balança de
suas próprias experiências de vida com Deus e de trabalho por Seu povo,
afirmaram a superioridade em termos de clareza e eficiência do dom profético!
Então, como uma igreja cristã pode crer que só ela tem o direito de ter
profetas verdadeiros, se o misericordioso Pai tem filhos noutras casas com
outras bandeiras e também fora de todas as casas religiosas?! Seguramente,
existem profetas tão cheios de Deus e da Verdade (no que diz respeito à sua
mensagem) dentro e fora das comunidades cristãs, pois, como reconheceu Pedro “Deus
não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o
teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (At 10:34,35), e olha que ele ainda
não havia sido curado por completo de seu exclusivismo judaico-cristão, confira
Gálatas 2:11-18.  Uma vez que Jesus
morreu por todos os pecadores de Adão até a última criança concebida antes de
Seu retorno (cf. I Tm 2:6); se Deus não tem Seus filhos reunidos num só rebanho
(Jo 10:16); e se Ele deseja oportunizar a salvação a todos (I Tm 2:4), a
conclusão lógica é que o Espírito Santo escolhe pecadores não cristãos também
como recipientes de Seus dons divinos, com o propósito de tais ferramentas
espirituais serem usadas para a preparação de um povo para o retorno do Rei
Jesus!
Logo,
Apocalipse 12:17 não se refere a uma única denominação cristã; o testemunho de
Jesus ou o dom profético não é dado pelo Senhor Espírito somente aos professos
cristãos e a obediência exterior (e a aparente desobediência) não é requisito
bíblico para a recepção do dom de profecia (tanto quanto de qualquer outro dom
espiritual!). Pois, “JAVÉ não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém JAVÉ,
o coração” (I Sm 16:7); “Existem tipos diferentes de dons espirituais, mas é um
só e o mesmo Espírito quem dá esses dons. Existem maneiras diferentes de
servir, mas o Senhor que servimos é o mesmo. Há diferentes habilidades para
realizar o trabalho, mas é o mesmo Deus quem dá a cada um a habilidade para
fazê-lo. Para o bem de todos, Deus dá a cada um alguma prova da presença do
Espírito Santo. Porém é um só e o mesmo Espírito quem faz tudo isso. Ele dá um
dom diferente para cada pessoa, conforme
ele quer
” (I Co 12:4-7,11, NTLH). O único pré-requisito bíblico para se
receber o dom de profecia é a vontade de Deus! Não são as obras, não é a igreja
e nem as filosofias pessoais. Assim como a graça da salvação, o dom profético é
graça de Deus, dado a quem Sua inerrante onisciência deseja.

Chamo
sua atenção, prezado(a) leitor(a), para o fato de que, a institucionalização do
cristianismo genuíno, feita por pecadores, acarretou sobre o mesmo uma enorme
quantidade de doutrinas e dogmas extra bíblicos que são ensinados e seguidos
pelos membros das muitas denominações “cristãs”, onde a maioria não conhece nem
o cristianismo genuíno, de modo que são incapazes de comparar o que creem,
vivem e ensinam com o que Deus crê, vive ensina! Por favor, eu rogo a você: não
faça parte dessa maioria… Conheça a Deus por você mesmo! Converse com Deus
você mesmo! Ame a Deus você mesmo! Infelizmente, a igreja assumiu um papel que
Deus não lhe deu e, talvez nem ela mesma tenha realmente querido tal função – o
papel de Jesus Cristo, o Mediador –, pois, a vida espiritual de seus membros é
dependente, não de Jesus, mas das programações do templo; o conhecimento dos
membros é o que a igreja revela, e não o que Cristo revela; a oração fervorosa
e sincera dos membros é a que é feita dentro do recinto da igreja, pois no dia
a dia dos membros ela não aparece e o amor a Deus se resume hoje a ser membro de
uma denominação, em vez de ser membro do corpo invisível de Cristo e ter o
caráter de Cristo e o estilo de vida de Cristo! Não permita mais essa trágica
realidade espiritual. A igreja viva de Deus anda com Seus próprios pés guiada
pelo Espírito Santo! Ela não tem nada a ver com um pequeno grupo conduzindo um
grande grupo por onde o pequeno grupo quer. Ore a Deus e peça-Lhe para ser um
membro do corpo de Cristo e assim ser um instrumento dEle em sua igreja,
reformando-a de acordo com a Bíblia, reavivando-a de acordo com a Bíblia! Torne
sua igreja uma instituição organizada pelo Espírito Santo, em vez de (des)organizada
por pecadores. Pergunte-se: o que eu conheço sobre Deus é genuíno, é bíblico ou
o que eu sei, ouvi outros falarem? Como posso garantir que minha vida está
sendo santificada para o encontro com Jesus? Sou o mesmo e minhas práticas são
semelhantes às de anos atrás? Os profetas que eu creio me bajulam ou me
repreendem? Educo as pessoas ao meu redor, ou sou indiferente ao que elas creem
e praticam? Luto pela placa de minha igreja ou pelas almas por quem Cristo
morreu? Amo meu próximo ou só meu “semelhante”? Deus nos torne parte de Seu
verdadeiro povo! (Hendrickson Rogers)

Mais crendices serão expostas daqui a alguns dias. Aguardem!

Esta é mais uma pesquisa bíblica que posto aqui no blog para análise e reflexão! Estude as partes já construídas: 1ª Parte2ª Parte3ª Parte4ª Parte e 5ª Parte (é só clicar).

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