“Grande grupo de quasares” e mais mudanças na compreensão atual do universo!

“Embora seja difícil de entender a dimensão deste ‘grande grupo de quasares’ (LQG), podemos dizer com toda a certeza que é a maior estrutura já vista em todo o Universo”, disse o Dr. Clowes, da Universidade Central de Lancashire’s Jeremiah Horrocks Institute. “Isso é extremamente empolgante, porque vai contra a nossa compreensão atual da escala do Universo. Mesmo viajando na velocidade da luz, levaríamos cerca de quatro bilhões de anos para atravessar essa estrutura. Isso é importante não apenas por causa de seu tamanho, mas também porque desafia o princípio cosmológico, que tem sido amplamente aceito desde Einstein. Nossa equipe tem estudado casos semelhantes que agregam ainda mais peso a esse desafio, e vamos continuar a investigar esses fenômenos fascinantes.” Esse grande grupo de quasares desafia o princípio cosmológico, a suposição de que o Universo, quando visto em uma escala suficientemente grande, tem a mesma aparência, não importa de onde você o esteja observando. A teoria moderna da cosmologia é baseada na obra de Albert Einstein, e depende do princípio cosmológico. O princípio é assumido, mas nunca foi demonstrado através de observações que não gerassem dúvidas. Quasares são núcleos de galáxias dos “primeiros dias” do Universo. Um único Quasar emite de 100 a 1.000 vezes mais luz e energia do que uma galáxia inteira com 100 bilhões de estrelas. Eles se submetem a breves períodos de altíssimo brilho que os tornam visíveis através de grandes distâncias. Esses períodos são “breves” em termos de Astrofísica, mas na verdade são cerca de 10 a 100 milhões de anos. Desde 1982, tem sido aceito que os quasares tendem a se agrupar em grupos ou “estruturas” de dimensões surpreendentemente colossais, formando os grandes grupos de quasares, ou LQGs, na sigla em inglês.

Para dar uma noção de escala, nossa galáxia, a Via Láctea, está separada de sua vizinha mais próxima, a galáxia de Andrômeda, por cerca de 0,75 Megaparsecs (MPC), ou 2,5 milhões de anos-luz. Grupos de galáxias podem ter de 2 a 3 MPC, porém, os LQGs podem ter cerca de 200 MPC ou mais de diâmetro. Com base no princípio cosmológico e na moderna teoria da cosmologia, cálculos sugerem que os astrofísicos não poderiam encontrar uma estrutura maior do que 370 MPC. O que eles não esperavam do recém-descoberto LQG é que sua dimensão fosse de 500 MPC. Como esse grupo de quasares é alongado, sua dimensão chega a 1.200 MPC (4 bilhões de anos-luz), cerca de 1.600 vezes maior do que a distância entre a Via Láctea e a galáxia de Andrômeda.
A cor de fundo da imagem ao lado indica os picos e depressões na ocorrência de quasares na distância do LQG. Cores mais escuras indicam mais quasares, cores mais claras indicam menos quasares. O LQG é claramente visto como uma longa cadeia de picos indicados por círculos pretos. (As cruzes vermelhas marcam as posições dos quasares em um LQG diferente e menor.) Os eixos horizontais e verticais representam ascensão reta e declinação, o equivalente celeste de longitude e latitude. O mapa cobre cerca de 29,4 por 24 graus no céu, indicando a grande escala da estrutura recém-descoberta.

A equipe publicou seus resultados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Nota: Quando evidências contrárias vão se acumulando, um modelo pode ser revisto ou até descartado (dependendo, é claro, do grau de teimosia de seus defensores, como dizia Thomas Kuhn). Pelo menos na astronomia os pesquisadores parecem ter mais coragem de divulgar dados que contradigam o modelo mais aceito. Infelizmente, quando o assunto é evolução, a tendência dos evolucionistas é ignorar os fatos contraditórios ou reinterpretá-los de acordo com o modelo, salvando a teoria. (Michelson Borges)

História do violonista Paulo Torres – use o dom que Deus lhe deu para aliviar a dor!

Há pouco mais de vinte anos, o violinista Paulo Torres foi visitar uma tia que estava internada no antigo hospital Saint Claire, em Curitiba, por complicações de um enfisema pulmonar. Estudioso do instrumento desde pequeno e já um profissional de renome com algumas páginas em seu extenso currículo, trouxe seu violino para entreter e acalmar a paciente. Enquanto solava algumas peças barrocas, percebeu que pacientes dos outros quartos estavam saindo ao corredor, ávidos por ouvir o som angelical que vinha daquele quarto. Como macas e camas não comportavam a numerosa plateia, Torres começou a visitar todos os “hóspedes”, tocando sua música para os pacientes interessados. Até chegar ao quarto de uma jovem que dormia. “Ela abriu os olhos e tentou falar comigo, mas só saíram sons guturais. A mãe dela, que estava no quarto começou a chorar e a gritar, e médicos começaram a entrar no quarto. Fiquei assustado”, lembra. Não era para menos: a paciente estava havia três anos em coma e despertou ao som de seu violino. “Percebi que minha música poderia ser usada como um instrumento divino para levar consolo, paz, alegria, tranquilidade e momentos de reflexão para pessoas enfermas.”
O trabalho voluntário de Paulo Torres o levou a buscar fundamentação em uma área cada vez mais estudada na medicina: o uso da música como terapia e humanização do tratamento médico. “Existem muitos estudos que associam a música sacra e a música barroca a uma melhora física e emocional dos pacientes.”
Com o tempo, o violinista passou a mobilizar outras pessoas para o trabalho de levar a música aos hospitais. “Organizamos concerto de Natal, de dia das mães. Levamos o [coral infantil] Curumim a um Centro de Hemodiálise, a Orquestra de Câmara da PUC também trabalha conosco, sempre levando conforto e musicalidade para as pessoas”, lista. A busca pelo tema também o levou a dar palestras em diversas cidades, tanto para pacientes quanto para a comunidade médica sobre o assunto. O trabalho voluntário, aos poucos, foi se tornando uma das missões de vida do violinista, que não esconde o entusiasmo e a paixão pelo assunto: “Tenho um antigo sonho de que Curitiba se torne uma referência, senão mundial, ao menos nacional no uso da música no tratamento hospitalar”, confessa. Bach, Hendel, Haydn e Mozart estão sempre no repertório de Paulo Torres. Há diversos estudos que comprovam o benefício da música clássica para pacientes em recuperação. Desde então, Torres não parou mais. O castrense de 58 anos e pai de cinco filhos encontra brecha em suas funções como professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, primeiro violinista da Orquestra Sinfônica do Paraná e membro da Academia Paranaense de Letras e, voluntariamente, toca para pacientes em diversos hospitais da cidade. Também toca em orfanatos, asilos e prisões – onde chamarem. “Mais bem-aventurado é dar do que receber”, justifica o trabalho com uma frase do apóstolo Paulo, reflexo de sua religiosidade desenvolvida na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Traz em seu repertório música erudita barroca, clássica e sacra, além de hinos das mais variadas denominações. De pacientes que se recuperaram melhor a pessoas que exalaram seus últimos suspiros ao som do violino, as histórias que acumulou com essas experiências ao lado de pianistas – uma de suas filhas entre eles, Daniella Pereira –, dariam um livro, se as datas e os locais não estivessem tão difusos. Mesmo assim, vale contar a que compartilhou com uma colega de fé. 
Certa ocasião, Torres entrou em um quarto da UTI com sua filha, trazendo um teclado sobre o carrinho de alimentos, para tocar o hino adventista “Não me esqueci de Ti” ao pé da cama de uma paciente. “Ela se levantou, tentou arrancar as máscaras que a envolviam e arregalou os olhos. Me afastei, porque achei que estava fazendo mal a ela”, conta. Duas semanas mais tarde, no mesmo hospital, porém, aquela paciente encontra sua filha no corredor, a abraça e chora copiosamente. “Ela disse que estava sem nenhuma esperança. E que, na manhã do dia em que tocamos para ela, ela havia pedido para que mandasse um sinal de que Ele não havia se esquecido de sua fiel.” A prova estava justamente no hino adventista, coincidentemente um de seus favoritos.

Fonte: Gazeta do Povo via Criacionismo.

Confira a seguir a cobertura desse testemunho em vários veículos de comunicação:
Rede Record – 5’30” em rede nacional (clique aqui)
Rede Massa (SBT) – 14 minutos de reportagem (clique aqui)
TV Educativa, Boletim eParaná 12/11 – encerra o jornal (começa em 00:47) (clique aqui)
TV Educativa, jornal eParaná – encerra a edição (clique aqui)
G1 (clique aqui)
Gazeta Maringá (clique aqui)
Gospel Prime (clique aqui)
Fanpage da Prefeitura de Curitiba (clique aqui)

O Último Império – A Nova Ordem Mundial e a Contrafação do Reino de Deus (parte 3)

Apocalipse 13 também diz que a besta “até fogo faz descer do céu à terra” diante das pessoas (13:13). Paulien (2004,101) afirma que, no Apocalipse, cerca de 2 mil conceitos, ideias e palavras são extraídos do Antigo Testamento, sendo este a sua chave interpretativa. Essa imagem remete ao monte Carmelo, no episódio em que o profeta Elias desafiou os profetas de Baal para que se provasse quem era o Deus verdadeiro. A prova tinha que ver com o sinal de fazer fogo descer do céu, a fim de consumir a oferta sobre o altar (ver I Rs 18:22-39). Elias dissera: “O deus que responder por fogo esse é que é Deus” (v. 24). Assim, a experiência do Carmelo se repetirá, mas com uma diferença decisiva, o fogo descerá do céu sobre o “altar errado” (Paulien, 2008, 76). A presunção da besta de dois chifres de ordenar a adoração da “imagem da besta”, como se fosse Deus, a levará a imitar a ação divina no monte Carmelo, numa contrafação da manifestação de “fogo do céu” como prova da divindade. “Apenas os que forem diligentes das Escrituras, e receberem o amor da verdade, estarão ao abrigo dos poderosos enganos que dominam o mundo. Pelo testemunho da Bíblia estes surpreenderão o enganador em seu disfarce” (White, 1988, 625).

Ao exaltar a lei de Deus, a proclamação das três mensagens angélicas despertará a ira do dragão. Em vista disso, uma das principais ações da besta de dois chifres é dirigida contra a lei e a guarda dos mandamentos. A união das duas bestas resulta num movimento global de intolerância (Ap 13:12) em que as pessoas são seladas com uma “marca” (13:16). Esse fato legaliza em todo o mundo a desobediência à lei de Deus, o que vai caracterizar o governo de Satanás. Ao mesmo tempo, a obediência a Deus se tornará uma opção ilegal, naturalmente argumentando-se tratar de violação da vontade divina de acordo com o mundo. Satanás se enfurece por causa da restauração da lei de Deus e da exaltação do Criador, Jesus Cristo, o Senhor do sábado (Mt 12:8). Na verdade, toda restauração da lei divina e da adoração ao verdadeiro Deus, no contexto do grande conflito, é seguida por perseguição e forte tentação que evidenciam a ira do inimigo. Isso ocorre porque desde o início da rebelião no Céu, o grande conflito sempre teve que ver com a lei de Deus. Lúcifer acusou Deus de injustiça e tirania, de privar suas criaturas da liberdade e de impor regras severas de obediência. O contexto do surgimento da rebelião no Céu ajuda a entender o clímax do conflito na Terra. Uma vez que Apocalipse 12-14 trata do clímax do grande conflito, a controvérsia sobre a lei de Deus é seu foco dominante. Há um paralelo estrutural nesse trecho do Apocalipse com os mandamentos de Deus. Os “santos” são aqueles que “guardam os mandamentos de Deus” (Ap 12:17; 14:12). Por contraste, a besta que surge do mar reivindica a adoração para si. A besta de dois chifres que surge da terra ordena que as pessoas façam uma “imagem” à besta e adorem essa “imagem”, contrariamente ao segundo mandamento (Ap 13:12-15; cf. Êx 20:4-6). Ela “seduz” os que habitam na Terra por meio de mentiras, quebrando o mandamento do falso testemunho (Êx 20:16). Ordena a morte daqueles que obedecem a Deus, quebrando o sexto mandamento (Êx 20:13). Esse poder impõe a marca da besta (Ap 13:16) em oposição ao selo de Deus (Ap 7:3), contrariando o quarto mandamento. Uma vez que a lei de Deus é o foco do clímax do grande conflito, descrito em Apocalipse 12 a 14, a marca da besta também deve ser entendida dentro desse contexto. Assim, a marca que é para ser colocada “sobre a mão ou sobre a fronte” das pessoas (13:16) nada tem que ver com algum instrumento tecnológico ou tecnologia que possa ser aplicado(a) para identificar as pessoas com base em algum dado externo. Sendo que a lei de Deus é o foco do conflito, o sentido dessa aplicação da marca da besta deve ser buscado no contexto da lei de Deus, no Antigo Testamento. Na verdade, quando a lei de Deus foi dada ao povo de Israel, Moisés recomendou claramente: “Estas palavras [os dez mandamentos] que, hoje, te ordeno estarão no teu coração […]. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos [fronte]” (Dt 6:6-8, itálico acrescentado). Ou seja, o sinal ou marca para ser colocado sobre a mão e sobre a testa foi originalmente dado por Deus, e este sinal é a Sua lei. O sinal deve distinguir o povo de Deus como um povo submisso e leal à vontade de Deus, sendo uma vindicação de Seu caráter no contexto do grande conflito. Após reescrever os dez mandamentos (Dt 10:4), Deus recomendou que se guardassem “todos os mandamentos” (11:8), e reiterou que o povo não deixasse seu coração se enganar a fim de servir a outros deuses (11:16). Disse ainda : “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma; atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontal entre os olhos” (11:18, itálico acrescentado). Assim, o sinal ou a marca imposta pela besta (Ap 13:16), no clímax do grande conflito, aponta claramente para uma substituição de lealdade, uma substituição da lei de Deus. A marca da besta aponta para outra lei, outro mandamento, dado para ocupar o lugar da lei de Deus. E pretende a besta que esta marca seja colocada no mesmo lugar em que Deus recomendou a Seus servos atarem a Sua lei: no coração, na mão e na testa, respectivamente, símbolos de amor, ação/trabalho e convicção. Naturalmente, o selo de Deus tem na guarda do sábado sua expressão distintiva, enquanto a marca da besta tem a sua expressão visível na observância do domingo, a contrafação do sábado.



O Remanescente A tensão entre os mensageiros de Deus, representados pelos três anjos de Apocalipse 14:6-12, que proclamam a verdade divina, e a trindade das trevas (o dragão, a besta e a besta de dois chifres) chega a seu clímax quando desce do céu o “quarto anjo”, o qual tem “grande autoridade” e cuja glória “ilumina” toda a Terra (Ap 18:1). Esse anjo representa o movimento de proclamação das três mensagens angélicas revestido do poder do Espírito Santo, cuja voz alcança extensão global, expondo a verdade divina e, consequentemente, desmascarando os pecados de Babilônia e a tríplice união entre o dragão e as duas bestas. Essa situação dá início ao que tem sido chamado de Armagedom, que não é um grade embate escatológico, definitivo e mundial entre as nações, mas um conflito de natureza religiosa e espiritual. “O Armagedom é apresentado como a batalha culminante do grande conflito entre as forças do bem e do mal, iniciado no Céu e que terminará na Terra (Ap 12:7-9, 12).” O Armagedom é caracterizado como a “peleja do grande Dia do Deus Todo-poderoso” (Ap 16:14). “Ele coincide, portanto, com o dia do juízo divino universal” (Holbrook, 2011, 1106). O texto de Apocalipse 12 a 14 mostra que, no final dos tempos, no clímax do grande conflito, é um pequeno grupo que mantém a fé verdadeira em Cristo. Esse grupo é chamado de “restante” ou “resto”, ou ainda “remanescente” (Ap 12:17). O contexto amplo da ação do dragão por meio da “besta” e do “falso profeta”, na imposição de uma marca de natureza religiosa, mostra que em todo o mundo a religião será uma experiência difundida. Contudo, apenas um “remanescente” guardará a Palavra de Deus, permanecendo fiel aos mandamentos divinos e ao testemunho de Jesus. Com essa atitude apoiada o poder vitorioso do sangue do Cordeiro (Ap 12:11), o remanescente escatológico vindicará a justiça de Deus no clímax do grande conflito.
Fonte: Fonte: DORNELES, Vanderlei. O último império: a nova ordem mundial e a contrafação do Reino de Deus. 1 ed. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2012. 
Resumo dos primeiros capítulos, construído por Hendrickson Rogers. Este resumo está em construção. Aguardem seu desfecho! Estude a primeira parte deste resumo aqui e a segunda, aqui

Sexo casual pode causar depressão e até levar a pensamentos de suicídio!

Sexo casual pode causar depressão e até levar a pensamentos de suicídio, de acordo com um novo estudo. Os pesquisadores entrevistaram cerca de 10 mil pessoas e descobriram que os adolescentes com sintomas depressivos eram mais propensos a praticar sexo casual. As informações são do Daily Mail. “Vários estudos têm encontrado uma ligação entre problemas de saúde mental e sexo casual, mas agora a natureza dessa associação foi clara. Sempre houve uma pergunta sobre qual é a causa e qual é o efeito. Este estudo fornece evidências de que problemas de saúde mental podem levar ao sexo casual, mas o contrário também acontece”, explicou Sara Sandberg-Thoma, da Universidade de Ohio. Jovens de 80 escolas americanas e 52 escolas de ensino médio foram entrevistados quando tinham entre 7 e 12 anos e depois entre 18 e 26. Foram feitas perguntas sobre relacionamentos, depressão e pensamentos suicidas. Vinte e nove por cento dos participantes disseram que tinham vivido uma relação de sexo casual, que foi definida como “apenas sexo”. Entre eles, 33% dos homens e 24% das mulheres. A ligação entre depressão e sexo casual foi a mesma entre homens e mulheres, de acordo com o Journal of Sex Research. Pesquisadores descobriram que a cada relação sexual ocasional as chances de pensamentos suicidas aumentam em 18%. “O objetivo foi identificar os adolescentes que lutam com problemas de saúde mental, de modo que podemos intervir precocemente, antes de se envolverem em relações sexuais ocasionais”, disse Sara.
Fonte: Terra.

Nota: O ser humano foi projetado por Deus para o sexo marital monogâmico entre um homem e uma mulher. Qualquer coisa diferente disso sempre traz problemas e sofrimento. (Michelson Borges)

A sede de sangue de Yahweh – má compreensão de textos do Antigo Testamento

Hélio Schwartsman, colunista da Folha de S. Paulo, é um ótimo escritor, mas deixa a desejar quando o assunto é uma leitura contextualizada das Escrituras Hebraicas. No último domingo (16/11/2013), ele citou Deuteronômio 7 como “evidência” da sede de sangue de Yahweh, nas páginas do Antigo Testamento. Na referida passagem, Deus ordena os israelitas destruir todas as nações que moravam em Canaã, a terra prometida aos patriarcas hebreus. O texto (v. 2) é explícito: “Destruam-nos completamente […] não tenham misericórdia deles.” Permita-me fazer três considerações a respeito do assunto, que não encerram um tema tão amplo como esse, mas levantam alguns pontos ignorados por Schwartsman e outros:
1) O que Hélio e outros tantos críticos da Bíblia esquecem é que ela não foi escrita em português, muito menos no século 21. A linguagem de Deuteronômio é hiperbólica, e segue o estilo literário da época em que foi escrito, o segundo milênio a.C. O verbo hebraico hrm, traduzido como “destruir completamente” não deve ser tomado ao pé da letra. Por exemplo, o faraó Tutmoses III afimou que “derrubou o exército de Mitani em uma hora, e o aniquilou totalmente”. Mitani continuou no palco do Antigo Oriente Médio por mais uns 100 anos. Outro exemplo é a estela do faraó Merneptah (1200 a.C.), na qual ele afirma que “Israel estava destruído, e sua descendência não exista mais”. Um terceiro e último exemplo (de vários que poderiam ser dados) está na chamada Pedra Moabita do rei Mesha, mencionado no livro de 2 Reis. Nesse documento, ele se exalta ao dizer que destruiu o reino de Israel para sempre. Novamente, temos um exagero aqui. Esse documento foi escrito entre 840/830 a.C., e o reino de Israel foi destruído cem anos mais tarde pelos assírios. Um leitor atento do livro de Deuteronômio não levaria tais palavras ao pé da letra. Provavelmente, aqueles que seriam (e foram mortos) eram combatentes, não meros civis. Respeitados especialistas em literatura do Oriente Médio, como Kenneth Kitchen e James Hoffmeier, concordam com essa conclusão.
2) Hélio se esquece que no mesmo livro citado (Deuteronômio) encontramos uma recomendação no mínimo intrigante: ao chegar em uma cidade de Canaã, paz deveria ser oferecida àqueles habitantes (20:10). Esse texto e outros demonstram que a conquista de Canaã não se tratava de uma antiga versão da série “Desejo de Matar”, de Charles Bronson! Existia uma alternativa pacífica.
3) Por que matar os inocentes cananeus? Além de práticas como incesto e bestialismo, os cananeus tinham o estranho hábito de sacrificar crianças a um deus chamado Moloque (ou Qemosh, em Moabe). Existem diversos restos arqueológicos em vários pontos de Canaã que atestam a prática desse culto. Levítico 20:1-5 proíbe veementemente a adoração a esse deus por um israelita, inclusive sob pena de morte. Convenhamos, se você descobre que seu vizinho pratica sacrifícios humanos, queimando crianças em uma capelinha no quintal, você iria respeitar essa “opção cultural” dele? Francamente!
Troquei dois emails com o Hélio neste ano. Num deles, sugeri a ele a leitura da excelente obra de Paul Copan, Is God a Moral Monster? Making Sense the Old Testament God (Baker, 2011). Três capítulos da obra abordam a conquista de Canaã e a ‘matança’ dos seus habitantes. Até onde eu saiba, não existe previsão de esse livro ser traduzido para o português, o que é uma pena. Não sei se o Hélio foi atrás da obra, mas estou certo de que ela o ajudaria a corrigir algumas distorções populares a respeito do Deus do Antigo Testamento.
Fonte: Luiz Gustavo Assis via Criacionismo.