O Último Império – A Nova Ordem Mundial e a Contrafação do Reino de Deus

Introdução Bem antes do século 19, antes da criação da
república norte-americana, quando os revolucionários julgavam estar fundando a
“nova Jerusalém”, os Estados Unidos da América já tinha uma vocação imperial.
Mesmo antes da colonização britânica, quando os puritanos criam estar lançando
as bases do “novo Israel” de Deus, ou seja, a América livre e protestante, já
na época do Descobrimento, no fim do século 15, uma identidade messiânica
estava ligada ao continente incógnito.
Discursos
de líderes norte-americanos e filmes de Hollywood projetam os EUA como uma
nação messiânica com uma missão divina! O ex-presidente George W. Bush, por
exemplo, na cerimônia de posse de seu primeiro mandato presidencial, em 20 de
janeiro de 2001, declarou: “Nós temos um lugar cativo em uma longa história
[…], a história de um novo mundo que se tornou servidor da liberdade”. Antes
de atacar o Iraque, em discurso no congresso no dia 25 de janeiro de 2003, ele
proclamou que a América é uma nação forte e digna no uso de sua força” e que
“os americanos são um povo livre, que sabe que a liberdade é um direito de cada
pessoa e o futuro de toda nação”. Então disse: “A liberdade que temos não é um
presente da América para o mundo, é um presente de Deus para a humanidade”. No
discurso de posse para o segundo mandato, em 20 de janeiro de 2005, Bush
reiterou: “Com nossos esforços, nós acenderemos uma chama na mente dos homens.
Ela aquece aqueles que sentem seu poder, queima aqueles que combatem seu
progresso, e um dia esse fogo indomável da liberdade vai atingir os recantos
mais obscuros de nosso mundo”. As falas do ex-presidente dão eco a uma crença
enraizada na identidade norte-americana: a de que os Estados Unidos são a
“nação eleita”, com prerrogativas acima dos limites do bem e do mal;
comissionada por Deus para um papel messiânico no mundo. Robert Kagan: “A
ambição de desempenhar um poder grandioso 
no palco mundial tem raízes profundas 
a personalidade americana. Desde a independência, e mesmo antes, os americanos
sempre tiveram a convicção de que sua nação tinha um destino grandioso”. Para
ele os EUA atingiram “um pináculo na história das civilizações” (Kagan, 2003,
88). Reinhold Niebuhr: “A história conferiu aos Estados Unidos a grande
responsabilidade de defender os preciosos valores da civilização ocidental”
(Niebuhr, 1964, 3).
A
vocação norte-americana para o cumprimento de um papel messiânico no mundo está
presente em discursos presidenciais, nos filmes de Hollywood, em livros de
importantes pensadores e pregadores norte-americanos, em documentos e símbolos
oficiais, e se estende até os sermões dos chamados pais peregrinos. Essa
vocação atribui um sentido sobre-humano às ações militares e políticas dos
Estados Unidos. Assim, o poder temporal e histórico desse país como império,
seja fazendo o bem ou o mal, pretende apresentar-se como cumprimento de um
projeto divino, numa extensa obra de contrafação das ações divinas previstas na
profecia bíblica. Os filmes que promovem os valores e o papel histórico dos
norte-americanos também se mostram permeados de personagens, temas e narrativas
de natureza religiosa e mitológica, os quais retomam certos arquétipos da
memória coletiva. Ao retratar períodos históricos, reproduzindo personagens e
eventos, e ao representar o papel norte-americano conectado à defesa da
liberdade no mundo, os filmes de Hollywood ajudam a solidificar a imagem dos
EUA como nação eleita para a realização de uma nova ordem mundial.
No
processo de construção da ideologia norte-americana, as narrativas bíblicas de
“um paraíso perdido” e de “uma nação eleita”, juntamente com a promessa de
restauração de um “novo céu” e de uma “nova Terra”, foram usados de maneira não
teológica, mas mitológica e ideológica. Através desse longo e fascinante
processo histórico cultural, uma identidade messiânica foi construída para os
Estados Unidos como nação divinamente comissionada para o estabelecimento de
uma era de liberdade e de glória no mundo. Vistas, porém, à luz da
interpretação profética, a cultura e as realizações dessa nação apresentam-se
como a própria contrafação do reino de Deus!
O
reconhecimento do poder norte-americano como um império, no entanto, não
implica uma continuidade indefinida da história, com um quinto império
sucedendo Roma, que em Daniel 2 foi representada nas pernas de ferro da estátua
e em  Daniel 7,  o quarto e último animal. Esse império
contemporâneo não emergiu da luta e da sobreposição ao império romano ou o
papado. Ele deve ser visto, na verdade, como uma reminiscência desses poderes.
Em Apocalipse 13:12, é afirmado que a segunda besta exerce a “autoridade da
primeira besta” na “sua presença”, o que torna o império norte-americano uma
continuidade desses poderes finais representados na profecia.



O lugar dos Estados
Unidos na profecia bíblica
Deus é soberano e tem o controle da história.
Essa é a essência das profecias apocalípticas. Por meio dos profetas, Ele
revela os grandes acontecimentos antes que estes tomem lugar. Estabelece
períodos de tempo, indica o perfil de poderes político-militares e revela
entidades que ao longo da história se relacionaram com o povo escolhido. Assim,
os grandes impérios foram previstos ou referidos nas profecias bíblicas, e com
o poder norte-americano não é diferente. Desde o seu surgimento, a nação
norte-americana esteve diretamente relacionada com o povo de Deus. No período
da colonização do novo mundo, muitos protestantes perseguidos pela coroa
britânica (no século 17) buscaram no recém-descoberto continente um lugar em
que pudessem livremente viver sua fé e obedecer a Deus, segundo sua
consciência. Nesse país, a Reforma protestante encontrou o terreno mais fértil
para seu florescimento por meio de diversos reavivamentos impulsionados pela
liberdade para pregar e publicar os ensinos bíblicos. Também foi nesse país que
Deus suscitou (no século 19) um movimento profético para a terminação de Sua
obra no mundo. E, nos últimos dias, essa nação vai se relacionar diretamente
com o povo de Deus como um poder político-militar perseguidor. Segundo a interpretação
adventista do sétimo dia, o único texto bíblico a fazer referência a esse poder
contemporâneo é Apocalipse 13:11-18. Particular dos adventistas, até onde se
sabe, a interpretação dessa profecia começou a ser esboçada desde o início do
movimento, na década de 1850. Esse texto de Apocalipse, em que o poder
norte-americano é representado pela figura da “besta de dois chifres” que “fala
como dragão”, é parte de um contexto mais amplo que envolve os capítulos 12 a
14 desse livro. Um estudo dessa seção ajudará a ter uma visão mais ampla do
contexto profético da atuação desse poder.
Fonte: DORNELES, Vanderlei. O último império: a nova ordem mundial e a contrafação do Reino de Deus. 1 ed. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2012. Resumo dos primeiros capítulos, construído por Hendrickson Rogers.

Este resumo está em construção. Aguardem seu desfecho!

Estude a segunda parte deste resumo aqui!

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: