Gênesis e os “mil anos” de Deus

Se eu tivesse um dólar por cada vez que eu ouvi alguém usar a frase que serve de título ao post como forma de adicionar os milhões de anos à criação Bíblica (seis dias normais), eu seria finalmente capaz de comprar aquele novo modelo do minivan que a minha esposa quer que eu compre. Parece que onde quer que há uma discussão em torno dos dias da Criação, alguém menciona a forma como esses dias poderiam ser longos períodos de tempo. Afinal, a Biblia diz que “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.” Será que esta frase realmente serve de evidência em favor da Teoria Dia-Era, como muitos sugerem?
Primeiro, a Bíblia não diz que “um dia para o Senhor são mil anos, e mil anos um dia.” O apóstolo Pedro escreveu:
Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. (2 Pedro 3:8)
Pedro usou uma figura de linguagem conhecida como simile [analogia, comparação, etc] para comparar um dia com mil anos. Não é o dia que é precisamente igual aos mil anos e vice-versa, mas sim que, no contexto de 2 Pedro 3:8, essas palavras partilham duma semelhança.
Qual é o contexto de 2 Pedro 3?
Nesta passagem, Pedro lembra aos Cristãos que “escarnecedores” surgirão nos últimos dias afirmando, “Onde está a promessa da sua vinda?” (2 Pedro 3:3,4). Pedro declarou:
Mas os céus e a terra que agora existem, pela mesma alavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens
ímpios. (v.7)
Independentemente do que os escarnecedores alegam àcerca da Segunda Vinda, Pedro avisou a igreja para que esta saiba que “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é Longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” (v.9)
Inserido no meio destes pensamentos está o facto do passar do tempo não afectar as promessas de Deus, especificamente o Seu regresso. Se há 1000 ou há 2000 anos atrás o Senhor Jesus prometeu um dia regressar, então essa promessa é tão válida e firme como se ela tivesse sido feita ontem. Verdadeiramente, “com o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia.”
Com os homens, o passar do tempo geralmente afecta a sua disposição para manter as suas promessas, mas não com Deus. Com Ele, o tempo não condiciona o que Ele disse que Ele iria fazer: “mil anos são como um dia” (v.8).
Outro ponto a levar em conta é o facto de Pedro ter usado o termo “dia” (grego: hemera) e a frase “mil anos” (chilia ete). Isto por si só é evidência de que Deus pode comunicar ao homem a diferença entre 1 dia e 1000 anos. (Para que as analogias façam algum sentido, primeiramente temos que entender a diferença literal entre o que se está a comparar. Se não houvesse diferença, então o uso desta figura de expressão não faria sentido.)
Para além isso, dentro do capítulo 1 de Génesis Deus usou os termos “dia” (hebraico: yamim) e “anos” (shanim). Muitos correctamente questionaram:
Se o dia de Génesis significa mil anos (ou outro longo período de tempo), então quantos anos são mencionados em Génesis 1 ?
Tal definição da palavra “dias” torna a interpretação razoável de Génesis impossível. Os factos são:
  • (1) Deus sabe a diferença entre um dia e mil anos;
  • (2) Pedro e Moisés entendiam essa diferença;
  • (3) A sua audiência original entendia a diferença;
  • (4) Qualquer leitor sem uma ideia pré-concebida pode fazer o mesmo.
Finalmente, mesmo que 2 Pedro 3:8 pudesse ser associado a longos períodos de tempo (algo Biblicamente e logicamente impossível), acrescentar 6,000 anos à idade da Terra não seria o suficiente para apaziguar aqueles que são simpatéticos com a teoria da evolução.
Uma pessoa pode acrescentar 600,000 anos ou 600,000,000 anos mas mesmo assim não se encontrar remotamente perto da alegada idade do universo. Segundo os cálculos evolutivos, esses números ainda se encontram bem longe dos 13 mil milhões de anos que supostamente se passaram depois do mitológico big bang, e 4 mil milhões de anos afastados do momento da formação da Terra (segundo a não-científica datação evolutiva).
Claramente, mesmo o abuso de 2 Pedro 3:8 não ajuda aqueles que querem associar os dias de Génesis com um longo período de tempo.
Fonte: Darwinismo.

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