O motivo do Natal – Deus Se fez homem para morrer a nossa morte e nos oferecer a Sua vida eterna!

Cristo, o precioso Filho de Deus, foi levado para fora e
entregue ao povo para ser crucificado. Os discípulos e crentes da região
próxima uniram-se à multidão que seguia Jesus ao Calvário. A mãe de Jesus
também estava ali, amparada por João, o discípulo amado. Seu coração estava
partido por indescritível angústia; todavia, ela, como os discípulos, esperava
que a dolorosa cena mudasse, Jesus declarasse Seu poder e aparecesse diante de
Seus inimigos como o Filho de Deus. Seu coração materno, então confrangeu-se
novamente ao relembrar ela as palavras nas quais Ele havia feito ligeira
referência às coisas que estavam acontecendo naquele dia.
Jesus mal tinha passado o portão da casa de Pilatos quando a
cruz preparada para Barrabás foi deposta sobre Seus feridos e ensanguentados
ombros. Cruzes também foram colocadas sobre os companheiros de Barrabás, que
deviam sofrer a morte ao mesmo tempo em que Jesus. O Salvador havia conduzido
Seu fardo apenas uns poucos passos quando, devido à perda de sangue e excessiva
fraqueza e dor, caiu desmaiado ao solo.
Quando Jesus Se reanimou, a cruz foi novamente colocada
sobre Seus ombros e Ele foi forçado a avançar. Vacilou mais uns poucos passos,
sentindo Sua pesada carga, e caiu ao solo, exânime. De início fora considerado morto, porém finalmente reviveu. Os sacerdotes e príncipes
não sentiam compaixão por sua sofredora vítima; mas viam que Lhe era impossível
carregar o instrumento de tortura mais adiante. Enquanto estavam considerando o
que fazer, Simão, o cireneu, vindo de direção oposta, encontrou a multidão, foi
agarrado por instigação dos sacerdotes, e compelido a carregar a cruz de
Cristo. Os filhos de Simão eram discípulos de Jesus, mas ele mesmo nunca tinha
sido associado com Ele.
Uma grande multidão seguiu o Salvador ao Calvário, muitos
zombando e injuriando, porém alguns estavam chorando e expressando Seu louvor.
Aqueles a quem Ele havia curado de várias enfermidades, e aqueles a quem havia
ressuscitado dos mortos, declaravam Suas maravilhosas obras com fervorosa voz,
e procuravam saber o que Jesus tinha feito para ser tratado como um malfeitor.
Apenas uns poucos dias antes, eles O aclamaram com alegres hosanas, e agitaram
suas palmas, quando Ele entrou triunfalmente em Jerusalém. Mas, muitos que
haviam gritado em Seu louvor, porque era popular fazer assim, agora avolumavam
o clamor: “Crucifica-O! Crucifica-O!” Luc. 23:21.
Pregado na Cruz Em chegando ao lugar da execução, os condenados foram
ligados ao instrumento da tortura. Enquanto os dois ladrões lutaram às mãos dos
que os puseram na cruz, Jesus não opôs resistência alguma. A mãe de Jesus
olhava em agônica ansiedade, esperando que Ele operasse um milagre para
salvar-Se. Viu Suas mãos estendidas sobre a cruz – aquelas bondosas mãos que
sempre tinham dispensado bênçãos, se estendido muitas vezes para curar os
sofredores. Agora foram trazidos o martelo e os pregos, e ao serem estes
cravados através da carne tenra e fixados na cruz, os quebrantados discípulos
levaram da cena cruel o corpo desfalecido da mãe de Jesus.
Jesus não murmurou uma queixa; Seu rosto permaneceu calmo e
sereno, mas grandes gotas de suor estavam em Sua fronte. Mão piedosa alguma
houve para enxugar o suor da morte de Sua face, e nem palavras de simpatia e
inabalável fidelidade para confortar Seu coração humano. Ele estava pisando
sozinho o lagar; de todas as pessoas, ali não havia uma com Ele. Enquanto os
soldados executavam a terrível obra, e Ele sofria a mais aguda agonia, Jesus
orava pelos Seus inimigos: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que
fazem.” Luc. 23:34. Aquela oração de Cristo pelos Seus inimigos abrangia o
mundo inteiro, envolvendo cada pecador que deveria viver até o fim dos tempos.
Depois de ser Jesus pregado à cruz, ela foi erguida por
alguns vigorosos homens e lançada com grande violência no lugar preparado para
ela, causando cruciante agonia ao Filho de Deus. Então uma terrível cena
ocorreu. Sacerdotes, príncipes e escribas esqueceram a dignidade de seu sagrado
ofício, e uniram-se com a turba em zombar e injuriar o agonizante Filho de
Deus, dizendo: “Se Tu és o Rei dos Judeus, salva-Te a Ti mesmo.” Luc.
23:37. Alguns escarnecedoramente repetiam entre si: “Salvou os outros, e
não pode salvar-Se a Si mesmo.” Mar. 15:31. Os dignitários do templo, os
empedernidos soldados, o vil ladrão sobre a cruz e os cruéis dentre a multidão
– todos se uniram nos insultos a Cristo.
Os ladrões que foram crucificados com Jesus sofriam a mesma
tortura física que Ele: mas um deles pelo sofrimento tornou-se mais endurecido
e desesperado. Ecoou a zombaria dos sacerdotes, e lançou-a sobre Jesus,
dizendo: “Se Tu és o Cristo, salva-Te a Ti mesmo,e a nós.” Luc. 23:39. O outro malfeitor não era um
criminoso endurecido. Quando ouviu as palavras de zombaria de seu companheiro
de crime, ele “repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando
na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os
nossos feitos mereciam; mas Este nenhum mal fez”. Luc. 23:40 e 41. Então,
quando seu coração se voltou para Cristo, celestial iluminação inundou-lhe a
mente. Em Jesus, ferido, zombado, e pendente da cruz, ele viu seu Redentor, sua
única esperança, e a Ele apelou em humilde fé: “Senhor, lembra-Te de mim,
quando entrares no Teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje
estarás comigo no Paraíso.” Luc. 23:42 e 43.
Com espanto contemplavam os anjos o infinito amor de Jesus,
que, sofrendo a mais intensa agonia física e mental, pensava apenas nos outros
e animava a arrependida alma a crer. Enquanto derramava a própria vida na
morte, Ele exerceu pelo homem um amor mais forte do que a morte. Muitos dos que
testemunharam estas cenas no Calvário, foram por elas posteriormente firmados
na fé em Cristo.
Os inimigos de Jesus agora aguardavam sua morte com
impaciente esperança. Esse acontecimento, imaginavam, apagaria para sempre os
rumores de Seu divino poder e as maravilhas de Seus milagres. Lisonjeavam-se de
que não mais teriam de tremer por causa de Sua influência. Os insensíveis
soldados que haviam pregado o corpo de Jesus na cruz, dividiram entre si Suas
vestes, contendendo sobre uma peça, que era uma túnica sem costura. Finalmente,
decidiram o assunto lançando sortes. A pena da inspiração descreveu esta cena com pormenores centenas de anos antes da
mesma ocorrer: “Pois Me rodearam cães: o ajuntamento de malfeitores Me
cercou, traspassaram-Me as mãos e os pés. … Repartem entre si os Meus
vestidos, e lançam sortes sobre a Minha túnica.” Sal. 22:16 e 18.
Uma Lição de Amor Filial Os olhos de Jesus vaguearam sobre a multidão que se reunira
para testemunhar Sua morte e Ele viu, junto à cruz, João amparando Maria, a mãe
de Cristo. Tinha ela retornado à terrível cena, não suportando permanecer longe
de Seu filho. A última lição de Jesus foi de amor filial. Olhando o rosto
abatido de Sua mãe, e então a João, disse, dirigindo-Se a ela: “Mulher,
eis aí o teu filho.” João 19:26. Depois, ao discípulo: “Eis aí tua
mãe.” João 19:27. João bem compreendeu as palavras de Jesus, e o sagrado
dever que lhe foi confiado. Imediatamente removeu a mãe de Cristo da terrível
cena do Calvário. Daquela hora em diante dela cuidou como filho obediente,
tomando-a em seu próprio lar. O perfeito exemplo do amor filial de Cristo
resplandece com não esmaecido brilho por entre a neblina dos séculos. Conquanto
suportasse a mais aguda tortura, Ele não Se esqueceu de Sua mãe, e fez toda a
provisão necessária para seu futuro.
A missão da vida terrena de Cristo estava agora quase
cumprida. Sua língua estava ressecada e Ele disse: “Tenho sede.” João
19:28. Saturaram uma esponja com vinagre e fel e ofereceram-na para beber; mas
quando a provou, recusou-a. E agora, o Senhor da vida e da glória estava
morrendo, como resgate pela raça. Foi o senso do pecado, trazendo a ira do Pai
sobre Si como substituto dos homens, que fez tão amargo o cálice que bebeu, e
quebrantou o coração do Filho de Deus.
Como substituto e penhor do homem, a iniquidade dos homens foi
posta sobre Cristo. Foi contado como transgressor, a fim de redimi-los da
maldição da lei. A culpa de cada descendente de Adão em todos os séculos
pesava-Lhe sobre o coração; e a ira de Deus e a terrível manifestação de Seu
desagrado por causa da iniqüidade, encheram de consternação a alma de Seu
Filho. O afastamento do semblante divino, do Salvador, nessa hora de suprema
angústia, penetrou-Lhe o coração com uma dor que nunca poderá ser bem
compreendida pelo homem. Toda dor suportada pelo Filho de Deus sobre a cruz, as
gotas de sangue que corriam de Sua fronte, Suas mãos e pés, as convulsões de
agonia que sacudiam Seu corpo, e a indescritível angústia que enchia Sua alma
quando o Pai ocultou dEle a face, falam ao homem, dizendo: Foi por amor de ti
que o Filho de Deus consentiu em levar sobre esses odiosos crimes; por ti Ele
rompeu o domínio da morte, e abriu os portões do Paraíso e da vida imortal.
Aquele que acalmou as encapeladas ondas pela Sua Palavra e andou sobre as
espumejantes vagas, que fez demônios tremerem e a doença fugir a Seu toque, que
chamou os mortos à vida e abriu os olhos dos cegos, ofereceu-Se a Si mesmo
sobre a cruz como o último sacrifício pelo homem. Ele, o portador de pecados,
suportou uma punição judicial pela iniquidade e tornou-Se Ele mesmo pecado,
pelo homem.
Satanás, com suas cruéis tentações, torturava o coração de
Jesus. O pecado, tão odioso a Sua vista, foi amontoado sobre Ele até que
sucumbiu sob o seu peso. Não admira que Sua humanidade tenha vacilado nessa
hora tremenda. Com espanto, os anjos presenciaram a desesperada agonia do Filho
de Deus, tão maior do que a dor física, que esta mal era sentida por Ele. Os
anjos do Céu cobriram o rosto do terrível espetáculo.
A Natureza inanimada exprimiu sua simpatia para com seu
insultado e moribundo Autor. O Sol recusou contemplar a espantosa cena. Seus
raios plenos, brilhantes, iluminavam a Terra ao meio-dia, quando, de súbito,
pareceu apagar-se. Completa escuridão, qual um sudário, envolveu a cruz e seus
arredores. As trevas se estenderam por três horas inteiras. À hora nona
ergueu-se a terrível treva de sobre o povo, mas como um manto continuou a
envolver o Salvador. Os furiosos relâmpagos pareciam dirigidos contra Aquele
que pendia da cruz. Então “Jesus exclamou com grande voz, dizendo: Eloi,
Eloi, lama sabactâni? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que Me
desamparaste?” Mar. 15:34.
“Está Consumado” Em silêncio o povo aguardava o fim da terrível cena. Outra
vez o Sol brilhara, mas a cruz continuava circundada de trevas. De repente,
ergue-se de sobre a cruz a sombra, e em tons claros, como de trombeta, que
pareciam ressoar por toda a criação, bradou Jesus: “Está consumado.”
João 19:30. “Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.” Luc. 23:46.
Uma luz envolveu a cruz, e a face do Salvador brilhou com uma glória semelhante
à do Sol. Pendendo então a cabeça sobre o peito, expirou.
No momento em que Cristo morreu, havia sacerdotes
ministrando no templo diante do véu que separava o lugar santo do santíssimo.
Subitamente eles sentiram a terra tremer sob seus pés, e o véu do templo, uma
forte e rica tapeçaria renovada anualmente, foi rasgado em dois de cima a baixo
pela mesma mão lívida que escreveu as palavras de condenação nas paredes do
palácio de Belsazar. Jesus não entregou Sua vida até que tivesse cumprido a obra que viera fazer; e exclamou em Seu derradeiro alento:
“Está consumado.” João 19:30. Os anjos se alegraram quando estas
palavras foram proferidas, pois o grande plano da redenção estava sendo
triunfalmente executado. Houve alegria no Céu de que os filhos de Adão pudessem
agora, mediante uma vida de obediência, ser elevados finalmente à presença de
Deus. Satanás foi derrotado, e sabia que seu reino estava perdido.
Fonte: História da Redenção, 220-227.

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