Qual é mesmo o mecanismo da Teoria do Design Inteligente?

Dr. Ann Gauger: o mesmo pesquisado por Newton e Einstein!
Lendo outro dia sobre o questionamento que sempre vem à baila quando a teoria do Design Inteligente [TDI] é discutida, verifiquei que é esta: Qual é o mecanismo da TDI? Os teóricos e defensores da TDI geralmente respondem: “Nós não propomos um mecanismo (uma causa estritamente ou necessariamente materialista) para a origem da informação biológica. Todavia, o que nós propomos é uma causa inteligente ou mental.” A Dra. Ann Gauger tem uma resposta interessante para as exigências de mecanismo cobrada pelos críticos e oponentes da TDI: “A exigência de uma causa material, de um mecanismo, pode levar à conclusão esdrúxula de que a lei da gravidade de Isaac Newton não é científica porque ele se recusou famosamente a fornecer uma explanação mecanística para a ação [da gravidade] a uma distância. Do mesmo modo a equação de Einstein, a E=mc2, não tem mecanismo. Mas essas leis são, certamente, científicas.”
Fui, sem querer, pensando: esvaziou o argumento mecanicista com uma elegância!

Religião é benéfica para tratamento psiquiátrico

Espiritualidade distingue gente de bicho e como corpo e mente
também é fator de cura.
“É mole? Vou ao médico tratar da depressão e ele me manda rezar!” A recomendação que gerou surpresa na médica e professora universitária Maria Inês Gomes, 67, agora tem aval da Associação Mundial de Psiquiatria. No mês passado, a entidade aprovou documento declarando a importância de se incluir a espiritualidade no ensino, pesquisa e prática clínica da psiquiatria. A Sociedade Brasileira de Psiquiatria (SBP) ainda não se posicionou sobre o assunto. A proposta, obviamente, não é “receitar” uma crença religiosa ao paciente, mas conversar sobre o assunto. O indexador de estudos científicos PubMed, do governo americano, lista mais de mil estudos sobre o tema. Os recursos espirituais avaliados nesses trabalhos variam bastante, desde acreditar em Deus ou um poder superior, frequentar alguma instituição religiosa ou mesmo participar de programas de meditação e de perdão espiritual, mas a grande maioria conclui que há correlação entre espiritualidade e bem-estar.
O maior impacto positivo do envolvimento religioso na saúde mental é entre pessoas sob estresse ou em situações de fragilidade, como idosos, pessoas com deficiências e doenças clínicas. Não se trata, claro, da prova científica da ação de Deus – uma hipótese dos pesquisadores é que a religiosidade sirva, por exemplo, para reforçar laços sociais, reduzindo a incidência de solidão e depressão e amenizando o estresse causado por doenças ou perdas.
Três meta-análises (revisões científicas) já realizadas sobre o tema indicam que, após controle de variáveis como o estado de saúde da pessoa, a frequência a serviços religiosos esteve associada a um aumento médio de 37% na probabilidade de sobrevida em doenças como o câncer. O desafio é entender exatamente como isso acontece.
Uma das explicações propostas é a ativação do chamado eixo “psiconeuroimunoendócrino”, em que uma emoção positiva seria capaz de alterar a produção de hormônios que, por exemplo, reduziriam a pressão arterial. “O impacto da religião e espiritualidade sobre a mortalidade tem se mostrado maior que a maioria das intervenções, como o tratamento medicamentoso da hipertensão arterial ou o uso de estatinas”, afirma Alexander Moreira-Almeida, professor de psiquiatria da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Outro estudo recente publicado na revista Cancer, da Sociedade Americana de Câncer, revisou dados obtidos com mais de 44 mil pacientes e concluiu que são os aspectos emotivos da espiritualidade e da religiosidade aqueles que mais trazem benefícios para a saúde física e mental de pacientes com a doença. O mesmo não acontece quando o paciente se dedica a meramente estudar ou pesquisar sobre a religião.
Ao mesmo tempo, segundo Almeida, as crenças religiosas também podem atuar de modo negativo, quando enfatizam a culpa e a aceitação acrítica de ideias ou transferem responsabilidades. “Piores desfechos em saúde são observados quando há uma ênfase na culpa, punição, intolerância, abandono de tratamentos médicos. A existência de conflitos religiosos internos no indivíduo ou em relação à sua comunidade religiosa também está associada a piores indicadores de saúde.”
Por essa razão, é importante que os profissionais tenham em conta a dupla natureza da religião e da espiritualidade, segundo Kenneth Pargament, professor de psicologia clínica na Bowling Green State University (Ohio). “Elas [religião e espiritualidade] podem ser recursos vitais para a saúde e o bem-estar, mas também podem ser fontes de perigo”, diz ele, que esteve no Brasil neste mês falando sobre o assunto no início do mês no Congresso Brasileiro de Psiquiatria.
Ele lembra que, por muitos anos, psicólogos e psiquiatras evitaram a religião e a espiritualidade na prática clínica. Entre as razões, estaria a antipatia pela religião que sempre houve entre os ícones da psicologia, como Sigmund Freud. [Que estrago certos ícones podem fazer, perpetuando suas crenças e descrenças por meio de seus seguidores…]
Para Pargament, é importante a compreensão de que a religião e a espiritualidade são entrelaçadas no comportamento humano e que os profissionais precisam estar preparados para avaliar e abordar questões que surjam no tratamento. “Para muitas pessoas, a religião e a espiritualidade são recursos-chave que podem facilitar seu crescimento. Para outros, são fontes de problemas que precisam ser abordadas durante o tratamento. Isso precisa ser compreendido pelos profissionais de saúde.”
Entre as técnicas que estão sendo estudadas para essa abordagem estão programas, por exemplo, para ajudar pessoas divorciadas a lidar com amargura e raiva, ou vítimas de abuso sexual e mulheres com distúrbios alimentares.
Fonte: Folha.com via Criacionismo.

Nota: A verdadeira religião tem que ver com a “religação” com Deus e uma vida harmoniosa em quatro áreas básicas: espiritual, mental, física e social. A base da religião de Cristo é o amor (a Deus e ao próximo), o que resume/sintetiza os Dez Mandamentos. Quando vivemos a verdadeira religião bíblica, com seu foco na graça (perdão) e na obediência nascida do amor, a saúde mental e física é uma consequência natural. Os cientistas ainda não sabem exatamente por que a religião traz saúde. Simples: porque fomos criados para crer. Negar essa dimensão humana é convidar a doença. (Michelson Borges)

Por uma vida mais feliz e rica, estudos sugerem: case-se!

O Criador pesquisou e divulgou os resultados bem antes!
Aí vai um conselho pouco convencional nos dias de hoje, talvez até meio antiquado, para levar uma vida com mais dinheiro, menos estresse e mais felicidade: case-se. A recomendação não é nossa, mas de pesquisadores que analisaram como o casamento afeta o bem-estar do homem. John Helliwell e Shawn Grover, ambos do Canadá, publicaram um estudo no National Bureau of Economic Research sobre o assunto. O diferencial da pesquisa deles é que ela levou em conta também o nível de felicidade antes do casamento, assim foi possível saber em que medida a união com uma mulher de fato mudou a vida do homem. O estudo chegou a quatro conclusões:
1. Aqueles que se casam são mais satisfeitos com a vida do que os que permanecem solteiros, mesmo quando considerado o nível de felicidade pré-matrimônio.

2. Os benefícios do casamento persistem em longo prazo, ainda que as grandes vantagens da união surjam logo após formalizá-la.
3. O casamento se mostra mais importante durante a meia idade, quando crises emocionais costumam ser mais frequentes, porque provê amparo para enfrentá-las.
4. Homens que tornam as esposas suas melhores amigas têm em média o dobro de benefícios do que os demais dos pontos de vista financeiro e de felicidade.
“Os maiores benefícios aparecem em ambientes de alto estresse, e pessoas que são casadas conseguem lidar com o estresse de meia idade melhor porque elas compartilham a carga e compartilham uma amizade”, resumiu Halliwell em entrevista ao The New York Times.
Os resultados coincidem com os que teve Jay Zagorsky, pesquisador da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, em 2013. Ele levantou dados do censo americano que mostravam que em 2010 um casal com idades entre 55 e 64 ganhava US$ 261 mil por ano, ante US$ 71 mil de um homem solteiro e US$ 39 mil de uma mulher solteira. Obviamente, duas remunerações somadas serão maiores que uma só, mas há mais por trás disso.
Um homem casado pode trabalhar 12 horas por dia num certo período para ganhar uma promoção, e a mulher o ajudará a resolver os afazeres domésticos. Depois que o sexo feminino diminuiu a desigualdade perante o masculino na sociedade, esse padrão inverteu em diversos casais, mas os manteve no mesmo sentido: forças somadas e estáveis fazem diferença.

Mas tenha em mente que para um divorciado, em termos de riqueza, seria melhor ter continuado solteiro por mais tempo. Zagorsky concluiu que o patrimônio da pessoa que desiste de um casamento cai em média 77% após assinar os papéis da separação. Embora os dados não digam com certeza por que isso acontece, o pesquisador especulou que os gastos com os procedimentos jurídicos pesam no bolso de quem passa por isso.
Fonte: GQ Brasil.
Nota: Antes de qualquer pesquisa humana, a pesquisa-ação realizada pelo próprio Criador chegou a conclusão: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda” (Gênesis 2:18). Talvez a Bíblia não seja um manual para fideístas. Talvez a Bíblia não seja apenas um livro religioso, mas também científico e com antecipações científicas claras! Talvez a Bíblia seja proveitosa sob muitos aspectos. Na dúvida, bem, leia a Bíblia por você mesmo(a)! (Hendrickson Rogers)

Imagine um mundo sem religiões

Imaginando a coisa errada…
“Imagine um mundo sem religião”, frase inspirada em um trecho da música do John Lennon e que se tornou um dos slogans do neoateísmo militante (e que tem aparecido bastante na minha linha do tempo e de algumas outras pessoas que conheço). A música, no entanto, também clama por um mundo sem governo, sem posses, sem ganância ou fome, onde ninguém é melhor do que ninguém e todos são iguais. Um mundo, sem dúvida, utópico e impossível de se alcançar, a não ser que se esteja falando do cemitério, pois no cemitério acaba-se tudo, ninguém é melhor, nem pior, todos são iguais e não precisam se preocupar com o governo.
Usar essa música como slogan para o neoateísmo é utópico e contraditório, pois usam a frase “imagine um mundo sem religião” para afirmar que o mundo seria melhor sem ela. É ridículo! A religião é algo intrínseco ao ser humano e demonstrou diversas vezes seu valor. Foi ela que motivou a Igreja Católica a criar as universidades na Idade Média. Foi o que levou os protestantes a criar as escolas e os hospitais públicos. A alfabetizar as massas. Até mesmo o método científico foi criado por cristãos por motivações religiosas, pois queriam descobrir na natureza a revelação de Deus, como foi escrito por Paulo: “Porque as Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o Seu eterno poder, como a Sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas…” (Rm 1:20). A religião também motivou homens como Mahatma Gandhi e Martin Luther King a buscar liberdade, paz e igualdade.
Mas agora vamos fazer algumas comparações singelas. Só a título de exemplo, gostaria de citar a Inquisição. Na Inquisição Espanhola, num intervalo de 400 anos, morreram duas mil pessoas. Na Inquisição Espanhola foram celebradas, entre 1540 e 1700, 44.674 juízos. Os acusados condenados à morte foram apenas 1,8% (804) [1]. Na “inquisição” contra as bruxas de Salém, morreram 20 [2]. Então soma-se umas 824 pessoas, num espaço de centenas de anos. Muita coisa, realmente. Mas e quanto a regimes ateus? Quantos morreram e em quanto tempo? Pol Pot, ditador ateu do Camboja, em apenas quatro anos, eliminou cerca de 2 milhões de pessoas atravez do Khmer Vermelho [3]. Mao Tse-Tung matou cerca 70 milhões [1]. Stálin, 25 milhões [1]. Se de fato unirmos todos esses ditadores (Mao, Pol Pot, Lênin, Stalin, etc.), chegaremos a uma marca de mais de 100 milhões de corpos num espaço de poucas décadas [4]; bem mais do que a inquisição jamais sonhou em fazer, ou que Bin Laden em seus pensamentos mais loucos tenha imaginado.
Quer “imaginar um mundo sem religião”? Que tal imaginar um mundo sem o ateísmo estatal que foi a causa de mais mortes do que qualquer guerra religiosa já causou?
“Ah, mas eles não fizeram isso em nome do ateísmo.” Sério?! Apenas estude um pouco sobre a ideologia desses homens: “A religião é o ópio do povo.” O ateísmo é intrínseco a toda ideologia marxista. O argumento de Marx era de que o governo deveria se livrar da religião para poder estabelecer o “novo homem” e a “nova utopia”, libertos da religião tradicional e da moralidade tradicional. Agora uma perguntinha: “Qual o meio mais fácil de se livrar da religião?” Claro que as massas não irão abandonar suas religiões por causa de um mero pedido do governo, ou por campanhas antirreligião passando na TV, no rádio, etc. Levaria incontáveis séculos até que isso pudesse acontecer, e o mais provável é que não acontecesse. Então, para esses ditadores, a melhor forma era proibir de vez a religião, caçando os religiosos, prendendo-os, torturando-os, e muitas e muitas vezes matando-os. Os ditadores ateus não mataram em nome do ateísmo?! Que tal dizer isso aos norte-coreanos ou aos chineses?
Se quer mesmo eliminar o maior motivo de guerras e massacres que o mundo já viu, então, ao invés de se eliminar a religião, deveria ser eliminada a ideologia marxista ateia.
Você quer “imaginar um mundo sem religião”? Então imagine um mundo sem hospitais, sem a cruz vermelha, sem os médicos sem fronteiras, sem escolas públicas, sem universidades públicas, sem a descoberta do método científico e muito mais. Bem, talvez os ateus pudessem, com o tempo, ter inventado e descoberto tais coisas, mas quanto tempo iria demorar? A religião chegou primeiro nisso tudo. Grandes pais da ciência eram religiosos, como Newton, Mendel, Pascal, Pasteur, Boyle, Hales, Edson e vários outros.
Nietzsche, certa vez, disse que, se nos livrarmos de Deus, teremos que nos livrar das sombras de Deus. Em outras palavras, as ideias que o judaísmo e o cristianismo, por exemplo, trouxeram ao mundo também começarão a ser corroídas.
“Ok, mas e que tal as Cruzadas?” As Cruzadas não chegaram nem perto de matar tantas pessoas num intervalo de quase 200 anos quanto esses regimes ateus mataram em poucas décadas. Ademais, as Cruzadas tiveram motivações religiosas? Sim, tiveram, mas qualquer historiador sério, ou até mesmo qualquer leitor de bons livros (até mesmo didáticos) saberá que as motivações religiosas influenciaram, sobretudo, a primeira Cruzada. Todas as que vieram após aquela foram motivadas, principalmente, por aquisição de novas terras e ampliação do comércio. E os mais interessados nessas novas cruzadas não foram o papa ou os cardeais e demais religiosos da época, mas, sim, os próprios proprietários de terras, ou até mesmo os “sem-terra” da época, os comerciantes e aventureiros em busca de fama e reconhecimento.
Por sorte (ou por azar) não precisamos “imaginar um mundo sem religião”, podemos apenas olhar para países em que o ateísmo era uma bandeira e ver que as atrocidades cometidas neles foram muito piores do que as ocorridas na França!
Dostoievsky disse há muito tempo: “Se Deus não existe, tudo é permitido.” A noção de Dostoievsky é que quando nos livrarmos da transcendência, quando criamos um mundo sem religião, nós autorizamos terríveis calamidades provocadas pelo próprio ser humano. O problema do mal não será eliminado apenas eliminando-se a religião (nem também o ateísmo), pois o mal é algo que acompanha o ser humano. Com ou sem religião, as pessoas são capazes de atrocidades inimagináveis. E creio que só em Cristo é que esse quadro pode mudar.
Não quero justificar os males ocorridos em nome de alguma religião, mas quero denunciar as lágrimas de crocodilo e a hipocrisia de muitos.
Minha oração talvez não traga de volta as vidas perdidas de tantos franceses que sofreram o atentado recentemente, mas minhas orações nem ao menos são direcionadas a isso, mas, sim, às famílias que se veem em estado de choque, desespero e desamparo, para que saibam que há um Deus em quem podem depositar todo seu fardo e alcançar alívio e descanso.
Referências:
1. Reinaldo Azevedo. “E os milhões de mortos pela Santa Inquisição?” Revista Veja, 2012. Disponível em: <http://goo.gl/5SMqGx>
2. “O Julgamento das Bruxas de Salém.” Disponível em: <http://goo.gl/1QVidf>
3. “Há 40 anos o Khmer Vermelho iniciava seu regime de terror no Camboja.” Terra, 2015. Disponível em: <http://goo.gl/Uh4iUZ>
4. Site estima que comunismo matou mais de 100 milhões no mundo. Terra, 2009. Disponível em: <http://goo.gl/Yrb1co>
Fonte: Gabriel Stevenson via Criacionismo.

Humanos e chimpanzés: o mito dos 99%

Parecidíssimos hein?!!
Não há nada de novo no título desta postagem. Porém, a suposta diferença de 1% em nível genético entre o ser humano e o chimpanzé continua a ser propagada nos meios de divulgação científica, e principalmente nos livros didáticos. Desde 1975, essa estatística enganosa tem sido apresentada como evidência clara de que os humanos e os chimpanzés estariam intimamente relacionados na árvore evolutiva da vida.[1] A famosa estatística de 99% foi baseada na comparação de apenas 97 genes entre os respectivos genomas. O genoma humano contém cerca de 19.000 genes.[2, 3] Portanto, 97 genes representam apenas cerca de 0,5% de todo o nosso genoma. 
Além do mais, a década de 70 estava bem distante do ano em que foi possível comparar diretamente as “letras” individuais (pares de bases) do DNA de humanos e chimpanzés – o primeiro rascunho do DNA humano não foi publicado até 2001.[4] Em 2005, quando o genoma do chimpanzé foi publicado, houve um frenesi na mídia sugerindo que agora tinham provas de que chimpanzés e humanos compartilhavam aproximadamente 99% do mesmo DNA.[5] No entanto, não foi bem isso o que ocorreu. Cada vez mais as pesquisas genéticas revelam que a percentagem de similaridade de DNA tem sido extremamente exagerada.
Em 2013, por exemplo, um estudo experimental realizado por Tomkins, um geneticista norte-americano, demonstrou que apenas 69% do cromossomo X e 43% do cromossomo Y do chimpanzé eram semelhantes aos do humano.[6] Ademais, o nível de similaridade genética (DNA) entre essas espécies é de cerca de 70%, ao invés dos supostos 99% apresentados nos livros didáticos. A variação desses valores é, em parte, devido a cada vez maiores conjuntos de dados que se tornam disponíveis para comparação, mas, principalmente, devido a diferentes pressupostos utilizados no cálculo das porcentagens. Por exemplo, o grau mais elevado de similaridade (99%) relatado por cientistas evolucionistas foi obtido por análise de sequências únicas de DNA que correspondem a partes reais do código genético. Entretanto, as estimativas de menor similaridade (criacionismo ou design inteligente) refletem, por vezes, alinhamentos que incluem vastas extensões de DNA com as regiões não codificantes.
As discrepâncias espalhadas na literatura em relação ao grau de similaridade genética entre humanos e chimpanzés corroboram os dados apresentados por Tomkins. Pesquisas anteriores apresentaram um percentual de similaridade entre as espécies que varia de 70%, em análises de grandes segmentos de DNA não codificantes de proteínas;[7] ~70% quando analisadas as sequencias de DNA do cromossomo Y;[8] 77% na análise do genoma completo;[9] 77,9% na análise do cromossomo 22;[10] 86,7% na análise da região HLA;[11] 93,6% na análise do genoma, levando em consideração o número de cópias dos genes (duplicações gênicas);[12] e 95,2% em análise de cinco grandes sequências de DNA, caindo para ~87% quando inseridas as sequências completas de alta qualidade.[13, 14]
Em 2007, um artigo publicado na revista Science afirmou que a noção popular de que os seres humanos e os chimpanzés são em nível de DNA geneticamente semelhantes em 99% é um mito, e deve ser descartado devido à imprecisão estatística que já era conhecida desde o início de estudos a respeito desse tema.[15] Ainda assim o mito do 1% foi perpetuado em 2012 na mesma revista.[16]
E o que dizer das características principais que tornam os seres humanos e os macacos diferentes, tais como a função cerebral e grandes diferenças de regulação entre genes expressos no cérebro? Em 1975, King e Wilson já haviam postulado que as principais diferenças entre humanos e macacos se devem em grande parte a fatores que controlam a expressão gênica: “Nós sugerimos que mudanças evolucionárias na anatomia e modo de vida são mais frequentemente baseadas em alterações nos mecanismos que controlam a expressão de genes do que em mudanças de sequência em proteínas. Propomos, portanto, que as mutações reguladoras representam as principais diferenças biológicas entre os humanos e os chimpanzés.”[1: p. 107]
Quando o fator “expressão gênica” é avaliado, muitas diferenças genéticas entre humanos e chimpanzés são encontradas. Por exemplo, Oldham e colaboradores publicaram um artigo descrevendo redes genéticas em cérebros humanos e de chimpanzés.[17] De acordo com esses autores, 17,4% das ligações de rede no cérebro foram encontradas no ser humano, mas não no chimpanzé. Eles reafirmaram o postulado de King e Wilson ao dizer que “o maior grau de homologia de sequência entre as proteínas humanas e de chimpanzés suporta a hipótese de longa data de que muitas diferenças fenotípicas entre as espécies refletem diferenças na regulação da expressão genética, em adição às diferenças em sequências de aminoácidos.”[17: p.  17973]
Sem a pretensão de esgotar o assunto, os estudos apresentados representam apenas alguns exemplos dentre diversas outras evidências disponíveis na literatura. Com a publicação contínua de dados do projeto ENCODE,[18] vai se tornar cada vez mais distante a suposta similaridade genética entre as espécies e, portanto, mais difícil manter a mitologia da diferença de 1%.
Referências: 
[1] King MC, Wilson AC. “Evolution at Two Levels in Humans and Chimpanzees.” Science. 1975; 188(4184):107-116.
[2] MGC Project Team. “The completion of the Mammalian Gene Collection” (MGC). Genome Res. 2009; 19(12):2324–2333.
[3] Ezkurdia IJuan DRodriguez JMFrankish ADiekhans MHarrow JVazquez JValencia ATress ML. “Multiple evidence strands suggest that there may be as few as 19000 human protein-coding genes.” Hum Mol Genet. 2014; 23(22):5866-78.
[4] Venter JC, et al. “The Sequence of the Human Genome.” Science. 2001; 291(5507):1304-1351.
[5] “Chimpanzee Sequencing and AnalysisConsortium. Initial sequence of the chimpanzee genome and comparison with the human genome.” Nature. 2005; 437(7055):69-87.
[6] Tomkins JP. “Comprehensive Analysis of Chimpanzee and Human Chromosomes Reveals Average DNA Similarity of 70%.” Answers Research Journal 2013; 6(1):63–69.
[7] Polavarapu NArora GMittal VKMcDonald JF. “Characterization and potential functional significance of human-chimpanzee large INDEL variation.” Mob DNA. 2011; 2:13.
[8] Hughes JF, Skaletsky H, Pyntikova T, Graves TA, van Daalen SK, Minx PJ, Fulton RS, McGrath SD, Locke DP, Friedman C, Trask BJ, Mardis ER, Warren WC,Repping S, Rozen S, Wilson RK, Page DC. “Chimpanzee and human Y chromosomes are remarkably divergent in structure and gene content.” Nature. 2010; 463(7280):536-9.
[9] Ebersberger IGalgoczy PTaudien STaenzer SPlatzer Mvon Haeseler A. “Mapping human genetic ancestry.” MolBiol Evol. 2007; 24(10):2266-76.
[11] Anzai TShiina TKimura NYanagiya KKohara SShigenari AYamagata TKulski JKNaruse TKFujimori YFukuzumi YYamazaki MTashiro HIwamoto CUmehara YImanishi TMeyer AIkeo KGojobori TBahram SInoko H. “Comparative sequencing of human and chimpanzee MHC class I regions unveils insertions/deletions as the major path to genomic divergence.” Proc Natl Acad Sci USA. 2003; 100(13):7708-13.
[12] Demuth JPDe Bie TStajich JECristianini NHahn MW. “The evolution of mammalian gene families.” PLoS One. 2006; 1:e85.
[13] Britten RJ. “Divergence between samples of chimpanzee and human DNA sequences is 5% counting indels.” Proc. Nat. Acad. Sci. 2002; 99:13633-13635.
[14] Tomkins J, Bergman J. “Genomic monkey business—estimates ofnearly identical human-chimp DNA similarity re-evaluated using omitted data.” Journal of Creation 2012; 26(1):94-100.
[15] Cohen J. “Relative differences: the myth of 1%.” Science. 2007; 316(5833):1836.
[16] Gibbons A. “Bonobos join chimps as closest human relatives.” [Jun. 2012]. Science News, 2012. Disponível em: http://news.sciencemag.org/plants-animals/2012/06/bonobos-join-chimps-closest-human-relatives
[17] Oldham MCHorvath SGeschwind DH. “Conservation and evolution of gene coexpression networks in human and chimpanzee brains.” Proc Natl Acad Sci USA. 2006; 103(47):17973-8.
[18] The ENCODE Project. Disponível em: http://www.genome.gov/encode/
Fonte: Everton Fernando Alves é enfermeiro e mestre em Ciências da Saúde pela UEM; seu e-book pode ser lido aqui. Via Criacionismo.

Diálogo entre o educador materialista e o educador espiritual

Educador materialista (EM): A culpa é da Dilma
mesmo!
Educador espiritual (EE): Sério? Pra mim a culpa da
Dilma não é maior do que a de cada um…
(EM) Sim, mas quem a colocou no poder foi o
Nordeste!
(EE) Por que pra você a culpa mais importante é a
do outro?
(EM) Sou realista! Com políticos melhores, o Brasil
seria melhor, a vida seria melhor!
(EE) O Brasil e a vida dependem dos políticos pra
você. Para mim, o Brasil depende de cada brasileiro e a vida de todos é afetada
(e infectada) pela vida de cada um…
(EM) Você é poeta ou é educador? Deixa de ser
alienado e cai na real! A corrupção e a impunidade comem soltas e esse é o verdadeiro
problema desse país!!
(EM) De fato, sou alienado do seu ponto de vista.
(EH) Pois é! É por causa de educadores alienados
que nossos estudantes não se desenvolvem politicamente nem cientificamente!
(EM) Sim, mas graças a Deus ainda existe outra
fatia de educadores que oportuniza estudantes pensadores e resistentes!
(EH) Pensadores? Resistentes?
(EE) Vou te explicar: o costume de só enxergar a
culpa do outro, por exemplo, vem de filosofias que impregnam a Educação e a
Ciência. Raciocine comigo (investigue): se você crê que o ser humano não
precisou de um Criador para vir à existência, mas processos aleatórios e
milagrosamente fortuitos originaram a vida em nosso planeta, a qual evoluiu
através de muita violência e total ausência de moralidade, como essa visão de
mundo influencia o pensamento e a ação de quem a possui? Como educar ‘animais
evoluídos’ (na verdade adestrá-los)? Negar uma criação sobrenatural com
propósito impede qualquer ensino sobre moralidade, altruísmo, cidadania e
responsabilidade individual…
(EM) Ei pode parar por aí! Já sei que você é um
religioso fundamentalista! Mas, escute uma coisa: eu também creio em Deus; mas
a evolução é um fato científico e a coexistência entre Deus e a evolução é
perfeitamente compatível! E mais, cogita-se sobre universos paralelos e sobre a
origem extraterrestre da vida, você sabia disso ou não??
(EE) Bem, para o “Deus” do Estado Islâmico (e para
o “Deus” católico romano) sim, é possível conciliar origem sobrenatural e
evolução. Mas, para os cristãos que leem o Gênesis e enxergam um relato literal
da origem da vida na Terra em seus dois primeiros capítulos, não é possível mesmo!
Ou criação sobrenatural de cada espécie separada, sendo o ser humano dotado de
livre arbítrio, com as leis matemáticas (biológicas, físicas e químicas)
normatizando a vida e o universo, ou o materialismo que prescinde de Deus e de
qualquer lei moral. São filosofias excludentes que geram estilos de vida
distintos! E, apesar da mídia carcomida por esse materialismo, há um sem número
de evidências arqueológicas, geológicas, matemáticas, físico-químicas e
biológicas que demonstram a epistemologia coerente do Gênesis…
(EM) É impossível conversar com você! Você tenta
doutrinar cada um que encontra! Vê se me deixa em paz, qual é?! Você acha que
vou trocar meus valores nos quais imperam o amor ao próximo e a liberdade de
expressão, por uma mente bitolada e regrada por leis preconceituosas e
retrógradas?
(EE) Professor, encare a realidade! Seu sistema de
valores que impõe o dogma materialista tem formado gerações e… olha o
resultado!
(EM) Mentira sua, seu professorzinho
preconceituoso! A culpa de tanto preconceito e violência é dos evangélicos
homofóbicos e dos religiosos que matam em nome de Deus!
(EE) Ué? A culpa não era da Dilma?
(EM) Sinceramente, já estou perdendo a paciência!
(EE) Mas, você disse que em seus valores o amor e a
tolerância imperam, não disse?
(EM) Respeito quem me respeita!
(EE) Lamento que suas crenças lhe impeçam de ver
que você e as classes rotuladas por você em sua fala possuem doutrinas comuns:
lançar toda a culpa sobre os outros para cauterizar a própria consciência,
criando um sistema de justiça que só serve ao seu autor…
(EM) Minha consciência vai muito bem, obrigado! Dou
minhas aulas com dedicação, trabalho em n escolas para poder ter um salário
razoável que me permite ter alguma dignidade. E não tenho tempo para ficar
ouvindo papo religioso desatualizado cujo objetivo é castrar a liberdade alheia.
Cada um tem suas crenças e suas verdades, e não é papel do educador interferir
nelas! Seja feliz, professor, e faça os outros felizes! Vê se deixa de impor
sua maneira de pensar!!
(EE) Você acha que um bom profissional da medicina,
por exemplo, exerce sua função na sociedade sob essa sua perspectiva? Você acha
mesmo que um paciente cuja saúde está mal por causa de sua desobediência à
Biologia normativa que recebemos do Criador, deve ser afagado por seu médico?
Professor, fazer de conta que não é sua responsabilidade ensinar moralidade é
uma ditadura com implicações sociais terríveis! Por outro lado, ensinar
moralidade é outra ditadura quando o docente fala, mas não faz! No entanto, e
se o docente ensinar por meio de seu próprio estilo de vida? Isso não é
ditadura, mas combate aguerrido contra o relativismo moral, oportunizando ao
educando comparações importantes e alternativas opostas…
(EM) Você acha pouco o trabalho de um educador?
Você trabalha em quantas escolas? Deixa de ser fantoche dos governantes,
professor, abre teus olhos! Deixa de ser capacho dos que não fazem nada pela
Educação e atolam o docente de responsabilidades sociais!!
(EE) Mas você mesmo disse que ama o próximo e a
liberdade de expressão! Como dar liberdade a um estudante se você só oferece
alternativas materialistas através de um estilo de vida hedonista? Que amor é
esse? Aliás, como o amor veio à existência no contexto da evolução? Insight de
Marte? Meu caro professor, viver desobedecendo às leis da saúde, da Biologia e
da moral é tão catastrófico como desobedecer às leis da Física e da Química!
Que papelão científico e político é esse do materialismo, o qual ensina a
obediência às leis matemáticas e impõe a desobediência às leis da saúde, da
Biologia e da moral? Isso é ativismo em prol da analfabetização
político-científica! Isso destrói famílias, comunidades, nações e o mundo…
(EM) Como você pode ser tão regrado num mundo onde
as próprias autoridades transgridem as leis? Você se acha melhor do que os
demais, esse é o seu problema! Deixa de inventar moda de santinho e cai na
real! Os estudantes não precisam de modelos de ética e religião na escola, pois
a escola pública é laica. Eles precisam conhecer a realidade dura e crua! Eles
têm que estudar e ponto final! E deixa de ser homofóbico com seu discurso sobre
Biologia normativa; isso dá processo viu?!
(EE) Difamar e fofocar são costumes que podem não ficar
na impunidade, professor, cuidado! Cobramos de nossos alunos, exigimos deles o
melhor que podem dar, falamos sobre tempo de estudo em casa e da concorrência
por vagas lá fora, mas quando o tema é cobrar competências morais e científicas
do docente você pula fora? Como assim? Cada profissão exige competências
mínimas de seu profissional. Para o docente isso não deve ocorrer? Você prefere
nivelar por baixo? Você usa o argumento falacioso de que estou puxando para um
diálogo religioso, só para ignorar a completa incompetência do materialismo em
formar cidadãos e cidadãs pacíficos, competentes, honestos e ordeiros?! Diga-me
como ensinar honestidade e ordem, por exemplo, por meio da sabotadora hipótese
do caos evolutivo? Diga-me como ensinar um ser humano a amar, sem ensiná-lo a
obedecer às leis?
(EM) Você quer colocar palavras na minha boca, mas
não vou permitir isto! Para vivermos em sociedade se faz necessário a
legislação de regras para definir direitos e deveres civis. Não sou um transgressor
como você insinua! Sou um trabalhador da Educação com muito amor e dedicação! O
problema é que você mistura sua religião bíblica com a Educação, e isso é
doutrinamento religioso! Em algum momento do passado o homem começou a amar,
percebeu que a violência impedia a convivência e começou a construir um sistema
de valores. É simples assim. Não venha complicar com a ditadura da moral
religiosa, pois isto é crime. Todos somos diferentes e devemos ser respeitados.
Não se deve obrigar a alguém a pensar e agir de acordo com nossa cultura
individual, mas sim pensar na coletividade e sua multiculturalidade e
pluralidade. Deus é bom e quer o coração e a sinceridade de cada um! Mas a
religião quer o dinheiro das pessoas, quer o monopólio de suas vidas, quer a
liberdade que evoluiu com a humanidade!
(EE) Pois é, professor, com uma fundamentação
teórica tão contraditória e movediça, é impossível ter valores absolutos,
sólidos e responsáveis; a própria manutenção da vida e convivência entre as
criaturas torna-se impossível! É mais fácil culpar outros. Contudo, isso não
resolve o problema. Ou fomos criados com responsabilidades morais e obedecemos
às leis biológicas, físicas e químicas sob as quais convivemos, ou mais vidas
serão contaminadas por uma educação materialista tão paradoxal, egoísta,
conveniente, virulenta e naturalmente violenta! O resultado, bem, ninguém pode
fugir da realidade, certo? Podemos fugir de Deus, podemos fugir para “um
universo paralelo” filosófico, podemos interpretar a realidade como achamos
melhor para nosso bolso e nossa dignidade, etc. Mas, pular fora da realidade,
as leis matemáticas criadas por Deus impedem que isso seja possível. Nem mesmo a
morte é uma fuga da realidade, pois, se houve criação, então haverá
ressurreição, e também ali haverá uma realidade repleta de responsabilidades
morais das quais também não poderemos fugir! O barco está afundando. Não tem
conserto. Os efeitos do problema da vida na Terra (corrupção, violência, abuso,
injustiça, sofrimento, dor) causados em grande medida pela educação
materialista, estão chegando ao seu clímax e é maior do que nossa ciência,
tecnologia e filosofias educacionais materialistas. Nada aqui da Terra resolve nosso
problema. Mas, existe salvação. A questão fundamental é: quem se disporá a
reconhecer o fracasso de suas filosofias materialistas com seus ganhos (e desculpas)
efêmeros, abrindo mão desse peso, e escapará do iminente naufrágio último (causado
pelas próprias escolhas individuais da humanidade e pela Justiça não humana), permitindo
a salvação de sua vida e a de outros? Ou você acha que dará tempo fugir para
Marte?

P.S. Calculando o óbvio: a maior parte dos educadores materialistas ou são religiosos-ateus ou são ateus-religiosos! Eu explico: religiosos-ateus são os que professam ter compromisso com Deus, mas seu estilo de vida não difere dos ateus. Ateus-religiosos são os ativistas em prol de sua causa sem causa, isto é, os que lutam para disseminar o irracionalismo do nada que criou tudo. 

(Hendrickson Rogers) 

Para você que acredita numa conspiração que adulterou a Bíblia!

1º nível: Precisaria existir uma “conspiração dos manuscritos” supersecreta a ponto de ninguém jamais descobri-los e nunca mencioná-los na história.

Bíblia2º nível: Quando estamos falando apenas do Novo Testamento, existem mais de seis mil cópias ou porções manuscritas antigas em grego, mais de oito mil em latim e mais de nove mil em siríaco, eslavo, gótico, copta e armênio. E pode não parecer grande coisa, mas deixe-me fazer algumas comparações. Guerras Gálicas, de Júlio Cesar, onde se encontram as principais fontes sobre Júlio Cesar e suas conquistas – existem apenas dez cópias manuscritas antigas encontradas até hoje. Poética, de Aristóteles – existem meramente cinco cópias manuscritas antigas encontradas. E assim se repete o mesmo quadro em relação a todos os manuscritos antigos. Em comparação com o Novo Testamento, com mais de 23 mil cópias manuscritas antigas, isso não é nada. E com todas essas cópias, podemos chegar até 120 d.C., apenas algumas décadas depois da morte de Jesus por volta do ano 33 d.C. Já em relação a outros manuscritos, os que chegam mais próximo dos originais são os manuscritos de Guerras Gálicas, de Júlio Cesar, que datam de aproximadamente 900 anos após os originais. Já os escritos de Aristóteles datam de 1.400 anos após os originais. Então, a “conspiração dos manuscritos” teria que pegar todas essas cópias manuscritas em mais de sete línguas diferentes, espalhadas pelo mundo, modificar todas as partes que desejarem e, sem deixar qualquer tipo de rastro – como caligrafia diferente, manchas, pegadas no local –, não errar ou confundir o alfabeto do idioma em questão, ou ser pego por alguém! E no fim de tudo, teriam de devolver os manuscritos ao seu local de origem em um tempo absurdamente rápido para não serem pegos, algo impossível de se fazer, sendo que eram necessárias longas semanas para que um único livro da Bíblia pudesse ser copiado!

3º nível: Os pais da igreja, que vieram após os apóstolos, tinham o hábito de fazer inúmeras citações dos manuscritos do Novo Testamento em seus livros. Foram mais de 36 mil citações que reconstroem todo o Novo Testamento, com exceção de apenas 11 que não mudam nem afetam o relato bíblico. Então, além de os “conspiradores dos manuscritos” terem que modificar milhares de cópias manuscritas em diferentes idiomas e espalhadas pelo mundo sem serem pegos e em um tempo absurdamente rápido, também teriam que lidar com todas essas citações registradas pelos pais da igreja; teriam que modificar todas as suas obras e todas as cópias de tais obras sem serem pegos e sem deixar qualquer tipo de rastro.

Você precisa de ajuda se acredita em tudo isso!

P.S.: Levando em consideração o grande número de manuscritos e quão antigos eles são, a ideia mais plausível para uma adulteração dos manuscritos do Novo Testamento é que ela deveria ocorrer entre os séculos I e II, porém, dadas as dificuldades geográficas, linguísticas e de escrita, somadas à pequena passagem de tempo desde a crucificação de Cristo até os séculos citados, tempo durante o qual apenas uma geração havia se passado, fica evidente que não houve “conspiração dos manuscritos” alguma! A Bíblia é perfeitamente fiel e digna de aceitação.

Fonte: Gabriel Stevenson, Apologética XXI via Criacionismo.

Evidências da ressurreição de Jesus Cristo – 3ª parte

  1. A indagação sobre se algo aconteceu ou não em determinada época, há mais de mil anos, só pode ser determinada por argumentos históricos (Wolfhart Pannenberg).ressurreição4

Céticos dos milagres:

Spinosa (XVII) – negou a possibilidade.

David Hume (XVIII) – negou a verificabilidade.

Citadores da existência de Jesus

Flávio Josefo (historiador judeu que trabalhou para os romanos)

Tácito (maior historiador romano da antiguidade)

Luciano de Samósata (famoso satirista grego do séc. II)

(Todos esses fazem menção da morte de Jesus, talvez de sua ressurreição e de sua crucifixão.)

O Talmude (um dos livros de tradições orais judaicas, compilado ao longo do 1° e 2° séculos) menciona a execução de alguém cujo nome leva a alguns epigrafistas crerem que se trata de Jesus de Nazaré em aramaico.

Um outro documento judeu chamado Toledot Yeshu (séc. V; mas este é um anti-evangelho), apresenta o tumulo vazio, embora a explicação ali de acontecimento natural – o corpo fora roubado pelos discípulos.

Pedra com inscrições romanas de Cláudio ou Tibério (descobridor: Wilhelm Forner e hoje se encontra na Biblioteca Nacional de Paris) sobre a punição mortal para quem “com intenção de lucrar mudasse o corpo de uma tumba para outro lugar”. Clyde Billington, Ph.D, professor de História na University of Northwestern, datou a pedra como sendo de 41 d.C e a enxerga como segura evidência da historicidade, senão da ressurreição de Cristo, ao menos de uma versão dela que já era bastante divulgada em uma década da morte de Jesus. Disponível em : < http://creation.com/nazareth-inscription-1 >. Acesso em: nov. 2015.

Todos esses depoimentos extrabíblicos possuem em comum o fato de não serem simpáticos ao cristianismo e, curiosamente, nenhum deles argumentou que a história do túmulo vazio era uma lenda, que Jesus na verdade estava desmaiado e fora reanimado pelios discípulos. Pelo contrário, todos, sem exceção, admitem a morte de Jesus. Alguns a mencionam como sendo por crucifixão.

Conclusão: Jesus morreu na cruz e seu túmulo repentinamente apareceu vazio.

Esse é o Critério da atestação múltipla – fontes independentes e antigas que atestam o mesmo fato histórico.

  1. O método utilizado para verificar a historicidade da ressurreição também foi usado para validar a hipótese de que
  1. a) a escrita começou na Mesopotâmia e não com os persas;
  2. b) Sócrates foi envenenado;

c)o rei Leônidas enfrentou os persas com apenas 300 soldados espartanos.

Se este método é usado por céticos e ateus para acreditarem nos livros de História, por que não valeria para acreditarem no relato das Escrituras?

III. Mais evidências:

1ª) Jesus, de fato, morreu crucificado, foi sepultado e seu tumulo apareceu misteriosamente vazio. (Fatos confirmados por autores da antiguidade que estavam fora do círculo do cristianismo).

2ª) Critério da atestação múltipla – reconhecemos que a força dos depoimentos tanto bíblicos quanto extrabíblicos aumenta quando percebemos que eles procedem de fontes diferentes e independentes umas das outras. Isso elimina praticamente por completo a possibilidade de serem testemunhos forjados.

3ª) As próprias pequenas contradições entre os relatos confirmam que não houve nenhum arranjo artificial dos relatórios. O depoimento original das testemunhas permaneceu inalterado.

4ª) O argumento textual dos evangelhos não procura fabricar evidências artificiais. Por exemplo, as mulheres que primeiro viram o túmulo vazio não tinham nenhuma força jurídica em seu testemunho; no entanto, isso não foi omitido do texto dos evangelhos.

5ª) Se crermos que a crucifixão ocorreu, mas que a ressurreição é um mito, então criamos um problema sem solução: estudos comprovam que o mito demora muito tempo para se estruturar na tradição de um povo. Mas, o hiato entre a morte de Jesus e as confissões mais antigas de fé que temos a esse respeito é curto demais para justificar o nascimento, maturação e estruturação de um mito com tantos detalhes confessionais como este apresenta! O relato está perto demais dos eventos a que faz referência. Logo, não pode ser uma tradição baseada em fatos mitológicos.

6ª) As aparições do Cristo ressurreto não encaixam na categoria de alucinação, visão espiritual ou delírio coletivo. São aparições reais, táteis que envolveram mais de quinhentas pessoas num período de aproximadamente quarenta dias.

7ª) Não havia nos discípulos nenhuma predisposição mental para aceitar a ressurreição. Eles nem sequer entenderam o que Jesus lhes falara a esse respeito! Assim, descarta-se a ideia de que estivessem mentalmente dispostos a serem influenciados por uma ilusão.

8ª) Se a ressurreição não fosse uma realidade o movimento não sobreviveria! Os discípulos saberiam que tudo não passava de uma farça e, lógico, não teriam por que arriscar sua própria vida por uma mentira que não lhes trazia nenhum lucro.

Com a palavra os pesquisadores (céticos inclusive):

  1. I) Em 1997 a universidade de Oxford publicou uma série de discursos acadêmicos iniciados um ano antes num simpósio ocorrido em Nova Iorque. O tema era a Ressurreição de Cristo e o Dr. Gerald Collins, professor emérito da universidade gregoriana de Roma apresentou uma lista de dezenas e dezenas de especialistas de várias universidades do mundo mostrando que, tanto entre liberais quanto entre conservadores, a disputa teológica atual não parece ser quanto à historicidade do túmulo vazio e sim quanto ao que provocou o esvaziamento da tumba. Depois de muitas pesquisas David Van Daalen, professor de Novo Testamento, chegou a seguinte conclusão:

É tremendamente difícil negar o fato do túmulo vazio com elementos da História. Muitos questionadores fazem sua oposição baseados em considerações filosóficas ou teológicas. Mas, a maioria dos acadêmicos de Novo Testamento são honestos em lidar com esses fatos inegavelmente empíricos.

  1. II) Dr. Geza Vermes, pesquisador judeu e autor de vários livros sobre o tema, admitiu:

Quando cada argumento é pesado e considerado, a única conclusão plausível para o historiador deve ser a de que […] as mulheres que foram prestar seu último lamento a Jesus encontraram, para sua consternação, não um corpo, mas um túmulo vazio.

III) Dr. Marcos Borg, negador da historicidade do Novo Testamento, no entanto admite não poder desmenti-lo:

Não faço a mínima ideia do que aconteceu ao corpo de Jesus e nem sei dizer se essa ressurreição envolveu seu corpo, também não tenho ideia se isso envolveria a tumba vazia […] De todo modo eu não veria problema se algum dia os arqueólogos achassem o corpo de Jesus. Para mim isso não traria descrédito à fé cristã ou à tradição cristã.

  1. IV) Dr. Shimon Gibson, arqueólogo associado do Albright Institute of Archaeological Research de Jerusalém, mesmo sem afirmar qualquer fé na ressurreição, admitiu a morte de Jesus e o sumiço de seu corpo; e após avalizar as muitas possibilidades para o fato, afirmou:

Essas teorias [para o túmulo vazio] são estranhas e todas estão baseadas na falta de senso […] A realidade é que não temos outra explicação histórica para o túmulo além daquela que já adotamos pela teologia, isto é, a ressurreição. Eu deixo com o leitor a decisão do que pensar acerca desta realidade.

  1. V) Professor Gerd Ludemann, um dos mais céticos alemães da historicidade do Novo Testamento; para ele, menos de 5% dos ensinamentos atribuídos a Jesus seriam de fato originários de Sua Pessoa; no entanto, ele admitiu que:

É possível tomar como certeza histórica que Pedro e os discípulos tiveram experiências com Jesus após sua morte e que Jesus apareceu realmente a eles como o Cristo ressuscitado.

  1. VI) O falecido professor Norman Perrin, um cético pesquisador da Universidade de Chicago, também declarou:

Quanto mais estudamos a tradição em relação às aparições de Jesus, mais descobrimos a rocha firme sobre a qual essa tradição está baseada.

VII) Por causa disso (e de muito mais), o filósofo e teólogo J. T. Moreland afirmou:

Hoje, praticamente, nenhum acadêmico especialista em Novo Testamento nega que Jesus apareceu a um número de seus seguidores após sua morte. Alguns acadêmicos interpretam essas aparições como alucinações subjetivas ou visões objetivas concedidas por Deus, mas não visões de um corpo físico. Contudo, nenhum deles nega que os crentes realmente tiveram algum tipo de experiência fora do comum.

VIII) Dr. Pinchas Lapide, um judeu ortodoxo, numa de suas palestras na Universidade de Göttingen na Alemanha:

Eu não excluiria de modo algum a ressurreição de Jesus como algo impossível de ter acontecido.

Em seu livro (p. 33) ele declarou: “Eu entendo, com base em minhas pesquisas, que a ressurreição de Jesus não foi uma invenção da comunidade de discípulos, mas um evento real […] Quando que um bando de temerosos apóstolos poderia repentinamente se transformar numa só noite numa confidente sociedade missionária? […] Nenhuma visão ou alucinação poderia explicar uma transformação tão revolucionária.” (LAPID, Pinchas. The resurrection of Jesus: a Jewish perspective. Augsburg Fortress Pub, 1983.)

Fonte: Transcrição por Hendrickson Rogers da trilogia sobre a Ressurreição, do programa Evidências apresentado pelo Dr. Rodrigo P. Silva. (Você pode assistir aos três programas na segunda parte desta pesquisa.)

Análise a 1ª parte aqui e a 2ª parte aqui.

A Ressurreição de Jesus Cristo: Um Acontecimento Histórico Aberto à Investigação Crítica

A evidência para a ressurreição é melhor do que para os milagres alegados em qualquer outra religião. É extraordinariamente diferente em qualidade e quantidade.
Anthony Flew
Introdução
A doutrina da ressurreição de Jesus de Nazaré tem produzido diversas controvérsias nos últimos duzentos anos. A teologia cristã moderna fez da ressurreição uma das áreas mais discutidas em seu âmbito. Desde o século XVIII o problema do túmulo vazio, símbolo maior da ressurreição, tem recebido atenção nos debates acadêmicos.
No Iluminismo, devido à crítica racionalista, a ressurreição se tornou um assunto a ser encarado de modo cético. Não era possível acreditar num evento – miraculoso – passado apenas com base nas informações de outrem mesmo que tais informações fossem bem documentadas. A experiência em primeira mão era fundamental do mesmo modo que a repetição do alegado evento miraculoso. Não há análogos contemporâneos! Diziam os racionalistas. Ora, se não há ocorrências no presente, não houve no passado.
Na tentativa de explicar racionalmente a ressurreição de Jesus e o fato do túmulo ter sido encontrado vazio, críticos radicais propuseram algumas teorias tais como: teoria do desmaio,[1] teoria do roubo,[2] teoria da alucinação[3] e teoria do túmulo errado.[4]Embora essas teorias sejam logicamente possíveis, elas se mostraram inadequadas para realizar aquilo a que se propuseram. Em seu livro Em Guarda, o teólogo e filósofo William Lane Craig aborda alguns fatores destacados por historiadores na análise de hipóteses concorrentes. Ele aplica os testes às hipóteses que se habilitam a explicar o túmulo vazio. A hipótese da ressurreição não fica de fora. Em sua conclusão ele diz: “[…] Deus ressuscitou Jesus dos mortos. Dado o fato de que Deus existe, essa conclusão não pode ser barrada por ninguém que esteja em busca do sentido da existência”.[5]
Mas, a teoria mais popular da atualidade não figura entre aquelas. Trata-se da teoria do mito. Peter Kreeft & Ronald K. Tacelli refutando essa teoria trabalham seis argumentos. Cito apenas o primeiro e não vou além, pois na faz parte do escopo desse texto discutir mais amplamente as teorias alternativas para explicar o túmulo vazio.
O estilo dos evangelhos é radical e claramente diferente do apresentado em qualquer mito. Qualquer estudioso de literatura que conhece e aprecia os mitos pode verificar isso. Na narrativa histórica, como é o caso dos evangelhos, não há eventos espetaculares, exagerados ou fora de proporção (como no mito). Nada é arbitrário. Tudo se enquadra corretamente na sequência histórica. A profundidade psicológica alcança o nível máximo.[6]
A ressurreição de Jesus alicerça o Cristianismo (1ª Co 15:17). Ambos estão conectados de tal maneira que ou eles subsistem juntos ou então sucumbem de mãos dadas. O teólogo alemão Rudolf Bultmann dizia que não faria a menor importância para os pontos essenciais do cristianismo se a ossada de um Jesus morto fosse encontrada na Palestina. Mas, Paulo sentenciou: “[…] se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé […]”. A discussão sobre se o fato da ressurreição de Jesus Cristo pode ser considerado um evento histórico aberto ao escrutínio crítico é uma questão central no debate atual a respeito da viabilidade desta ressurreição.
Estudiosos contemporâneos como Wolfhart Pannenberg[†], N.T. Wright e William Lane Craig defendem abertamente ser a ressurreição de Jesus de Nazaré um evento histórico, objetivo, que está aberto à investigação crítica. É consenso entre eles que quanto ao seu significado, a ressurreição é uma questão teológica, ao passo que ela, como um acontecimento, trata-se de uma questão histórica objetiva testemunhada por todos que tiveram acesso às evidências. Pannenberg diz que “a indagação sobre se algo aconteceu ou não em determinada época, há mais de mil anos, só pode ser determinada por argumentos históricos.”[7]
Alguns teólogos modernos são reticentes quanto à busca por evidências históricas que apontem para a ressurreição como a melhor explicação para o túmulo vazio encontrado pelas mulheres naquele domingo de Páscoa. Na opinião deles, esse assunto deve ser resolvido pela lógica da fé e isso basta. Há razão nisso. A priori, a fé deve dispensar provas para aceitar o conteúdo das narrativas evangélicas. A fé adquirida diretamente pela ação sobrenatural do Espírito Santo não precisa de evidências para se sustentar. No entanto, existem aqueles que à semelhança de Tomé dizem: “se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos […] de modo algum acreditarei” (Jo 20:25). Muitas pessoas passam a crer por meio de evidências. Existe legitimidade em desejar averiguar as evidências a respeito da ressurreição, afinal de contas o Ressurreto se apresentou com “muitas provas incontestáveis” (At 1:3).
Na contramão desses dois grupos, céticos têm se esforçado para negar a ressurreição corporal de Jesus alegando, por exemplo, que o corpo de Jesus, pós-crucificação, fora lançado numa cova rasa e comido por cães. Essa explicação é apresentada pelo estudioso do Novo Testamento John Dominic Crossan, membro do movimento Jesus Seminar.[8] Crossan está no centro desta discussão também quando o assunto é o conhecimento ou não, do apóstolo Paulo, da tradição do túmulo vazio. De modo geral, as conclusões dele (e do Seminário) têm sido questionadas, pois pairam suspeitas quanto à metodologia usada nos estudos, pressuposições, motivações e estabelecimento de datas.
Digno de nota é o fato das pressuposições radicais do Seminário e de Crossan quanto aos milagres narrados nos Evangelhos. Eles partem para a pesquisa rejeitando, injustificadamente, os milagres. Em um debate travado com Crossan em outubro de 1994 no Moody Memorial Church, Chicago, EUA, Craig diz que seu interlocutor é um naturalista. “Ou seja, achega-se à mesa do debate já presumindo que os milagres são impossíveis”.[9] Craig fundamenta sua assertiva com a seguinte declaração de Crossan: “Deus não age no mundo […] de forma direta […] fisicamente”.[10] Sobre ressurreição dos mortos, Crossan escreveu: “não acredito que alguém, em algum lugar, em algum tempo traga mortos de volta a vida.”[11]
Tentando demonstrar que a ressurreição corporal de Jesus é a melhor explicação para o túmulo vazio, discutirei, a seguir, a possibilidade de milagres ocorrerem, depois tecerei algumas considerações sobre o método científico, demonstrarei de modo breve que a ressurreição do Nazareno está aberta ao escrutínio crítico e, posteriormente, suscitarei uma rápida discussão sobre ter o apóstolo Paulo o conhecimento do túmulo vazio.
Antes de prosseguir, visto que irei insistir na questão do túmulo vazio como fato histórico circundado por evidências bem antigas, torna-se necessário citar e concordar com a fala do estudioso do Novo Testamento George Eldon Ladd[12]: “o túmulo vazio não despertou a fé na ressurreição de Jesus, nem o faz agora”[13] (Mc 16:8; Lc 24:11, 21). Transcrita essa fala, devo de igual modo ressaltar que o túmulo vazio é um sinal do ato escatológico divino irrompendo no mundo, no tempo e espaço. Pode-se dizer ainda mais, em tom esclarecedor, quanto à importância e o lugar do elemento “túmulo vazio”, lembrando Colin Brown, que “foram os aparecimentos de Jesus que os convenceram; o túmulo vazio foi o corolário corroborativo”[14]
O Método Científico Moderno
Prescindir desse método para determinar se a ressurreição é a melhor explicação, ou não, do túmulo vazio, é uma decisão inteligente. O método científico consiste em apontar algum fenômeno como verdadeiro a partir da repetição do mesmo diante de quem possa assegurar que ele é verdadeiro. Isto deve acontecer num ambiente controlado onde hipóteses possam ser observadas empiricamente.
Vamos a um exemplo simples da aplicação do método científico: ao chegar a casa, depois do culto matinal, você decide ligar seu aparelho de som e ele não funciona. Nesse instante, você começa a formular hipóteses que possam te fazer entender o que está ocorrendo.
Hipótese 1 – O som não está conectado a rede de energia elétrica. Ao verificar, você constata que não é essa a razão do não funcionamento do aparelho e, com isso, essa hipótese é negada.
Hipótese 2 – Está faltando energia elétrica. Ao acionar um interruptor para acionar uma lâmpada, percebe que esse também não é o problema. Desse modo, essa segunda hipótese é refutada.
Depois de levantar essas hipóteses você se depara com o fato da não solução do problema. Porém, entendendo ou não, o método científico fora aplicado por você frente a essa situação doméstica.
Evidente que submeter a ressurreição de Cristo a esse método é algo impensável, pois ela é um acontecimento histórico único, singular… um milagre. Para muitos, o que não passa pelo crivo do método científico deve ser rejeitado. Ora, não é o método científico a única maneira de se provar alguma coisa. Caso fosse, como poderia eu provar que hoje estive no trabalho? O método científico é ineficaz quando o assunto é provar ou não questões relativas a eventos e pessoas históricas.
Em um debate com o químico e ateu Peter Atkins,[15] de Oxford, William Lane Craig, ao ser desafiado por seu interlocutor quanto ao que a ciência não pode provar, elencou alguns exemplos interessantes nos quais acreditamos racionalmente sem que a ciência possa atestá-los. Vejamos: verdades lógicas e matemáticas, verdades metafísicas como “existem outras mentes além da minha?”, “o mundo externo é real?”, crenças éticas sobre declaração de valor não são acessíveis pelo método científico, entre outras.
A impossibilidade de se provar a verdade da ressurreição por meio desse método não é suficiente para caracterizá-la como um mito. Na verdade, com essa incapacidade de reter em um ambiente controlado o fenômeno da ressurreição, e de vê-lo se repetir, o método científico moderno se mostra limitado para averiguá-la. A alternativa então é a de uma análise sobre o fenômeno como um acontecimento histórico. Partindo desse pressuposto, e amparados pelas evidências, é possível concluir que o túmulo está vazio exatamente porque Jesus, muito provavelmente, ressuscitou ao terceiro dia.
A irracionalidade em se negar a ressurreição de Cristo como um fato estabelecido por não poder submetê-lo ao método científico moderno consiste em ser aquele fenômeno, um milagre, conforme dito anteriormente. Milagres não podem ser enquadrados em um laboratório e manipulados pelos cientistas; eles acontecem e pronto.
Milagres São Possíveis?
Milagres são possíveis? Algum milagre já aconteceu na história? A primeira pergunta que abre este tópico deve ser respondida a partir do labor filosófico, ao passo que a segunda exige uma análise histórica em busca de evidências que definirão se determinado milagre alegado ocorreu realmente ou não. Portanto, não se deve impor sobre um alegado milagre a especulação filosófica em detrimento da análise histórica acurada. Pode-se debater a possibilidade dos milagres, mas não se pode negá-los apenas por argumentos filosóficos.
Dada à existência de um Deus Criador, podemos acreditar que milagres ocorreram, pois, por definição, Deus é um operador de milagres. Desta forma, os que creem em milagres, admitem uma divindade qualquer. Mas, os milagres são normalmente rejeitados porque foram definidos como sendo “violações das leis da natureza”. Voltaire definiu: “Um milagre é a violação das leis matemáticas, divinas, imutáveis, eternas. Mediante essa única exposição, um milagre é uma contradição nos termos.”[16] A breve discussão que segue tentará mostrar como esta compreensão é inadequada. Para despertar a curiosidade do leitor observemos esse exemplo dado por J. P. Moreland & W. L. Craig: “’o sal tem uma disposição de se dissolver na água’ seria a afirmação de uma lei natural. Se, devido à ação de Deus, o sal deixasse de se dissolver na água, a lei natural não seria violada, porque ainda é verdade que o sal possui essa disposição.”[17]
O filósofo judeu panteísta Benedito Spinoza (1632-1677) argumentou serem as leis naturais imutáveis. Não há como interrompê-las, portanto milagres são impossíveis, pois a natureza “guarda uma ordem fixa e imutável”. A visão de Spinoza sobre o universo é fechada. Os eventos são determinados por um sistema mecanicista de causa e efeito. Por isso, a ressurreição de Cristo, por exemplo, adversa às leis naturais conhecidas, não pode ter ocorrido. Em outras palavras, a ressurreição (e demais histórias de milagres) é impossível, então, porque uma determinada sequência regular da natureza seria violada, mas, é certo que essa sequência regular é inviolável, logo, milagres não ocorrem. Norman Geisler & Frank Turek apresentam o raciocínio de Spinoza:
1. Os milagres são violações das leis naturais.
2. As leis naturais são imutáveis.
3. É impossível violar leis imutáveis.
4. Portanto, os milagres são impossíveis.[18]
Pesa contra o argumento de Spinoza, por exemplo, o fato de que as evidências favoráveis a um único começo do universo de tempo-espaço a partir do nada se avolumam. Geisler & Turek comentam: “A própria criação em si demonstra que as leis não são imutáveis. Uma coisa não surge naturalmente do nada. Mas aqui estamos todos nós.”[19] Sendo assim, Spinoza está superado quanto à sua crença de que os milagres,por definição, são impossíveis.
Ressalto que, consoante Moreland & Craig, citando o filósofo de Oxford Richard G. Swinburne, “uma lei natural não é abolida (ênfase minha) por causa de uma exceção”.[20] Deixariam as Leis de Newton[21] de existir caso uma pêra fosse lançada de uma altura e alguém interviesse impedindo a fruta de chegar ao centro da terra? Tal intervenção destruiria esta Lei? Uma lei natural pode ser interrompida, vencida e sofrer alterações. Já que foi feita menção a Newton, e a ideia de um universo fechado está em foco, cabe o comentário de John Warwick Montgomery: “Desde Einstein, nenhum homem moderno teve o direito de eliminar a possibilidade dos eventos por causa de um conhecimento anterior da ‘lei natural’”.[22] Montgomery argumenta que a partir da física einsteiniana o universo está aberto, logo, há espaço para o imprevisível no universo.
Outro cético, o filósofo David Hume, crítico que construiu seus argumentos antimilagres tomando por base o mundo fechado, seguro, previsível, absoluto newtoniano, escreveu:
Um milagre é uma violação das leis da natureza; e como uma experiência constante e inalterável estabeleceu estas leis, a prova contra o milagre, devido à própria natureza do fato, é tão completa como qualquer argumento da natureza que se possa imaginar. Por que é mais do que provável que todos os homens devem morrer; que o chumbo não pode por si mesmo permanecer suspenso no ar; que o fogo consome a madeira e que, por sua vez, a água o extingue; a não ser que estes eventos estão de acordo com as leis da natureza, e que é preciso uma violação destas leis, ou em outras palavras, um milagre, para impedi-los? Nada é considerado um milagre se ocorre no curso normal da natureza. Não é um milagre que um homem, aparentemente de boa saúde, morra subitamente, pois verifica-se que tal gênero de morte, embora mais incomum que qualquer outro, ocorre frequentemente. Mas é um milagre que possa ressuscitar, porque isto nunca foi observado em nenhuma época e em nenhum país. Portanto, deve haver uma experiência uniforme contra todo evento miraculoso, senão o evento não mereceria esta denominação.[23]
Observe o seguinte trecho do excerto de Hume: “coisa alguma pode ser considerada um milagre se chega a ocorrer no curso comum da natureza”. Para ele, milagres nunca ocorreram e, se tivessem ocorrido, deixariam de ser milagres, pois o que se experimenta não pode ser chamado de milagre visto que a uniformidade da experiência dá conta da ocorrência de acontecimentos regulares que normalmente se experimenta e sempre deverá ser experimentado. Em outras palavras, o que Hume faz é presumir que todas as experiências humanas são contrárias aos milagres. Um exemplo: caso seja provado que Lázaro ressuscitou, a ressurreição de Jesus já não será mais um milagre. C. S. Lewis dá uma resposta irremissível a isso:
Agora, naturalmente, devemos concordar com Hume em que, se existe “experiência absolutamente uniforme” contra os milagres, se, em outras palavras, eles nunca aconteceram, então por que eles nunca aconteceram? Infelizmente, sabemos que a experiência contra eles é uniforme somente se soubermos que todos os relatos sobre eles são falsos. E só podemos saber que todos os relatos são falsos se já soubermos que os milagres nunca aconteceram. De fato, estamos argumentando em círculos.[24]
O apelo de Hume à experiência uniforme labora em erro porque há uma confusão entre uniformidade e uniformidade absoluta. Podemos dizer que os acontecimentos a e normalmente acontecem, pois a experiência lhes é favorável, mas, não devemos olvidar de que as exceções surgem mesmo que ninguém possa atestá-las. Aqui temos uma uniformidade da experiência. Esta contraria o argumento de Hume que não admite exceções; para ele a uniformidade da experiência é absoluta. Experiências uniformes não são provas absolutas contra os milagres.
Para contrariar a admissão dos milagres como possíveis e chegar à sua conclusão de que a natureza é uniforme (absoluta), Hume, e qualquer cético, teria que ter averiguado todos os acontecimentos universais em todos os lugares e tempos. Como ele poderia ter feito isso? Não poderia, pois isso é impossível. Lennox aponta duas razões que sustentam esta impossibilidade: 1ª Apenas uma fração minúscula da soma total de todos os eventos ocorridos no Universo foi observada pelos humanos2ª Somente um pequeno número de observações humanas foi registrado por escrito.[25]
Outra acusação pesa sobre o raciocínio de Hume. Lennox, Geisler & Turek dizem que ele exclui a crença nos milagres evitando evidências apenas para manter sua tese de que existe uma experiência uniforme contra os milagres. No excerto humeano o autor diz: “é um milagre que possa ressuscitar, porque isto nunca foi observado em nenhuma época e em nenhum país”. Nunca foi observado? No Antigo Testamento temos ressurreições: Elias ressuscitou a filha da viúva de Sarepta (1º Reis 17.17-22); Eliseu ressuscitou o filho da Sunamita (2º Reis 4.18-37). No Novo Testamento também: Jesus Cristo também ressuscitou o filho de uma viúva de Naim (Lucas 7.12-15); O apóstolo Pedro ressuscitou a Dorcas ou Tabita (Atos 9.36-43). Filosófica e irresponsavelmente, Hume exclui, a priori, esses relatos de milagres e torna-os inválidos. Desse modo, a investigação histórica cede lugar às especulações filosóficas.
Foi dito que as leis da natureza não são inalteráveis e podem ser vencidas e sofrer alterações. Mas, isso significa que milagres “violam” as leis da natureza? Caso a natureza fosse autônoma, a resposta seria sim. Mas a natureza não é uma lei em si mesma. São o deísmo e ateísmo que concebem a natureza autônoma. As leis da natureza não operam independentes de Deus, que existe.
Como Deus existe (os argumento lógicos para sua existência são melhores do que para sua inexistência), o Universo físico não está fechado e Ele, quando bem entender, pode colocar sua mão dentro desse Universo e realizar milagres. O Deus criador, teísta, transcendente e pessoal, é o único que pode agir miraculosamente no Universo. Ele está habilitado a tornar um evento naturalmente impossível num evento histórico real (ex.: a ressurreição de Jesus Cristo) e isso Ele faz sem “violar” lei alguma.
Portanto, a definição de Voltaire, Spinoza e Hume que milagres “violam” as leis da natureza, labora em erro. Tal definição é inexata. Lewis pode nos auxiliar mais uma vez:
Se Deus aniquila, ou cria, ou desvia uma unidade da matéria, ele cria uma nova situação nesse ponto. Imediatamente toda a natureza abriga essa nova situação, deixa-a à vontade em sua esfera, adapta a ela todos os outros eventos. E ela se vê adaptada a todas as leis. Se Deus cria um espermatozoide miraculoso no corpo de uma virgem, esta não age violando lei alguma. As leis imediatamente assumem o comando. A natureza está a postos. Segue-se a gravidez, de acordo com todas as leis normais, e, nove meses mais tarde, nasce uma criança.[26]
Observe que no excerto acima Deus não é posto de um lado e a natureza de outro como se ambos fossem entidades autônomas. Lewis apresenta Deus como quem atua sobre a natureza e não como quem a viola, pois a natureza é obra de Suas mãos conforme creem os teístas. Deus, o Criador de todas as coisas, tem autoridade sobre toda criação. É bom afirmar nesse instante que crer nisso não lança os cristãos num contexto de negação das leis da natureza. É o conhecimento e aceitação delas que nos indica quando um milagre ocorreu. Que isso fique claro. Kreeft & Tacelli apresentam uma resposta certeira ao argumento antimilagres que estamos discutindo. Leiamos.
Um milagre não viola as leis da natureza da mesma maneira que um diretor de escola não viola o cronograma de aulas se cancelar a educação física para realizar uma assembleia especial. As violações ocorrem sempre que alguém que precisa seguir ou preservar uma ordem estabelecida fracassa ou recusa-se a fazê-lo. Por exemplo, se um professor de educação física cancelasse a aula por si próprio ou liderasse os alunos durante uma período de orações espontâneas, estaria violando as normas. Entretanto, seria diferente se o diretor da escola modificasse o programa de aulas dentro dos limites de sua autoridade.[27]
À semelhança do diretor que desfruta de autoridade para interferir na dinâmica da vida escolar sem violar leis, Deus, o criador do universo, tem autoridade sobre a criação. Desse modo, os milagres ocorrem sem que haja qualquer “violação das leis da natureza”.
A limitação do argumento antimilagres é demonstrada inequivocamente pelas razões já apresentadas e porque ele não leva em conta que os fatos históricos são particulares e únicos e que não necessitam, obrigatoriamente, de uma correspondência com uma experiência passada para serem admitidos como reais. Logo, esperar por analogias contemporâneas da ressurreição de Cristo, por exemplo, é uma perda de tempo.
Spinoza e Hume não contam com o teísmo, daí a explicação de suas certezas contra-milagres. Mas, segundo Antony Flew (1923 – 2010), filósofo, ex-ateu e especialista em Hume, “se aceitamos o fato de que há leis, então temos de aceitar que existe alguma coisa que impõe essa regularidade ao universo”.[28] Na mesma página, ele continua, citando um filósofo de Oxford John Foster: “é racionalmente justificada nossa conclusão de que é Deus – o Deus explicado pelos teístas (ênfase minha) – que cria as leis, impondo as regularidades ao mundo.” Abandonados os pressupostos ateístas, os milagres não são negados.
O erro dos céticos consiste no fato deles pensarem aprioristicamente quando não admitem os milagres como acontecimentos possíveis. Toda decisão tomada a priori é um suicídio intelectual. Não é porque se é naturalista que alguém pode determinar como improvável um milagre, pois, fazendo isso, temos uma caracterização de especulação filosófica que vira as costas pra a investigação histórica.
Spinoza e Hume, e todos que negam os milagres, são contestadores que não investigaram cada evento de toda história humana, não avaliaram todos os relatos dos milagres, não se ocuparam com as evidências, caso a caso, mas, simplesmente, concluíram que nenhum relato deles era a respeito de milagres. Como podem os céticos saber que milagres nunca ocorreram? Não podem. No máximo, o que fazem é supor o que desejam provar com o argumento da natureza uniforme, nada mais. Os naturalistas, ao que parece, incorrem numa petitio principii (petição de princípio), uma falácia lógica. A visão naturalista de Hume que norteia os céticos opõe-se, conforme esclarecido, ao elemento “sobrenatural” – ela é antissobrenaturalista.
Avançando um pouco mais nesse tópico, depois de apresentar improcedências nos argumentos antimilagres de Spinoza e Hume, discutamos um pouco o método de análise do Novo Testamento que os antissobrenaturalistas adotam. Esse método, a ser citado pelo nome logo a frente, carrega a inclinação naturalista de Hume de pensar os milagres como impossíveis; logo, descartados a priori, pois a experiência contra milagres é inalterável e firme, independentemente de existirem ou não evidências a respeito de qualquer milagre alegado. Sigamos.
Bernard Ramm (1916–1992) comenta a abordagem naturalista nos seguintes termos:
Se a questão girar em torno da existência do sobrenatural, mui obviamente tal abordagem fez da conclusão a sua premissa maior. Em suma, antes da crítica realmente começar, o sobrenatural já foi eliminado. E terá de desaparecer totalmente. Portanto, a conclusão não será resultante de um estudo feito com a mente aberta acerca do sobrenatural, e, sim, uma conclusão determinada dogmaticamente, por parte de uma metafísica antissobrenatural. Sobre qual outra base poderiam os críticos anular completamente (destaque do autor) o elemento sobrenatural em um documento que, reconhecidamente, reveste-se de valor histórico.[29]
É importante o pesquisador não alijar do contexto histórico, por exemplo, a ressurreição de Cristo por causa de seus pressupostos nada propensos à flexibilidade. Frente às surpresas no processo investigativo, o historiador crítico sério não concebe nada como impossível mesmo que suas convicções sejam confrontadas. Não é tarefa dos estudiosos aproximarem-se da história com vistas à sua construção partindo de noções preconcebidas como se portava Hume. São as melhores evidências que devem norteá-los em seu trabalho e não seus pressupostos filosóficos.
Rudolf Bultmann que reduziu a ressurreição de Cristo a uma experiência existencial dos discípulos e que rejeitava os milagres, concorda com esse tipo de comportamento. Para ele “… o historiador certamente não goza de licença para pressupor os resultados de suas pesquisas”[30].[31]
O método usado na formulação de uma teologia do Novo Testamento pelos críticos radicais e que descarta milagres é chamado histórico-crítico. Este método, segundo Ladd, é um filhote do racionalismo. Seus critérios propostos pelo sociólogo Ernest Troeltsch (1865 – 1923) são os seguintes: crítica, analogia e correlação. O primeiro diz que todas as declarações históricas deverão ser analisadas quanto ao seu conteúdo de verdades históricas. O segundo, ligado ao primeiro, advoga que o mundo é um sistema fechado e o que não acontece hoje também não pode ocorrer outrora. Ou seja, “baseia-se na necessidade de eventos análogos atuais para ratificação dos eventos históricos”.[32]Esse é o padrão para julgar a realidade dos eventos no passado. No caso do terceiro, os eventos históricos estão subordinados à lei de causa e efeito e, o que não derivar dessa lei, não poderá ser considerado confiável do ponto de vista histórico.[33] Ladd crítica esse método: “o método histórico-crítico não é um método adequado para interpretar a teologia do Novo Testamento, isso porque suas pressuposições limitam suas averiguações até à exclusão da mensagem bíblica central.”[34] A parte em negrito é consubstanciada pelo fato de que para um crítico radical a presença de um elemento miraculoso torna-se razão suficiente para a rejeição de um acontecimento histórico.
Decorrente do uso desses critérios, as experiências de milagres que não ocorrem hoje não ocorreram na história. O passado não diverge essencialmente do presente. Visto não existir na experiência contemporânea ressurreições, falta sentido advogar que um morto tenha ressuscitado no passado, diz Troeltsch. Mas, há uma questão importante a se destacar: o cristianismo advoga que a ressurreição de Jesus foi um evento singular, único, portanto, é de se esperar que não existam eventos análogos hoje em dia.
Concluo fazendo duas perguntando: estariam os milagres, no debate científico contemporâneo, descartados? Para Lennox “não há nenhuma objeção científica, em princípio, à possibilidade de milagres.”[35] Pode o homem moderno admitir um ‘milagre’ como o da ressurreição de Cristo? Sim! Nesta era relativista de Einstein o universo está aberto a todas as possibilidades.
A Investigação Crítica
É irracional a alegação de alguns céticos que a aceitação da ressurreição de Cristo sugere um salto no escuro e a adesão a uma crença que se opõe às evidências e à razão. Lucas, por exemplo, era um homem da ciência, pois ele era médico (Cl 4:14). Também é sabido, devido conclusões de estudiosos, que ele era grego de boa educação e de boa formação. Isso é observável quando se analisa o seu estilo literário. Para os eruditos imparciais Lucas também pode e deve ser considerado um excelente historiador. Descobertas arqueológicas têm demonstrado a precisão das informações lucanas no Evangelho e em Atos.[36] Lucas revela uma responsabilidade insuspeita em narrar os fatos que envolveram o ministério terrenal de Jesus Cristo quando ele diz: “eu mesmo investiguei tudo cuidadosamente, desde o começo…” (Lc 1:3).
É importante destacar a palavra “cuidadosamente” nesse momento. Aqui o autor usa a palavra grega akribôs que significa “acuradamente”, indicando que a pesquisa foi feita de maneira meticulosa. Em Atos 1:3, falando sobre a ressurreição de Cristo, ele escreve: “… deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo.” Dessa referência devemos destacar a frase “muitas provas indiscutíveis”. A palavra grega que ele usa, étekmerion, significa, em lógica, “prova demonstrativa”, e na linguagem médica, “evidência demonstrativa.”[37]
A observação do uso dessas palavras gregas por Lucas, fato que depõe favoravelmente a ele quanto à certeza de uma narrativa precisa, leva facilmente à aceitação de que a crença da igreja primitiva na ressurreição de Cristo era fundamentada em acontecimentos reais e, portanto, históricos. Os discípulos, por vezes, são acusados pelos críticos de serem possuidores de uma cosmovisão mítica e, por conta disso, serem capazes de construir o mito da ressurreição de Cristo. Este tipo de compreensão sobre a visão de mundo dos discípulos e das pessoas do primeiro século faz delas sujeitos ingênuos e até ignorantes. Mas, uma breve análise de algumas passagens bíblicas mostra-nos que os discípulos não eram assim tão ingênuos como supõem os críticos. Vejamos.
1 – Pedro dizia que eles não seguiam fábulas construídas pelos homens de maneira engenhosa (2 Pe 1:16).
– No Areópago, o discurso paulino sobre a ressurreição de Cristo chocou os ouvintes (At 17:16-34). Por qual razão os ouvintes de Paulo escarneceram dele quando ele falou sobre a ressurreição?
3 – Quando Tomé manifesta uma “incredulidade” sobre a notícia da ressurreição de Cristo ele está dando algum sinal de ingenuidade? Quando ele fala em ver e em tocar no sinal dos cravos, ele está mostrando ser tão primitivo assim como gostam de afirmar os críticos?
Acreditando num primitivismo dos discípulos, os críticos reduziram a ressurreição de Cristo, crida objetivamente por seus seguidores, em uma experiência existencial e a-histórica. Porém, parece que as evidências demonstram que eles estão errados.
Os critérios históricos usados para examinar a ressurreição de Cristo como sendo ou não a explicação mais plausível para o túmulo encontrado vazio naquele domingo de Páscoa devem ser os mesmos adotados para a análise de outros eventos históricos passados. A busca por evidências que satisfaçam um enfoque adequado e a sustentabilidade dos fatos pleiteados indicam critérios que atestam a plausibilidade da ressurreição de Cristo. Por eles é possível estabelecer um argumento histórico sólido sobre a ressurreição.
Estudiosos defensores da ressurreição de Cristo como sendo um acontecimento histórico aberto à investigação crítica creem existir evidências suficientes para corroborá-la. Por uma abordagem historiográfica interessada nas evidências, pode-se concluir ser a mesma a melhor explicação para o túmulo vazio. Por uma atitude crítica, um crítico histórico pode perfeitamente examinar as testemunhas, atestar a morte por crucificação, analisar todo o processo de sepultamento e ratificar todas as afirmações de que Jesus Cristo ressuscitou e que o túmulo não estava mais ocupado e sim vazio. Para esse corpo de evidência histórica, a ressurreição de Jesus Cristo é a explicação mais provável e plausível frente as teorias da síncope, conspiração, alucinação e do mito.
Vejamos o caso do túmulo vazio e o uso de um critério de historicidade[38] chamado atestação múltipla.
Também denominado de “corte transversal” e “múltipla confirmação”, o critério atestação múltipla é explicado por Craig: “o fato é relatado em múltiplas fontes primárias da época em que se alega que ele ocorreu e que não dependam umas das outras nem de uma fonte comum.”[39] Um exemplo com múltipla atestação são as palavras de Jesus sobre o pão e vinho na Última Ceia (Mc 14:22-25; 1ª Co 11:23-26; Jo 6:51-58). Outro exemplo são as palavras de Jesus a respeito da lâmpada que aparecem em Mc 4:2,  Mt 5:15 e Lc 11:33 [=Q[40]].
Consoante a fontes antigas e independentes relacionadas ao túmulo vazio temos a fonte de Marcos, Mateus e João apresentam o caso a partir de fontes distintas, Atos (2:29, 13:36) e Paulo na apresentação do antiquíssimo credo descrito em 1ª Coríntios 15:4. Tanto Craig como Geisler & Turek, informam que Gary Habermas numa revisão do estado da arte pesquisou mais de 2.200 publicações em inglês, francês e alemão sobre a ressurreição de Jesus de Nazaré e descobriu que 75 por cento dos pesquisadores veem a narrativa do sepulcro vazio como histórica.
Digno de nota é o fato que no debate sobre a historicidade da ressurreição de Jesus Cristo, crer ou não que o apóstolo Paulo tinha o conhecimento do túmulo vazio faz muita diferença. Estudiosos que negam a ressurreição como um fato histórico dizem que o apóstolo desconhecia qualquer antiga narrativa de um túmulo vazio. Os eruditos J. M. Borg e John Dominic Crossan afirmam: “Paulo não enfatiza um túmulo vazio. Pelo contrário, ele baseia sua confiança na ressurreição de Jesus, nas aparições de Jesus aos seus seguidores e, em última instância, no que ele próprio, Paulo, entende como visões.”[41] Crossan ainda diz:
As narrativas do sepultamento e ressurreição foram recente criação ilusória de fatos que se desejaria fossem realidade. O cadáver de Jesus seguiu o caminho dos corpos de todos os criminosos abandonados: provavelmente coberto apenas com refugo, vulnerável aos cães selvagens que vagavam a terra devoluta das áreas de execução.[42]
Assim, as narrativas do túmulo vazio não passam de acréscimos aos textos evangélicos. Ou seja, são lendas inseridas no contexto da fé e que o apóstolo Paulo não tinha conhecimento sobre nenhuma tumba vazio. No entanto, é possível encontrar pistas apontando para o fato de que o apóstolo Paulo conhecia o túmulo vazio.
A metodologia que Crossan usa nos estudos dos textos evangélicos para determinar o que é “autêntico” ou não traz em seu bojo o descarte imediato de toda profecia e todo milagre. Ou seja, o antissobrenaturalismo faz parte do escopo metodológico e essa realidade compromete suas análises, pois, aprioristicamente, a ressurreição corporal de Jesus não deve ser levada em conta, mas preterida. Temos aqui Crossan se posicionando segundo Spinoza, Hume e Troeltsch.
O problema nesse cenário é que Crossan e outros estudiosos (historiadores e teólogos) em suas pesquisas aproximam-se de seu objeto de estudo repletos de preconceitos não históricos, mas filosóficos. Noutras palavras, são as convicções metafísicas que determinam os resultados “históricos” e não os fatos, as evidências. Se o naturalista continuar a negar um mundo teísta não haverá conjunto de provas que o convença da plausibilidade da ressurreição de Jesus Cristo. Com essa tendência metodológica a ressurreição de Jesus não pode ser outra coisa que não um mito. Wolfhart Pannenberg disse: “o fato decisivo na determinação do que aconteceu no primeiro dia da Páscoa é a evidência contida no Novo Testamento, e não as teorias dogmáticas e efêmeras dos estudiosos acerca da natureza da realidade.”[43]
Mas, Paulo sabia alguma coisa sobre o túmulo vazio?
Paulo e o Túmulo Vazio
Um dos acontecimentos históricos mais veementes que favorece a aceitação da ressurreição corporal de Jesus Cristo é a transformação de Saulo de Tarso, o apóstolo Paulo. Sua conversão dificilmente pode ser explicada por alguma teoria naturalista. Falar sobre Paulo e o túmulo vazio é importante porque as cartas paulinas foram escritas muito cedo. Por exemplo: Romanos foi escrita entre 55-58 d.C. e 1ª Coríntios foi escrita em 56 d.C. Com essas datas temos entre 26 e 28 anos de distância entre a escrita delas e a condenação, crucificação, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Ou seja, do ponto de vista histórico temos uma distância cronológica ínfima. Alguns pesquisadores têm compreendido que a afirmação “ressuscitou ao terceiro dia” de 1ª Coríntios 15:1-8 é uma prova de que Paulo conhecia o túmulo vazio. Leiamos.
Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, pelo qual também sois salvos, se é que o conservais tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e depois aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram; depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos; e por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a um abortivo.
Essa Escritura, segundo estudiosos como Ben Whiterington III e Wolfhart Pannenberg, é um antigo credo cristão. Hanegraaff diz que “os estudiosos de todos os naipes concordam que este credo pode ser datado de três a oito anos da própria crucificação.”[44] Observe: três a oito anos, uma data recuadíssima! Craig comenta: “essa tradição provavelmente foi transmitida a ele (Paulo) o mais tardar na época de sua visita a Jerusalém, em 36 d.C. (Gl 1:18), se não antes, em Damasco.”[45] Simon Kistemaker explica: “as palavras recebi e entreguei são termos técnicos que indicam os elos individuais na corrente da tradição (transmissão de um depósito sagrado).”[46] As provas técnicas de que tal escritura trata-se de um antigo credo são as seguintes:
1. As palavras entreguei e recebi são termos descritivos do tratamento rabínico da tradição santa, indicando que esta é uma tradição santa recebida por Paulo;
2. Várias frases primitivas e antigas, pré-paulinas, são usadas (“os doze”, “ao terceiro dia”, “foi visto”, “pelos nossos pecados”, “ressuscitou”). Estas frases são judias e primitivas;
3. O estilo poético é hebraico;
4. O aramaico Cefas é usado; este era um modo antigo de referir-se a Pedro.[47]
Esta declaração é um credo por causa de sua forma aramaica primitiva, afirmam estudiosos. Muito possivelmente era usada nos cultos em forma de cântico. O fator importante que este antigo credo cristão citado por Paulo traz à baila é que o evangelho paulino não se baseia numa revelação espiritual apenas, mas em eventos históricos sólidos. Paulo deixa claro que seu ensino é oriundo de uma tradição recebida e ele a reproduz  sem nenhum questionamento.
Aos que levantam a hipótese de que a ressurreição é uma invenção da igreja primitiva, é bom lembrar não ter havido tempo para a igreja inventar uma história como a da ressurreição, pois mitos e lendas, para serem construídos, requerem pelo menos duas gerações para ornarem os fatos históricos e, como já foi dito, o antigo credo cristão dista 3 a 8 anos da crucificação, morte e ressurreição. Isso significa que faltou tempo necessário para criações comunais.
Craig, citado por Kreeft & Tacelli, argumenta: “os evangelhos foram escritos com proximidade temporal e geográfica tamanha aos eventos neles registrados que teria sido praticamente fabricá-los”.[48] McDowell, citando Otto A. Piper[49] escreve que “a sociologia e a antropologia têm defendido que as comunidades são mais receptivas do que criativas”.[50]
Ora, crer que as comunidades cristãs primitivas, antes que passasse uma geração, logo se esqueceram do que Jesus havia dito e não havia dito e, por necessidades de desenvolver regras de condutas, ensinos para novos convertidos e homilias, elas criaram todo seu material e atribuíram a Jesus, faz delas realidades mais fantásticas e admiráveis que o próprio Mestre. Caso os discípulos tenham criado a história da ressurreição – e demais questões relacionadas a Jesus – eles deveriam figurar entre as mentes mais criativas e fantasiosas como J.R.R. Tolkien (O Hobbit e O Senhor dos Anéis) e C. S. Lewis (As Crônicas de Nárnia). Quem sabe, ultrapassá-las.
Floyd V. Filson comenta:
Inevitavelmente devemos suspeitar de qualquer tendência de fazer derivar o grosso da tradição evangélica, que é perenemente vital, das massas crentes, e não do próprio Jesus. Se não situarmos o começo dos registros escritos sobre as palavras e atos de Jesus, mais tarde que o ano 50 d.C., dificilmente encontraremos espaço para tão notável atividade criativa que atribui aos primeiros cristãos a elaboração de qualquer porção maior das tradições.[51]
Portanto, as tradições de Jesus tem origem nele, em suas atividades e, certamente, conjecturar que a comunidade cristã primitiva vivia inventando coisas a respeito do Jesus histórico é uma tolice.
Mas, onde está o túmulo vazio no credo? Já foi dito que está no versículo 4: “foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia”. Quando o apóstolo diz “foi sepultado” (etaphe) ele está demonstrando ter (ou isso é subentendido) conhecimento do túmulo vazio. Além dos escritores dos Evangelhos, apenas Paulo menciona esse fato. Em Atos 13:29 Paulo declara: “depois de cumprirem tudo o que a respeito dele estava escrito, tirando-o do madeiro, puseram-no em um sepulcro.” Na tumba o corpo de Jesus Cristo descansava. Seu sepultamento é consequência de sua morte e prenúncio de sua ressurreição. Por lá ficou por curto espaço de tempo e o próprio apóstolo afirma ter ele ressuscitado.
Paulo entende a ressurreição como tendo sido corporal ou espiritual? A conexão entre os verbos “sepultar’ e “ressuscitar” no conjunto da frase não pode indicar o sepultamento do corpo e uma ressurreição espiritual como defendem alguns. No contexto Paulo fala nos versículos 35 e 44 de soma, “corpo físico” a ser transformado pelo Espírito Santo tornando-se apropriado para entrar na vida eterna e para experimentar a imortalidade. A expressão “ao terceiro dia” também sustenta uma ressurreição corporal. Provavelmente, temos uma referência à experiência das mulheres que ao terceiro dia foram à tumba e encontraram-na vazia (Mt 28:1-10; Mc 16:1-8; Lc 24:1-12; Jo 20:1-10). Ademais, em Atos 17:18 Lucas diz que interlocutores de Paulo apontavam-no como “pregador de estranhos deuses, pois pregava a Jesus e a ressurreição” (ênfase minha). A palavra em negrito é anastasis (grego) e significa “levantar-se de novo”. A conotação extraída é de uma ressurreição corporal.
Bart D. Ehrman, teólogo liberal e agnóstico, afirma que para Paulo a ressurreição de Jesus foi física:
Paulo quer lembrar a seus seguidores que, de fato, Jesus, real e fisicamente, foi erguido dentre os mortos. Paulo […] insiste em que a doutrina da ressurreição tem a ver com uma verdadeira ressurreição física. Jesus não foi erguido apenas espiritualmente.[52]
Além de 1ª Coríntios 15:4, 35 podemos ver também em Romanos (uma epístola paulina bastante antiga) que o apóstolo tinha a informação de que o túmulo estava vazio. No capítulo 8 versículo 11 ele diz: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também os vossos corpos mortais…” Observe que nesse verso o escritor comunica aos seus interlocutores que eles poderiam ter a esperança de que seriam vivificados da mesma maneira que foi quando Jesus ressuscitou.
Tal esperança incluía uma transformação de seus corpos mortais. O uso do advérbio “também” indica que do mesmo modo como aconteceu com o corpo de Jesus em sua ressurreição assim iria acontecer com os corpos deles. Ora, se os cristãos terão seus corpos mortais vivificados porque o de Jesus passou por tal experiência é evidente que o apóstolo tinha o conhecimento de que o túmulo de Jesus Cristo estava vazio, pois é um contrassenso falar de um corpo mortal vivificado e pensar que tal corpo ainda jaz na sepultura.
Como Paulo fala de uma ressurreição corporal de Jesus, torna-se óbvia a conclusão que ele sabia de um túmulo vazio deixado para trás. Paulo conhecia o sepulcro vazio e tal conhecimento descansa em uma realidade histórica atestada por um o antigo credo cristão que “pode ser rastreado até às fases formativas da primeira igreja cristã.”[53] Está claro no escritos paulinos que o apóstolo por diversas vezes ocupa-se com a transmissão de informações históricas. E mais, em alguns casos, essas informações são frequentemente reconhecidas pelos estudiosos como sendo mais antigas que os próprios escritos dele (vide Rm 1:3-4; 1ª Co 11:23ss, 15:3-8; Fp 2:6-11; Cl 1:15-18; 1ª Tm 3:16; 2ª Tm 2:8).
Conclusão
 Vimos que o Novo Testamento está marcado pela ressurreição de Jesus Cristo de Nazaré. Os primeiros cristãos não tinham dúvidas quanto a esse evento ter ocorrido na história e na dimensão espaço-tempo. Para eles, Deus operara esse milagre. Vimos que não há razões para se negar a ocorrência de milagres, pois, com o advento da física de Albert Einstein o universo ficou aberto. Spinoza, Hume, Troeltsh e o método histórico-crítico com seu antissobrenaturalismo já não reinam absolutos. Vincent Taylor, um destacado crítico de forma[54], adverte: “Já é tarde demais para rejeitar a questão, afirmando que ‘os milagres são impossíveis’; esse estágio da discussão jaz definitivamente no passado […]”. [55]A não ser numa mente naturalista, ateia e, portanto, teimosa.
A maneira de se aproximar dos relatos sobre milagres e, no caso específico aqui, sobre o milagre da ressurreição de Jesus Cristo, não pode ocorrer a partir de um viés filosófico, mas histórico. Na filosofia, pode-se discutir se os milagres são possíveis, mas para responder se eles realmente acontecem isso tem que ser feito a partir do viés histórico. Como não é tarefa do historiador entrar no âmbito da ciência ou da metafísica, assim não é apropriado a um filósofo com seus dogmas pôr-se no caminho como um empecilho. Para McGrath “a evidência histórica nos liberta do dogmatismo dos pressupostos metafísicos sobre o que pode e o que não pode ter acontecido na História […]”.[56]
O sepulcro vazio, um fato estabelecido e independente, cuja sustentação descansa no relato histórico do sepultamento, trabalhado aqui de modo breve, é um dado histórico que nos põe frente a frente com a necessidade de considerar a ressurreição do Nazareno como “um evento em que o mundo de Deus fez interseção com o mundo do tempo e do espaço.”[57] Sim, a ressurreição de Jesus Cristo é a explicação mais provável e plausível exigida pela evidência histórica. Existem outros argumentos históricos específicos a favor da ressurreição que consubstanciam a conclusão desse texto. São eles: as aparições de Jesus; o fato das mulheres serem as portadoras da notícia do túmulo vazio e as origens da fé cristã. Todos eles são fatos independentes e estabelecidos.[58]
Outro testemunho histórico poderoso em favor da ressurreição de Cristo e relacionado ao sepulcro vazio é dado exatamente por seus inimigos. Trata-se da não refutação objetiva, inquestionável e conclusiva deles em relação à afirmação dos discípulos de que Jesus Cristo ressuscitara. Isso é um fato histórico. Por qual razão os judeus e os romanos foram incapazes de apresentar refutações diretas e fulminantes? Por qual razão eles ficaram silentes? Por qual razão eles usaram de perseguições, martírios e ameaças para tentar frear o avanço do cristianismo quando uma simples apresentação do corpo de Jesus Cristo resolveria o caso? Caso o cadáver de Cristo fosse apresentado a terrível superstição cristã seria desacreditada imediatamente. A não apresentação do corpo de Jesus Cristo por parte dos soldados romanos e dos judeus tornou-se num argumento histórico tão poderoso quanto o testemunho dos apóstolos sobre a ressurreição de Jesus Cristo – Um Fato Histórico na Dimensão Espaço-Tempo Aberto ao Escrutínio Crítico.
Notas
[1] Jesus Cristo não morreu na cruz, mas apenas desmaiou. Esta teoria foi a preferidas dos racionalistas do século XVIII.
[2] Os discípulos roubaram o corpo de Cristo. Esta teoria remonta ao Novo Testamento (Mt 28:13) e foi debatida também no período patrístico quando Orígenes se opôs ao pagão Celso.
[3] As aparições de Jesus não passaram de alucinações das pessoas que disseram ter visto Jesus ressuscitado.
[4] As mulheres e todos os que vieram depois delas estiveram no túmulo errado.
[5] CRAIG, William Lane. Em Guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão. São Paulo: Vida Nova, 2011, p. 290.
[6] KREEFT, Peter; TACELLI, Ronald K. Manual de Defesa da Fé. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2008, p. 294.
[7] In: MCDOWELL, Josh. Evidências da Ressurreição de Cristo. São Paulo: Editora Candeia, 1994, p.35.
[8] Trata-se de uma coalizão de eruditos, criada em 1985, que decidiu empreender esforços para reduzir à insignificância o Jesus Cristo bíblico. O seu fundador foi Robert Funk, um ateu. Para ele, Jesus provavelmente seria o primeiro comediante judeu. Ao lado de Funk, surge, como cofundador do Seminário de Jesus, John Dominic Crossan, um destacado teólogo que tem se esforçado por levar a doutrina da ressurreição corporal de Cristo à ruína. Geisler & Turek informa que alguns membros do Seminário de Jesus não são nem estudiosos como no caso de um deles que é produtor de cinema.
[9] PAUL, Copan (editor). O Jesus dos Evangelhos: mito ou realidade? / Um debate entre William Lane Craig, John Dominic Crossan. Tradução de Emirson Justino. São Paulo: Vida Nova, 2012, p. 35.
[10] ibid., id.
[11] CROSSAN, John Dominic. Jesus: uma biografia revolucionária. Tradução Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Imago, 1995, p. 107.
[12] (1911-1982) foi professor de exegese e teologia do Novo Testamento no Fuller Theological Seminary em Pasadena, Califórnia.
[13] In: COENEN, Lothar; BROWN, Colin (orgs.). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Tradução: Gordon Chown. 2 ed. Vol. 2. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 2093.
[14] ibid., p. 2089.
[15] Veja aqui.
[16] VOLTAIRE. Dicionário Filosófico. São Paulo: Martin Claret, 2002, p. 373.
[17] MORELAND, J. P. “>aqui.
[16] VOLTAIRE. Dicionário Filosófico. São Paulo: Martin Claret, 2002, p. 373.
[17] MORELAND, J. P. ” />amp; CRAIG, W. L. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005, p.688.
[18] GEISLER, Norman; TUREK, Frank. Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu. São Paulo: Editora Vida, 2006, p. 152.
[19] ibid., id.
[20] MORELAND, J. P. & CRAIG, W. L. Op. cit., p.689.
[21] As leis de Newton são as leis que descrevem o comportamento de corpos em movimento, formuladas por Isaac Newton. Descrevem a relação entre forças agindo sobre um corpo e seu movimento causado pelas forças. Essas leis foram expressas nas mais diferentes formas nos últimos três séculos. Isaac Newton publicou estas leis em 1687. foi um cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático, embora tenha sido também astrônomo, alquimista, filósofo natural e teólogo. Extraído daqui.
[22] In: MCDOWELL, Josh; WILSON, Bill. Ele Andou Entre Nós: Evidências do Jesus Histórico. São Paulo: Candeia, 1998, p. 294.
[23] HUME, David. Investigação Acerca do Entendimento Humano (versão para e-book). Edição Acrópole. Tradução: Anoar Aiex, 2006.
[24] LEWIS, C. S. Milagres. São Paulo: Vida, 2006, p. 105.
[25] LENNOX, John C. Por Que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2011, p. 283.
[26] LEWIS, C. S. Milagres. São Paulo: Vida, 2006, p. 63.
[27] KREEFT, Peter; TACELLI, Ronald K. Op. cit., pp. 166-67.
[28] FLEW, Antony. Deus Existe: As Provas Incontestáveis De Um Filósofo Que Não Acreditava em Nada. Tradução de Maria Marques Martins. São Paulo: Ediouro, 2008, p. 81.
[29] In: MCDOWELL, Josh. Evidência que Exige um Veredito: evidência histórica da fé cristã. São Paulo: Editora: Candeia, 1997, vol. 2, p. 28.
[30] ibid., p.36.
[31] É aqui que os eruditos da Alta Crítica, por exemplo, tropeçam quando analisam o Pentateuco e determinam que o mesmo não foi escrito por Moisés. Eles desprezam evidências arqueológicas e históricas favoráveis a uma autoria mosaica do Pentateuco exatamente por causa de pressupostos filosóficos e, por isso, acabam por fazer do Pentateuco uma colcha de retalhos.
[32] MCGRATH, Alister. Apologética Cristã no Século XXI: Ciência e Arte com Integridade. São Paulo: Vida, 2008, p.220.
[33] GREIDANUS, Sidney. O Pregador Contemporâneo e o Texto Antigo: interpretando e pregando literatura bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
[34] ibid. p. 55.
[35] LENNOX, John C. Op. cit., p. 288.
[36] Vejamos dois exemplos. Lucas fez menção a Lisânias, tetrarca de Abilene em Lucas 3:1. Esta indicação se dá no início do ministério de João Batista em cerca de 27 A.D. A história antiga registrava apenas um certo Lisâneas morto em 36 a.C. Porém, um descoberta perto de Damasco, datada de 14 a 29 A.D. registra um “liberto de Lisânias, o Tetrarca”. Arqueólogos alegavam que a informação de Lucas em Atos 14:6 sobre Listra e Derbe ficar na Licaônia e Icônio não, estava errada e, assim, o livro de Atos não era confiável. Mas, em 1910, um monumento foi encontrado indicando que Icônio era uma cidade da Frígia. Consulte MCDOWELL, Josh. Evidência que Exige um Veredito: Evidências Históricas da Fé Cristã. São Paulo: Editora: Candeia, 1997, vol. 1, p. 90.
[37] RIENECKER, Fritz e ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 194.
[38] Para maior aprofundamento quanto a critérios de autenticidade consultar MEIER, John Paul. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus histórico. Tradução de Laura Rumchinsky. Rio de Janeiro: Imago, 1992.
[39] CRAIG, William Lane. Op. cit., p. 217.
[41] Hipotética fonte (além de Marcos) usada por Mateus e Lucas para a composição dos Evangelhos que levam seus nomes. Denomina-se Q devido seu nome em alemão Quelle(fonte).
[42] BORG, Marcus. J.; CROSSAN, John. D. Última Semana: um relato detalhado dos dias finais de Jesus. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007, p. 253.
[43] HANEGRAAFF, Hank. Ressurreição. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 46.
[44] In: MCGRATH, Alister. Op. cit., p. 221.
[45] HANEGRAAFF, Hank. Op. cit., p. 56.
[46] CRAIG, William Lane. Op. cit., p. 246.
[47] KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: 1 Coríntios. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p. 546.
[48] MCDOWELL, Josh e WILSON, Bill. Op. cit., p. 150.
[49] KREEFT, Peter; TACELLI, Ronald K. Op. cit., 289.
[50] Professor de Teologia Bíblica no Princeton Theological Seminary (EUA).
[51] MCDOWELL, Josh. Op. cit., 1997, vol. 2, p. 349.
[52] In: ibid. p. 350.
[52] EHRMAN, Bart D. O Problema com Deus: as respostas que a Bíblia não dá ao sofrimento. Rio de Janeiro: Agir, 2008, p. 210.
[53] MCGRATH, Alister. Op. cit., p. 221.
[54] LADD, George Eldon apud COENEN, Lothar; BROWN, Colin (orgs.). Op. cit., p. 2094.
[55] Consulte os livros de referência citados aqui que se ocupam em defender a historicidade da ressurreição de Cristo.
[56] HANEGRAAFF, Hank. Op. cit., p. 56.
[57] “A crítica da forma é uma tentativa para recuperar as unidades da tradição oral que circulavam antes dos evangelhos serem escritos. Segundo são concebidos, essas unidades incluiriam antigas narrativas, como o relato, da paixão, parábolas, declarações ou ensinos, relatos de milagres e lendas. Tudo estaria baseado em graus variegados de verdade, de mistura com a ficção.” CHAMPLIN, Russel Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo: Hagnos, 9ª edi. 2008, vol. 1, p. 992. Um dos principais proponentes da Crítica de Forma foi o destacado teólogo alemão Rudolph Bultmann.
[58] In: MCDOWELL, Josh. Op. cit., 1997, vol. 2, p. 34.