Everton Alves fala sobre a Teoria do Design Inteligente

No que consiste a Teoria do Design Inteligente (TDI)?
A TDI é talvez hoje a maior novidade científica que temos em ciências. Pode ser entendida como o estudo dos padrões na natureza que carregam as marcas de causalidade inteligente. Simplificando, ela é entendida como uma teoria de detecção de design. A TDI se coloca como alternativa a mecanismos naturalistas. A proposta central da TDI é analisar um objeto de estudo e distinguir se esse objeto possui informação que lhe confere as características de um designintencional (projetado por uma mente inteligente) ou se esse objeto é produto do acaso, necessidades ou leis naturais (cristais de flocos de neve, por exemplo). É importante esclarecer que a TDI não se preocupa em estudar a origem da vida e do Universo, mas, sim, analisar as estruturas biológicas complexas que podem ser observadas na natureza. Entretanto, os teóricos do designentendem que os mecanismos propostos pelo atual paradigma para explicar as origens são demonstrados inadequados no contexto de justificação teórica. Posso citar como exemplo o caso da hipótese do “Mundo RNA” para a explicação da origem da vida, que já entrou em colapso epistêmico. As evidências atuais não mais suportam essa proposta evolutiva inconsistente.
Por outro lado, é importante esclarecer alguns pontos, a fim de que não sejam generalizadas as afirmações, e que sejam entendidas dentro do contexto adequado. Nós, proponentes do design, entendemos e aceitamos que a teoria da evolução trouxe grandes contribuições à história da ciência. Já está bem estabelecido o papel da seleção natural, das variações de baixo nível (conhecidas como o processo de microevolução observado nos experimentos de Lenski), especiação e ancestralidade comum com limitações. Porém, nos posicionamos contra a ideia de macroevolução(grandes mudanças ao longo de milhões de anos), que não pode ser testada, e a ancestralidade comum no contexto neodarwinista, questões ainda em debate.
Quando a TDI foi criada e por quem?
A ideia da existência de design na natureza não é algo recente. Foi proposta desde os antigos filósofos gregos (Platão e Aristóteles). Mas o argumento de design se tornou popular por meio da famosa tese de William Paley, publicada em 1802, conhecida como a “tese do relojoeiro”. Por outro lado, o design inteligente, como uma teoria científica, surgiu oficialmente em 1993, em Pajaro Dunes, Califórnia, EUA, em uma reunião – coordenada pelo fundador do movimento do designinteligente, Dr. Phillip Johnson – com alguns dissidentes da teoria evolucionista tida como paradigma pela ciência atual.
O que diferencia a TDI das demais teorias que tentam explicar a origem da vida?
Antes de responder a essa questão é preciso deixar claro que, assim como todas as teorias, a TDI possui a seguinte limitação: não é capaz de traduzir fielmente a totalidade da realidade. Entendemos que a natureza esbanja evidências, porém, poupa as respostas. Por exemplo, a TDI não consegue afirmar qual foi a quantidade exata de informação genética que deu origem à vida. Mas, no que diz respeito às origens, a TDI se opõe à visão biológica reducionista proposta pela teoria da evolução e entende que a Biologia não pode ser reduzida às leis da Física e da Química, conforme afirmou o biólogo evolucionista Ernst Mayr. Em outras palavras, a TDI pode se apoiar, por exemplo, em lei científica da Biologia (lei da biogênese) para afirmar que vida somente provém de vida. Isso vai contra a proposta da biologia evolutiva histórica (naturalismo filosófico), a qual defende, sem nenhum fundamento científico, que o primeiro ser vivo teria se originado de matéria inorgânica (abiogênese). Entretanto, a base empírica da TDI não repousa necessariamente nessas leis. Ela repousa nos sinais de inteligência detectados na natureza, tais como a informação complexa especificada e a informação funcional e prescritiva.
Em relação ao criacionismo, a proposta da TDI difere em quase todos os seus aspectos. A teoria da criação assume o pressuposto de que Deus é o Criador da vida e do Universo. A TDI, por sua vez, não pretende identificar a fonte de inteligência nem tem como foco principal explicar a origem da vida e do Universo. O ponto central da TDI é a detecção da informação existente na natureza e não a busca da origem dessa informação, no sentido de um designer (projetista) ­– embora a informação complexa e específica por si só aponte para a existência de uma mente inteligente, pois indica um propósito intencional. É apenas nesse argumento teleológico de design (componente filosófico) que o criacionismo e o design inteligente convergem.
Qual é a teoria mais aceita entre os cientistas cristãos?
A teoria aceita pela maioria dos cientistas cristãos, evidentemente, é a da criação, não o designinteligente. A TDI tem sido utilizada por criacionistas para complementar as explicações referentes ao campo da Biologia Funcional, ou seja, explicar a existência de informação biológica complexa na natureza. Como vimos anteriormente, a convergência entre as duas teorias no argumento de design(propósito) possibilita o uso da TDI pelos criacionistas. No entanto, o inverso não é verdadeiro, isto é, a TDI não utiliza os argumentos e conceitos criacionistas para suas observações e experimentos científicos.
A TDI ainda é uma teoria muito jovem. Formulada em 1993, ela tem pouco mais de 20 anos. Quando comparada às principais teorias (criacionista e evolucionista), percebe-se que ela é ainda um bebê. Embora a TDI não seja ainda aceita pela comunidade científica – motivo pelo qual os próprios teóricos do design são contra seu ensino nas escolas -, ela possui todas as características necessárias para ser considerada uma teoria originalmente “científica”, conforme a definição de teoria proposta pela Academia Nacional de Ciências dos EUA (National Academy of Sciences, NAS).
Qual a sua experiência com a TDI? Como começou a aceitar essa ideia?
A primeira vez que li a respeito da TDI foi no livro Por Que Creio, do jornalista Michelson Borges. Fiquei impressionado e interessado pelo tema a ponto de investigar se as evidências apresentadas pela TDI faziam sentido ou não. A conclusão: não só fazem sentido, como a TDI é, para mim, a melhor explicação para a complexidade percebida com meus próprios olhos nas estruturas analisadas dentro das ciências biológicas e da saúde (então minha área de pesquisa). Eu estava no começo do mestrado, fazendo pesquisas em Imunogenética, e quando olhava para a estrutura tridimensional do DNA – melhor exemplo de codificação e compactação de informação −, somente com o auxílio da TDI era possível entender o ajuste fino nas sequências do código genético (ordem e organização) e a complexidade irredutível presente no ciclo de síntese de proteínas, no armazenamento da informação necessária para a construção dos blocos da vida e na transmissão de dados. Após o mestrado, fui convidado a ser colunista de uma página sobre TDI e também iniciei o projeto de escrita do meu e-book.
Alguns cientistas dizem que crer em um planejador é pseudociência, pois nada (para esses cientistas) indica a intervenção desse ser. Como é possível defender a teoria diante dos cientistas?
Esse argumento vem do fato de que a ciência adotou a teoria da evolução como paradigma na academia. Há 150 anos, a ciência baniu a possibilidade de que exista algo além de matéria e energia neste universo. Não é fácil combater e desconstruir uma crença profundamente enraizada na ciência, como é o caso do naturalismo filosófico (a propósito, cheio de lacunas e hipóteses imaginativas que não podem ser testadas em laboratório). O que é curioso, visto que os pais da ciência não tinham essa percepção (Galileu Galilei, Johannes Kepler, Isaac Newton, Gregor Mendel, Louis Pasteur, entre muitos outros).
A ciência na verdade foi criada e baseada na percepção da existência de um ser inteligente que regia as leis e a ordem do Universo e da vida. E desde aquela época até hoje as evidências de um ser inteligente sempre existiram. Principalmente nas últimas décadas, período em que a ciência acumulou uma quantidade imensa de dados, e a maior parte deles corrobora a ideia de design, embora a mídia tente blindar o darwinismo a todo custo.
Pseudociência, para mim, é insistir na hipótese neodarwinista de que a maior parte do nosso DNA é “lixo” (áreas que não codificam proteínas), resistindo aos resultados de uma das maiores pesquisas já realizadas pelo projeto Encode, em 2012. As evidências mostram cada vez mais que os sistemas biológicos na natureza exibem funcionalidade, intencionalidade e muito, muito propósito.
A TDI aceita a evolução? Como a teoria aborda os processos evolutivos?
Primeiro, é preciso definir o que é “evolução” ou a qual tipo de evolução estamos nos referindo. Há pelo menos seis definições de “evolução”. Se por “evolução” entendemos “mudança ao longo do tempo” (microevolução) ou até mesmo que organismos vivos estão relacionados pela ancestralidade comum (a origem das raças de cães a partir de lobos, por exemplo), então não existe nenhum conflito entre a teoria da evolução e a teoria do design inteligente.
Todavia, a TDI rejeita as propostas evolutivas ainda dominantes (Síntese Evolutiva Moderna ou neodarwinismo), que afirmam a possibilidade de grandes mudanças dando origem a novas espécies conduzidas pela seleção natural agindo em mutações aleatórias, um processo não dirigido, imprevisível e sem nenhum propósito ou objetivo discerníveis. Em sistemas biológicos, por exemplo, a TDI contraria tais pressupostos, pois defende a existência do conceito de complexidade irredutível no mundo molecular que jamais poderia ter se formado por meio de processos lentos, sucessivos e graduais.
É preciso entender que a TDI é uma teoria de sinais de inteligência. Os teóricos do design não abordam os processos evolutivos, mas entendem que os atuais paradigmas para a explicação da origem e evolução dos seres vivos são demonstrados inadequados no contexto de justificação teórica. Entretanto, a comunidade científica pró-design é inclusiva e não homogênea. Seus integrantes são pessoas de diversas religiões, alguns agnósticos (o matemático judeu David Berlinski, por exemplo), ateus e até adeptos da hipótese de ancestralidade comum (o bioquímico Michael Behe, por exemplo). Mas vale ressaltar que, embora Behe aceite a ancestralidade comum, ele entende que sua robustez epistêmica é frágil.
Quem seria o designer inteligente? Deus?
A TDI não pretende identificar a fonte de inteligência, mas defende a inclusão de possibilidades, na qual o papel do designer que deu origem a vida poderia ser atribuído ao Deus judaico-cristão, a extraterrestres, a uma raça humana vinda do futuro ou a forças distintas que permeariam o Universo. 
Como é a aceitação da TDI na comunidade científica? E nas universidades?
Muitos cientistas têm se declarado publicamente contra a teoria da evolução. Tanto é verdade que existe até mesmo uma lista criada pelo Discovery Institute intitulada “A Scientific Dissent from Darwin”. Isso demonstra que muitos têm percebido as falhas e lacunas que existem na teoria evolucionista. Sendo assim, a TDI tem conquistado espaço ao redor do mundo para explanar suas propostas e explicações − assim como toda teoria objetiva fazer. Isso porque muitos cientistas de renome têm aberto a mente para explicações alternativas sobre a complexidade da vida e a biodiversidade da natureza. No Brasil, por exemplo, em 2013, foram realizadas palestras sobre Design Inteligente na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), espaço cedido pela própria instituição. Em 2015, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) promoveu e apoiou totalmente um curso de extensão a respeito dos diferentes olhares sobre as Origens (design inteligente, evolucionismo e criacionismo). A abertura ao debate e questionamentos em instituições públicas de ensino é um marco na história da ciência brasileira. Ademais, diversas instituições públicas e privadas de ensino também têm dado seu apoio para a causa (a Universidade Mackenzie, o Unasp, a Unimep, entre outras).
A TDI seria a resposta para o “conflito” entre fé e ciência que tantos cientistas insistem em criar?
É bom lembrar que ciência e religião sempre estiveram de mãos dadas. A história dos “pais da ciência” está aí para mostrar que isso é a verdade. Essa questão de conflito entre esses dois lados é um mito. Pois a fé sempre foi a base de sustentação para um olhar mais amplo pelos cientistas que verdadeiramente contribuíram com a ciência que conhecemos hoje. Mas é claro que esse debate foge do escopo da teoria do design inteligente. A fé não é um requisito necessário para as pesquisas baseadas em design, pois é bom reforçar que a TDI ignora a prerrogativa de identificar a mente inteligente por trás do projeto, assim como também não tem como foco a discussão sobre a origem da vida e do Universo. O objetivo principal da TDI é analisar e identificar design intencional em objetos de estudo presentes na natureza.

Fale sobre seu e-book.

Sugiro a leitura do meu e-book intitulado Teoria do Design Inteligente: Evidências científicas no campo das Ciências Biológicas e da Saúde. Esse livro fará você, leitor curioso e interessado, viajar entre os dados e suscitar questionamentos acerca da teoria da evolução – muitas vezes apresentada como um fato inquestionável. Mas ele vai além de argumentos retóricos antievolucionistas. Por meio das diversas evidências apresentadas na obra, é possível perceber o design inteligente no projeto complexo e dinâmico da vida. Um mundo projetado de forma inteligente que é admissível numa perspectiva de cunho científico.
e-book é uma das três obras genuinamente brasileiras, relevantes e específicas acerca do design inteligente, ficando atrás apenas – em ordem cronológica – das seguintes publicações, as quais eu deixo como sugestão de leitura complementar: Mero Acaso ou Design Inteligente? Evidências ao nível atômico e molecular, do Dr. Marcos Nogueira Eberlin, químico e presidente da Sociedade Brasileira de Design Inteligente (SBDI), e Design Inteligente: A metodologia de convergência das ciências sob a ótica da criação, do escritor Dr. Francisco Mário Lima Magalhães.
Deixo aqui, também, uma homenagem final a dois grandes profissionais que eu admiro imensamente e que têm contribuído com o projeto do meu livro. Agradeço ao mestre Enézio de Almeida Filho, pioneiro na propagação e defesa da teoria do design inteligente no Brasil e presidente emérito da SBDI, e ao jornalista e mestre Michelson Borges, editor da Casa Publicadora Brasileira, pelos valiosos ensinamentos e contribuições.
(O texto é a íntegra da entrevista concedida pelo enfermeiro e mestre em Ciências da Saúde Everton Fernando Alves para a revista Bereshit.)
Fonte: Criacionismo.

Compartilhe via WhatsApp (ou outros meios):




Deixe uma resposta