Apocalipse – possibilidades (capítulo 1)

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Ap

Texto (ARA, 3ª ed)

Leitura com a fundamentação das possibilidades que tentam alcançar a intenção do profeta João

Leitura enxuta

1.1 Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, A Trindade[1] deu ao ressurreto Jesus a permissão (ou a função) de entregar a Seus seguidores um vislumbre de acontecimentos futuros. Então, Jesus incumbiu ao anjo Gabriel (?), confira Dn 10.21 e Lc 1.26 e também Smith (1904)[2], de entregar esses vislumbres ao profeta João, A Trindade deu ao ressurreto Jesus a permissão de entregar a Seus seguidores um vislumbre de acontecimentos futuros. Então, Jesus incumbiu ao anjo Gabriel de entregar esses vislumbres ao profeta João,
1.2 o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu. e ele recebeu a palavra de Deus (que é o mesmo que o testemunho de Jesus[3], pois Ele é a Palavra ou o Verbo divino, Jo 1.1), e registrou aquilo que lhe foi apresentado em áudio e/ou imagens sobrenaturalmente. e ele recebeu a palavra de Deus, e registrou aquilo que lhe foi apresentado em áudio e imagens sobrenaturalmente.
1.3 Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo. São e serão felizes[4]: a pessoa que lerá o que escrevi nesta carta para os outros; os seus ouvintes e os que, dentre esses, se comprometerem com os conteúdos, pois o cumprimento dessas profecias relacionadas aos dias que antecedem o retorno do Senhor Jesus ao planeta Terra está chegando. São e serão felizes: a pessoa que lerá o que escrevi nesta carta para os outros; os seus ouvintes e os que, dentre esses, se comprometerem com os conteúdos, pois o cumprimento dessas profecias relacionadas aos dias que antecedem o retorno do Senhor Jesus ao planeta Terra está chegando.
1.4 João, às sete igrejas que se encontram na Ásia, graça e paz a vós outros, da parte daquele que é, que era[5] e que há de vir[6], da parte dos sete Espíritos[7] que se acham diante do seu trono Eu, João, tenho o objetivo primário de escrever para os irmãos das sete igrejas (cf. o verso 11) que se encontram na Ásia[8]. Desejo a vocês a graciosa salvação e a paz que só Deus o Pai – o qual existe, sempre existiu e aparecerá na volta de Jesus [embora essa expressão também possa se referir a Jesus, confira o verso 8 (apesar de nesta pesquisa busque-se a intenção do escritor e não apenas uma boa aplicação de seus escritos), o Messias ou Cristo, o qual sempre existiu como Deus e Anjo[9] antes de Se tornar Homem, e depois ascendeu ao Céu como Deus, Anjo e Homem para continuar Suas funções relacionadas a redenção da humanidade, mas virá assim que concluí-las)], e só o Espírito Santo (Aquele que também é Senhor dos exércitos dos anjos de Deus)[10], que também está junto ao trono, podem dar Eu, João, tenho o objetivo primário de escrever para os irmãos das sete igrejas que se encontram na Ásia. Desejo a vocês a graciosa salvação e a paz que só Deus o Pai – o qual existe, sempre existiu e aparecerá na volta de Jesus, e só o Espírito Santo, que também está junto ao trono, podem dar
1.5 e da parte de Jesus Cristo, a Fiel Testemunha[11], o Primogênito[12] dos mortos e o Soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e, além dessas Duas Pessoas divinas, da parte também de Jesus Cristo, Aquele que recebeu da Trindade a permissão (ou função) de revelar a nós Seus seguidores o que em breve há de acontecer, e creio que tudo aquilo que Ele recebeu nos passará fielmente (cf. a nota 11; perceba que, embora essa não tenha sido a intenção de João, o Espírito Santo também pode ser considerado a “Fiel Testemunha” desse versículo, e o Pai da mesma forma); sim, Ele merece a minha confiança, pois também é o principal (e a Causa) dos que já se depararam com a morte e a venceram; e mais, Ele é o Soberano dos reis das nações e não o imperador romano! Jesus, precisamente Aquele que “remove reis e estabelece reis” (Dn 2.21). Sim, eu definitivamente acredito em Seu testemunho porque Ele nos ama, e provou isto em Sua morte na cruz, a qual nos deu alforria da escravidão do pecado,[13] e, além dessas Duas Pessoas divinas, da parte também de Jesus Cristo, Aquele que recebeu da Trindade a permissão de revelar a nós Seus seguidores o que em breve há de acontecer, e creio que tudo aquilo que Ele recebeu nos passará fielmente; sim, Ele merece a minha confiança, pois também é o principal dos que já se depararam com a morte e a venceram; e mais, Ele é o Soberano dos reis das nações e não o imperador romano! Jesus, precisamente Aquele que “remove reis e estabelece reis”. Sim, eu definitivamente acredito em Seu testemunho porque Ele nos ama, e provou isto em Sua morte na cruz, a qual nos deu alforria da escravidão do pecado,
1.6 e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! e, então, nos transformou em súditos do reino eterno[14], sacerdotes[15] para o Seu Deus (cf. 5.10 e 20.6) e Pai, como Ele dizia (cf. Jo 20.17). Por isso desejo a glória e o domínio eterno somente a Deus (o Pai?). Que assim seja! e, então, nos transformou em súditos do reino eterno, sacerdotes para o Seu Deus e Pai, como Ele dizia. Por isso desejo a glória e o domínio eterno somente a Deus. Que assim seja!
1.7 Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram.[16] E todas as tribos da terra se lamentarão[17] sobre ele. Certamente. Amém! E do modo como Jesus ascendeu ao Céu (cf. At 1.9-11) voltará novamente à Terra, envolto em nuvem[18]; e todos os que estiverem vivos naquele dia e momento O verão, inclusive aqueles que O mataram – irão ressuscitar só para vê-Lo[19], como Ele predisse (cf. Mt 26.64). As pessoas que escolheram a Terra como sua origem e seu destino, em vez de Deus, irão se lamentar e muito se entristecerão ao vê-Lo retornando como prometera, sobre as nuvens. Eu acredito que isso irá acontecer desse jeito. Que assim seja! E do modo como Jesus ascendeu ao Céu voltará novamente à Terra, envolto em nuvem; e todos os que estiverem vivos naquele dia e momento O verão, inclusive aqueles que O mataram – irão ressuscitar só para vê-Lo, como Ele predisse. As pessoas que escolheram a Terra como sua origem e seu destino, em vez de Deus, irão se lamentar e muito se entristecerão ao vê-Lo retornando como prometera, sobre as nuvens. Eu acredito que isso irá acontecer desse jeito. Que assim seja!
1.8 Eu sou o Alfa e Ômega[20], diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso. “Eu sou o originador e terminador de tudo”, diz a Trindade[21] (embora João talvez tenha pensado em referir só Deus o Pai), Aquele que existe, sempre existiu e aparecerá na volta de Jesus (cf. v. 4), o Todo-poderoso. “Eu sou o originador e terminador de tudo”, diz a Trindade, Aquele que existe, sempre existiu e aparecerá na volta de Jesus, o Todo-poderoso.
1.9 Eu, João, irmão vosso e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Eu, João, irmão (em Cristo) de vocês a quem escrevo, e coparticipante com vocês dos sofrimentos infligidos pelos judeus religiosos e romanos pagãos contra os seguidores de Jesus, mas, assim como vocês, também me mantenho no reino que recebemos por meio de Jesus, com constância e comprometimento. Fui lançado pelos romanos na pequena ilha-cárcere de Patmos, pois eu não parava de levar Jesus e Seus ensinamentos (cf. 1.2, nota de rodapé 3) a tantas quantas pessoas eu conseguia e, por causa disso, fui aprisionado. Eu, João, irmão (em Cristo) de vocês a quem escrevo, e coparticipante com vocês dos sofrimentos infligidos pelos judeus religiosos e romanos pagãos contra os seguidores de Jesus, mas, assim como vocês, também me mantenho no reino que recebemos por meio de Jesus, com constância e comprometimento. Fui lançado pelos romanos na pequena ilha-cárcere de Patmos, pois eu não parava de levar Jesus e Seus ensinamentos a tantas quantas pessoas eu conseguia e, por causa disso, fui aprisionado.
1.10 Achei-me em espírito[22], no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta, Recebi uma visão divina num sábado, o dia do Senhor Jesus[23], e nela ouvi uma voz que falava comigo, vinda de alguém atrás de mim; o som era extraordinário e o comparo ao sonido da trombeta, Recebi uma visão divina num sábado, o dia do Senhor Jesus, e nela ouvi uma voz que falava comigo, vinda de alguém atrás de mim; o som era extraordinário e o comparo ao sonido da trombeta,
1.11 dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. e a voz me disse: as cenas que você vê, descreva-as do seu jeito e envie tudo o que escrever para aquelas sete igrejas na Ásia, a saber: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. e a voz me disse: as cenas que você vê, descreva-as do seu jeito e envie tudo o que escrever para aquelas sete igrejas na Ásia, a saber: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.
1.12 Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro Quando virei para saber quem era que falava comigo eu vi sete candeeiros de ouro[24] Quando virei para saber quem era que falava comigo eu vi sete candeeiros de ouro
1.13 e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem[25], com vestes[26] talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro. e, entre os candeeiros (no centro?), eu avistei uma pessoa humana (que me lembrou o Filho do homem?), com roupa até os pés, vestes de sacerdote[27] inclusive com o cinto logo abaixo do peito, também de ouro. e, entre os candeeiros, eu avistei uma pessoa humana, com roupa até os pés, vestes de sacerdote inclusive com o cinto logo abaixo do peito, também de ouro.
1.14 A sua cabeça[28] e cabelos eram brancos[29] como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo[30]; A cabeça e os cabelos daquela pessoa eram brancos e os comparo ao que eu conheço com essa cor: lã e neve bem branquinhas! Já os seus olhos eu os comparo as chamas do fogo; A cabeça e os cabelos daquela pessoa eram brancos e os comparo ao que eu conheço com essa cor: lã e neve bem branquinhas! Já os seus olhos eu os comparo as chamas do fogo;
1.15 os pés, semelhantes ao bronze polido[31], como que refinado numa fornalha; a voz[32], como voz de muitas águas[33]. já os seus pés são como uma peça de bronze bem polido, que foi refinado em fornalha; e a sua voz que escutei eu comparo com o som de muitas águas jorrando. já os seus pés são como uma peça de bronze bem polido, que foi refinado em fornalha; e a sua voz que escutei eu comparo com o som de muitas águas jorrando.
1.16 Tinha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espada de dois gumes[34]. O seu rosto[35] brilhava como o sol na sua força. Ele tinha em sua mão direita sete estrelas como as do céu à noite, e eu vi saindo de sua boca uma espada afiada que cortava nas duas laterais. O rosto dele brilhava tanto como o sol no momento de sua maior força. Ele tinha em sua mão direita sete estrelas como as do céu à noite, e eu vi saindo de sua boca uma espada afiada que cortava nas duas laterais. O rosto dele brilhava tanto como o sol no momento de sua maior força.
1.17 Quando o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último Após contemplá-lo, imediatamente fiquei inconsciente e caí como se tivesse morrido diante dele (do mesmo modo como ocorreu com os profetas Ezequiel e Daniel[36]). Daí ele me tocou com a mão direita e disse: “Não fique com medo apesar de Minha glória resplendente e da reação de seu organismo! Eu sou o originador e terminador de tudo Após contemplá-lo, imediatamente fiquei inconsciente e caí como se tivesse morrido diante dele. Daí ele me tocou com a mão direita e disse: “Não fique com medo apesar de Minha glória resplendente e da reação de seu organismo! Eu sou o originador e terminador de tudo
1.18 e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno. e Aquele que está vivo, muito embora Eu tenha morrido, mas voltei à vida eterna, e possuo o controle da morte, podendo abrir a  sepultura e trazer à vida quem Eu quiser. e Aquele que está vivo, muito embora Eu tenha morrido, mas voltei à vida eterna, e possuo o controle da morte, podendo abrir a  sepultura e trazer à vida quem Eu quiser”.
1.19 Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas. Por gentileza, descreva o conteúdo que já lhe foi apresentado e o que você está vendo agora, e continue a anotar o que virá depois destas cenas. Por gentileza, descreva o conteúdo que já lhe foi apresentado e o que você está vendo agora, e continue a anotar o que virá depois destas cenas.
1.20 Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas. E já vou lhe adiantar alguns significados: com relação às sete estrelas que você viu em Minha mão direita, isto é um símbolo dos sete mensageiros das sete igrejas que lhe mencionei, os quais receberão o conteúdo que você está anotando; e quanto aos sete candeeiros no meio dos quais estou são as próprias igrejas”. E já vou lhe adiantar alguns significados: com relação às sete estrelas que você viu em Minha mão direita, isto é um símbolo dos sete mensageiros das sete igrejas que lhe mencionei, os quais receberão o conteúdo que você está anotando; e quanto aos sete candeeiros no meio dos quais estou são as próprias igrejas”.

 

Referências:

SMITH, URIAH. Thoughts on Daniel and the Revelation, the response of history to the voice of prophecy Review and Herald Publishing Company, Batle creeck, Michigan, 1904. Disponível em: <http://www.champs-of-truth.com/books/dr/index.htm>. Acesso em: nov. 2016.

 

[1] João acreditava na Trindade? Ele tinha conhecimento dessa crença? Talvez não fosse sua intenção apontar para a Divindade trina aqui, ao se referir a Deus. Talvez ele se referiu apenas ao Pai (como parece acontecer no verso 6b). No entanto, parece-me que o Cristo cria na Trindade, e se isto for verdade, independentemente da intenção do profeta-escritor, ao mencionarmos a Trindade aqui elevamos o texto a um ponto de vista transcendental. Confira o livro “JAVÉ” de 2009, disponível em: <http://blogdoprofh.com/2012/08/03/jave-o-livro/>. Acesso em: nov. 2016.   

 

[2] No pdf em português (Considerações sobre Daniel & Apocalipse, 2014, disponível em <http://centrowhite.org.br/files/ebooks/apl/portugues/Smith/Daniel%20e%20Apocalipse.pdf>, acesso em: 18 nov. 2016), confira a página 216.

 

[3] João equipara as Escrituras veterotestamentárias à palavra de Jesus em seu evangelho (cf. Jo 2.22). Aqui, creio que ele faz o mesmo. Assim sendo, assim como a expressão “palavra de Deus” denota/conota revelação sobrenatural divina dada ao portador do dom profético (p. ex., 1° Rs 18.31 e  Lc 3.2), segue que a expressão joanina “testemunho de Jesus” é sinônima da anterior, preservando seu significado. Não se trata de um testemunho no sentido comum, mas de uma revelação divina. Seria essa também a intenção de João nessa passagem?

 

[4] Primeira de sete bem-aventuranças contidas no livro. A segunda está em Ap 14.13.

[5] Compare com 11.17 e 16.5.

 

[6] Confira a mesma expressão em 1.8 e 4.8.

 

[7] Confira a mesma expressão em 4.5 e 5.6.

 

[8] Veja no mapa a proximidade entre a ilha de Patmos (cativeiro romano do profeta João) e essas sete regiões: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Sete_igrejas_do_Apocalipse>. Acesso em: dez. 2016.

 

[9] Sobre as três naturezas de Jesus Cristo, estude o artigo “Jesus Cristo – JAVÉ, Anjo, Arcanjo, Miguel e Príncipe”, disponível em: <http://blogdoprofh.com/2011/07/17/jesus-cristo-jave-anjo-arcanjo-miguel-e-principe/>. Acesso em: 

 

[10] Se Jesus é o arcanjo (1 Ts 4.16) Miguel, “o grande príncipe” (Dn 12.1) ou o Comandante, tanto dos soldados humanos como dos anjos (ou “espíritos ministradores”, Hb 1.14), “do exército do SENHOR“ (Js 5.14,14), ao assumir Sua terceira natureza, a humana, seria o caso de o Espírito Santo ter assumido essa função (originalmente) de Jesus? Se Jesus é também o “SENHOR [YHWH], o Deus dos exércitos” (Os 12.4,5), já que, partindo da hipótese de que Ele é o arcanjo [ἀρχάγγελος, lê-se “ar-khang’-el-os”, ou seja, anjo chefe] Miguel, então Miguel também é o anjo do Sinai (At 7.38) que também é Deus (Gn 31.11-13) e “SENHOR” (Lv 7.38 e Zc 3), e assim sendo, poderíamos conjecturar que o Espírito Santo, o “outro Consolador [παράκλητος, lê-se: “par-ak’-lay-tos”, ou seja, ajudador, intercessor, consolador]” (Jo 14.16, grifo nosso), também pode receber o título/a função de SENHOR dos exércitos dos anjos? É uma possibilidade não esclarecida no Apocalipse nem nos outros 67 livros bíblicos, no entanto é uma explicação (correta ou incorreta). Caso essa possibilidade seja verdadeira, o fato de Jesus ter igualado o Espírito Santo (ou de Deus ou do SENHOR) a Sua Pessoa (Jo 14.16 e 1 Jo 2.1, p. ex.) torna correta nossa explicação, pois os sete espíritos de Ap 1.4, 4.5 e 5.6, podem se referir tanto à Pessoa do Espírito Santo como aos anjos por Ele comandados. Mas, há também a possibilidade de o Senhor Espírito ser Senhor dos anjos desde sempre e não apenas a partir da encarnação de Jesus, já que além de Jesus ter essa função, Zc 13.7 (p. ex.) parece apontar para o Pai. Essa teoria também explicaria a íntima e indissociável parceria entre o Cordeiro (Jesus, cf. Jo 1.29) e Seus sete olhos “que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra” (Ap 5.6), além de inferir a possibilidade de o trono do Pai e do Cordeiro ser também o do Espírito Santo (cf. 4.5). Conclusão: caso essa teoria esteja correta, a pessoa divina do Espírito Santo e Seus anjos podem estar sendo mencionados, sem perda nem ganho (pois Um é Comandante e os outros são Seus comandados-representantes), nos textos que mencionam “os sete espíritos” (compare com Ap 3.1 e 8.2). E por que “sete” e não apenas um Espírito de Deus? A quantidade sete, assim como, a maior fatia do Apocalipse, é derivada do AT. E como o objetivo do profeta era instruir as sete igrejas, as quais se tornaram (como veremos) símbolos de toda a história da igreja cristã desde a primeira vinda de Jesus até Sua segunda vida (isto é, a quantidade sete é usada como metáfora de algo pleno e completo), faz sentido uma quantidade simbólica plena que abranja essas igrejas representativas de toda a história da igreja cristã (p. ex. 100% do Espírito envolvido; mas como Ele é Deus, restam tantos 100% quantos forem necessários para Ele atuar onde quer que seja), de modo que os outros setes do Apocalipse, alguns deles retirados explicitamente do AT (“sete candeeiros”, p. ex.), parecem seguir essa ideia. Os próprios setes do AT apontam nessa direção: sete pessoas foram salvas com a pregação de Noé; sete foram os dias nos quais Israel rodeou as muralhas de Jericó; sete foram os povos destruídos por Deus para que Seu povo recebesse Canaã como herança; sete mil pessoas não haviam se contaminado com o culto a Baal na época de Elias, e etc. Os judeus estudiosos demonstraram estar familiarizados com esse sentido do número sete, ao tempo do primeiro advento (cf. Lc 20.31-33). O Senhor Jesus também ao usar o sete num contexto de plenitude positiva e negativa (como ocorre no Apocalipse): “Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe”. “Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem se torna pior do que o primeiro” (Lc 17.4 e 11.26, grifos nossos).

 

[11] Neemias 9.29-33: “Testemunhaste contra eles, para que voltassem à tua lei; porém eles se houveram soberbamente e não deram ouvidos aos teus mandamentos, mas pecaram contra os teus juízos, pelo cumprimento dos quais o homem viverá; obstinadamente deram de ombros, endureceram a cerviz e não quiseram ouvir. No entanto, os aturaste por muitos anos e testemunhaste contra eles pelo teu Espírito, por intermédio dos teus profetas; porém eles não deram ouvidos; pelo que os entregaste nas mãos dos povos de outras terras. Mas, pela tua grande misericórdia, não acabaste com eles nem os desamparaste; porque tu és Deus clemente e misericordioso. Agora, pois, ó Deus nosso, ó Deus grande, poderoso e temível, que guardas a aliança e a misericórdia, não menosprezes toda a aflição que nos sobreveio, a nós, aos nossos reis, aos nossos príncipes, aos nossos sacerdotes, aos nossos profetas, aos nossos pais e a todo o teu povo, desde os dias dos reis da Assíria até ao dia de hoje. Porque tu és justo em tudo quanto tem vindo sobre nós; pois tu fielmente procedeste, e nós, perversamente” (grifos nossos).

 

[12] Confira os seguintes textos que relacionam o costume da primogenitura hebréia com a vinda do Primogênito divino de Deus e a salvação dos primogênitos da humanidade (perceba, inicialmente, com Jr 31.9, p. ex., que o primogênito não é necessariamente o primeiro mas o principal dos filhos, dentro de um contexto): Cl 1.18; Rm 8.29; Sl 89.27; Cl 1.15; Hb 1.6 e 12.23.

 

[13] Cf. Rm 6.

 

[14] “Foi-lhe dado [a Jesus] domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído […] os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para todo o sempre, de eternidade em eternidade […] até que veio o Ancião de Dias e fez justiça aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em que os santos possuíram o reino” (Dn 7.14, 18 e 22, grifos nossos).

 

[15] “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa”. “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia. Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (Êx 19.5,6 e 1ª Pe 2.9-12, grifos nossos).

 

[16] “Cães me cercam; uma súcia de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés”. “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito.” (Sl 22.16, Is 53.5 e Zc 12.10; grifos nossos). Confira o significado de traspassar em Jz 5.26, 1° sm 31.4, 2° Sm 18.14, 2° Rs 18.21 e Jó 36.12, e compare-o com Jo 19.34-37.

 

[17] “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória”. “Ai de vós, os que estais agora fartos! Porque vireis a ter fome. Ai de vós, os que agora rides! Porque haveis de lamentar e chorar”. “Ora, chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra, que com ela se prostituíram e viveram em luxúria, quando virem a fumaceira do seu incêndio” (Mt 24.30, Lc 6.25 e Ap 18.9; grifos nossos).

 

[18] Jesus Cristo foi assunto ao Céu de modo visível, audível e, portanto, público. Muitos testemunharam esse momento (cf. 1ª Co 15.6), de modo que não houve discrição em Seu retorno ao Céu, muito menos mistério ou arrebatamento secreto ao Céu.

 

[19] Jesus não foi o primeiro profeta a predizer isso: o profeta Daniel, no cativeiro babilônico, o fez em Dn 12.1 e 2. O profeta Zacarias, após o cativeiro babilônico, o fez em Zc 12.10. Jesus Cristo profetizou essa ressurreição prévia de acordo com Mateus (26.64 ) e Marcos (14.62).

[20] Confira a mesma expressão em Ap 21.6 e 22.13. Compare com a expressão sinônima “Primeiro e Último” de Isaías 41.4, 44.6 e 48.12, e do próprio João em Ap 1.17.

 

[21] Jesus parece receber esse título de acordo com Ap 1.17, 22.12 e 13. Aliado a esses textos, nos evangelhos e em algumas cartas, Jesus Se iguala ao Pai em natureza e capacidade (embora noutras passagens Ele Se posiciona funcionalmente abaixo do Pai, numa subordinação apenas funcional, não absoluta). Ele é o Eu Sou de Êxodo 3 (Jo 8.58). Ele e o Pai são Um (Jo 10.30; 5.18). Ele entregou Sua a vida voluntariamente e a retomou sem ajuda (Jo 10.17,18; 2.19; 11.25). Tomé O chamou de Deus (Jo 20.28). Paulo também (Rm 9.5 e Tt 2.13). E Pedro também O chamou “Deus” (2ª Pe 1.1). Ou seja, o título pantokrator (no grego) que João atribuiu nesse versículo talvez somente ao Pai, pode ser atribuído a Jesus sem perda nem ganho de significados. O mesmo parece ocorrer com a Pessoa do Espírito Santo, por causa de Jesus compará-Lo a Si em João 14.16 (cf. 1.4, nota de rodapé n° 10). Quero dizer, se Jesus é Todo-poderoso, então o Espírito Santo também o é. Além dessa evidência concreta, encontro uma talvez taõ concreta quanto no AT. Comparando os textos dos profetas Sofonias e Ageu que seguem, vem a indagação: o Espírito e o Rei YHWH habitavam juntos no meio do povo de Israel ou o Espírito era o próprio Rei YHWH? “O SENHOR [YHWH] afastou as sentenças que eram contra ti e lançou fora o teu inimigo. O Rei de Israel, o SENHOR, está no meio de ti; tu já não verás mal algum.”; “porque eu sou convosco, diz o SENHOR dos Exércitos; segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito habita no meio de vós; não temais” (Sf 3.15 e Ag 2.4,5; grifos nossos). Assim, a inferência da Trindade nesse texto tem fundamento, embora talvez não tenha sido essa a intenção do escritor.

[22] A mesma expressão ocorre em 4.2, 17.3 e 21.10.

 

[23] Estaria João querendo dizer que a visão por ele recebida foi no dia que o Senhor (Jesus) quis enviá-la a ele? Ou no dia em que Jesus retornaria à Terra? Ou sua intenção foi expressar-se de acordo com os ensinamentos de Jesus, de que Ele era Senhor do sábado (Mc 2.28)? Optei pela segunda hipótese, por fazer mais sentido (existiria uma quarta hipótese razoável ou até mais?) em relação às duas primeiras. João escreveu em seu evangelho sobre Jesus, o sábado e os judeus religiosos, assim como os outros evangelistas, mas ele foi o único que mencionou: “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”. “Por isso, alguns dos fariseus diziam: Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado” (Jo 5.18 e 9.14 grifos nossos). Talvez a noção joanina de guarda do sábado tenha sido mudada pela noção de Jesus a respeito desse assunto. Ele escreveu que os “guardadores” do sábado judeus acusavam Jesus de não guardar o sábado (de acordo com a noção deles) e mesmo assim Se anunciava igual a Deus, o que para eles era uma contradição e evidência da não divindade (e portanto, blasfêmia) de Jesus. Mas, João viu como era a noção de Jesus quanto à santificação ou guarda do sábado. João escreveu que Jesus guardava o sábado (Jo 15.10), e se Ele era Deus (e João acreditava nisso), então a Sua maneira de guardar o sábado era a correta, era a original, aquela que Ele como Criador ou Senhor do sábado havia ensinado ao primeiro casal, mas que foi distorcida com o passar do tempo, tendo se tornado um enorme fardo (cp. Mt 23.3,4) ao tempo da primeira vinda de Cristo (e como muitos dos líderes religiosos judeus não criam na divindade de Jesus, isto é, que Ele era o Messias, viam em Sua noção da guarda do sábado um fundamento para essa descrença). Assim como em todos os demais temas, Jesus ensinou a interpretação original, o significado verdadeiro da guarda do sábado e isso João não esqueceu ao ponto de chamar o sábado de dia do Senhor (Jesus). Creio que a intenção do profeta nessa expressão é algo próximo disso (ignorei a versão romanista, católica, dessa expressão, “no domingo”, pois é uma distorção bíblica, não merecendo sequer o status de hipótese. Que meus amados irmãos católicos reconheçam a veracidade do que lhes digo, e concedam a Jesus o senhorio e não às tradições).

 

[24] “Farás também um candelabro de ouro puro; de ouro batido se fará este candelabro; o seu pedestal, a sua hástea, os seus cálices, as suas maçanetas e as suas flores formarão com ele uma só peça. Também lhe farás sete lâmpadas, as quais se acenderão para alumiar defronte dele” (Êx 25.31, 37; grifos nossos). O candelabro visto por João aparentemente difere do candelabro do Santuário que Deus pedira a Moisés para construir, com relação às lâmpadas. Ao que parece, no verso seguinte (v. 13), elas não estavam fixadas formando uma só peça, mas como soltas/espalhadas formando um candelabro estilizado, ou melhor, uma vez que Moisés viu o original no monte (v. 40) e construiu com o povo de Israel cópias do que vira, talvez o candelabro em peça única seja a cópia daquilo que João viu.

 

[25] Cp. Ez 2.26; Dn 10.5.

 

[26] Idem.

 

[27] Cf. Êx 28.2, 8, 40, 41-43. Cp. Lc 20.46,47.

 

[28] Cp. Dn 10.6.

 

[29] Cp. Dn 7.9.

 

[30] Cp. Dn 10.6.

 

[31] Idem.

 

[32] Já o profeta Daniel a comparou com voz de “muita gente” (Dn 10.6).

 

[33] Cp. Ez 1.24; 43.2; Ap 19.6.

 

[34] Cp. Hb 4.12 e Ap 2.12.

 

[35] Cp. Ez 2.26 e Dn 10.6.

 

[36] Cf. Ez 1.28-2.2 e Dn 10. Êx 33.20.

 

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