Darwin e as mulheres

“A distinção principal nos poderes mentais dos dois sexos reside no fato de que o homem chega antes que a mulher em toda ação que empreenda (sic), requeira ela um pensamento profundo ou então razão, imaginação, ou simplesmente o uso das mãos e dos sentidos”. Depois dizem que a Bíblia é machista!

As “respostas” de Darwin, a seguir, foram todas extraídas do seu livro A Origem do Homem e a Seleção Sexual, com tradução para o português por Attílio Cancian e Eduardo Nunes Fonseca, publicado pela Hemus Editora.

Afinal, como o senhor vê a mulher em relação ao homem? Em que sentido o homem difere exatamente da mulher?

“O homem é mais corajoso, belicoso e enérgico e possui um espírito mais inventivo. O seu cérebro é muito maior, sem dúvida, mas ainda não se conseguiu constatar se é ou não proporcional às suas maiores dimensões. As crianças masculinas e femininas assemelham-se, como a prole de tantos outros animais cujos adultos diferem notavelmente; também elas se parecem mais com a fêmea do que com o macho adulto. No fim a fêmea assume, porém, alguns caracteres distintivos e na formação do crânio parece assumir um caráter intermediário entre o menino e o homem” (p. 641).

Certo, mas como se deu exatamente essa distinção em termos evolutivos?

“É provável que a seleção sexual tenha desempenhado um papel importantíssimo nas diferenças dessa natureza. Sei que alguns estudiosos duvidam da existência de tal diferença, mas ela é pelo menos provável em face da analogia com animais inferiores que apresentam outros caracteres sexuais secundários. Ninguém duvidará que o touro tem um comportamento diferente daquele da vaca, o javali daquele da porca, o garanhão daquele da égua e, como todos sabem, os machos dos grandes símios daquele das suas fêmeas. A mulher parece diferir do homem na atitude mental, sobretudo em razão da maior ternura e da menor dose de egoísmo; isto se verifica também entre os selvagens, conforme demonstra uma conhecida passagem das Viagens de Mungo Park e pelas observações feitas por muitos outros viajantes” (p. 647).

Não há, então, segundo o senhor, nenhum aspecto em que a mulher supera o homem?

“Em geral se crê que a mulher supera o homem na intuição, na maneira rápida como entende as coisas e talvez na imitação, mas pelo menos algumas dessas faculdades são características das raças inferiores e, por conseguinte, de um estágio de civilização mais baixo e já ultrapassado” (p. 648).

Embora o senhor já tenha realçado a “superioridade” masculina, em termos de distinção entre ambos os sexos o que mais prevalece como vantagem para homem, isso levando em conta a luta pela sobrevivência?

“A distinção principal nos poderes mentais dos dois sexos reside no fato de que o homem chega antes que a mulher em toda ação que empreenda, requeira ela um pensamento profundo ou então razão, imaginação, ou simplesmente o uso das mãos e dos sentidos. Se houvesse dois grupos de homens e mulheres que mais sobressaíssem na poesia, na pintura, na escultura, na música (trate-se da composição ou da execução), na história, nas ciências e filosofia, não poderia haver termos de comparação. Baseados na lei do desvio da média, tão bem ilustrada por Galton em seu livro Hereditary Genius, podemos também concluir que, se em muitas disciplinas os homens são decididamente superiores às mulheres, o poder mental médio do homem é superior àquele destas últimas” (p. 649).

E o que mais contribuiu nesse processo de distinção entre ambos os sexos?

“Estas faculdades, como também o gênio, devem ter-se desenvolvido no homem em parte por meio da seleção sexual, isto é, pela luta com machos rivais, e em parte através da seleção natural, ou seja, pelo êxito na luta contínua pela existência; visto que em ambos os casos a luta se terá dado durante a idade madura, os caracteres obtidos devem ter sido transmitidos de maneira mais perfeita à prole masculina do que à feminina” (p. 650).

Evolutivamente, apenas como suposição, o que seria necessário à mulher para que alcance vantagens semelhantes às do homem?

“Para que fosse capaz de alcançar o mesmo nível do homem, quando em idade quase adulta, a mulher deveria praticar a energia e a perseverança e exercitar ao máximo a razão e a imaginação; provavelmente poderia então transmitir tais qualidades às filhas adultas. Seja como for, as mulheres não poderiam alcançar esses resultados, a menos que durante muitas gerações aquelas que excedem nas supraditas qualidades se casassem e dessem ao mundo mais filhos do que as outras” (p. 651).

E o que exatamente contribui para que haja um aumento na desigualdade entre ambos os sexos?

“Com respeito à força corpórea, já temos visto que, embora os homens não combatam pelas suas mulheres, pois que tal forma de seleção já está superada, na maturidade eles devem sustentar uma dura luta para manter a si mesmos e a família; e isto vem contribuir para conservar e aumentar as suas qualidades mentais e consequentemente a atual desigualdade entre os dois sexos” (p. 651).

Fonte: Humor Darwinista.

Nota (de Michelson Borges): Depois dizem que a Bíblia é machista! Mas alguns sairão em defesa de Darwin alegando que ele viveu nos tempos da antiga Inglaterra vitoriana, durante os quais as mulheres não eram valorizadas, e que, por isso, não podemos deixar de levar em conta esse contexto histórico. Correto. Mas por que essas mesmas pessoas não assumem essa postura em relação à Bíblia, para perceber que ela retrata o contexto machista de seu tempo, mas que, no entanto, reflete também a postura igualitária mantida por Deus? Afinal, Ele escolheu profetas e profetisas; dedicou livros inteiros (ou parte deles) do Cânon à visão feminina (Rute, Ester e Cantares); tratou ambos os sexos com igualdade, o que foi visto especialmente na postura de Jesus; valorizou Maria Madalena, tendo Jesus aparecido primeiramente a ela depois de ressuscitado; e assim por diante.

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