Livro: Por Que Creio – Doze pesquisadores falam sobre ciência e religião

Por que creioMichelson Borges, Por Que Creio – Doze pesquisadores falam sobre ciência e religião (CPB) – O livro reúne 12 entrevistas com pesquisadores de áreas diversas, como física, bioquímica, matemática, biologia, arqueologia e teologia. Onze deles contam por que são criacionistas e apresentam fortes argumentos a favor do modelo. O 12º entrevistado é o bioquímico Michael Behe, autor do livro A Caixa Preta de Darwin. Behe também expõe argumentos que demonstram a insuficiência epistêmica do darwinismo.

Livro: Origens – Relacionando a ciência com a Bíblia

origensAriel Roth, Origens – Relacionando a ciência com a Bíblia (CPB) – É possível harmonizar a ciência e a Bíblia? A ciência moderna, por meio da teoria da evolução conseguiu refutar a narrativa bíblica da origem da vida? Quem aceita a teoria criacionista precisa, necessariamente, rejeitar a ciência? O cientista Ariel Roth procura demonstrar que a harmonia entre a ciência e a religião bíblica nos traz uma compreensão mais completa do mundo que nos cerca e do significado da existência humana. Roth é doutor em Zoologia pela Universidade de Michigan, Estados Unidos.

Fonte: Michelson Borges.

Livro: Darwin no Banco dos Réus

Phillip E. Johnson, Darwin no Banco dos Réus (Cultura Cristã) – O polêmico livro de Johnson mexeu com os fundamentos científicos, pois demonstra que a teoria da evolução não tem sua base em fatos, mas na fé – fé no naturalismo filosófico. darwin bancoJohnson argumenta corajosamente que simplesmente não há um vasto corpo de dados que deem suporte à teoria. Com o clima intrigante de um mistério e detalhes que nos prendem como quando assistimos a um julgamento, Johnson conduz o leitor pelas evidências com a perícia de um advogado, a qual ele adquiriu como professor de Direito em Berkeley, especializando-se na lógica dos argumentos. O autor é graduado em Harvard e na Universidade de Chicago. Ele foi oficial de direito do presidente do Superior Tribunal Earl Warren e ensinou por mais de trinta anos na Universidade da Califórnia, Berkeley, onde é professor emérito de Direito.

Fonte: Michelson Borges.

Livro: A História da Vida – De onde viemos, para onde vamos

Historia_Vida_capaMichelson Borges, A História da Vida – De onde viemos, para onde vamos (CPB) – Depois de dez anos da publicação de A História da Vida, o livro passou por uma atualização e esta nova edição revista reúne o que há de mais atual com respeito à controvérsia entre criacionismo e evolucionismo – sem perder a característica que identifica a obra desde o início: a linguagem é simples e o conteúdo, acessível. O autor é jornalista e mestre em teologia, e procura responder perguntas como estas: Deus existe? Qual a origem do Universo e da vida? A teoria da evolução é coerente? O criacionismo é científico? Podemos confiar na Bíblia? O dilúvio de Gênesis é lenda ou fato histórico? De onde vieram e para onde foram os dinossauros? O que dizer dos métodos de datação? Os leitores que quiserem se aprofundar no assunto têm à disposição, no fim de cada capítulo, inúmeras referências com dicas sobre os melhores livros e sites para leitura adicional.

Livro: A Ciência Descobre Deus

ciencia descobreAriel A. Roth, A Ciência Descobre Deus (CPB) – Em seu livro A Ciência Descobre Deus, o zoólogo Dr. Ariel Roth menciona a ocasião em que visitou a famosa Abadia de Westminster, na Inglaterra. Ali estão sepultados Newton e Darwin. Roth relembra: “Quando visitei os túmulos desses dois ícones do mundo científico, não pude deixar de meditar sobre o legado contrastante sobre Deus que ambos deixaram à humanidade. […] A vida de Newton ilustra claramente como a excelência científica e uma firme fé em Deus podem andar de mãos dadas.” Roth lida de forma competente com perguntas como estas: Será que um Designer criou nosso universo, ou ele evoluiu de maneira espontânea? Pode a ciência ser objetiva e, ao mesmo tempo, admitir a possibilidade de que Deus existe? Isso faz diferença? Em face de tanta evidência que parece exigir um Deus para explicar o que vemos na natureza, por que a comunidade científica permanece em silêncio sobre o Criador? Deus existe? Segundo Roth, a própria ciência está oferecendo as respostas.

Livro: A Alma da Ciência

alma cienciaNancy Pearcey e Charles Thaxton, A Alma da Ciência (Cultura Cristã) – Pearcey (que também é autora de A Verdade Absoluta, entre outros livros) é editora colaboradora do Pascal Centre for Advance Studies in Faith and Science; Charles Thaxton é Ph.D em química e pós-doutorado em História da Ciência pela Harvard. No livro, eles sustentam as bases cristãs da ciência moderna. “O tipo de pensamento conhecido hoje em dia como científico, com sua ênfase na experimentação e formulação matemática surgiu numa cultura específica – a da Europa Ocidental – e em nenhuma outra”, afirmam. E completam: “Os mais diversos estudiosos reconhecem que o cristianismo forneceu tanto os pressupostos intelectuais quanto a sanção moral para o desenvolvimento da ciência moderna.” Pearcey e Thaxton provam, com boa documentação histórica, que o conflito ciência versus religião é equivocado e tem origem recente. Segundo eles, durante cerca de três séculos, a relação entre a ciência e a religião pode ser mais bem descrita como uma aliança. “Os cientistas que viveram do século 16 até o final do século 19 viveram num universo muito diferente daquele no qual vive o cientista de hoje. É bem provável que o primeiro cientista tenha sido um indivíduo temente a Deus que não considerava a investigação científica e a devoção religiosa incompatíveis. Pelo contrário, sua motivação para estudar as maravilhas da natureza era o ímpeto religioso de glorificar o Deus que as havia criado.”

Fonte: Michelson Borges.

Livro: O Grande Tecelão

O_Grande_TecelaoTrecho do livro O Grande Tecelão, de Ravi Zacharias: “Algum tempo atrás eu tive o privilégio de falar em uma conferência em Johns Hopkins sobre o tema ‘O que significa ser um humano?’ Antes da minha palestra, Francis Collins, o diretor do Projeto Genoma e um daqueles que mapearam o DNA humano, apresentou seu tópico. Ele falou sobre a inteligibilidade e a maravilha do livro da vida, preenchido com mais do que três bilhões de bits de informação. De um jeito estranho, ele se tornou tanto o responsável e o objeto do estudo, tanto o projetista como projeto de sua pesquisa.

“Pensamentos extraordinários tomavam conta da minha mente enquanto eu o ouvia. Em seu último slide, ele mostrou duas figuras lado a lado. Na esquerda, aparecia uma magnífica foto de um vitral da Catedral de Yorkminster, em Yorkshire, na Inglaterra, sua simetria radiando a partir do centro, suas cores e espetaculares padrões geométricos – claramente demonstravam um trabalho de arte propositadamente designado por um talentoso artista. Sua pura beleza provoca uma agitação na mente. Do lado direito da tela, apareceu um slide mostrando um corte transversal de um fio de DNA humano. A figura fez mais do que retirar o fôlego de alguém; era impressionante no mais profundo senso do termo – não apenas linda, mas irresistível. E quase espelhando o padrão da rosa no vitral de Yorkminster. Nós nos vemos apenas parcialmente, mas através dos olhos do Criador, vemos nossa transcendência.

vitral“O público ficou chocado com a foto. O projeto, a cor, o esplendor do projeto deixaram cada um dos presentes sem palavras, apesar desse mesmo projeto ser aquilo que nos torna capazes de falar. Por causa desse projeto podemos pensar de maneira profunda, mas nos sentimos paralisados pelo pensamento e não poderia ir mais longe. Por causa desse projeto permanecemos presos no tempo, mas momentaneamente somos elevados para o eterno. Por causa desse projeto somos capazes de amar e, de repente, podemos ver graciosidade de quem somos.

“Podemos mapear o genoma humano e ver nele a evidência do grande Cartógrafo. Podemos planejar e agora vemos o grande Planejador. Podemos cantar e agora vemos a materialização da poesia. Especulamos e vemos as complexidades do propósito. Vivemos, vendo a impressão digital da vida. E morremos, mas podemos olhar através da fechadura da vida.

“Em Johns Hopkins, naquele dia, nós vimos a obra de arte dAquele que nos fez para Si mesmo.”

Fonte: Michelson Borges.

Livro: A Linguagem de Deus

A_Linguagem_de_DeusFrancis Collins, autor do livro A Linguagem de Deus, afirma que há uma base racional para crer na existência de um Criador e que todos os descobrimentos científicos “aproximam o homem de Deus”. Collins, que dirigiu o Projeto Genoma juntamente com Craig Venter, relata no livro sua história pessoal e a relação entre ciência e fé. A diferença entre Collins e Venter (que está no mundo dos negócios atualmente) é que Collins continua dirigindo o NHGRI – sigla em inglês que significa Instituto de pesquisa de Genoma Humano nos EUA. Segundo o autor, “uma das grandes tragédias do nosso tempo é a impressão que se criou de que ciência e religião devem estar em guerra”. Partindo de sua experiência, Collins afirma que decifrar o genoma humano não criou um conflito em sua mente, porém lhe permitiu verificar os trabalhos de Deus. “O problema é que nos últimos 20 anos, com muita freqüência, as vozes que são ouvidas nos debates públicos sobre estes temas são aquelas que defendem posições extremas.”

Collins afirma que era ateu até que, nos primeiros anos no exercício da medicina, comprovou a força que a fé transmitia a vários de seus pacientes nos estados mais críticos. Impressionado por esses exemplos, pediu conselhos a um ministro metodista, que lhe recomendou a leitura de Cristianismo Puro e Simples, de C.S. Lewis – um livro que mudou sua vida.

Fonte: Michelson Borges.

Thomas Kuhn em retrospectiva

kuhnJá se passaram 50 anos desde que o livro The Structure of Scientific Revolutions [A Estrutura das Revoluções Científicas] apresentou uma perspectiva radicalmente diferente sobre o modo como os cientistas realizam seu trabalho. A maioria dos leitores desse livro teria familiaridade com o método científico, que define a maneira como a ciência deve funcionar. Mas o “método científico” dos livros didáticos subestima as contribuições criativas fornecidas pelos cientistas, e Thomas Kuhn sabia que a História da Ciência fornece evidência abundante demonstrando que os fatores humanos merecem um perfil muito maior em nosso pensamento. Mesmo assim, ele sabia que seu livro era iconoclástico:

“Kuhn não estava totalmente confiante sobre como o livro Structure seria recebido. A ele fora negado estabilidade no emprego na Universidade Harvard, em Cambridge, Massachusetts, alguns anos antes, e ele escreveu a diversos correspondentes após o livro ter sido publicado que ele sentia que tinha  ido ‘muito além da conta’. Todavia, dentro de meses, algumas pessoas estavam proclamando uma nova era no entendimento da ciência. Um biólogo brincou que todos os comentários poderiam ser agora datados com precisão: seus próprios esforços tinham aparecido ‘no ano 2 a.K.’, antes de Kuhn. Uma década mais tarde, Kuhn tinha recebido tanta correspondência sobre o livro que se desesperou pensando se novamente conseguiria fazer algum trabalho.”

Após duas décadas, o “Structure tinha alcançado o status de arrasa-quarteirão”. As vendas estavam beirando a casa de um milhão de cópias e numerosas edições em línguas estrangeiras tinham sido publicadas. “O livro se tornou a obra acadêmica mais citada de todas as ciências humanas e sociais entre 1976 e 1983.” Esta última estatística foi a chave para entender seu destino subsequente: o livro foi como um imã para os sociólogos de ciência porque sua mensagem era sobre a face humana da ciência. Embora Kuhn tenha começado sua carreira acadêmica como físico, ele passou para a História e Filosofia da Ciência. O que ele tinha a dizer era menos atraente para a comunidade científica.

A palavra-chave para Kuhn foi “paradigma”. Originalmente, a palavra foi usada para se referir a um exemplo definido, padrão ou modelo. Mais tarde, foi associada com um referencial teórico para entender um aspecto do mundo em nosso redor. A abordagem de Kuhn se baseou nesses dois significados e lhes deu novas profundidades de significados.

“[Kuhn] separou seus significados intencionais em dois grupos. Um significado se referia às teorias e métodos dominantes de uma comunidade científica. O segundo significado, que Kuhn argumentou era tanto mais original e mais importante, referia-se aos exemplares ou problemas modelos, os exemplos trabalhados nos quais os estudantes e os jovens cientistas iniciam seus estudos/pesquisas. Assim como Kuhn reconheceu a significância de seu treinamento em Física, os cientistas aprenderam por meio da aprendizagem imersiva; eles tiveram que aprimorar o que o químico e filósofo de ciência húngaro Michael Polanyi tinha chamado de “tácito conhecimento”, ao trabalhar através de grandes coleções de exemplares em vez de memorizar regras explícitas ou teoremas. Mais do que a maioria de especialistas do seu tempo, Kuhn ensinou os historiadores e filósofos a considerar a ciência como prática em vez de silogismo.”

A análise de Kuhn foi e continua sendo uma grande influência no meu pensamento. Sua primeira contribuição foi demonstrar que o progresso crescente na ciência é somente parte da história. Isso é uma parte importante, e tende a dominar o pensamento da maioria dos cientistas ativos. Kuhn explicou como as anomalias na teoria são abordadas: a ciência normal considera as anomalias como problemas a serem resolvidos gradualmente, enquanto os cientistas revolucionários consideram as anomalias como indicadores para outra maneira melhor de abordar a evidência e definir os problemas. Descobrir aquela melhor maneira conduz a um novo quadro conceitual e se constitui em uma revolução científica.

Tendo contribuído com esse entendimento de revoluções na ciência, Kuhn também lançou luz em algumas disputas que acontecem antes e depois dessas revoluções. Há disputas expressas com palavras fortes; cientistas mostram emoção; pessoas se sentem afrontadas!

[Nota 1: Recentemente Francisco Salzano, Sergio Pena e vários cientistas enviaram uma carta ao presidente da Academia Brasileira de Ciência dizendo-se “afrontados” pelo avanço e a divulgação da teoria do Design Inteligente entre membros da ABC. Veja aqui.]

Kuhn explicou que as pessoas que desenvolveram paradigmas diferentes de entendimento da evidência acham muito difícil se comunicar uma com a outra. 

“Mais controversa foi a afirmação de Kuhn de que os cientistas não têm como comparar conceitos nos dois lados de uma revolução científica. Por exemplo, a ideia de ‘massa’ no paradigma newtoniano não é a mesma no paradigma einsteiniano, argumentou Kuhn; cada conceito tira o significado de teias de ideias, práticas e resultados separados. Se os conceitos científicos  estiverem presos em maneiras específicas de ver o mundo, como uma pessoa que vê somente um aspecto da figura pato-coelho de um psicólogo de Gestalt, então como é possível comparar um conceito com outro? Para Kuhn, os conceitos eram incomensuráveis: nenhuma medida comum poderia ser encontrada com que relacioná-los, porque os cientistas, argumentou ele, sempre interrogam a natureza por meio de um dado paradigma.”

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Uma figura ambígua na qual o cérebro muda entre ver um coelho e um pato.

Esses insights são extremamente úteis quando se consideram questões controversas em nossos dias. Considere a questão de design inteligente, por exemplo. Durante o surgimento da ciência, os acadêmicos trabalhavam com paradigmas que eram capazes de lidar com o conceito de design na natureza – e eles encontravam design em toda a parte. Com as influências secularizantes do Iluminismo, veio uma aceitação do Deísmo – e assim odesign era admitido somente até onde pudesse ser empurrado para os começos da história natural. Mais tarde, veio a ascensão do materialismo e do naturalismo e o desejo de redefinir a ciência exclusivamente em termos de causação natural, e isso nos levou ao ponto de vista do mundo evolucionário e à exclusão rígida do design inteligente da ciência. Essas mudanças paradigmáticas foram acompanhadas por uma incapacidade de entender os acadêmicos com um paradigma diferente: daí a representação de qualquer um que defenda o design inteligente como um defensor da anticiência e da superstição.

Hoje a análise kuhniana mesma está sob fogo de pessoas que são profundamente influenciadas pela cosmovisão materialista. Elas se apegam às ênfases positivistas com uma paixão que está parecendo cada vez mais como fervor religioso.

[Nota 2: Foi justamente esse “fervor religioso” que vi na carta assinada por Francisco Salzano, Sergio Pena e vários cientistas, enviada ao presidente da Academia Brasileira de Ciência, por causa do avanço e divulgação da teoria do Design Inteligente entre cientistas de renome da ABC. Veja aqui.]

Todavia, é bom ler essa resenha na revista Nature. Há certamente áreas de divergência com Kuhn, mas não percamos de vista sua abordagem magistral e ilustradora.

“Mesmo assim, ainda podemos admirar a destreza de Kuhn em abordar ideias desafiadoras com uma mistura fascinante de exemplos da psicologia, história, filosofia e mais além. Dificilmente precisamos concordar com cada uma das proposições de Kuhn para usufruir – nos beneficiar – desse livro clássico.” 

Fonte: David Kaiser na Nature: In retrospect: The Structure of Scientific Revolutions, via Desafiando a Nomenklatura Científica.

Edição brasileira: A Estrutura das Revoluções Científicas.

Ciência versus naturalismo!

Dá pra confiar na cognição?

Dá pra confiar na cognição?

Por muito tempo, pelo menos desde o Iluminismo, acreditou-se que existia um conflito entre ciência e religião. Do ponto de vista teísta, esse é um erro colossal: como seres criados à imagem de Deus, os humanos enxergam na ciência a possibilidade de conhecer mais sobre a obra criativa de Deus no Universo. É um privilégio contemplar a magnitude da criação, sua ordem e beleza. Assim, no teísmo, a ciência é uma forma de conhecer mais sobre o Criador. Longe de ser um obstáculo à criação, a cosmovisão teísta incentiva os seres humanos a obter mais informações da criação. A ciência é o meio, por excelência, para tal processo. Logo, o teísmo incentiva fortemente o contato com a ciência. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito a respeito do naturalismo. Na verdade, há um conflito muito sério entre o naturalismo e a ciência, a crença no materialismo e a evolução biológica. Se o naturalismo for verdadeiro, segue-se logicamente que os seres humanos são apenas objetos materiais. Você pode poetizar essa última afirmação (“os humanos são poeira das estrelas”), mas sua verdade continua. Qual o problema disso?

O problema é que, (a) se o naturalismo é verdadeiro e (b) se um naturalista acredita na evolução, (c) segue que a cognição do ser humano não está preocupada com a criação de crenças verdadeiras, mas com a sobrevivência.

Na evolução é assim: a evolução NÃO é teleológica, isto é, ela não é planejada, não segue nenhuma finalidade específica, nem possui um telos último. O “objetivo” da evolução é que os seres sobrevivam e que os genes passem adiante. Só. Até o termo “objetivo” não é correto: a evolução não tem propósito último, nem finalidade última. Ela é um relojoeiro cego. Como diz Richard Dawkins:

“A única coisa que importa para a seleção natural é que cada lado está se esforçando para superar o outro porque, tanto para um quanto para o outro, os indivíduos que forem bem-sucedidos transmitirão seus genes que contribuíram para seu êxito” (Richard Dawkins, O Maior Espetáculo da Terra, p. 359).

Se a evolução não está “preocupada” em gerar crenças verdadeiras, mas apenas em gerar formas de sobrevivência, por que esperar que essas crenças sejam verdadeiras? Nesse ponto, por que acreditar que nossas faculdades cognitivas são confiáveis, no que diz respeito à geração de crenças verdadeiras?

Se o naturalismo for verdadeiro, e se um naturalista acredita na teoria da evolução, segue-se que sua cognição é fruto de adaptação, tendo em “vista” a sobrevivência, ou seja, a cognição humana é estruturada para ajudar os seres humanos a sobreviver. As crenças que ela gera são importantes na medida em que ajudam a superar os outros seres na “corrida” da seleção natural. Mas as crenças geradas por tal cognição não necessariamente são verdadeiras. A evolução não estrutura a cognição “pensando” em gerar crenças verdadeiras, mas sim crenças que ajudem os seres humanos a sobreviver. Richard Dawkins chama esse último de “mundo médio” (último capítulo de Deus um Delírio).

Por isso, a probabilidade de a cognição humana, no naturalismo, gerar crenças verdadeiras é de 50%, isto é, ela tanto pode gerar crenças verdadeiras quanto crenças falsas. Tanto faz. Não é essa a preocupação da evolução. A seleção natural se contenta com o que houver, desde que ajude as espécies a se adaptar.

Um naturalista pode dizer que sua cognição é fruto de uma boa adaptação (o gênero humano sobreviveu por muitos anos e, dada a evolução, é isso que importa), mas ele não pode dizer que sua cognição é confiável (ou seja, produz crenças verdadeiras). Sua cognição é fruto da adaptação, mas não se segue que, para sobreviver, a cognição necessariamente precise gerar crenças verdadeiras. O que ela precisa gerar é um comportamento apropriado, não crenças verdadeiras.

Seguindo o pensamento de um filósofo chamado Alvin Plantinga (Conhecimento de Deus), o naturalista tem um derrotador para a alegação de que suas faculdades cognitivas são confiáveis. E, se ele tem um derrotador para essa última crença, ele tem um derrotador para QUALQUER crença que seja produto dessa faculdade cognitiva que não é confiável, ou seja, para TODAS as suas crenças, incluindo a ciência, a razão e o próprio naturalismo. Ele é autorrefutável. Ele não pode ser racionalmente crido.

Logo, quem tem bons motivos para desconfiar da ciência não é o teísta, mas aqueles que acreditam no naturalismo.

Referências:

DAWKINS, Richard. O maior espetáculo da terra: as evidências da evolução. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

PLANTINGA, Alvin. Conhecimento de Deus: Alvin Plantinga e Michael Tooley. São Paulo: Vida Nova, 2014.

Fonte: Bruno Ribeiro via Criacionismo.