Livro: Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu

feNorman Geisler e Frank Turek, Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu (Vida) – O livro reúne os principais argumentos teístas, numa apologética simples, resumida e convincente. Na página 20, os autores mencionam as “cinco perguntas mais importantes da vida”: (1) Origem: De onde viemos? (2) Identidade: Quem somos? (3) Propósito: Por que estamos aqui? (4) Moralidade: Como devemos viver? (5) Destino: Para onde vamos? Essas perguntas servem mais ou menos como balizas para todo o conteúdo, e os autores dizem: “As respostas a cada uma dessas perguntas dependem da existência de Deus. Se Deus existe, então existe significado e propósito para a vida. Se existe um verdadeiro propósito para sua vida, então existe uma maneira certa e uma maneira errada de viver. As escolhas que fazemos hoje não apenas nos afetam aqui, mas também na eternidade. Por outro lado, se Deus não existe, então a conclusão é que a vida de alguém não significa nada. Uma vez que não existe um propósito duradouro para a vida, não existe uma maneira certa ou errada de viver. Não importa de que modo se vive ou naquilo em que se acredite, pois o destino de todos nós é pó.” Duas ressalvas: os autores defendem o mito do inferno eterno e mencionam o domingo como dia de guarda.

Fonte: Michelson Borges.

Livro: Verdade Absoluta – Libertando o cristianismo de seu cativeiro intelectual

verdadeNancy Pearcey, Verdade Absoluta – Libertando o cristianismo de seu cativeiro intelectual (CPAD) – Pearcey se converteu em grande parte graças às ideias de Francis Schaeffer (outro autor que vale a pena conhecer). Pós-graduada em teologia e filosofia, ela é catedrática no Instituto de Jornalismo Mundial e professora convidada da Universidade Biola, na Califórnia, e do Discovery Institute. Seu livro A Verdade Absoluta tem apresentação de Phillip Johnson, com quem ela tem colaborado em seminários sobre ciência, filosofia e fé. A tese da autora é de que “somente pela recuperação de uma visão holística da verdade total podemos libertar o evangelho para que se torne uma força redentiva que permeie todas as áreas da vida”. Pearcey relata sua jornada pessoal como estudante luterana, sua rejeição da fé e seu retorno a Deus. Ela relata, também (entre outras), a história do filósofo cristão Alvin Plantinga, que provocou a volta para a comunidade filosófica de acadêmicos comprometidos com uma visão teísta da filosofia analítica. O livro ajuda a mostrar a relevância do cristianismo para uma sociedade pós-moderna que vive numa espécie de vácuo intelectual.

Fonte: Michelson Borges.

Livro: A Presença Ignorada de Deus

franklViktor Frankl, A Presença Ignorada de Deus (Vozes/Sinodal) – Frankl fala de uma “fé inconsciente” e de um “inconsciente transcendental” que inclui a dimensão religiosa. Para ele, quando a fé, em escala individual, se atrofia, transforma-se em neurose; e na escala social, degenera em superstição. “Somente a pessoa espiritual estabelece a unidade e totalidade do ente humano”, garante Frankl. “Ela forma esta totalidade como sendo bio-psico-espiritual. […] Somente a totalidade tripla torna o homem completo.” Para o psicanalista, “a consciência é a voz da transcendência e, por isso mesmo, ela mesma é transcendente. O homem irreligioso, portanto, é aquele que ignora essa transcendência da consciência. O homem irreligioso ‘tem’ consciência, assim como responsabilidade; apenas ele não questiona além, não pergunta pelo que é responsável, nem de onde provém sua consciência”.

Fonte: Michelson Borges.

Livro: Ortodoxia

ortodoxiaG. K. Chesterton, Ortodoxia (Mundo Cristão) – Grande pensador do século 19, dono de um estilo bem humorado, Chesterton critica com classe e profundidade as incoerências do pensamento ateu. C. S. Lewis, outro ex-ateu famoso, foi profundamente influenciado pelas ideias de Chesterton. Nesse livro, lançado em 1908 (essa nova edição da Mundo Cristão comemora o centenário da obra), Chesterton refaz sua trajetória espiritual e mostra como mudou do agnosticismo à crença. Ele provoca: “Para responder ao cético arrogante, não adianta insistir que deixe de duvidar. É melhor estimulá-lo a continuar a duvidar, para duvidar um pouco mais, para duvidar cada dia mais das coisas novas e loucas do universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio.”

Fonte: Michelson Borges.

Livro: “Um Ateu Garante: Deus Existe”

flewAntony Flew, Um Ateu Garante: Deus Existe (Ediouro) – Flew é considerado o principal filósofo dos últimos cem anos (seu ensaioTheology and Falsification se tornou um clássico e a publicação filosófica mais reimpressa do século 20) e passou mais de cinquenta anos defendendo o ateísmo. Filho de pastor metodista, ele sempre foi incentivado a buscar razões e explicações para as coisas em que acreditava. Tornou-se ateu, formou-se em Oxford, lecionou em universidades importantes, mas foi justamente a vontade de buscar a razão de tudo que o fez rever seus conceitos sobre a fé. O livro se divide em duas partes. Na primeira, Flew conta como chegou a negar a Deus, tornando-se ateu. Na segunda, ele analisa os principais argumentos que o convenceram da existência do Criador. No fim, há dois apêndices preciosos: “O novo ateísmo” (no qual são analisadas as principais ideias de ateus como Dawkins e Dennett) e “A autorrevelação de Deus na história humana” (com argumentos sobre a encarnação e a ressurreição de Jesus Cristo). “Minha jornada para a descoberta do Divino tem sido, até aqui, uma peregrinação da razão. Segui o argumento até onde ele me levou, e ele me levou a aceitar a existência de um Ser autoexistente, imutável, imaterial, onipotente e onisciente”, testemunha Flew.

Fonte: Michelson Borges.

Livro: Por Que Acredito Naquele que Fez o Mundo

zichichi2Antonino Zichichi, Por Que Acredito Naquele que Fez o Mundo(Objetiva) – Zichichi é ex-presidente da Federação Mundial de Cientistas e faz afirmações bastante corajosas e pouco convencionais no mundo científico. Segundo ele, há flagrantes mistificações no edifício cultural moderno e que passam, muitas vezes, despercebidas do público em geral. Alguns exemplos: Faz-se com que todos creiam que ciência e fé são inimigas. Que ciência e técnica são a mesma coisa. Que o cientificismo nasceu no coração da ciência. Que a lógica matemática descobriu tudo e que, se a matemática não descobre o “Teorema de Deus”, é porque Deus não existe. Que a ciência descobriu tudo e que, se não descobre Deus, é porque Deus não existe. Que não existem problemas de nenhum tipo na evolução biológica, mas certezas científicas. Que somos filhos do caos, sendo ele a última fronteira da ciência. Para Zichichi, a verdade é bem diferente. E a maneira de se provar a incoerência das mistificações acima consiste em compreender exatamente o que é ciência. Zichichi afirma: “Nem a matemática nem a ciência podem descobrir Deus pelo simples fato de que estas duas conquistas do intelecto humano agem no imanente e jamais poderiam chegar ao Transcendente. […] a teoria que deseja colocar o homem na mesma árvore genealógica dos símios está abaixo do nível mais baixo de credibilidade científica. […] Se o homem do nosso tempo tivesse uma cultura verdadeiramente moderna, deveria saber que a teoria evolucionista não faz parte da ciência galileana. Faltam-lhe os dois pilares que permitiriam a grande virada de 1600: a reprodução e o rigor. Em suma, discutir a existência de Deus, com base no que os evolucionistas descobriram até hoje, não tem nada a ver com a ciência. Com o obscurantismo moderno, sim.” Para um cientista católico, Zichichi manifesta muita coragem. E você, terá coragem para lê-lo?

Fonte: Michelson Borges.

Livro: O Grande Tecelão

O_Grande_TecelaoTrecho do livro O Grande Tecelão, de Ravi Zacharias: “Algum tempo atrás eu tive o privilégio de falar em uma conferência em Johns Hopkins sobre o tema ‘O que significa ser um humano?’ Antes da minha palestra, Francis Collins, o diretor do Projeto Genoma e um daqueles que mapearam o DNA humano, apresentou seu tópico. Ele falou sobre a inteligibilidade e a maravilha do livro da vida, preenchido com mais do que três bilhões de bits de informação. De um jeito estranho, ele se tornou tanto o responsável e o objeto do estudo, tanto o projetista como projeto de sua pesquisa.

“Pensamentos extraordinários tomavam conta da minha mente enquanto eu o ouvia. Em seu último slide, ele mostrou duas figuras lado a lado. Na esquerda, aparecia uma magnífica foto de um vitral da Catedral de Yorkminster, em Yorkshire, na Inglaterra, sua simetria radiando a partir do centro, suas cores e espetaculares padrões geométricos – claramente demonstravam um trabalho de arte propositadamente designado por um talentoso artista. Sua pura beleza provoca uma agitação na mente. Do lado direito da tela, apareceu um slide mostrando um corte transversal de um fio de DNA humano. A figura fez mais do que retirar o fôlego de alguém; era impressionante no mais profundo senso do termo – não apenas linda, mas irresistível. E quase espelhando o padrão da rosa no vitral de Yorkminster. Nós nos vemos apenas parcialmente, mas através dos olhos do Criador, vemos nossa transcendência.

vitral“O público ficou chocado com a foto. O projeto, a cor, o esplendor do projeto deixaram cada um dos presentes sem palavras, apesar desse mesmo projeto ser aquilo que nos torna capazes de falar. Por causa desse projeto podemos pensar de maneira profunda, mas nos sentimos paralisados pelo pensamento e não poderia ir mais longe. Por causa desse projeto permanecemos presos no tempo, mas momentaneamente somos elevados para o eterno. Por causa desse projeto somos capazes de amar e, de repente, podemos ver graciosidade de quem somos.

“Podemos mapear o genoma humano e ver nele a evidência do grande Cartógrafo. Podemos planejar e agora vemos o grande Planejador. Podemos cantar e agora vemos a materialização da poesia. Especulamos e vemos as complexidades do propósito. Vivemos, vendo a impressão digital da vida. E morremos, mas podemos olhar através da fechadura da vida.

“Em Johns Hopkins, naquele dia, nós vimos a obra de arte dAquele que nos fez para Si mesmo.”

Fonte: Michelson Borges.

Seria Deus um “monstro moral”?

moralmonster1Paul Copan (Ph.D, Marquette University) é professor de Filosofia e Ética na Palm Beach University, na Flórida, EUA. É autor e editor de dezenas de livros na área de apologética cristã e filosofia da religião. Além de diversos artigos publicados em importantes publicações na área de filosofia, como a Philosophia Christi, ele também é membro da Evangelical Society of Philosophy. Is God a Moral Monster? é uma resposta para as diversas acusações contra o caráter de Deus como exposto nas páginas do Antigo Testamento, principalmente da parte dos chamados neoateus. Com a publicação da obra Deus, um Delírio, de Richard Dawkins (2005), e Letter to a Christian Nation, de Sam Harris (2007), o Antigo Testamento começou a ser visto pelo público secularizado como uma mola propulsora para a violência e a intolerância. Tópicos ali encontrados como homofobia, genocídio, machismo e fundamentalismo religioso são alguns dos motivos – aparentemente verdadeiros – que têm levado muitos a rejeitar qualquer princípio ético das páginas das Escrituras Hebraicas.

Apesar de Copan não ser um especialista em Antigo Testamento (AT) e documentos do Antigo Oriente Médio (AOM), sua obra foi classificada por Richard Davidson, do departamento de AT da Andrews University, em Michigan, EUA, como “a mais poderosa e coerente defesa do caráter de Deus no AT diante dos ataques dos neoateus” (p. ii), e de “a melhor defesa da ética do Antigo Testamento” (p. i), por Gordon Wenham, professor emérito de AT na University of Gloucestershire.

A obra está dividia em quatro partes. Na primeira (p. 13-24), Copan oferece um breve histórico sobre o movimento conhecido como neoateísmo, bem como suas críticas à religião bíblica. Já na segunda (p. 25-54), são abordados tópicos como a suposta arrogância e o ciúme de Deus em Sua aliança com Israel. Além desses assuntos, Gênesis 22 – um capítulo que tem sido muito utilizado para descrever a “brutalidade” de Yahweh – também foi analisado à luz do contexto do Antigo e do Novo Testamentos.           

A terceira seção (p. 55-206) é a principal do livro, onde tópicos mais espinhosos são abordados, tais como Heiligkeitsgesetz, o Código de Santidade (Levítico 17-26), no qual, inclusive, encontramos leis relacionadas com práticas homossexuais; as leis que regulamentavam a escravidão em Israel; e a questão da matança dos cananeus. Paul Copan fez um excelente trabalho comparando material bíblico disponível nas páginas do AT com documentos de povos do AOM trazidos à luz pelas descobertas arqueológicas dos últimos 200 anos.           

Já a quarta e última seção (p. 209-222) lida com o fundamento teísta para a moralidade humana. Além de apresentar a fragilidade de uma noção de certo e errado sem um Ser transcendente, Copan ainda apresenta brevemente como o cristianismo foi responsável por revolucionar o mundo ocidental graças a importantes contribuições humanitárias, filosóficas, literárias, artísticas e até musicais, uma resposta sutil ao subtítulo da obra do ateu Christopher Hitchens, deus não é Grande: Como a Religião Envenena Tudo (2007).

Gostaria de destacar dois pontos que ressaltam a importância da obra de Copan. Primeiro, a constante comparação entre diversas práticas do AT com práticas legais de diversos povos do AOM. Para muitos leitores não treinados nesse ramo de estudo, o trabalho de Copan surge como uma excelente ferramenta para a constatação de uma faceta mais humanitária de Israel em contraste com os povos da Mesopotâmia, Canaã e até o próprio Egito.       

A título de ilustração, Copan fez amplo uso da literatura conhecida sobre as leis que regulamentavam a escravidão em Israel (Êx 21), e a apresentou nos capítulos 12-14. Desde códigos de leis hititas, passando por documentos cananitas do 2º milênio a.C., até uma análise minuciosa do texto hebraico do AT, percebe-se entre os israelitas um caráter mais humanitário quanto à escravidão. Na lei mosaica, sequestrar alguém para ser vendido como escravo era um crime punido com pena capital (Êx 21:16). Um escravo hebreu deveria trabalhar apenas seis anos para pagar sua dívida, sendo liberto no sétimo ano sem pagar nada (Êx 21:2). Além disso, ele deveria receber do seu proprietário alguns animais e alimentos para começar a vida novamente (Dt 15:13, 14). Durante seu período de serviço, o(a) escravo(a) teria um dia de folga semanal, o sábado (Êx 20:10). Não só isso, mas em Israel, o escravo e seu senhor eram tratados em pé de igualdade (cf. Jó 33:15, 16). Um avanço humanitário significativo e totalmente desconhecido até aquele momento em todo o território do AOM.

Segundo, é a apresentação do ambiente social e religioso de Canaã durante o 2º e o 1º milênio a.C. Práticas como sacrifícios humanos, prostituição, incesto e zoofilia eram ingredientes comuns naquelas culturas. Tais atividades são examinadas com atenção pelo autor e são apresentadas como motivos reais para o “genocídio” cananeu. Digno de nota são suas considerações sobre a “retórica exagerada no Antigo Oriente Médio” (p. 169-185), onde o autor argumenta, citando diversos documentos arqueológicos, que a linguagem de completa destruição (heb. herem) não era tão completa assim.           

Finalmente, existe um tópico que demonstram certa fragilidade argumentativa do autor. Nas páginas 79-81, Copan faz menção das leis dietéticas de Levítico 11, a distinção de animais puros e impuros. O autor fez uso de Marcos 7:19 e Atos 10:10-16 para afirmar que no Novo Testamento todos os alimentos são puros. Ora, o assunto em Marcos 7 é ahalakah, a tradição dos anciãos, e não as leis de saúde de Levítico 11. Já em Atos 10, o assunto não é alimentação, mas, sim, o preconceito que os judeus nutriam contra os gentios (cf. At 11). O autor demonstrou estar bem familiarizado com publicações de eruditos adventistas como Richard Davidson, Roy Gane e Barna Magyarosi. Sendo assim, ele poderia ter levado em consideração a tese doutoral de Jirí Moskala, “The Laws of Clean and Unclean Animals of Leviticus 11: Their Nature, Theology, and Rationale (An Intertextual Study)” (Adventist Theological Society Publications, 2000). Sua compreensão de Levítico 11 poderia ser mais equilibrada, se essa obra tivesse sido consultada.

Além de uma bem documentada referência bibliográfica, o livro contém um guia de estudo para cada um dos seus capítulos, tornando-se uma ferramenta útil para grupos de estudo, seminários em igrejas e aulas para alunos do ensino médio.

Fonte: Luiz Gustavo Assis via Criacionismo.

A Trindade: por que é importante?

Não me lembro de ter ouvido um sermão sobre a Trindade em minha infância ou adolescência. Na verdade, eu nunca tive nenhuma discussão prolongada sobre essa doutrina, senão em meu último ano da faculdade de teologia. Num seminário sobre a Doutrina de Deus, o professor nos levou a uma discussão detalhada da história dessa doutrina e suas bases bíblicas. Mas, devo confessar que tudo me pareceu um pouco enigmático e impraticável. Minha trajetória teológica, porém, iria pouco a pouco se transformar numa

É possível compreendê-la!

É possível compreendê-la!

preocupação que agora se tornou paixão. Minha indiferença transformou-se na convicção definida de que a doutrina da Trindade é a declaração teológica central do pensamento e prática cristãos. Na verdade, longe de ser um mistério irrelevante, ela expressa a essência daquilo que os cristãos desejam confessar acerca da natureza de Deus e Seu propósito para a felicidade humana.

Pensar em teologia envolve dois passos básicos: Primeiro, o “quê” da doutrina. A fase “quê” envolve duas facetas importantes: (1) afirmar claramente a doutrina; e (2) avaliar a base bíblica para o seu ensino. Segundo, as reflexões sobre o “e então?” Essa fase procura clarificar pontos tais como as implicações teológicas e práticas da doutrina – especialmente sua coerência com outros ensinos cristãos, e a questão da salvação pessoal ou reconciliação com Deus.

O “quê” da Trindade A crença fundamental adventista do sétimo dia de número dois define a doutrina da seguinte forma: “Há um só Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, uma unidade de três Pessoas coeternas”.1No que tange a essa declaração, tanto a igreja cristã primitiva quanto o movimento adventista do sétimo dia tiveram que lidar com vários desafios. A questão de Deus o Pai nunca foi controversa, em virtude da longa tradição do ensino cristão ortodoxo. Enquanto a vasta maioria dos cristãos afirma a eterna divindade do Pai, sempre existiram controvérsias em torno das questões acerca da completa e eterna divindade do Filho, a personalidade do Espírito Santo e a profunda unidade do Trio. O espaço não nos permite uma discussão pormenorizada da evidência bíblica em prol da unidade triúna de Deus, mas se pudermos estabelecer a plena divindade do Filho e do Espírito, parece lógico que haverá uma profunda unidade com o Pai. Assim, os cristãos têm confessado que há um Deus (monoteísmo) que Se manifesta em amor como uma unidade tri-pessoal (não três Deuses, ou triteísmo).

A plena divindade do Filho Basicamente há três tipos fundamentais de evidências bíblicas que mostram que Jesus era inerentemente divino, tendo a mesma natureza e substância do Pai.2

1. Jesus é expressamente chamado de Deus no Novo Testamento. Hebreus 1 compara Jesus com os anjos. Nos versos 7 e 8, o autor diz que enquanto Deus fez os anjos como “ventos, e a Seus ministros como labaredas de fogo” (verso 7, ARA), acerca do Filho diz: “O Teu trono, ó Deus, é para todo o sempre” (vs. 8, ARA). O versículo 8 é uma das sete vezes em que a palavra grega theos (“Deus”) é diretamente usada com relação a Jesus no Novo Testamento (as outras seis são João 1:1, 18; 20:28; Romanos 9:5; Tito 2:13; e II Pedro 1:1).

Sejamos bem claros quanto ao que os escritores do Novo Testamento, especialmente o autor de Hebreus, estão dizendo nesses versos. Eles estão se referindo a Jesus como “Deus”, e em Hebreus, o escritor está interpretando o Antigo Testamento mediante a aplicação do Salmo 45:6 a Jesus que originalmente se referia a Deus, o Pai.

2. Jesus aplica a Si mesmo títulos e atribuições divinos. O exemplo mais singular é encontrado em João 8:58: “Respondeu Jesus: Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou!” (NVI). Muito simples: o que Jesus estava dizendo é que Ele não era outro senão o Deus do Êxodo, e fez isso aplicando a passagem de Êxodo 3:14 a Si mesmo: “Disse Deus a Moisés: Eu Sou o que Sou” (NVI).

Além disso, esse “Deus” que fala em Êxodo 3:14 prossegue e esclarece Sua identidade: “O Senhor, o Deus dos seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó” (verso 15, NVI). Em outras palavras, Jesus não apenas reivindicou ser o Deus do Êxodo, mas também o “Senhor” (Yahweh) dos patriarcas. Não nos surpreende que os fariseus “apanharam pedras para apedrejá-Lo” (João 8:59, NVI) – a punição prevista no Antigo Testamento para blasfêmia (veja João 5:17, onde Jesus diz a mesma coisa).

3. A aplicação dos nomes divinos a Jesus pelos escritores do Novo Testamento. Em Hebreus 1:10-12, a Inspiração atribui o supremo título do Deus do Antigo Testamento (JHWH ouYahweh) a Jesus. O autor de Hebreus faz isso ao aplicar o Salmo 102:25-27 a Cristo. Isso não é incomum entre os escritores do Novo Testamento, mas o que chama a atenção nessa aplicação é que esse Salmo originalmente se refere ao “Senhor” (Yahweh) do Antigo Testamento. Assim, o autor do Novo Testamento se sente muito à vontade ao aplicar a Jesus passagens que originalmente se referiam ao auto-existente Deus de Israel. A clara implicação é que Jesus é o “Senhor” Jehovah (JHWH) do Antigo Testamento. Apocalipse 1:17 descreve o uso semelhante de um título do Antigo Testamento – “o Primeiro e o Último.”

A plena divindade do Espírito Santo As Escrituras fornecem inúmeras linhas de evidência que testificam da natureza divina do Espírito. A mais significativa vem do livro de Atos, na trágica história de Ananias e Safira. Esse casal, às escondidas, voltou atrás nos votos sagrados que havia feito a Deus. Quando eles vieram publicamente depositar a oferta parcial aos pés dos apóstolos, eles caíram mortos repentinamente. Pedro explicou de forma bem objetiva o que haviam feito: Vocês mentiram ao Espírito Santo. A isso se seguiu a impressionante revelação de que eles não haviam mentido aos homens, “mas a Deus” (Atos 5:3-4). A implicação óbvia é que o Espírito Santo é um ser divino.

A próxima linha de evidência é encontrada nas muitas passagens que descrevem a obra do Espírito em termos daquilo que é exclusivo de Deus. O mais claro exemplo está em I Coríntios 2:9-11. Paulo declara que seus leitores podem ter algum conhecimento daquilo “que Deus preparou para aqueles que O amam” (vs. 9, NVI). E como tal conhecimento é possível? “Deus o revelou a nós por meio do Espírito” (vs. 10). E como é que o Espírito está a par desse conhecimento? “O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus. Pois quem conhece os pensamento do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus” (vss. 10-11, NVI).

O que essa passagem sugere é o seguinte: Se alguém deseja saber “o que é verdadeiramente humano”, deve conseguir tal informação de um ser humano. Aquilo, porém, que é verdade no nível humano, muito mais o é no divino: “Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus” (vs. 10). Apenas um Ser divino pode verdadeiramente conhecer o que se passa na mente e no coração de outro Ser divino.

O “e então?” da Trindade Qual é o significado do “e então?” da plena divindade do Filho e do Espírito? Antes de abordar essa importante questão, precisamos lidar com um ponto que incomoda a muitos: a aparente falta de lógica na confissão de que três são iguais a um. Esse ponto incomoda especialmente a mente racionalista de muitos estudantes universitários no Ocidente e nossos amigos muçulmanos fortemente monoteístas.

A objeção lógica. Millard Erickson sugere que a razão humana não pode tolerar a estranha matemática trinitariana na qual “três = um.” Se você for a um supermercado, pegar três pães e tentar persuadir o caixa de que eles são na verdade um e que você não tem que pagar senão apenas o valor de um, o caixa poderá ser tentado a chamar imediatamente os seguranças.3

A primeira resposta à lógica do pensamento trinitariano é admitir que estamos lidando com o mais profundo dos mistérios. Sabemos que em relacionamentos de amor parece desenvolver-se uma profunda unidade social e emocional. Diríamos então que os relacionamentos de amor são totalmente ilógicos e incoerentes? Penso que não. E essa parece ser a melhor maneira de explicar o mistério da Trindade e Sua unidade plural.

Outra vez Erickson sabiamente indica o caminho para uma resposta aceitável: “Nós, portanto, sugerimos pensar na Trindade como uma sociedade de pessoas que, contudo, são um só Ser. Conquanto essa sociedade de pessoas tenha dimensões que não encontramos entre seres humanos quanto ao seu inter-relacionamento, existem alguns paralelos que ajudam a esclarecer o assunto. Amor é o relacionamento aglutinante dentro da Divindade, que une cada uma das pessoas às outras.”4

Erickson, então, naturalmente apela para I João 4:8, 16: “Deus é amor.” Compreendemos realmente as profundezas dessa declaração inspirada que é tão desconcertante em sua simplicidade? Gostaria de sugerir que essas três palavras têm uma profunda contribuição a fazer à nossa compreensão de um Deus que preexistiu eternamente em estado de “unidade” trinitariana. “A declaração ‘Deus é amor’ não é uma definição de Deus, nem sequer a declaração de um atributo entre outros. Ela é uma caracterização bem básica de Deus.”5

Para os cristãos trinitarianos, a pergunta fundamental acerca de Deus está direta e completamente relacionada com a questão do Seu amor. E se Deus não for “amor” no âmago de Seu ser, então qualquer questão acerca de Sua natureza imediatamente se torna irrelevante do ponto de vista bíblico. Nós, contudo, pensamos que o amor é a caracterização mais fundamental de Deus. Se Deus é verdadeiramente, na Sua essência, o Deus de “amor” (João 3:16; I João 4:8), então temos que considerar algumas implicações.

Pode Alguém que existe desde a eternidade e que nos fez à Sua imagem de amor, ser realmente chamado amor se Ele existir tão-somente como um ser solitário ou unitário? Não é o amor, especialmente o amor divino, possível apenas se Aquele que fez nosso Universo for um ser plural que estava exercitando amor dentro de Sua pluralidade divina (trinitária) desde toda a eternidade passada? Não é o amor verdadeiro e altruísta possível apenas se ele proceder de um tipo de Deus que, por natureza, sempre será um Deus de amor como uma Trindade social?

Sinto-me fortemente inclinado a afirmar que Deus é uma Trindade de amor e que Seu amor encontrou a revelação mais profunda na obra criadora, e na encarnação, vida, morte e ressurreição do plenamente divino Filho de Deus. A unidade trinitária de Deus, por fim, não é ilógica. Na verdade, ela é a fonte da única lógica que faz sentido absoluto – um amor que se auto-sacrifica, que é mutuamente submisso e um eterno canal da graça de poder criador e redentor.

Tal amor infinito, porém, deve ser comunicado de forma prática a seres humanos finitos e pecadores. E é aqui que o “e então?” da plena divindade do Filho e do Espírito exerce um papel dramático na criação e na redenção.

Implicações da divindade de Cristo Primeiro, antes que a Trindade pudesse fazer com que a vida e a morte salvíficas de Cristo de fato gerassem a salvação de pecadores, havia a necessidade urgente de revelar aos seres humanos alienados pelo pecado como Deus realmente é. E o único Ser que poderia oferecer tal surpreendente revelação da natureza divina era Deus mesmo. E essa foi a missão primária de Jesus, o divino Filho de Deus.

Agora, em se tratando realmente da provisão para a salvação, especialmente em Sua morte expiatória, apenas Alguém que é igual a Deus, por meio de Espírito Santo, seria poderoso o bastante para recriar seres humanos deformados pelo pecado à semelhança do caráter divino. Em outras palavras, apenas o divino Filho poderia gerar a conversão ou o novo nascimento, e ocasionar a mudança de caráter que faz com que o homem reflita a semelhança divina. Resumindo: apenas o Filho, que é o amor encarnado, poderia manifestar e produzir tal amor transformador.

A plena divindade do Espírito Como acontece com a divindade do Filho, as implicações teológicas da divindade do Espírito derivam dos pontos relacionados à intenção de Deus de redimir a humanidade pecadora.

Com toda a certeza, se Aquele que é igual ao Pai em natureza e caráter podia oferecer um sacrifício efetivo pelo pecado, então, da mesma forma, somente Alguém (o Espírito) que é plenamente divino podia comunicar de fato a eficácia desse sacrifício a seres humanos pecadores. Outra vez, é necessário um Espírito completamente divino para revelar ao pecador a obra do Filho completamente divino (I Coríntios 2:7-12).

Somente o Espírito Santo podia trazer à humanidade decaída o convertedor e convencedor poder do grande amor de Deus, poder que gera contrição e conversão. Somente Alguém que tem estado em eterna e estreita ligação com o coração de Deus e do Filho, o coração de um amor que se auto-sacrifica, pode comunicar plenamente tal amor à humanidade perdida.

Somente Alguém que atuou com o Filho na criação poderia estar equipado para operar a recriação nas almas arruinadas pelas forças destrutivas de Satanás e do pecado (Rom 8:10-11).

Somente Alguém que pôde estar em plena sintonia com o coração do ministério encarnado de Jesus, e ainda assim, ao mesmo tempo, ser capaz de estar em todos os lugares (onipresença de Deus), podia representar de maneira hábil a presença pessoal e redentora de Cristo perante todo o mundo. O único Ser que podia fazer tal coisa é o Espírito Santo, um Ser pessoal sempre e todo-presente.

Um apelo Gostaria de desafiar cada leitor a ponderar com oração e cuidado sobre a Trindade e Suas profundas implicações para a vida e o destino que o Deus da Bíblia oferece à humanidade. Essa doutrina satisfaz às necessidades do moderno anseio por uma reflexão racional sobre o problema divino/humano, e ao mesmo tempo oferece um mistério verdadeiramente cativante para os gostos mais relacionais dos pós-modernistas. Além disso, o pensamento e a vida trinitarianos oferecem uma visão de relacionamentos que vivem em amor, os quais refletem a realidade mais profunda oferecida por Aquele que fez o mundo em amor e está buscando redimi-lo do pecado (que é contrário ao amor – a mais profunda antítese do amor divino).

Além disso, não consigo pensar num melhor ponto da discussão quando se busca abordar as preocupações monoteísticas de nossos amigos muçulmanos. Se o amor de Jesus, o lado humano do amor da Trindade, não convencer, nada será capaz de fazê-lo. Os recursos do amor que flui do Pai, encarna-se em Cristo e é comunicado pela Pessoa plenamente divina do Espírito Santo proporcionam a mais rica visão teológica que se pode imaginar para o destino de um mundo perdido.

Fonte: Woodrow W. Whidden (Ph.D. pela Universidade Drew) é professor de Religião na Universidade Andrews, Berrien Springs, Michigan, E.U.A. via Bíblia e Ciência.

A impossibilidade matemática da evolução

Dr. Henry Morris (1918-2006)

Dr. Henry Morris (1918-2006)

Conforme a teoria evolutiva mais comumente aceita em nossos dias, o único mecanismo para a evolução é a combinação de mutações aleatórias e seleção natural. Mutações são mudanças aleatórias no sistema genético. Seleção natural é considerada pelos evolucionistas como um tipo de peneira, que retém as mutações “benéficas” e ignora as outras.

Uma vez que mudanças aleatórias em sistemas ordenados quase sempre irão decrementar seus níveis de ordem, praticamente todas as mutações são maléficas aos organismos que as experimentam. Entretanto, o evolucionista insiste que cada organismo complexo existente em nosso mundo hoje surgiu devido a um longo processo de acúmulo de mutações benéficas preservadas pela seleção natural. Nunca ninguém efetivamente observou a ocorrência de uma mutação benéfica genuína na natureza (isto é, que adicione informação genética a um código genético existente), e que, ainda, tenha sido preservada pelo processo de seleção. Por alguma razão, contudo, a ideia possui certo apelo qualitativo e soa eminentemente razoável a muitos – pelo menos até ser examinada quantitativamente.

Por exemplo, considere um simples organismo qualquer composto de apenas 200 partes funcionais e integradas, e o problema de se derivar este organismo através desse tipo de processo. O sistema presumivelmente deve iniciar com apenas uma única parte e então se desenvolver gradualmente ao longo de várias gerações até chegar a 200 partes organizadas. O organismo em desenvolvimento, a cada estágio sucessivo, deve ser integrado e funcional em seu ambiente a fim de sobreviver até o próximo estágio. Cada estágio sucessivo, decerto, se torna estatisticamente menos provável que seu antecessor, uma vez que em um sistema complexo é muito mais susceptível à deterioração que ao aperfeiçoamento. Um sistema integrado de quatro componentes pode mais facilmente sofrer uma mutação (isto é, mudar de alguma forma rapidamente) em direção a um sistema de três componentes (ou mesmo para um sistema não funcional de quatro componentes) do que para um sistema integrado de cinco componentes. Se, em qualquer fase do processo, o sistema sofrer uma mutação deletéria, este ou será completamente comprometido [destruído] ou retrocederá, evolutivamente falando.

Não obstante, o êxito na formação de um organismo de 200 componentes funcionais requer, pelo menos, 200 mutações sucessivas e bem sucedidas, sendo cada uma delas igualmente improváveis. Até evolucionistas admitem que mutações reais são muito raras, e mutações benéficas são extremamente raras – não mais do que uma em mil mutações são benéficas, na maioria dos casos.

Porém, vamos dar aos evolucionistas o benefício de todas as considerações. Assumamos que, a cada passo do processo, as chances existentes para mutações boas e ruins sejam iguais. Assim, a probabilidade para o sucesso de cada mutação é assumida como sendo uma em duas, ou a metade. A teoria elementar da estatística mostra que a probabilidade para o êxito de 200 mutações sucessivas é de (½)200, ou uma chance em 1060. O número 1060, se escrito, seria “um” seguido de sessenta “zeros”. Em outras palavras, a chance para que um organismo de 200 componentes pudesse ser formado através de mutações e seleção natural seria menos que uma em um trilhão, trilhão, trilhão, trilhão, trilhão! Antes que alguém pense que um sistema composto de 200 partes seja irracionalmente complexo, deve-se notar que mesmo uma planta ou animal unicelular pode conter milhões de “partes” moleculares.

O evolucionista pode reagir dizendo que mesmo que um organismo em mutação possa não ser bem sucedido, certamente algum ao redor do mundo poderia o ser, especialmente nos 10 bilhões de anos (ou 1018 segundos) assumidos para a história da Terra. Portanto, imaginemos que cada um dos 1014 pés quadrados [ou 9,29×1013 m²] da superfície da Terra abrigasse um bilhão (ou seja, 109) de sistemas em mutação e que cada mutação ocorresse a cada meio segundo (na verdade levaria muito mais tempo do que isso). Cada sistema poderia, assim, completar 200 mutações em 100 segundos e, em seguida, caso não fosse bem sucedida, começar de novo para uma nova tentativa. Em 1018 segundos, seriam, portanto, 1018/102, ou 1016 tentativas para cada sistema mutante. Multiplicando-se todos os números, a quantidade total possível de tentativas para o desenvolvimento de um sistema composto de 200 partes integradas é igual a 1014x(109)x(1016), ou 1039 tentativas. Uma vez que a probabilidade contra o sucesso de qualquer uma delas é de 1060, é evidente que a probabilidade para que apenas uma dessas 1039 tentativas seja bem sucedida é de somente uma em 1060/1039, ou 1021.

Tudo isto significa que a chance para que qualquer tipo de organismo composto de 200 partes integradas e funcionais possa ser desenvolvido através de mutações e seleção natural apenas uma única vez, em qualquer lugar do mundo, considerando toda a expansão geológica temporal, é menos que uma em um bilhão trilhão. A possível conclusão, portanto, que poderíamos derivar de tais considerações é que a evolução por mutações e seleção natural é matematicamente e logicamente indefensável.

Discussão

evolution_possible-impossible2Tem havido diversas outras maneiras em que criacionistas utilizaram de argumentos probabilísticos para refutar o evolucionismo, especialmente a ideia da preservação de mudanças aleatórias, se benéficas, pela seleção natural. James Coppedge devotou praticamente um livro inteiro, Evolution: Possible or Impossible(Zondervan, 1973, 276 pp.) [em tradução livre, “Evolução: Possível ou Impossível”], neste tipo de abordagem. Eu mesmo tenho usado outros tipos de argumentos baseados em probabilidade para o mesmo fim (veja, e.g., Science and Creation, Master Books, pp. 161-201).

O primeiro livro deste tipo, até onde tenho conhecimento, que refuta a evolução usando matemática e probabilidade foi escrito por um pastor, W. A. Williams, em 1928. Intitulado Evolution Disproved [“Evolução Refutada”], causou-me grande impacto da primeira vez que o li, em 1943, tempo em que eu mesmo lutava contra a evolução.

De fato, os próprios evolucionistas têm atacado o darwinismo tradicional nos mesmos termos (confira o Simpósio do Instituto Wistar, Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, 1967, 140 pp.) [clique aqui]. Embora aqueles cientistas não rejeitassem a evolução, eles insistiam que o postulado darwiniano da aleatoriedade jamais poderia funcionar.

Ademais, uma vez que a lei do aumento da entropia, ou a segunda lei da termodinâmica, é essencialmente uma afirmação de probabilidades, muitos escritores têm usado essa lei para demonstrar que a evolução é, em qualquer escala de significância, impossível. Evolucionistas tem comumente ignorado os argumentos ou mesmo utilizado argumentos vazios como resposta (“qualquer coisa pode ocorrer se dado o tempo necessário”; “a Terra é um sistema aberto, logo a segunda lei não se aplica”; “ordem pode surgir do caos através de estruturas dissipativas”; etc.) [clique aqui].  No mundo real das observações científicas, oposto às especulações metafísicas, todavia, nenhum sistema ‘mais complexo’ pode “evoluir” de um sistema ‘menos complexo’, ao passo que a probabilidade da origem naturalista da forma de vida mais simples é zero.

A existência de complexidade, de qualquer tipo, é evidência para Deus e a criação. “Ergam os olhos e olhem para as alturas. Quem criou tudo isso? Aquele que põe em marcha cada estrela do seu exército celestial, e a todas chama pelo nome. Tão grande é o seu poder e tão imensa a sua força, que nenhuma delas deixa de comparecer!” (Isaías 40:26).

Fonte: Traduzido na íntegra de Dr. Henry Morris, “The Mathematical Impossibility of Evolution”, pg. b-c, ICR, 2003 via Engenharia Filosófica.