Livro: A Alma da Ciência

alma cienciaNancy Pearcey e Charles Thaxton, A Alma da Ciência (Cultura Cristã) – Pearcey (que também é autora de A Verdade Absoluta, entre outros livros) é editora colaboradora do Pascal Centre for Advance Studies in Faith and Science; Charles Thaxton é Ph.D em química e pós-doutorado em História da Ciência pela Harvard. No livro, eles sustentam as bases cristãs da ciência moderna. “O tipo de pensamento conhecido hoje em dia como científico, com sua ênfase na experimentação e formulação matemática surgiu numa cultura específica – a da Europa Ocidental – e em nenhuma outra”, afirmam. E completam: “Os mais diversos estudiosos reconhecem que o cristianismo forneceu tanto os pressupostos intelectuais quanto a sanção moral para o desenvolvimento da ciência moderna.” Pearcey e Thaxton provam, com boa documentação histórica, que o conflito ciência versus religião é equivocado e tem origem recente. Segundo eles, durante cerca de três séculos, a relação entre a ciência e a religião pode ser mais bem descrita como uma aliança. “Os cientistas que viveram do século 16 até o final do século 19 viveram num universo muito diferente daquele no qual vive o cientista de hoje. É bem provável que o primeiro cientista tenha sido um indivíduo temente a Deus que não considerava a investigação científica e a devoção religiosa incompatíveis. Pelo contrário, sua motivação para estudar as maravilhas da natureza era o ímpeto religioso de glorificar o Deus que as havia criado.”

Fonte: Michelson Borges.

Comparativo entre a Bíblia e os mitos do Antigo Oriente Próximo!

bible mythsExiste diferença entre a Bíblia e os mitos do Antigo Oriente Próximo?

Vivemos em uma época de reducionismo. Isso se torna especialmente evidente pelo uso comum da palavra “apenas”. Os reducionistas dizem: “A mente humana é apenas um sistema complexo de matéria”, ou “A moralidade é apenas um subproduto da evolução para a sobrevivência do grupo.”[1] Quando se trata de estudos bíblicos, normalmente o reducionismo assume a seguinte forma: “As narrativas do Gênesis são apenas mais um mito do Antigo Oriente Próximo.” Os pós-evangélicos usam hoje, regularmente, esses argumentos. Em nível popular, escritores como Rachel Held Evans comentam sobre os “notadamente semelhantes” relatos da criação e do dilúvio do Antigo Oriente Próximo em relação aos encontrados em Gênesis. Compreender Gênesis como não histórico, um mito não científico, que contém os mesmos “recursos literários humanos” e “pressupostos cosmológicos” que os do Antigo Oriente Próximo, teria sido, segundo ela mesma, “libertador”.[2]

Peter Enns é o estudioso pós-evangélico mais frequentemente associado com essa visão. Em seu livro Inspiration and Incarnation (Inspiração e Encarnação), Enns procurou mostrar que Deus se ajustou às culturas do Antigo Oriente Próximo, usando formas literárias não históricas e não científicas em Gênesis (e em outros escritos) para comunicar sua mensagem.[3] Muitos seguiram sua liderança, especialmente aqueles que procuram resolução da [suposta] discórdia percebida entre fé e ciência.

No contexto da academia secular, tais pontos de vista são inquestionáveis. O paradigma dominante se originou na Escola “História das Religiões”. Essa perspectiva do século 19 considerava que a religião monoteísta era originária das classes mais baixas da sociedade primitiva, da criação do xamanismo tribal como um meio de afirmar o poder sobre os mais fisicamente ou socialmente poderosos.[4] Essas crenças xamanísticas teriam evoluído para o politeísmo, em seguida para o henoteísmo e, eventualmente, para o monoteísmo. A Escola baseou sua visão na semelhança religiosa de culturas antigas e procurou encaixar todos os dados em um paradigma linear, evolutivo. Dentro desse paradigma, as narrativas do Gênesis tornaram-se “apenas” mais um mito ao lado dos mitos de outras culturas antigas. No início do século 20, os estudiosos começaram a criticar o quanto exatamente certas crenças se encaixam dentro desse paradigma. Eventualmente, a visão acadêmica predominante se desviou do modelo linear, embora a interpretação da narrativa do Gênesis “apenas” como mais um mito da criação continue a prevalecer.

A razão disso?  Há semelhanças óbvias entre Gênesis e outras histórias antigas e modernas das origens. Os estudiosos que mantêm esse ponto de vista têm apresentado as semelhanças como as características mais essenciais do Gênesis e as diferenças como aspectos secundários e não essenciais das narrativas. Mas e se isso for um equívoco? E se as diferenças forem os aspectos essenciais no Gênesis e na visão de mundo do Antigo Testamento? E se Gênesis e outras histórias do Antigo Oriente forem semelhantes da mesma maneira que minha minivan KIA e uma Ferrari são semelhantes? “Ei, ambas têm rodas e um volante, portanto, a Ferrari é ‘apenas’ um outro tipo de carro. Quer trocar?” Parece-me que em Gênesis, como na venda de automóveis, as diferenças são muito mais significativas do que as semelhanças.

John Oswalt, professor de Hebraico e Estudos do Antigo Testamento no Seminário Teológico de Asbury, fez essa defesa recentemente em seu livro The Bible Among the Miths (A Bíblia Entre os Mitos). Ele se baseia em trabalhos mais antigos de G. E. Wright, da Universidade de Harvard, para apresentar sua tese, alegando que o trabalho de Wright ainda permanece como uma crítica eficiente da visão predominante.[5] Uma vez que os dados do Oriente Antigo não se alteraram significativamente em quase 70 anos, Oswalt afirma que a principal razão por trás da persistência da visão reducionista não são os dados em si, mas “convicções teológicas e filosóficas anteriores”, sustentadas por aqueles que militam nesse campo.[6] O livro é dividido em duas seções: a primeira discute a Bíblia e o gênero dos mitos antigos; a última discute a escrita da Bíblia e da história antiga. Embora ambos os temas sejam altamente relevantes para a apologética cristã, este último tem sido mais plenamente abordado em outros lugares e, assim, este artigo, em grande parte, se concentrará na primeira seção e suas implicações para a tarefa apologética.[7]

A primeira seção faz uma boa introdução para os vários significados contemporâneos de mito: o sentido etimológico, que salienta a “falsidade da coisa que está sendo descrita”;[8] o sociológico, que destaca se o grupo vê ou não algo como verdade, mas ignora ou não se a coisa é realmente verdade; o literário, que significa simplesmente uma certa maneira de escrever; o fenomenológico, que destaca as características comuns dos escritos que têm sido chamado de mitos. Oswalt passa a maior parte de sua escrita neste último significado, pois este é o sentido frequentemente utilizado em estudos bíblicos. Ele mostra que os defensores dessa visão procuram definir mito como aquilo que busca relacionar o natural com o humano, o ideal com o real, o pontual com o contínuo. Após a análise desses pontos de vista, ele conclui, mostrando que um dos aspectos essenciais de definições descritivas ou fenomenológicas do mito é o que ele chama de “continuidade” ou “correspondência”; “que todas as coisas são contínuas umas com as outras”.[9]

Esse pressuposto central de continuidade explica a quase universal atribuição antiga de características humanas ao mundo natural. Ele explica o quadro cíclico através do qual a maior parte do mundo antigo via a realidade, para não mencionar a crença de que a reconstituição dos mitos traz satisfação presente para aqueles que o reconstituem. Após essa análise, Oswalt faz esta afirmação provocativa sobre a relação da Bíblia com esse mundo dos mitos:

“Assim, o mito é uma forma de expressão, seja literária ou oral, em que as continuidades entre os reinos humano, natural e divino são expressas e concretizadas. Ao reforçar essas continuidades, o mito busca assegurar o funcionamento ordenado da natureza e da sociedade humana. O fato é que a Bíblia tem um entendimento completamente diferente da existência e das relações desses reinos. Como resultado, ela funciona de forma inteiramente diferente. Suas narrativas não convertem a realidade divina contínua fora do mundo invisível real em uma reflexão visível dessa realidade. Pelo contrário, são um ensaio dos atos não repetíveis de Deus em um tempo e espaço identificável, em concerto com os seres humanos […] Sua finalidade é provocar escolhas e comportamentos humanos por meio da memória. Nada poderia estar mais longe do propósito de um mito. O que quer que seja a Bíblia, verdadeira ou falsa, ela não é mito.”

Oswalt não acredita que a visão reducionista da Bíblia possa ser mantida, e argumenta apaixonadamente contra a ideia de ver a Bíblia como apenas mais um mito, primeiramente por descrever a perspectiva de continuidade que subjaz a outras literaturas do Antigo Oriente Próximo. Oswalt define a continuidade subjacente aos mitos como “a ideia de que todas as coisas que existem são partes umas das outras […] sem distinções fundamentais entre os três reinos: a humanidade, a natureza e o divino”.[10] Tudo coexiste nessa visão de mundo. Os ídolos são símbolos dos deuses, mas, em um sentido muito real, são os deuses. Tempestades são a ação dos deuses. A reconstituição sexual humana da suposta atividade sexual dos deuses inspira a produção agrícola na realidade. Cada reino é contínuo e conectado. Nessa visão de mundo, “o criador de mitos racionaliza da realidade dada para o divino”.[11]

Oswalt dá uma variedade de características comuns de uma visão de mundo fundada na continuidade. Primeiro, essa visão enfatiza a realidade presente em detrimento do passado e do futuro. As histórias das origens não são contadas para enfatizar o que aconteceu, em si, mas para explicar a situação atual com sua complexidade de relações. Segundo, ela confunde a imagem e o real. Assim, o deus por trás do ídolo se confunde com a manifestação do deus na imagem do(s) ídolo(s). A fonte unificadora divina por trás dos deuses não pode ser facilmente distinguida da manifestação dos deuses. Terceiro, ela enfatiza símbolos naturais. A partir de uma perspectiva de continuidade, isso faz sentido, já que o que acontece na natureza representa e afeta tanto a esfera humana como a divina. Quarto, ela valoriza a magia. Oswalt define magia como a capacidade de “realizar algo no reino divino, […] fazendo uma coisa semelhante no reino humano”.[12] Nessa perspectiva, a prostituição no culto dos povos do Antigo Oriente é uma afirmação teológica sobre a natureza da realidade. A ação sexual humana produzia prole e, em uma visão de mundo de continuidade, tal ação teria sido pensada para inspirar a ação sexual da divindade a fim de produzir a colheita. Finalmente, uma visão de mundo de continuidade inerentemente nega os limites. Uma vez que tudo se conecta e está inter-relacionado, não se pode esperar encontrar limites distintos entre as coisas. Portanto, não é surpresa encontrar prostituição, bestialidade, incesto e outros tipos de comportamento sexual, já que essa perspectiva inerentemente rejeita os limites.

Com base nessas características subjacentes a uma visão de mundo de continuidade, Oswalt apresenta as seguintes características do mito, tanto como deduções lógicas dessa cosmovisão quanto como características comuns de mito do Antigo Oriente: o politeísmo, a idolatria, a eternidade da matéria caótica, uma negação da personalidade individual, uma baixa visão do divino e do humano, a visão de conflitos como uma fonte de vida, a não existência de um padrão único para a ética e um conceito cíclico da existência. Cada uma dessas características provém claramente dos pressupostos subjacentes citados acima. Oswalt deixa claro que essa perspectiva não era apenas típica do Antigo Oriente, mas quase universal, incluindo os gregos e os romanos, os hindus e várias outras religiões asiáticas. Ele afirma que se “o homem pode descobrir a realidade última através da extrapolação de sua própria experiência […] [então ele vai chegar], por todo o mundo, a um entendimento muito semelhante da realidade”.[13] Neste ponto, deve ficar claro que essas perspectivas não são universais, e as exceções são óbvias: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, cada qual a sustentar um entendimento radicalmente diferente da realidade. Mas de onde vem esse entendimento, senão de sua fonte de literatura comum, ou seja, a Bíblia hebraica?

Nesse ponto, eu tenho que admitir um preconceito pessoal em favor da perspectiva de Oswalt. Sempre que começava a fazer estudos bíblicos, eu o fazia em uma conceituada universidade protestante. Os professores falavam de Gênesis como sendo mítico e compartilhando incontáveis características ​​com os mitos do Antigo Oriente. Dessa forma, assumi a verdade de suas declarações. Devo admitir, porém, que foi chocante quando realmente comecei a ler a literatura do Antigo Oriente. As diferenças eram profundas e muitas das semelhanças sugeridas pareciam ad hoc. Considerando que eu podia entender algumas dessas semelhanças como polêmicas veladas contra outras literaturas do Antigo Oriente, ver as narrativas do Gênesis como uma progressão originária desses escritos parecia (e continua a parecer) impossível. Por quê? Oswalt faz um trabalho maravilhoso ao delinear a perspectiva do Antigo Testamento sobre as origens, para mostrar o quão distinta é essa visão de mundo em comparação com a visão de mundo de outros escritos do Antigo Oriente.

Considerando que os mitos do Antigo Oriente projetam uma visão de mundo de continuidade, Oswalt argumenta que a Bíblia apresenta uma visão de mundo de transcendência e de revelação. Ele enumera as características comuns do “pensamento bíblico” como o monoteísmo, a iconoclastia, a prioridade espiritual sobre o material, uma criação através de processo, uma visão elevada de Deus e da humanidade, uma visão redefinida da ética sexual (dessacralização), a proibição de magia, uma demanda por obediência ética e a importância da interação de Deus com a humanidade na história. Claramente, essas distinções são incompatíveis com a visão de mundo de continuidade descrita acima. Cada uma delas decorre do pressuposto básico de que há um Deus transcendente, fora e além da criação, o que alguns teólogos chamam de distinção Criador-criatura. Esse Deus não pode ser manipulado por magia, nem pode ser representado por qualquer coisa dentro de Sua criação, quer seja um ídolo quer seja a própria natureza. Se Ele Se revelar, Seus comandos serão inalteráveis ​​e definirão os limites para a existência dentro da criação, etc. Uma vez que a Bíblia hebraica fortalece essa visão de mundo, não é surpreendente ver que ideias típicas do Antigo Oriente, como o culto da fertilidade, a idolatria e a divindade de coisas finitas sejam totalmente rejeitadas.

Quais são as implicações dessas distinções de Oswalt para a apologética cristã? Primeiro, chamar as narrativas do Gênesis de mito requer redefinir o termo “mito” de uma forma que o torna de nenhum valor. Em segundo lugar, isso significa que as diferenças entre a Bíblia e os mitos do Antigo Oriente são mais relevantes do que as semelhanças. Oswalt mostra que há muitas semelhanças, mas há descontinuidade na forma como essas formas, ideias semelhantes são usadas ​​entre a Bíblia hebraica e literatura do Antigo Oriente. Ele diz: “[A Bíblia] não é única porque não faz parte do seu mundo, nem é única porque seus escritores eram incapazes de relacionar aquilo que eles dizem com seu mundo. […] Ao contrário, ela é única justamente porque, sendo uma parte de seu mundo e utilizando conceitos e formas de seu mundo, pode projetar uma visão da realidade diametralmente oposta à visão desse mundo.”[14]

Referências:

  1. Há uma série de livros que desconstroem esse tipo de reducionismo, alguns remontando ao início do século 20, como os clássicos The Everlasting Man, de G. K. Chesterton, e The Abolition of Man, de C. S. Lewis. Contribuições mais recentes têm praticamente eliminado qualquer plausibilidade do autêntico reducionismo materialista. Ver, por exemplo, Mind and Cosmos, de Thomas Nagel, ou Darwin’s Pious Idea, obra magistral de Conor Cunningham. Um de meus favoritos é Life is a Miracle, de Wendell Berry.
  2. Postagem no blog de Rachel Held, “Can God speak through myth?” (Pode Deus falar através de mito?), encontrada em: http://rachelheldevans.com/blog/bible-myth
  3. Peter Enns era abertamente evangélico no momento da publicação de seu livro, mas desde então tem adotado uma postura mais agnóstica em relação a muitas doutrinas evangélicas, rejeitando outras. Seu ponto de vista atual parece ser mais bem definido como pós-evangélico, embora tal classificação seja bastante abrangente.
  4. O pensamento seguiu em grande parte a perspectiva conjecturada de Nietzsche em On the Genealogy of Morality(Sobre a Genealogia da Moral). Para a Escola, e para Nietzsche, as origens da religião e da moralidade dos escravos estão intimamente ligadas.
  5. O livro de Wright, The Bible Against Its Environment(A Bíblia Contra seu Ambiente), critica a ideia evolutiva, defendendo a unicidade do texto bíblico e sua visão de mundo contra outras literaturas e perspectivas do Antigo Oriente Próximo.
  6. João Oswalt, The Bible Among the Myths(A Bíblia Entre os Mitos), Kindle ed. Harper Collins, 2010, loc. 101. As histórias de criação do Antigo Oriente Próximo da “biblioteca” ugarítica foram encontradas principalmente entre 1928 e 1958; o Enuma Elish foi encontrado em 1849, assim como também o Atrahasis; a Epopeia de Gilgamesh, em 1853, com muitas das histórias egípcias sendo conhecidas ainda mais cedo.
  7. Uma contribuição recente que vale a pena ler é Do Historical Matters Matter to Faith?(Questões Históricas Importam Para a Fé?),  editado por James Hoffmeier e Dennis Magary.
  8. Oswalt, loc. 406.
  9. Ibid., loc. 579.
  10. Ibid., loc. 660.
  11. Ibid., 700.
  12. Ibid., 782.
  13. Ibid., loc. 893. Alguns têm argumentado recentemente que o ateísmo contemporâneo também se encaixa nesse paradigma contínuo, em que a matéria é eterna e caótica (sem finalidade última originária, como uma bolha no vácuo quântico), e os poderes da realidade são reduzidos às forças brutas da natureza. Ver este artigo recente de Ben Suriano, “On what could rightly pass for a fetish (Sobre o que poderia passar certamente por um fetiche), encontrado aqui
  14. Ibid., loc. 1.700.

Fonte: Kyle Essary (apaixonado pelo estudo das Escrituras, especialmente do Antigo Testamento. Ele e sua família vivem no sudeste da Ásia, onde se esforçam para servir Àquele para quem o Antigo Testamento aponta) em Apologetics 315. Traduzido e publicado por Ler Para Crer.

Seria Deus um “monstro moral”?

moralmonster1Paul Copan (Ph.D, Marquette University) é professor de Filosofia e Ética na Palm Beach University, na Flórida, EUA. É autor e editor de dezenas de livros na área de apologética cristã e filosofia da religião. Além de diversos artigos publicados em importantes publicações na área de filosofia, como a Philosophia Christi, ele também é membro da Evangelical Society of Philosophy. Is God a Moral Monster? é uma resposta para as diversas acusações contra o caráter de Deus como exposto nas páginas do Antigo Testamento, principalmente da parte dos chamados neoateus. Com a publicação da obra Deus, um Delírio, de Richard Dawkins (2005), e Letter to a Christian Nation, de Sam Harris (2007), o Antigo Testamento começou a ser visto pelo público secularizado como uma mola propulsora para a violência e a intolerância. Tópicos ali encontrados como homofobia, genocídio, machismo e fundamentalismo religioso são alguns dos motivos – aparentemente verdadeiros – que têm levado muitos a rejeitar qualquer princípio ético das páginas das Escrituras Hebraicas.

Apesar de Copan não ser um especialista em Antigo Testamento (AT) e documentos do Antigo Oriente Médio (AOM), sua obra foi classificada por Richard Davidson, do departamento de AT da Andrews University, em Michigan, EUA, como “a mais poderosa e coerente defesa do caráter de Deus no AT diante dos ataques dos neoateus” (p. ii), e de “a melhor defesa da ética do Antigo Testamento” (p. i), por Gordon Wenham, professor emérito de AT na University of Gloucestershire.

A obra está dividia em quatro partes. Na primeira (p. 13-24), Copan oferece um breve histórico sobre o movimento conhecido como neoateísmo, bem como suas críticas à religião bíblica. Já na segunda (p. 25-54), são abordados tópicos como a suposta arrogância e o ciúme de Deus em Sua aliança com Israel. Além desses assuntos, Gênesis 22 – um capítulo que tem sido muito utilizado para descrever a “brutalidade” de Yahweh – também foi analisado à luz do contexto do Antigo e do Novo Testamentos.           

A terceira seção (p. 55-206) é a principal do livro, onde tópicos mais espinhosos são abordados, tais como Heiligkeitsgesetz, o Código de Santidade (Levítico 17-26), no qual, inclusive, encontramos leis relacionadas com práticas homossexuais; as leis que regulamentavam a escravidão em Israel; e a questão da matança dos cananeus. Paul Copan fez um excelente trabalho comparando material bíblico disponível nas páginas do AT com documentos de povos do AOM trazidos à luz pelas descobertas arqueológicas dos últimos 200 anos.           

Já a quarta e última seção (p. 209-222) lida com o fundamento teísta para a moralidade humana. Além de apresentar a fragilidade de uma noção de certo e errado sem um Ser transcendente, Copan ainda apresenta brevemente como o cristianismo foi responsável por revolucionar o mundo ocidental graças a importantes contribuições humanitárias, filosóficas, literárias, artísticas e até musicais, uma resposta sutil ao subtítulo da obra do ateu Christopher Hitchens, deus não é Grande: Como a Religião Envenena Tudo (2007).

Gostaria de destacar dois pontos que ressaltam a importância da obra de Copan. Primeiro, a constante comparação entre diversas práticas do AT com práticas legais de diversos povos do AOM. Para muitos leitores não treinados nesse ramo de estudo, o trabalho de Copan surge como uma excelente ferramenta para a constatação de uma faceta mais humanitária de Israel em contraste com os povos da Mesopotâmia, Canaã e até o próprio Egito.       

A título de ilustração, Copan fez amplo uso da literatura conhecida sobre as leis que regulamentavam a escravidão em Israel (Êx 21), e a apresentou nos capítulos 12-14. Desde códigos de leis hititas, passando por documentos cananitas do 2º milênio a.C., até uma análise minuciosa do texto hebraico do AT, percebe-se entre os israelitas um caráter mais humanitário quanto à escravidão. Na lei mosaica, sequestrar alguém para ser vendido como escravo era um crime punido com pena capital (Êx 21:16). Um escravo hebreu deveria trabalhar apenas seis anos para pagar sua dívida, sendo liberto no sétimo ano sem pagar nada (Êx 21:2). Além disso, ele deveria receber do seu proprietário alguns animais e alimentos para começar a vida novamente (Dt 15:13, 14). Durante seu período de serviço, o(a) escravo(a) teria um dia de folga semanal, o sábado (Êx 20:10). Não só isso, mas em Israel, o escravo e seu senhor eram tratados em pé de igualdade (cf. Jó 33:15, 16). Um avanço humanitário significativo e totalmente desconhecido até aquele momento em todo o território do AOM.

Segundo, é a apresentação do ambiente social e religioso de Canaã durante o 2º e o 1º milênio a.C. Práticas como sacrifícios humanos, prostituição, incesto e zoofilia eram ingredientes comuns naquelas culturas. Tais atividades são examinadas com atenção pelo autor e são apresentadas como motivos reais para o “genocídio” cananeu. Digno de nota são suas considerações sobre a “retórica exagerada no Antigo Oriente Médio” (p. 169-185), onde o autor argumenta, citando diversos documentos arqueológicos, que a linguagem de completa destruição (heb. herem) não era tão completa assim.           

Finalmente, existe um tópico que demonstram certa fragilidade argumentativa do autor. Nas páginas 79-81, Copan faz menção das leis dietéticas de Levítico 11, a distinção de animais puros e impuros. O autor fez uso de Marcos 7:19 e Atos 10:10-16 para afirmar que no Novo Testamento todos os alimentos são puros. Ora, o assunto em Marcos 7 é ahalakah, a tradição dos anciãos, e não as leis de saúde de Levítico 11. Já em Atos 10, o assunto não é alimentação, mas, sim, o preconceito que os judeus nutriam contra os gentios (cf. At 11). O autor demonstrou estar bem familiarizado com publicações de eruditos adventistas como Richard Davidson, Roy Gane e Barna Magyarosi. Sendo assim, ele poderia ter levado em consideração a tese doutoral de Jirí Moskala, “The Laws of Clean and Unclean Animals of Leviticus 11: Their Nature, Theology, and Rationale (An Intertextual Study)” (Adventist Theological Society Publications, 2000). Sua compreensão de Levítico 11 poderia ser mais equilibrada, se essa obra tivesse sido consultada.

Além de uma bem documentada referência bibliográfica, o livro contém um guia de estudo para cada um dos seus capítulos, tornando-se uma ferramenta útil para grupos de estudo, seminários em igrejas e aulas para alunos do ensino médio.

Fonte: Luiz Gustavo Assis via Criacionismo.

Hipatia e a ignorância histórica (não só de Hollywood…)

(Traduzido do inglês para o português de Portugal!)

Parece que alguns mitos pseudo-históricos sobre a História da ciência estão em vias de receber uma injecção no braço, muito graças a um novo filme com o nome “Agora”, do realizador Chileno Alejandro Amenabar. Normalmente, eu ficaria contente por haver alguém que faz um filme centrado em eventos do século 5º (pelo menos um que não seja outra fantasia ao estilo do “Rei Artur”). Afinal, não se dá o caso de haver uma falta de histórias memoráveis dessa altura para contar.

E normalmente eu ficaria ainda mais contente se eles se dessem ao trabalho de fazer as coisas de modo a que realmente tivessem a aparência do século 5º, em vez de assumirem que, como os eventos ocorrem dentro do Império Romano, todas as pessoas têm que andar de togas, ter cortes de cabelo e lorica segmentata. E eu ficaria especialmente contente se eles não só estivessem a fazer estas duas coisas, mas tivessem também Rachel Weisz no papel principal visto que ela é uma excelente actriz e, convenhamos, é bem bonita.
Então porque é que eu não estou contente? Porque Amenabar escolheu escrever e dirigir um filme em torno da filósofa Hipatia, e perpetuar alguns mitos veneráveis do Iluminismo ao transformá-los numa história em torno da ciência versus fundamentalismo.Como ateu, claramente não sou fã do fundamentalismo – mesmo da variedade com 1500 anos (embora as manifestações modernas tendem a ser aquelas que nós temos que manter um olhar mais atento).
E como um historiador da ciência amador, fico mais do que contente com a ideia dum filme que passa a mensagem de que, sim, havia uma tradição de pensamento científico antes de Mewton e de Galileu. Mas Amenabar pegou na (sem dúvida, fascinante) história do que ocorria em Alexandria durante a vida de Hipatia e transformou-a numa desenho animado, distorcendo a História durante este processo.O que se segue foi retirado da conferência de imprensa feita de forma a coincidir com a exibição do filme em Cannes esta semana:
Desempenhada pela actriz Britânica vencedora dum Óscar, Rachel Weisz, no filme Hipatia é perseguida pelo facto da sua ciência colocar em causa a fé Cristã, como também pelo facto do seu estatuto como uma mulher influente. Desde confrontos sangrentos até aos massacres, a cidade descende para um estado de contenda intra-religiosa, e os Cristãos vitoriosos viram as suas costas ao rico legado cientifico defendido por Hipatia.
Portanto, é-nos dada a teoria de que Hipatia foi vítima de perseguição e, assumo eu, morta por causa da “sua ciência . . . ao colocar em causa a fé Cristã”. E porquê ter um filme com apenas um mito histórico quando se pode ter um filme com dois mitos históricos? “Agora” começa com a destruição da segunda Biblioteca de Alexandria, levada a cabo por Cristãos e por Judeus – depois da primeira famosa Biblioteca ter sido destruída por Júlio César.
Pelo menos ele fez o seu trabalho de casa de modo suficiente para se aperceber que o declínio da Grande Biblioteca foi um deteriormento longo e lento – e não um evento catastrófico singular. Mas mesmo assim, ele agarra-se ao mito de Gibbon de que uma turba Cristã foi de alguma forma responsável. E de uma forma inteligente, ele inventa uma “segunda biblioteca de Alexandria” de modo a que ele possa responsabilizar os Cristãos.
Naturalmente, tudo isto tem uma moral inevitável:
O director disse também que ele via o filme como uma parábola da crise na Civilização Ocidental. “Digamos que o Império Romano são os Estados Unidos de agora, e Alexandria é o que a Europa é hoje – a antiga civilzação e o antigo background cultural. E o império está em crise, crise que afecta todas as provincias. Estamos a falar duma crise social, crise económica, obviamente, e crise cultural. Algo não se ajusta na nossa sociedade. Sabemos que algo irá mudar – não sabemos bem o quê ou como, mas sabemos que algo está a chegar ao fim.”
Os limites desta analogia não são bem claros. Se a Europa é Alexandria e os EUA são Roma, quem é Hipatia? E quem são os fundamentalistas assassinos? Suspeito que a resposta seja “os Muçulmanos”. O artigo do jornal La Times sobre a exibição do filme parece ser dessa opinião:
O filme é ainda mais convincente quando Amenabar revela a civilização de Alexandria, outrora estável, a ser sobrepujada pelo fanatismo (provavelmente porque os zelotas Cristãos, barbudos e vestidos com robes pretos que roubam a Biblioteca e ocupam a cidade, terem uma inquietante semelhança com os ayatollas e os Talibás de hoje).
Por mais longe que Amenabar queira avançar com a sua parábola, a sua mensagem geral é clara – Hipatia era a racionalista e a cientista e foi morta por fundamentalistas que se sentiam ameaçados com o conhecimento e com a ciência; e isto deu início à Idade das Trevas.
HIPATIA O MITO
Hypatia_2

Não se dá o caso de haver algo de novo ou original nisto – há já algum tempo que Hipatia tem sido usada como uma mártir pela ciência por aqueles que não querem de maneira nenhuma estar associados com uma apresentação correcta da História. Tal como Maria Dzielska detalhou no seu estudo de Hipatia, na história e como mito, “Hipatia de Alexandria“, virtualmente todas as eras desde a sua morte que ficaram a saber da história, apropriaram-se dela e fizeram as coisas de modo a que esta história servisse para algum propósito polémico.
Perguntam quem foi Hipatia e irão algo do tipo “Ela era aquela filósofa pagã que foi rasgada em pedaços por monges (ou, de uma forma mais geral, por Cristãos) em Alexandria, no ano de 415”. Esta resposta padrão irá basear-se não em fontes antigas, mas sim em literatura histórica e de ficção . . . A maior parte destes trabalhos representam Hipatia como uma vítima inocente do fanatismo nascente do Cristianismo, e o seu assassinato como uma proibição da liberdade de investigação (Dzielska, p. 1)
Se alguém me perguntasse isto quando eu tinha 15 anos, provavelmente esta seria a minha resposta visto que eu tinha ouvido falar de Hipatia largamente graças ao astrónomo Carl Sagan e da sua série de TV “Cosmos”. Ainda tenho um fraco tanto por Sagan como pela série “Cosmos” visto que – tal como muitos jovens da altura – despertou o meu amor não só pela ciência, mas para uma tradição humanista da ciência e pela perspectiva histórica do assunto que a tornou muito mais acessível para mim do que fórmulas secas.
Mas as popularizações de qualquer tópico podem criar impressões erradas, mesmo quando o escritor está bem seguro do seu material. E embora Sagan fosse, normalmente, bastante sólido na sua ciência, a sua história era distintivamente mais vacilante, especialmente quando ele tinha um ou mais carrinhos de mão para empurrar.
O capítulo final do livro “Cosmos” é onde Sagan empurra alguns carrinhos de mão. De modo geral, o seu objectivo era admirável – ele ressalva a fragilidade da vida e da civilização, faz algumas condenações à proliferação nuclear – muito relevante e bem sensível nas profundezas da Guerra Fria dos anos 80 – e faz um apelo racional e humanista para a conservação da visão a longo termo para a Terra, para o ambiente e para a nossa herança intelectual. É por esta altura que ele conta a história de Hipatia como uma parábola de advertência; uma história que ilustra o quão frágil a civilização é e o quão facilmente ela pode sucumbir perante as forças da ignorância e da irracionalidade.
Depois de descrever as glórias da Grande Biblioteca de Alexandria, ele nomeia Hipatia como a sua “última cientista”. Ele ressalva então que o Império Romano se encontrava em crise e que “a escravatura havia enfraquecido a antiga civilização da sua vitalidade”; isto não deixa de ser um comentário curioso se levarmos em conta que o mundo antigo sempre se fundamentou na escravatura, o que torna difícil ver como foi que esta instituição subitamente começou a “enfraquecer” a sua “vitalidade” no século Quinto. Depois disto, ele chegou ao ponto principal da sua história:
Cirílo, o Arcebispo de Alexandria, despreza Hipatia devido à sua amizade próxima com o governador Romano, e porque ela era um símbolo de aprendizagem e ciência que se encontrava largamente identificada por parte da igreja primitiva com o paganismo. Correndo um grande risco pessoal, ela continuou a ensinar e a publicar, até que no ano 415, enquanto caminhava para o seu local de trabalho, foi emboscada por uma multidão fanática de paroquianos de Cirilo. Eles arrastaram-na para fora da sua carruagem, tiraram as suas roupas, e, armados com conhas de abalone, esfolaram a carne dos seus osos. Os seus restos mortais foram enterrados, o seu trabalho destruído, e o seu nome esquecido. Cirílo foi santificado. (Sagan, página 366)
Palpito que não fui o único leitor impressionável que achou esta história comovente. Um leitor do estudo de Dzielska, que refuta a versão que Sagan propaga, escreveu um comentário esbaforido na Amazon.com onde declarou:
Cheguei ao conhecimento de quem foi Hipatia através da série de televisão “Cosmos”, de Carl Sagan. Ela foi frequentemente representada como um pilar da sabedoria numa era de dogma crescente. Ao contrário de Sócrates, sabemos muito menos sobre ela, sobre a sua vida e os seus ensinamentos. Ela é lembrada precisamente como uma mártir que foi sacrificada e não executada por uma multidão Cristã literalista inspirada pelo “São” Cirílo visto que aparentemente ela era vista por parte de algumas figuras religiosos e políticas como uma ameaça para o Cristianismo e para a teologia.
Isto na verdade leva-me a questionar se eles chegaram a ler o livro de Dzielska.
Embora Sagan seja o mais conhecido propagandista da ideia de que Hipatia era uma mártir da ciência, ele apenas estava a seguir uma venerável tradição polémica que tem as suas origens no livro de Gibbon “Declínio e Queda do Império Romano”:
Espalhou-se um rumor entre os Cristãos de que a filha de Theom era o único obstáculo para a reconciliação do prefeito com o arcebispo; e esse obstáculo foi rapidamente removido. Nesse dia fatal, na temporada de santa do Quaresma, Hipatia foi arrancada da sua carruagem, despida, arrastada para a igreja, e chacinada de forma desumana às mãos de Pedro o Declamador e uma tropa de fanáticos selvagens e impiedosos; a sua carne foi raspada dos seus ossos com conchas afiadas de ostras e os seus membros trémulos entregues às chamas.
Tal como Gibbon, Sagan faz uma ligação entre a história do assassinato de Hipatia com a ideia de que a Grande Biblioteca de Alexandria foi incendiada por outra multidão Cristã. De facto, Sagan apresenta os dois eventos como se eles tivessem sido subsequentes, declarando que “Os últimos vestígios [da Biblioteca] foram destruídos pouco depois da morte de Hipatia” (p. 366) e que “quando a multidão chegou . . . para incendiar a Biblioteca não havia ninguém para os impedir.” (p. 365)
Nas mãos de Sagan e de outros, tanto a história de Hipatia como a destruição da Biblioteca são contos de advertência sobre o que pode acontecer se baixarmos a guarda e permitir que os fanáticos destruam os defensores e repositores da razão.

A GRANDE BIBLIOTECA E OS SEUS MITOS.
Hypatia_Biblioteca

Sem dúvida que esta é uma parábola poderosa. Infelizmente, ela não está de acordo com a história tal como ela ocorreu. Para começar, a Grande Biblioteca de Alexandria já não existia durante a época de Hipatia. Não é bem claro quando e como ela foi destruída, embora o fogo causado pelas tropas de Júlio César em 48 Antes de Cristo seja a causa mais provável. É também bem mais provável que este e outros fogos tenham feito parte do longo processo de declínio e degradação da colecção.
Curiosamente, dado que sabemos tão pouco sobre ela, a Grande Biblioteca de Alexandria há já muito tempo que tem sido o foco de algumas fantasias bem criativas. A ideia de que continha 500,000 ou 700,000 livros é frequentemente repetida pelos escritores modernos sem qualquer ponta de espírito crítico, embora comparações com o tamanho de outras bibliotecas antigas e estimativas em torno do tamanho necessário para a contenção duma colecção de tais dimensões tornem tal cenário pouco provável. É bem mais provável que ela tivesse cerca de 1/10 dos livros, embora continuasse a ser, de longe, a maior Biblioteca do mundo antigo.
A ideia de que a Grande Biblioteca ainda existia no tempo de Hipatia e que, como ela, foi destruída por uma multidão de Cristãos, foi popularizada por Gibbon, que nunca deixou que a História perturbasse os seus ataques ao Cristianismo. Mas Gibbon tinha em mente um templo conhecido como Serapeum, que não era de todo a Grande Biblioteca. Parece que a dada altura Serapeum tinha uma biblioteca e esta era “filha” da antiga Grande Biblioteca. Mas o problema com a versão de Gibbon é que nenhum relato da destruição de Serapeum por parte do Bispo Teófilo em 391 AD faz menção duma livraria de qualquer livro, apenas a destruição de objectos pagãos e objectos de culto:
Após solicitação de Teófilo, Bispo de Alexandria, o Imperador emitiu uma ordem para a demolição dos templos pagãos da cidade; comandou também que isso fosse levado a cabo sob direcção de Teófilo. Aproveitando esta oportunidade, Teólfilo esforçou-se ao máximo para revelar os mistérios pagãos e causar a que eles fossem alvo de desprezo. Para começar, ele causou a que o Mithreum fosse limpo e exibiu ao público os símbolos dos seus mistérios sangrentos. Depois disso, ele destruiu o Serapeum, sendo os rituais sangrentos do Mithreum posteriormente caricaturados por ele; o Serapeum foi também revelado como cheio de superstição extravagante, e ele causou a que os falos de Príapo fossem transportados pelo meio do fórum. Depois de finalizado este distúrbio, o governador de Alexandria, e comandante supremo das tropas no Egipto, ajudou Teófilo na destruição dos templos pagãos (Socrates Scholasticus, Historia Ecclesiastica, Bk V)
Mesmo os relatos hostis ao Cristianismo, tal como o de Eunápio de Sardes (que testemunhou a demolição), não fazem qualquer referência a qualquer biblioteca ou a livros a serem destruídos. E Amiano Marcelino, que aparentemente visitou Alexandria antes de 391, descreve o Serapeum e menciona que, no passado, ele havia tido uma biblioteca, indicando que por altura da sua destruição já não tinha. A realidade dos factos é que, com não menos do que 5 fontes independentes a mencionar o evento, a destruição do Sarapeum é um dos eventos melhor certificados de toda a história antiga. No entanto, nada é dito sobre a destruição de qualquer livraria ao mesmo tempo que o templo era destruído.
Mesmo assim, o mito duma multidão Cristã a destruir a “Grande Biblioteca de Alexandria” é demasiado suculento para ser resistido por alguns. Devido a isso, o mito permanece como um esteio para a argumentação de que “o Cristianismo causou a Idade das Trevas”, apesar deste alegação não ter qualquer tipo de suporte. Parece que Amenabar também não conseguiu resistir – e é por isso que uma das cenas iniciais do filme mostra uma ansiosa Hipatia lutando para salvar preciosos pergaminhos antes que uma multidão aos gritos empunhando cruzes irrompesse pela porta trancada para destruir a que foi chamada de “a segunda Biblioteca de Alexandria” (presumivelmente ele fala do Serapeum). Isto ocorre bem no princípio do filme, aparentemente preparando as coisas para um conflito entre a ciência e a religião que termina com o assassinato de Hipatia. Sagan, por outro lado, coloca a destruição da Biblioteca depois do seu assassinato.
Na verdade, parece que tal destruição nunca aconteceu nem durante a sua vida e nem depois da sua vida – e que toda a ideia simplesmente é parte duma parábola mítica.

A HIPATIA DA HISTÓRIA
Hypatia_3

A verdadeira Hipatia foi filha de Theon, que ficou conhecido pela sua edição dos “Elementos” de Euclídes, e pelos seus comentários de Ptolomeu, Euclídes e Arato. O ano do seu nascimento é normalmente identificado como 370 AD, mas Maria Dzielska alega que isto são 15-20 anos demasiado tarde e sugere que 350 AD como o ano mais acertado. Isto faria com que ela tivesse 65 anos quando foi assassinada e desde logo o seu papel provavelmente deveria ter sido desempenhado por Helen Mirren e não Rachel Weisz. Mas isso dificultaria a venda do filme.
Ela cresceu e passou a ser uma estudiosa renomeada por mérito próprio. Ela parece ter ajudado o seu pai na sua edição de Euclídes e na edição do “Almagesto” de Ptolomeu, bem como escrevendo comentários sobre a “Aritmética” de Diofanto e as “Cónicas” de Apolónio. Tal como a maioria dos filósofos naturais do seu tempo, ela adoptou as ideias neo-Platónicas de Plotino e como tal, o seu método de ensino cobriu uma vasta gama de pessoas – pagãos, Cristãos e Judeus.
Existem algumas sugestões de que o filme de Amenabar caracteriza Hipatia como ateísta, ou pelo menos totalmente irreligiosa, o que é altamente improvável. O Neo-Platonismo adoptava a ideia duma fonte perfeita e primária chamada “O Tal” ou “o Bem”, que, durante o tempo de Hipatia, estava em todos os aspectos totalmente identificado com o Deus do monoteísmo.
Ela era admirada por muitos e pelo menos um dos seus estudantes mais ardenntes foi o Bispo de Sinésio, que lhe dirigiu várias cartas chamando-a de “mãe, irmã, professora, e além disso benfeitora, e quem quer que seja honrado por nome ou por acto“, afirmando que “ela é a professora mais reverenciada” e descrevendo-a como aquela “que legitimamente preside os mistérios da filosofia” (R. H. Charles, The Letters of Synesius of Cyrene). O cronista Cristão citado em cima, Sócrates Escolástico, também escreveu dela admiradoramente:
Havia uma mulher em Alexandria chamada Hipatia, filha do filósofo Theon, que fez coisas grandes na literatura e na ciência, chegando até a ultrapassar os filósofos do seu tempo. Havendo sido bem sucedida na escola de Plato e Plotino, ela explicou os princípios de filosofia para os seus ouvintes, muitos deles provenientes de zonas distantes como forma de receberem as suas instrucções. Devido ao seu auto-domínio e à sua maneira calma, que ela havia adquirido em conseqüência do cultivo da sua mente, ela aparecia regularmente em público na presença de magistrados. E ela nem se sentia envergonhada por se fazer presente numa reunião de homens. Porque devido à sua dignidade e virtude, todos os homens a admiravam mais.(Socrates Scholasticus, Ecclesiastical History, VII.15)
Se ela, então, era admirada de tal forma, e respeitada pelos Cristãos eruditos, como foi que ela veio a ser assassinada por uma multidão de Cristãos? E mais importante ainda, será que o seu assassinato estava de alguma forma relacionado com o seu amor à ciência?
A resposta encontra-se no jogo político do princípio do século Quinto em Alexandria, e a forma como o poder dos Bispos Cristãos estava a começar a invadir o poder das autoridades civis da altura. O Patriarca de Alexandria, Cirílo, havia sido o protegido do seu tio Teófilo e tinha-lhe sucedido no bispado em 412 AD. Teófilo havia já feito a posição de Bispo de Alexandria uma posição poderosa e Cirílo havia continuado a sua política de expandir a influência da posição, invandido de modo incremental os poderes e os privilégios do Perfeito da cidade. Por essa altura, o Perfeito da cidade era outro Cristão, Orestes, que havia assumido o lugar pouco antes de Cirílo se tornar bispo.
Orestes e Cirílo rapidamente entraram em conflito devido as acções linha-dura contra as facções Cristãs mais pequenas tais como os Novacianos e a sua violência contra a enorme comunidade Judaica de Alexandria. Depois dum ataque por parte dos Judeus a uma congregação Cristã e a um pogrom retaliatório contra as sinagogas Judaicas liderado por Cirílo, Orestes queixou-se ao Imperador mas o seu pedido foi rejeitado. A tensão entre os apoiantes do Bispo e os apoiantes do Prefeito escalaram ainda mais numa cidade conhecida pelo governo das multidões e pela violência de rua politicamente motivada.
Por acaso ou por escolha, Hipatia deu por si no meio desta luta pelo poder por parte de duas facções Cristãs. Ela era bem conhecida por parte de Orestes (e provavelmente por parte de Cirílio) como uma participante proeminente na vida cívica da cidade, e era vista por parte da facção de Cirílo não só como uma aliada política de Orestes, mas também como um obstáculo para qualquer tipo de reconciliação entre os dois homens.
As tensões aumentaram ainda mais quando um grupo de monges dum mosteiro remoto do deserto – homens conhecidos pelo seu zelo fanático mas não identificados como pessoas com sofisticação politica – vieram à cidade em massa, como forma de apoiarem Cirílo, e deram início a tumultos que resultaram na comitiva de Orestes a ser apedrejada, com uma das pedras a atingir o Prefeito na cabeça. Não sendo alguém que aceitasse tais insultos, Orestes mandou que os monges em questão presos e torturados, o que levou à sua morte.
Cirílo tentou explorar a tortura e a morte dos monges, alegando que esse evento nada mais foi que um martírio por parte de Orestes. Deste vez, no entanto, os seus apelos às autoridades Imperiais foram rejeitados. Furiosos, os seguidores de Cirílo (com ou sem o seu conhecimento) vingaram-se, agarrando Hipatia na rua, como seguidora política de Orestes, torturando-a até à morte como vingança.
De modo geral, os Cristãos olharam para este evento com horror e com repulsa com Sócrates Scholasticus demonstrando de uma forma bem clara os seus sentimentos:

Hipatia foi vítima de inveja politica que existia por essa altura. Uma vez que ela tinha conversas frequentes com Orestes, foi reportado de um modo calunioso entre a população Cristã de que era ela quem impedia Orestes de se reconciliar com o bispo. Devido a isto, alguns deles apressaram-se no seu zelo feroz e fanático, cujo líder era Pedro o declamador, emboscaram-na enquanto ela voltava para casa, arrastaram-na da sua carruagem, levaram-na para a igreja chamada Caesareum onde eles a despiram e a mataram usando azulejos [conchas de ostras]. Depois de terem rasgado o seu corpo em pedaços, levaram os seus membros mutilados para um lugar chamado Cinaron, onde eles a queimaram.
Este incidente não deixou de trazer vergonha, não só para Cirílo mas para toda a igreja Alexandrina. Porque certamente nada está mais afastado do espírito do Cristianismo do que a permissão de massacres, lutas e transacções deste tipo. (Socrates Scholasticus, Ecclesiastical History, VII.15).
O que é notável nisto tudo é que em parte alguma a sua ciência ou o seu aprendizado são mencionados, excepto como base do respeito que ela recebia de pagãos e de Cristãos.
Sócrates Scholasticus termina descrevendo as suas façanhas e a estima que as pessoas tinham por ela, afirmando “Até ela foi vítima da inveja política que existia por essa altura”. Dito de outra forma, apesar da sua erudição e do seu conhecimento, ela foi vítima de jogos políticos. Não há qualquer tipo de evidência de que o seu assassinato estava de alguma forma relacionado com o seu conhecimento. A ideia de que ela foi uma espécie de mártir para a ciência é totalmente absurda.

HISTÓRIA VERSUS OS MITOS. E OS FILMES
Hypatia_Falando

Infelizmente para aqueles que se agarram à desacreditada “tese do conflito” da ciência e da religião perpetuamente em guerra, a história da ciência tem muito poucos mártires genuínos assassinados por mãos de religiosos intolerantes. O facto dum místico e dum maluco como Giordano Bruno ser reinventado como um livre pensador cientista revela o quão frágil é a tese desses “mártires da ciência”, embora aqueles que gostam de invocar estes mártires possam ter uma recaída ao alegarem que “a Inquisição Medieval queimou cientistas”, apesar do facto disso nunca ter acontecido. A maior parte das pessoas nada sabe da Idade Média, e como tal, este tipo de agitar de mãos é normalmente bastante segura.
Ao contrário de Giordano Bruno, Hipatia foi uma cientista genuína e, como mulher, ela foi certamente espantosa para o seu tempo (embora o facto de outra cientista pagã, Aedisia, ter practicado ciência em Alexandria uma geração depois sem sofrer qualquer tipo de problemas revela que Hipatia estava muito longe de ser única). Mas Hipatia não foi nenhuma mártir para a ciência, e a ciência não teve nada a ver com a sua morte.
Não se sabe ainda quanto do genuíno background politico envolta da morte de Hipatia Amenabar colocou no seu filme. Espera-se que, ao contrário de Carl Sagan, todo o clima político do seu assassinato não seja simplesmente ignorado e a sua morte não seja pintada como um acto puramente anti-intelectual por parte de pessoas ignorantes, raivosas contra a sua ciência e contra a sua erudição. Mas o que está mais ou menos claro a partir das suas entrevistas e da pré-publicidade do filme, é que ele escolheu enquadrar a história em termos Gibbonianos directamente do manual da “tese de conflito” – a destruição da “Grande Biblioteca”, Hipatia vítimizada devido ao seu conhecimento, e a sua morte como um prenúncio do início da “Idade das Trevas”.
Como é normal, os intolerantes e os fanáticos anti-religiosos irão ignorar as evidências, as fontes e a análise racional e resolver acreditar no apelo que Hollywood faz aos seus preconceitos. Isto leva-nos a perguntar quem são os verdadeiros inimigos do conhecimento.
Fonte: Armarium Magnum via Darwinismo. (Artigo escrito brilhantemente por um, até agora, ateu!)

Compartilhe via WhatsApp (ou outros meios):




Os Filósofos de Deus: como o mundo medieval estabeleceu os fundamentos da ciência moderna! (O mito da “Idade das Trevas”)

por Tim O’Neill

(Traduzido do inglês para o português de Portugal.) O meu interesse pela ciência Medieval foi largamente estimulado por um livro. Por volta de 1991, quando eu era um aluno de pós-graduação empobrecido e frequentemente esfomeado na Universidade da Tasmânia, dei com uma cópia do livro de Robert T. Gunther com o título de “Astrolabes of the World” – 598 páginas-fólio de astrolábios islâmicos, Medievais e Renascentistas meticulosamente catalogados, cheio de fotos, diagramas e listas estreladas, bem como uma vasta gama de outro tipo de informação.
Dei com ele, e de forma bem apropriada e não incidental, nos “Astrolabe Books” de Michael Sprod – no piso de cima de um dos lindos e antigos armazéns de arenito que se encontram alinhados num lugar com o nome de “Salamanca Place” (…). Infelizmente, o livro custava $200, o que por aquela altura era o equivalente ao que eu tinha para gastar durante o mês inteiro.
Mas o Michael já estava habituado a vender livros a estudantes empobrecidos, e devido a isso, não almocei e fiz um adiantamento de $10 e, durante vários meses, regressava todas as semanas para dar o mais que podia até que eventualmente consegui levá-lo para casa, embrulhado em papel castanho duma forma que só as livrarias Hobart se preocupam em fazer. Há poucos prazeres mais gratificantes do que aquele em que se tem nas mãos o livro que há já muito tempo se quer ler.
Filosofos_de_Deus_Gods_PhilosophersTive outra experiência igualmente gratificante quando, há algumas semanas atrás, recebi uma cópia do livro deJames Hannam com o título de “God’s Philosophers: How the Medieval World Laid the Foundations of Modern Science [“Os Filósofos de Deus: Como o Mundo Medieval Estabeleceu os Fundamentos da Ciência Moderna”].
Há já alguns anos que brinco com a ideia de criar um site dedicado à ciência e à tecnologia Medieval como forma de tornar públicas as mais recentes pesquisas em torno do tópico, e também para refutar os mitos preconceituosos que caracterizam esse período como uma Idade das Trevas repleta de superstição irracional. Felizmente, hoje posso riscar essa tarefa da minha lista porque o suberbo livro de Hannam fez esse trabalho por mim, e em grande estilo.
A Idade das Trevas Cristã e Outros Mitos Histéricos
Um do riscos ocupacionais de se ser um ateu e um humanista secular que divaga por fórums de discussão é o de encontrar níveis assombrosos de ignorância histórica. Gosto de me consolar com a ideia de que muitas das pessoas que se encontram em tais fórums adoptaram o ateísmo através do estudo da ciência, e como tal, mesmo que essas pessoas tenham conhecimentos avançados em áreas tais como a geologia e a biologia, o seu conhecimento histórico encontra-se parado no nível secundário. Geralmente, eu costumo agir assim porque a alternativa é admitir que o entendimento histórico médio da pessoa comum, e a forma como a História é estudada, é tão frágil que se torna deprimente.
Logo, para além de ventilações regulares de mitos cabeludos tais como o da Bíblia ter sido organizada no Concílio de Niceia, ou do enfadonho disparate cibernético de que “Jesus nunca existiu!”, ou também do facto de pessoas inteligentes estarem a propagar alegações pseudo-históricas que fariam com que até Dan Brown suspirasse com escárnio, o mito de que a Igreja Católica causou a Idade das Trevas, e que o Período Medieval foi um vazio científico, é regularmente empurrado com um carrinho-de-mão ferrugento para a linha da frente como forma de o expor por toda a arena.
O mito diz que os Gregos e os Romanos eram sábios e pessoas racionais que amavam a ciência, e que estavam à beira de fazer todo o tipo de coisas maravilhosas (normalmente, a invenção de máquinas a vapor de grande porte é inocentemente invocada) até que o Cristianismo chegou. O Cristianismo baniu, então, todo o conhecimento e todo o pensamento racional, e inaugurou a Idade das Trevas.
Durante este período, diz o mito, a teocracia com punho de ferro, apoiada pela Inquisição ao estilo da Gestapo, impediu que fosse feita qualquer actividade científica, ou qualquer actividade de investigação, até que Leonardo da Vinci inventou a inteligência e o Renascimento nos salvou a todos das trevas Medievais.
As manifestações cibernéticas desta ideia curiosamente pitoresca, mas aparentemente infatigável, variam de quase atabalhoadas a totalmente chocantes, mas a ideia continua a ser uma daquelas coisas que “toda a gente sabe”, e que permeia a cultura moderna.
Um episódio recente da série “Family Guy” exibiu o Stewie e o Brian a entrar num mundo alternativo futurista onde, foi-nos dito, as coisas eram avançadas desse modo porque o Cristianismo não havia destruído o conhecimento, dado início à Idade das Trevas, e impedido o desenvolvimento da ciência. Os escritores não sentiram a necessidade de explicar o significado das palavras de Stewie porque assumiram que toda a gente sabia.
Cerca de uma vez a cada 3 ou 4 meses em fórums tais como RichardDawkins.Net temos algumas discussões onde sempre aparece alguém a invocar a “Tese do Conflicto”. Isso evolui para o normal ritual onde a Idade Média é retratada como um deserto intelectual onde a humanidade se encontrava algemada pela superstição e oprimida pelos cacarejadores asseclas da Velha e Maligna Igreja Católica.
Os velhos estandartes são apresentados na altura certa: Giordano Bruno é apresentado como um mártir da ciência, nobre e sábio, e não como o irritante místico “Nova Era” que ele era. Hipatia é apresentada como outra mártir deste tipo, e a mitológica destruição da Grande Biblioteca de Alexandria é falada num tom silencioso, apesar de ambas estas ideias serem totalmente falsas.
O incidente em torno de Galileu é apresentado como evidência dum cientista destemido a opor-se ao obscurantismo científico da Igreja, apesar do incidente ter tanto a ver com a ciência como com as Escrituras. E, como é normal, aparece sempre alguém a exibir um gráfico (ver mais embaixo), que eu dei o nome de “A Coisa Mais Errada de Sempre da Internet”, e a mostrá-lo triunfalmente como se o mesmo fosse prova de algo que não do facto da maior parte das pessoas serem totalmente ignorantes da História, e incapazes de ver que algo como “Avanço Científico” nunca pode ser quantificado, e muito menos pode ser representado visualmente num gráfico.
Ciencia_Idade_Media_Segundo_Os_Ignorantes
Não é difícil pontapear este disparate e reduzi-lo a nada, especialmente porque as pessoas que o apresentam não só não sabem quase nada de História, como também tudo o que fazem é repetir ideias estranhas como esta que eles viram em sites e livros populares. Estas alegações entram em colapso mal tu as atacas com evidências sólidas.
Eu gosto de embaraçar por completo estes propagadores perguntando-lhes que me apresentem um – um só – cientista que foi queimado, perseguido, ou oprimido durante a Idade Média por motivos científicos. Eles são incapazes de me apresentar um único nome. Normalmente, eles tentam forçar Galileu de volta à Idade Média, o que é engraçado visto que ele foi contemporâneo de Descartes.
Quando lhes é perguntado o porquê deles serem incapazes de apresentar um único nome dum cientista que tenha sofrido por motivos científicos, visto que aparentemente a Igreja esta ocupada a oprimi-los, eles normalmente alegam que a Velha e Maligna Igreja fez um trabalho tão bom a oprimi-los que todas as pessoas passaram a ter medo de fazer ciência.
Quando eu lhes apresento uma lista de cientistas da Idade Média – tais como Albertus MagnusRobert GrossetesteRoger BaconJohn Peckham, Duns Scotus,Thomas BradwardineWalter BurleyWilliam HeytesburyRichard SwinesheadJohn DumbletonRichard de WallingfordNicholas Oresme,Jean Buridan e Nicolau of Cusa – e lhes pergunto o porquê destes homens levarem a cabo a sua actividade científica durante a Idade Média alegremente e sem terem sofrido qualquer tipo de interferência por parte da Igreja, os meus adversários frequentemente coçam as cabeças confusos sobre o que foi que correu mal.
A Origem dos Mitos
A forma como os mitos que deram origem “A Coisa Mais Errada de Sempre da Internet”surgiram encontra-se bem documentada em vários livros em torno da história da ciência. Mas Hannam inteligentemente lida com eles nas páginas iniciais do seu livro visto que seria provável que eles viessem a formar uma base que levasse muitos leitores do público geral a olhar com suspeição para a ideia dos fundamentos Medievais da ciência moderna.
Uma melange purulenta envolvendo a intolerância do Iluminismo, os ataques anti-papistas feitos por Protestantes, o anti-clericalismo Francês, e a arrogância Classicista, levou a que o período Medieval ficasse caracterizado como uma era de atraso e superstição – o oposto do que a pessoa comum associa com a ciência e com a razão.
Hannam não só mostra como polemistas tais como Thomas HuxleyJohn William Draper, e Andrew Dickson White – todos eles com o seu preconceito anti-Cristão – conseguiram moldar a ainda presente ideia de que a Idade Média foi uma era vazia de ciência e de conhecimento racional, como revela que só quando historiadores no verdadeiro sentido do termo se incomodaram em colocar em causa os polemistas através das obras de pioneiros na área, tais como Pierre DuhemLynn Thorndike, e o autor do meu livro sobre o astrolábio,  Robert T. Gunther, que as distorções dos preconceituosos começaram a ser corrigidas através pesquisas fiáveis e vazias de preconceito .
Esse trabalho foi agora completado pela mais recente gama de modernos historiadores da ciência tais como David C. LindbergRonald Numbers, e Edward Grant. Na esfera académica pelo menos a “Tese do Conflicto” duma guerra histórica entre a ciência e a teologia há muito que foi colocada à parte.
É, portanto, estranho que tantos dos meus amigos ateus se agarrem de forma tão desesperada a uma posição há muito morta que só foi mantida por polemistas amadores do século 19, em vez de se agarrarem às  pesquisas apuradas levadas a cabo por historiadores objectivos e actuais, e que cujas obras foram alvo de revisão por pares. Este comportamento é estranho especialmente quando o mesmo é levado a cabo por pessoas que se intitulam de “racionalistas”.
Falando em racionalismo, o ponto crucial que o mito obscurece é precisamente o quão racional a pesquisa intelectual foi durante a Idade Média. Embora escritores tais comoCharles Freeman continuem a alegar que o Cristianismo matou o uso da razão, a realidade dos factos é que graças ao encorajamento de pessoas tais como Clemente de Alexandria e Agostinho em favor do uso da filosofia dos pagãos, e das traduções das obras de lógica de Aristóteles, e de outros feitas, por Boécio, a investigação racional foi uma das jóias intelectuais que sobreviveu ao colapso catastrófico do Império Romano do Ocidente, e foi preservada durante a assim-chamada Idade das Trevas.
O soberbo livro God and Reason in the Middle Ages de Edward Grant detalha precisamente isto com um vigor característico, mas nos seus primeiros 4 capítulos Hannam faz um bom resumo deste elemento-chave. O que torna a versão histórica de Hannam mais acessível do que a de Grant é que ele conta-a através das vidas das pessoas-chave da altura – Gerbert de Aurillac, Anselmo, Guilherme de Conches, Adelardo de Bath, etc.
Algumas das pessoas que fizeram uma avaliação [inglês: “review] do livro de Hannam qualificaram esta abordagem de um bocado confusa dado que o enorme volume de nomes e mini-biografias podem fazer com que as pessoas sintam que estão a aprender um bocado sobre um vasto número de pessoas. Mas dada amplitude do tópico de Hannam, isto é francamente inevitável e a abordagem semi-biográfica é claramente mais acessível que a pesada e abstracta análise da evolução do pensamento Medieval.
Hannam disponibiliza também um excelente resumo da Renascimento do Século 12 que, contrariando a percepção popular e contrariando “o Mito”, foi efectivamente o período durante o qual o conhecimento antigo invadiu a Europa Ocidental. Longe de ter sido resistido pela Igreja, foram os homens da Igreja que buscaram este conhecimento junto dos muçulmanos e das Judeus da Espanha e da Sicília.
E longe de ter sido resistido e banido pela Igreja, o conhecimento foi absorvido e usado para formar a base do programa de estudo dessa outra grande contribuição Medieval para o mundo: as universidades que começavam a aparecer um pouco por todo o mundo Cristão.
Deus e a Razão
Deus_Razao_Ciencia_Idade_MediaO encapsulamento da razão no centro da pesquisa, combinada com o influxo do “novo” conhecimento Grego e Árabe, deu início a uma autêntica explosão de actividade intelectual na Europa, começando no Século 12 e avançando por aí em adiante. Foi como se o estímulo súbito de novas perspectivas e as novas formas de olhar para o mundo tenham caído em terreno fértil numa Europa que, pela primeira vez em séculos, encontrava-se em paz  relativa, era próspera, olhava para o exterior, e era genuinamente curiosa.
Isto não significa que as forças mais conservadoras e reaccionárias não tenham tido dúvidas em relação às novas áreas de pesquisa, especialmente em relação à forma como a filosofia e a especulação em torno do mundo natural e em torno do cosmos poderia afectar a teologia aceite. Hannam é cuidadoso para não fingir que não houve qualquer tipo de resistência ao florescimento do novo pensamento e da investigação, mas, ao contrário dos perpetuadores “do Mito”, ele leva em consideração essa resistência mas não a apresenta como tudo o que há para saber sobre esse período.
De facto, os esforços dos conservadores e dos reaccionários eram normalmente acções de retaguarda e foram em quase todas as instâncias infrutíferas nas suas tentativas de  limitar a inevitável inundação de ideias que começou a jorrar das universidades. Mal ela começou, ela foi literalmente imparável.
De facto, alguns dos esforços dos teólogos de colocar alguns limites ao que poderia e não poderia ser aceite através do “novo conhecimento”, geraram como consequência o estímulo da investigação, e não a sua constrição.
As “Condenações de 1277” tentaram afirmar algumas coisas que não poderiam ser declaradas como “filosoficamente verdadeiras”, particularmente aquelas coisas que colocavam limites à Omnipotência Divina. Isto teve o interessante efeito de mostrar que Aristóteles havia, de facto feito alguns erros graves – algo que Tomás de Aquinas havia colocado ênfase na sua altamente influente Summa Theologiae:
As condenações e a Summa Theologiae de Aquinas haviam gerado um enquadramento dentro do qual os filósofos naturais poderiam prosseguir os seus estudos em segurança, e esse enquadramento havia estabelecido o princípio de que Deus havia decretado as leis naturais mas que Ele não Se encontrava limitado pelas mesmas. Finalmente, esse enquadramento declarou que Aristóteles esteve por vezes errado. O mundo não era “eterno segundo a razão” e “finito segundo a fé”. O mundo não era eterno. Ponto final.
E se Aristóteles poderia estar errado em algo que ele considerava certamente certo, isso colocava em dúvida toda a sua filosofia. Estava assim aberto o caminho para que os filósofos naturais da Idade Média avançassem de forma mais firme para além das façanhas dos Gregos. (Hannam, pp 104-105)
E foi exactamente isso que eles passaram a fazer. Longe de ser uma era sombria e estagnada, tal como o foi a primeira metade do Período Medieval (500-1000), o periodo que vai desde o ano 1000 até ao ano 1500 é, na verdade, o mais impressionante florescimento da pesquisa e da investigação científica desde o tempo dos antigos Gregos, deixando muito para trás as Eras Helénicas e Romanas em todos os aspectos.
Com Occam e Duns Scotus a avançarem com a abordagem crítica aos trabalhos de Aristóteles para além da abordagem mais cautelosa de Aquinas, estava aberto o caminho para que os cientistas Medievais dos Séculos 14 e 15 questionassem, examinassem e testassem as perspectivas que os tradutores dos Séculos 12 e 13 lhes haviam dado, e isto com efeitos surpreendentes:
Durante o século 14, os pensadores medievais começaram a reparar que havia algo seriamente errado em todos os aspectos da filosofia Natural de Aristóteles, e não só naqueles aspectos que contradiziam directamente a Fé Cristã. Havia chegado o momento em que os estudiosos medievais seriam capazes de começar a sua busca como forma de avançar o conhecimento……enveredando por novas direcções que nem os Gregos e nem os Árabes haviam explorado. O seu primeiro avanço foi o de combinar as duas disciplinas da matemática e da físicas duma forma que não havia sido feita no passado. (Hannam p. 174)
A história deste avanço, e os espantosos estudiosos de Oxford que o levaram a cabo e, desde logo, lançaram as bases da ciência genuína – os “Calculadores de Merton” – muito provavelmente merece um livro separado, mas o relato de Hannam certamente que lhes faz justiça e é uma secção fascinante da sua obra.
Os nomes destes pioneiros do método científico – Thomas BradwardineWilliam HeytesburyJohn Dumbleton e o deliciosamente nomeado Richard Swineshead – merecem ser conhecidos. Infelizmente, a obscurecedora sombra “do Mito” significa que eles continuam a ser ignorados ou desvalorizados até mesmo em histórias da ciência recentes e populares. O resumo de Bradwardine do discernimento-chave que estes homens trouxeram para a ciência é uma das citações mais importantes da ciência inicial e ela merece ser reconhecida como tal:
[A matemática] é a reveladora da verdade genuína…..quem quer que tenha o descaramento de estudar a física ao mesmo tempo que negligencia a matemática, tem que saber desde o princípio que nunca entrará pelos portais da sabedoria. (Citado por Hannam, p. 176)
Estes homens não só foram os primeiros a aplicar de forma genuína a matemática à física, como desenvolveram funções logarítmicas 300 anos antes de John Napier, e o Teorema da Velocidade Média 200 anos antes de Galileu. O facto de Napier e Galileu serem creditados por terem descoberto coisas que os estudiosos Medievais já haviam desenvolvido é mais um indicador da forma como “o Mito” tem distorcido a nossa percepção da história da ciência.
Nicolas_OresmeSemelhantemente, a física e a astronomia de Jean Buridan e de Nicholas Oresme eram radicais e profundas, mas de modo geral, desconhecidas para o leitor comum.  Buridan foi um dos primeiros a comparar os movimentos do cosmos com os movimentos daquela que é outra inovação Medieval: o relógio. A imagem dum universo a operar como um relógio, imagem essa que passou a ser usada com sucesso pelos cientistas até aos dias de hoje, começou na Idade Média.
E as especulações de Oresme em relação a uma Terra em rotação mostra que os estudiosos Medievais alegremente contemplavam ideias que (para eles) eram razoalmente estranhas como forma de ver se funcionariam; Oresme descobriu que esta ideia em especial na verdade funcionava muito bem.
Dificilmente estes homens eram o resultado duma “idade das trevas” e as suas carreiras estão conspicuamente livres de qualquer tipo de Inquisidores e de ameaças de queimas tão amadas e sinistramente imaginadas pelos fervorosos proponentes “do Mito”.
Galileu, Inevitavelmente.
Tal como dito em cima, nenhuma manifestação “do Mito” está completa se que o Incidente de Galileu seja mencionado. Os proponentes da ideia de que durante a Idade Média a Igreja sufocou a ciência e a racionalidade têm que empurrá-lo para a linha da frente visto que, sem ele, eles não têm exemplos da Igreja a perseguir alguém por motivos relacionados à pesquisa do mundo natural.
A ideia comum de que Galileu foi perseguido por estar certo em relação ao heliocentrismo é uma total simplificação dum assunto complexo, e um que ignora o facto do principal problema de Galileu não ser só que as suas ideias estavam em desacordo com a interpretação das Escrituras, mas também em desacordo com a ciência dos seus dias.
Ao contrário da forma como este assunto é normalmente caracterizado, nos dias de Galileu o ponto principal era o facto das objecções científicas ao heliocentrismo ainda serem suficientemente poderosas para impedirem a sua aceitação.
Em 1616 o Cardeal Bellarmine deixou bem claro para Galileu que se aquelas objecçõescientíficas pudessem ser superadas, então as Escrituras poderiam e deveriam ser reinterpretadas. Mas enquanto essas objecções se mantivessem, a Igreja, compreensivelmente, dificilmente iria derrubar séculos de exegese em favor duma teoria errónea. Galileu concordou em só ensinar o heliocentrismo como um dispositivo de cálculo teórico, mas depois mudou de ideia e, num estilo típico, ensinou-a como um facto. Isto causou a que em 1633 ele fosse acusado pela Inquisição.
Hannam disponibiliza o contexto para tudo isto com detalhe adequado numa secção do livro que também explica a forma como o Humanismo do “Renascimento” causou a que uma nova vaga de estudiosos não só tenha buscado formas de idolatrar os antigos, mas também formas de voltar as costas às façanhas de estudiosos mais recentes tais como Duns Scotus, Bardwardine, Buridan, e Orseme.
Consequentemente, muitas das suas descobertas e muitos dos seus avanços ou foram ignorados, ou foram esquecidos (só para serem redescobertos independentemente), ou foram desprezados mas silenciosamente apropriados. O caso de Galileu usar o trabalho dos estudiosos Medievais sem reconhecimento é suficientemente condenador.
Na sua ânsia de rejeitar a “dialéctica” Medieval e emular os Gregos e os Romanos – que, curiosamente, e de muitas formas, fez do “Renascimento” um movimento conservador e retrógrado – eles rejeitaram desenvolvimentos e avanços genuínos dos estudiosos Medievais. Que um pensador do calibre Duns Scotus se tenha tornado primordialmente conhecido como a etimologia da palavra “dunce” é profundamente irónico.
Por melhor que seja a parte final do livro, e por mais valiosa que seja a análise razoavelmente detalhada das realidades em torno do Incidente de Galileu, tenho que dizer que os últimos 4 ou 5 capítulos do livro de Hannam passam a ideia de terem falado de coisas que eram demasiado complicadas de se “digerir”. Eu fui capaz de seguir o seu argumento facilmente, mas eu estou bem familiarizado com o material e com o argumento que ele está a avançar.
Acredito que para aqueles com esta ideia do “Renascimento”, e para aqueles com a ideia de que Galileu nada mais era que um mártir perseguido da ciência e um génio, a parte final do livro pode avançar duma forma demasiado rápida para eles entenderem. Afinal de contas, os mitos têm uma inércia muito pesada.
Pelo menos uma pessoa que reviu o livro parece ter achado o peso dessa inércia demasiado dura para resistir, embora seja provável que ela tenha a sua própria bagagem para carregar. Nina Powerescrevendo para a revista New Humanist, certamente que parece ter tido alguns problemas em deixar de parte a ideia da Igreja a perseguir os cientistas Medievais:
Só porque a perseguição não era tão má como poderia ter sido, e só porque alguns pensadores não eram as pessoas mais simpáticas do mundo, isso não significa que interferir no seu trabalho ou banir os seus livros era justificável nessa altura ou que seja justificável nos dias de hoje.
Bem, ninguém disse que era justificável; explicar como é que ela surgiu, e o porquê dela não ter sido tão extensa como as pessoas pensam, e como ela não teve a natureza que as pessoas pensam que teve, não é “justificar” nada, mas sim corrigir um mal-entendido pseudo-histórico.
Dito isto, Power tem algo que parece ser a razão quando salienta que “A caracterização de Hannam dos pensadores [do Renascimento] como ‘reaccionários incorrigíveis’ que ‘quase conseguiram destruir 300 anos de progresso na filosofia natural’ está em oposição com a sua caracterização mais cuidada daqueles que vieram antes.” No entanto, isto não é porque a caracterização está errada, mas sim porque a dimensão e a extensão do livro realmente não lhe dão espaço para fazer justiça a esta ideia razoavelmente complexa, e, para muitos, radical. (…)
Deixando isso de parte, este é um livro maravilhoso, e um antídoto acessível e brilhante contra “o Mito”. Ele deveria estar na lista de Natal de qualquer Medievalista, estudioso da história da ciência, ou de qualquer pessoa que tem um amigo equivocado que ainda pensa que as luzes da Idade Média eram acesas queimando cientistas.
Fonte: Armarium Magnum via Darwinismo. (Artigo escrito brilhantemente por um, até aqui, ateu!)

Compartilhe via WhatsApp (ou outros meios):




Será que todos aqueles cientistas estão errados? A ciência não é determinada através do voto da maioria!

por Gordon Howard

(Traduzido do inglês para o português de Portugal.) Quando um criacionista sugere para a pessoa comum que a evolução [o gradualismo aleatório a gerar toda a biocomplexidade] não é cientificamente viável, a resposta comum é: “De que forma é que todos aqueles cientistas podem estar errados?”
Isto é perfeitamente compreensível visto que os livros populares, as revistas, os programas de televisão, os filmes, e até as conversas comuns, parecem confirmar de modo constante que o big bang, a origem natural da vida a partir do lodo primordial, e a evolução dos seres vivos a partir dos organismos originais, são posições aceites por todos os cientistas. Acredita-se que as únicas pessoas que colocam em causa estas coisas são os fanáticos religiosos ou os cientificamente iletrados.
Portanto, fica a pergunta: será que “todos aqueles cientistas” podem estar errados? A História claramente diz que sim, eles podem estar errados.
Note-se que, sem dados extraídos de experiências, ou sem tentativas de se falsificar uma teoria científica através das observações dos antagonistas ou através de teorias alternativas, as ideias dum cientista podem mesmo assim ser fortemente distorcidas pelos seu viés filosófico. (1) Isto é particularmente verídico na interpretação das “evidências” e não na observação actual do fenómeno, e aplica-se de modo particular às teorias em torno de eventos históricos tais como o conceito da evolução.
De facto, como iremos ver, não é apenas um mas sim um corpo imenso de cientistas que pode olhar para o mundo através dum paradigma que está errado nas suas bases. Isto é porque o cientista é como outra pessoa qualquer que pode ter uma crença forte em algo mesmo quando se depara perante evidências contraditórias. (2)
Exemplo: Astronomia
Talvez os exemplos mais conhecido de cientistas que “nadaram contra a maré” sejam os deGalileu e de Nicolau Copérnico. A “maioria dos cientistas”, que eram seus conteporâneos, acreditavam que a Terra era o centro do universo, e que todos os corpos celestiais giravam à volta dela. Tal como acontece com os cientistas modernos e com a teoria da evolução, a sua crença tinha como base um conceito filosofíco, e não as observações. E eles estavam errados.
A famosa “luta” de Galileu com a igreja não estava relacionada com a Bíblia, mas sim com líderes religiosos da época (que seguiam o que os cientistas da altura qualificavam de “verdade científica”) e também com a comunidade científica como um todo. (3)
Os cientistas da altura mantinham esta crença embora observações contínuas e cálculos contínuos revelassem que tinha que existir uma falha na ideia universalmente aceite de “epicíclos” (corpos celestes que se moviam em círculos dentro de outros círculos). Demorou muito tempo, e foi necessária a publicação de muitas evidências observacionais provenientes dos recém-criados telescópios, para que a comunidade científica começasse a aceitar que eles haviam acreditado num sistema defeituoso: a Terra não era o centro rotacional absoluto dos corpos celestes.
Observações adicionais provenientes de telescópios melhorados colocou um ponto final noutra crença também universalmente aceite durante essa altura: de que os corpos celestes eram esferas perfeitas que se moviam-se em círculos perfeitos. Foram observadas irregularidades na lua, indicando que não era uma esfera perfeita. Alarme! A órbita da Terra em redor do sol era uma elipse. Mais horror! “Todos aqueles cientistas” estavam errados e a base da sua visão do universo era falsa.
Os cientistas actuais dizem-nos que o nosso universo surgiu do nada, e por nenhum outro motivo que não o big bang. Será que é possível que todos estes cientistas também tenham uma visão errada do nosso universo, bem como da sua origem?
Exemplo: Química.
Durante o final do século 17 e durante o século 18, o “flogisto” era usado para explicar a forma como as substâncias se queimavam e se enferrujavam. Era acreditado (pela “maioria dos cientistas”) que ele [o flogisto] era uma substância contida em material combustível, e que a mesma era libertada quando os objectos entravam em combustão.
LavoisierFoi preciso o trabalho persistente de vários cientistas de renome da altura, incluindo Antoine-Laurent de Lavoisier, para demonstrar que a combustão era uma reacção química, normalmente envolvendo o oxigénio. As substâncias que ardiam ficavam normalmente mais pesadas devido ao oxigénio acrescido, e não mais leves devido à perda de flogisto. A maioria [dos cientistas] estava errada. (4)
Mais tarde, Lavoisier foi executado durante o fanaticamente anti-Cristão “reino do terror” que ocorreu na França. Diz-se que o juiz que o sentenciou afirmou:
A República não precisa nem de cientistas e nem de químicos.
Hoje em dia, a maior parte dos cientistas acredita que os químicos básicos da vida (tais como as proteínas) se organizaram a eles mesmos, posição que se encontra em oposição às probabilidades químicas experimentalmente estabelecidas. Será que existe a possibilidade dos cientistas actuais também estarem errados?
A alquimia (5) é a ideia de que os metais básicos (tais como o cobre) podem ser transformados em ouro. Este conceito persistiu durante centenas de anos, e embora as experiências que giraram em torno deste conceito tenham levado à descoberta de substâncias químicas interessantes, as experiências levadas a cabo de forma correcta provaram que isto é impossível (através de métodos químicos).
Muito mais dinheiro e tempo (e disponibilidade profissional) foi desperdiçado na investigação desta ideia científica errónea – ideia essa que impediu muitos de analisar possibilidades mais úteis. Será possível que os cientistas que buscam o fenómeno natural capaz de causar a origem da vida estão também a desperdiçar o seu tempo e as suas energias num exercício futil?
Exemplo: Medicina
Que as ideias erradas podem persistir pervasivamente durante centenas de anos é algo feito notório quando ficamos a saber da teoria do “humores” (6), cujo conceito básico remonta aos tempos de Aristóteles (384–322 A.C.), mas que foi clarificado e popularizado pelo famoso médico Hipócrates (de quem provém o código de práctica que incorpora o “Juramento de Hipócrates” tradicionalmente dito pelos médicos no princípio da sua práctica profissional).
O conceito em torno da teoria é o de que os corpos tem quatro tipos básicos de fluidos: bílis (Grego: chole), fleuma, bílis negra (Grego: melanchole), e sangue (Latim: sanguis). Era suposto isto corresponder aos quatro temperamentos tradicionais: colérico, fleumático, melancólico e sanguinário. Segundo a teoria, estes quatro têm que ser mantidos em equílbrio como forma de se ter boa saúde.
Na maior parte dos casos, o tratamento recomendado para o desequilíbrio era a dieta e o exercício, mas por vezes eram administrados laxantes e enemas como forma de purgar do corpo o “humor” indesejado. Semelhantemente, se alguém tinha febre, acreditava-se que era devido a um excesso de sangue, e como tal, a cura era o “sangramento” do paciente (normalmente através do uso de sanguessugas) num processo que tinha o nome de “sangria”.
Claro que esta “cura” era frequentemente pior que a doença. Mas mesmo assim, os médicos persistiram com a mesma metodologia através da Idade Média porque ninguém se encontrava preparado para colocar em dúvida Galeano, o médico, escritor e filósofo do primeiro século que publicitou esta ideia nos seus escritos populares e autoritários.
Apesar do exemplo de Galeano, e do ensino da observação e da experimentação, bem como das evidências acumuladas de que havia algo de errado, esta foi uma práctica comum até ao final do século 19. E mais uma vez, eles estavam errados.
Tudo o que eles defendiam em relação à causa da doença estava errado, e a propagação deste erro ocorreu  porque eles acreditavam nas teorias de outros cientistas sem as colocar em causa. Isto é parecido ao que ocorre nos dias de hoje, onde muitos cientistas acreditam na teoria da evolução apenas e só porque os cientistas que eles consideram fiáveis acreditam na teoria da evolução.
Exemplo: Biologia.
De onde é que se originam os vermes? Será que as baratas, os ratos e as larvas pura e simplesmente “aparecem” dos vegetais em decomposição e dos resíduos de origem animal, ou até mesmo das rochas? Durante muito tempo acreditava-se que sim, até mesmo por parte de pensadores famosos tais como Aristóteles (4º século antes de Cristo).
Esta ideia tinha o nome de “geração espontânea” e foi tida como um facto até meados do século 19. (7) Foi preciso que o cientista criacionista Louis Pasteur (1822–1895) provasse que a vida provém da vida (num processo com o nome de “biogénese”) para que ficasse claro que todas as pessoas que acreditavam na geração espontânea estavam erradas.
Hoje em dia, e apesar das evidências de Pasteur e das observações contínuas, muitos cientistas ainda acreditam na abiogénese (que a vida pode surgir de químicos sem vida). Os evolucionistas chamam a este processo de “mistério” visto que o mesmo encontra-se em oposição à química. Mas mesmo assim, eles acreditam nele. Porquê?
A ciência não é determinada através do voto da maioria
Na verdade, o motivo maior que leva os cientistas a acreditar na teoria da evolução é o facto da maioria dos cientistas acreditar na teoria da evolução. Isto é um tipo de “viés de confirmação”: o alegado consenso científico surgiu através da contagem de cabeças, cabeças essas que por sua vez chegaram às suas conclusões através duma contagem de outras cabeças.
Se a maior parte destes cientistas fosse alvo dum questionamento onde lhes era pedido que disponibilizassem algum tipo de evidência, muito provavelemente eles iriam dar respostas fracas provenientes de fora da sua área técnica. Por exemplo, uma das maiores autoridades no que toca aos fósseis de áves – e um crítico acérrimo do dogma evolutivo dinossauro-evoluindo-para-pássaro – é o Dr Alan Feduccia, Professor Emérito na Universidade da Carolina do Norte. Ele continua a ser um evolucionista, mas quando desafiado, a sua maior “prova” da evolução é milho que passa a ser…..milho! (8)
Tal como disse Michael Crichton (1942–2008), famoso autor que havia tido uma carreira prévia na área da medicina e da ciência:
Michael_CrichtonDeixem-me deixar as coisas bem claras: o trabalho científico de maneira alguma está relacionado com o consenso. O consenso é área da política. A ciência, pelo contrário, só precisa dum pesquisador que tem a razão do seu lado, o que significa que ele ou ela tem resultados que podem ser verificados referenciado no mundo real.
Na ciência, o consenso é irrelevante. O que é relevante é a existência de resultados que podem ser duplicados. Os maiores cientistas da História são cientistas de renome precisamente porque eles foram para além do que era aceite pelo consenso.
Não existe tal coisa com o nome de ciência consensual. Se é consensual, não é ciência. Se é ciência, não é consensual. (9)
Mesmo assim, tal como os defensores dos epicíclos, dos flogistos, dos humores, e da geração espontânea, muitos cientistas actuais acreditam na teoria da evolução. Será que todos estes cientistas podem estar errados? A Hístória revela que “sim”. Evidências acumuladas provenientes da genética, da biologia molecular, da teoria da informação, dacosmologia, e de outras áreas, revelam que sim, todos estes cientistas estão errados.
Estes cientistas acreditam no paradigma dominante – o naturalismo – apesar das evidências contra esta filosofia. Eles não querem confrontar a ideia dum Criador, e, tal como no passado, a avaliação honesta das evidências da ciência operacional irá demonstrar que eles estão errados; o Criador será Vindicado. (Romanos 1:18–22).
Referências e notas:
1. Sarfati, J., Refuting Evolution, ch. 1, 4th ed., Creation Book Publishers, 2008; creation.com/refutingch1.
2. Walker, T., Challenging dogmas: Correcting wrong ideas, Creation 34(2):6, 2012; creation.com/challenging-dogmas.
3. Sarfati, J., Galileo Quadricentennial: Myth vs fact, Creation 31(3):49–51, 2009; creation.com/galileo-quadricentennial.
phlogiston, Encyclopædia Britannica, Encyclopædia Britannica Online, 2012; Britannica.com/EBchecked/topic/456974/phlogiston.
5. Alchemyanswers.com/topic/alchemy.
6. From Greek ??µ?? (chumos) meaning juice or sap; Humours, Science Museum; sciencemuseum.org.uk.
7. What is spontaneous generation? allaboutscience.org. Spontaneous Generation; allaboutthejourney.org/spontaneous-generation.htm.
8. Discover Dialogue: Ornithologist and evolutionary biologist Alan Feduccia plucking apart the dino-birds, Discover 24(2), February 2003; see also creation.com/4wings.
9. Crichton, M., Aliens cause global warming, 17 January 2003 speech at the California Institute of Technology; s8int.com/crichton.html.
Fonte:  Creation.com via Darwinismo.

Compartilhe via WhatsApp (ou outros meios):




Para você que acredita numa conspiração que adulterou a Bíblia!

1º nível: Precisaria existir uma “conspiração dos manuscritos” supersecreta a ponto de ninguém jamais descobri-los e nunca mencioná-los na história.

Bíblia2º nível: Quando estamos falando apenas do Novo Testamento, existem mais de seis mil cópias ou porções manuscritas antigas em grego, mais de oito mil em latim e mais de nove mil em siríaco, eslavo, gótico, copta e armênio. E pode não parecer grande coisa, mas deixe-me fazer algumas comparações. Guerras Gálicas, de Júlio Cesar, onde se encontram as principais fontes sobre Júlio Cesar e suas conquistas – existem apenas dez cópias manuscritas antigas encontradas até hoje. Poética, de Aristóteles – existem meramente cinco cópias manuscritas antigas encontradas. E assim se repete o mesmo quadro em relação a todos os manuscritos antigos. Em comparação com o Novo Testamento, com mais de 23 mil cópias manuscritas antigas, isso não é nada. E com todas essas cópias, podemos chegar até 120 d.C., apenas algumas décadas depois da morte de Jesus por volta do ano 33 d.C. Já em relação a outros manuscritos, os que chegam mais próximo dos originais são os manuscritos de Guerras Gálicas, de Júlio Cesar, que datam de aproximadamente 900 anos após os originais. Já os escritos de Aristóteles datam de 1.400 anos após os originais. Então, a “conspiração dos manuscritos” teria que pegar todas essas cópias manuscritas em mais de sete línguas diferentes, espalhadas pelo mundo, modificar todas as partes que desejarem e, sem deixar qualquer tipo de rastro – como caligrafia diferente, manchas, pegadas no local –, não errar ou confundir o alfabeto do idioma em questão, ou ser pego por alguém! E no fim de tudo, teriam de devolver os manuscritos ao seu local de origem em um tempo absurdamente rápido para não serem pegos, algo impossível de se fazer, sendo que eram necessárias longas semanas para que um único livro da Bíblia pudesse ser copiado!

3º nível: Os pais da igreja, que vieram após os apóstolos, tinham o hábito de fazer inúmeras citações dos manuscritos do Novo Testamento em seus livros. Foram mais de 36 mil citações que reconstroem todo o Novo Testamento, com exceção de apenas 11 que não mudam nem afetam o relato bíblico. Então, além de os “conspiradores dos manuscritos” terem que modificar milhares de cópias manuscritas em diferentes idiomas e espalhadas pelo mundo sem serem pegos e em um tempo absurdamente rápido, também teriam que lidar com todas essas citações registradas pelos pais da igreja; teriam que modificar todas as suas obras e todas as cópias de tais obras sem serem pegos e sem deixar qualquer tipo de rastro.

Você precisa de ajuda se acredita em tudo isso!

P.S.: Levando em consideração o grande número de manuscritos e quão antigos eles são, a ideia mais plausível para uma adulteração dos manuscritos do Novo Testamento é que ela deveria ocorrer entre os séculos I e II, porém, dadas as dificuldades geográficas, linguísticas e de escrita, somadas à pequena passagem de tempo desde a crucificação de Cristo até os séculos citados, tempo durante o qual apenas uma geração havia se passado, fica evidente que não houve “conspiração dos manuscritos” alguma! A Bíblia é perfeitamente fiel e digna de aceitação.

Fonte: Gabriel Stevenson, Apologética XXI via Criacionismo.

Evidências da Ressurreição de Jesus Cristo – 2ª parte

1) Analisando os evangelhos

Vou tentar colocar aqui um breve resumo, pontuando os relatos acerca dos eventos após a morte de Jesus para comparar os 4.

Mateus
1 – Jesus clama: “Deus meu, Deus meu. Por que me desamparastes?”. Então morre.
2 – O véu do templo se rasga, de cima para baixo e há um terremoto.
3 – Muitos santos ressuscitam, entram em Jerusalém e aparecem a muitos.
4 – O centurião vê o terremoto e reconhece Jesus como Filho de Deus.
5 – Foi presenciado por Maria Madalena e Maria, mãe de José e Thiago.
6 – Um homem rico, José de Arimatéia pede o corpo e o guarda no seu sepulcro.
7 – Pilatos é lembrado que Jesus predisse sua ressurreição e manda a guarda vigiar o sepulcro.
8 – Na madrugada de sábado para domingo, Maria Madalena e a outra Maria visitaram o sepulcro.
9 – Houve um terremoto, um anjo apareceu e removeu a pedra que selava o sepulcro.
10 – Os guardas se assustaram e desmaiaram.
11 – O anjo disse para elas irem para Galiléia que veriam Jesus.
12 – Elas vão e encontram Jesus no caminho.
13 – Os principais dos sacerdotes deram dinheiro aos guardas para que dissessem que alguém roubou o corpo enquanto eles dormiam.
14 – Jesus aparece para os discípulos, que o adoraram, mas alguns duvidaram.
Marcos
1 – Jesus clama: “Deus meu, Deus meu. Por que me desamparastes?”. Então morre.
2 – O véu do templo se rasgou, de cima para baixo.
3 – O centurião vê o terremoto e reconhece Jesus como Filho de Deus.
4 – Foi presenciado por Maria Madalena e Maria, mãe de José e Thiago, além de outras mulheres que andavam com ele.
5 – José de Arimatéia pede o corpo de Jesus a Pilatos
6 – Pilatos se surpreende por Jesus morrer tão rápido, se certifica com o centurião que ele estava morto, e cede o corpo a José.
7 – Ao nascer do sol elas chegam ao sepulcro e encontram a pedra que guardava o sepulcro já aberta.
8 – Lá dentro encontram um jovem com vestes brancas e compridas que disse que Jesus havia ressuscitado.
9 – Jesus apareceu a Maria Madalena, que tentou convencer os que estavam com Jesus de que ele tinha ressuscitado, sem sucesso.
10 – Jesus apareceu pra mais dois deles, que também tentaram convencer os outros, mas não conseguiram.
11 – Jesus aparece aos onze discípulos e os repreende por não terem acreditado.
12 – Jesus “foi recebido no céu e assentou-se à direita de Deus”
Lucas
1 – O véu do templo rasgou-se ao meio.
2 – Jesus diz “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” e morre.
3 – O centurião reconhece que Jesus era justo.
4 – Foi presenciado por todos os conhecidos de Jesus e pelas mulheres.
5 – José, senador de Arimatéia, pede o corpo de Jesus e o põe em um sepulcro onde ninguém ainda havia sido posto.
6 – Na madrugada de domingo elas foram ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus com perfume.
7 – Acharam a pedra revolvida.
8 – Não acharam o corpo de Jesus.
9 – Dois homens com vestes reluzentes apareceram e disseram que Jesus ressuscitou.
10 – As mulheres anunciaram a ressurreição aos onze discípulos e aos demais.
11 – As mulheres eram Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Thiago, e outras.
12 – Pedro vai até o sepulcro e vê que o corpo não está lá, apenas os lençóis.
13 – Dois discípulos andavam e Jesus apareceu a eles. Eles não o reconheceram.
14 – Eles chegaram à cidade à qual dirigiam-se. Jesus comeu com eles, eles perceberam que era Jesus e este desapareceu.
15 – Eles voltam a Jerusalém e anunciam aos onze e a outros, e nessa hora aparece Jesus.
16 – Eles achavam que Jesus era um espírito, então Jesus mostrou as mãos e os pés com as feridas, mas eles ainda não acreditaram.
17 – Jesus comeu com eles e eles creram.
18 – Jesus foi com eles até Betânia, os abençoou e foi elevado ao céu.
João
1 – Jesus diz: “está consumado” e morre.
2 – Os centuriões quebram as pernas dos outros dois que haviam sido crucificados com Jesus, mas quando viram que Jesus já estava morto não lhe quebraram as pernas.
3 – Um dos soldados lhe furou ao lado com uma lança, e saiu sangue e água.
4 – O centurião reconheceu que Jesus era Filho de Deus.
5 – José de Arimatéia pede o corpo a Pilatos e o guarda, em um lugar onde ninguém ainda havia sido posto.
6 – Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, ainda escuro, e viu a pedra retirada do túmulo.
7 – Ela correu e foi a Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava, e lhes disse que alguém roubou o corpo de Jesus.
8 – Eles chegam ao sepulcro e encontram os lençóis e os panos, mas não o corpo.
9 – Os discípulos voltam e Maria fica ali, chorando.
10 – Maria vê dois anjos onde estivera o corpo de Jesus.
11 – Então ela vira pra trás e vê Jesus. Não o reconhece no início.
12 – Maria Madalena anuncia Jesus às pessoas.
13 – Os discípulos encontravam-se reunidos e com as portas trancadas, então Jesus aparece.
14 – Jesus mostra as feridas e fala para que recebessem o Espírito Santo. Eles se alegram, mas Tomé não estava com ele.
15 – Oito dias depois, estavam reunidos, novamente com as portas fechadas e Jesus aparece.
16 – Jesus pede que Tomé toque nas feridas e este crê.
17 – Jesus operou muitos outros sinais, que não estão escritos no livro.
18 – Jesus se manifestou a Pedro, Tomé, Natanael e outros 4 discípulos na praia, onde fez um milagre de conseguirem pegar a rede cheia de peixes quando antes não podiam.
19 – Jesus comeu com eles.
20 – Jesus explica com que tipo de morte Pedro e João haveriam de morrer.

A primeira coisa que se nota é que os relatos possuem muita coisa diferente. A última frase de Jesus, por exemplo, difere entre João, Lucas, e Mateus e Marcos. No livro de Mateus, as mulheres encontram o anjo do lado de fora, nos livros de Lucas e Marcos elas encontram o anjo do lado de dentro, e no livro de João apenas Maria encontra o anjo, e mesmo assim só depois de já ter conversado com Pedro e João. O próprio Jesus aparece pra ela na mesma hora. O único livro que diz que havia uma guarda no sepulcro é o de Marcos. O livro de Lucas diz que Jesus foi elevado ao céu. O de Marcos sugere. Os outros não relatam nada, embora o livro de João deixe claro que não relatou todos os sinais de Jesus. Em Lucas o véu do templo se rasga antes de Jesus morrer, em Mateus e Marcos é depois.
Enfim…
Tem muita coisa diferente entre eles.

Como lidar com as contradições?

Essa é uma crítica feita por muitos. Não se pode acreditar nos relatos da ressurreição simplesmente eles possuem diferenças. Será? Vejam essa citação:

“É possível divergências e ambas as testemunhas estarem falando a verdade – as culturas e conceitos pessoais são agregados à pessoa. Toda testemunha capta apenas parcialmente o fato (o cérebro seleciona as informações ocorridas). É impossível a existência de depoimentos idênticos. Testemunhos iguais revelam que as testemunhas foram orientadas – a prova não é segura para lastrear a decisão, o que não demonstra que seja mentirosa.”

Vocês podem achar que estou citando um teólogo ou um historiador cristão defendendo os relatos dos evangelhos. Não. Esse é um dos princípios da psicologia do testemunho. Esse trecho foi dito pela DESEMBARGADORA DRA. SUZANA CAMARGO MIRANDA.
Os foristas formados e formandos em direito devem saber explicar melhor que eu. Quando um advogado ou promotor chama uma testemunha, se o relato dela for absolutamente idêntico ao das outras isso indica que elas foram orientadas a falar aquela mesma versão dos acontecimentos.
Aliás, o fato de haverem pequenas contradições menores entre os evangelhos não só não diminui a historicidade dos mesmos, como até aumenta! Isso porque, essas divergências provam que os relatos não passaram por nenhum processo de edição para que entrassem em conformidade, e que cada um dos 4 têm fontes independentes (ainda que se acredite que Mateus e Lucas utilizaram o evangelho de Marcos como uma de suas fontes).
Na verdade, nenhum investigador se prende às divergências entre os relatos das testemunhas, e sim, às semelhanças. E os 4 concordam que Jesus morreu, foi enterrado no sepulcro de José de Arimatéia, o túmulo estava vazio, e as primeiras pessoas a presenciar a ressurreição de Jesus foram mulheres, que foram informadas disso por anjos.
Então vamos tentar verificar, primeiramente, a verossimilhança e a coerência interna para saber se os evangelhos são honestos ou não.

A auto-difamação

Nós sabemos que a única pessoa que é realmente exaltada nos evangelhos é Jesus. Os discípulos, autores dos evangelhos (ou discípulos destes discípulos, como se acredita que ocorre com o evangelho de João) em várias oportunidades retratam a si mesmos de maneira pouco envaidecedora. A bíblia relata, por exemplo, que quando Jesus morreu os discípulos ficaram com medo, se trancaram em Jerusalém e planejaram como eles poderiam fugir para a Galiléia e voltar para suas vidas de pescadores. Ora, se a intenção deles era tão somente exaltar a Jesus, não haveria necessidade deles denegrirem a própria imagem. Isso é anti-natural. As pessoas procuram se promover, não se denegrir.
Inclusive é isso que atesta o renomado psicólogo brasileiro Augusto Cury. Veja:

“Durante muitos anos, procurei estudar as biografias de Cristo. Por diversas vezes, me perguntava se Cristo realmente tinha existido (…). Provavelmente fui mais ateu do que muitos daqueles que se consideravam grandes ateus, como Karl Marx, Friedrich Nietzche e Jean-Paul Sartre. Por isso, pesquisava a inteligência de Cristo indagando continuamente se ele não era fruto da imaginação humana, da criatividade literária, ou se realmente tinha existido (…). Se os evangelhos fossem fruto da imaginação literária desses autores, eles não falariam mal de si mesmos. O homem tende a esconder suas fragilidades e seus erros, mas os biógrafos de Cristo aprenderam a ser fiéis a sua consciência.Aprenderam com Cristo a arte de destilar a sabedoria dos erros. Ao estudar as biografias de Cristo, constatamos que a intenção consciente e a inconsciente de seus autores era apenas expressar com fidelidade aquilo que viveram, mesmo que isso fosse totalmente estranho aos conceitos humanos.” (O Mestre dos Mestres; Augusto Cury)

O testemunho das mulheres

Todos nós vemos que as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus foram mulheres. Isso contrasta bastante com a covardia dos discípulos, no momento.
Esse é um dado que pode parecer irrelevante para leigos, mas para quem conhece os costumes da época, percebe que esse dado é de enorme relevância. A opinião das mulheres não era levada em consideração. Aliás, os relatos de mulheres não tinham nem mesmo valor jurídico na época!
Flávio Josefo escreveu que a tradição judaica afirmava: “Não permita que evidências sejam aceitas através das mulheres por causa de sua leviandade e da temeridade de seu sexo.” (Antiguidades judaicas iv 8:15)
Era como se eu hoje resolvesse dizer que um disco voador apareceu em pleno Rio de Janeiro, e no meio de um hospital psiquiátrico, e que todos os pacientes de lá o tinham visto. Quem iria dar crédito?

O descabimento dos relatos

Esse título é estranho, mas eu explico. Se a intenção dos autores fosse fundar uma nova religião, e para isso eles tivessem elaborado esses textos a respeito de Cristo, eles poderiam ter tornado os relatos muito mais simpáticos à idéias existentes na época.
Aliás, isso ACONTECEU, de fato, em Roma, alguns séculos mais tarde. Com o crescimento rápido e progressivo do cristianismo, os cultos aos deuses romanos perdiam força. Então Constantino adotou o cristianismo como religião oficial de Roma, porém diluiu vários aspectos dos cultos aos deuses romanos no cristianismo. Como por exemplo, a adoração aos Santos. Aconteceu algo parecido no Brasil com a incorporação de entidades vindas de religiões africanas ao catolicismo, mesclando-as com os santos.
Exemplo do que eu disse acima.
Mas voltando à época da ressurreição…
Se a intenção dos discípulos fosse ganhar novos seguidores, há vários exemplos que eles poderiam utilizar para ganhar simpatizantes para a causa.
Se eles dissessem, por exemplo, que a ressurreição de Jesus era uma metáfora para que ele fosse ao Pleroma (a totalidade dos poderes divinos e o campo das idéias), teria tido apoio dos gnósticos, dos seguidores de Sócrates e Platão. Se eles dissessem que Jesus morreu mas foi um homem íntegro teria tido apoio dos epicureus e dos historiadores. Se eles dissessem que Jesus reencarnou teria tido apoio dos seguidores de Pitágoras, dos egípcios e dos orientais que acreditavam na transmigração de almas. Se eles dissessem que Jesus iria ressuscitar no dia do juízo final teriam o apoio dos judeus, e teriam tido mais facilidade e aceitação entre eles.
Mas não foi o que ocorreu. Essa idéia de ressurreição física e imediata era uma novidade aos conceitos da época e de difícil aceitação por qualquer povo e cultura que a ouvisse.
Paulo quando chegou a Atenas e começou a pregar para os atenienses ele teve boa aceitação. Até que…

“Quando o ouviram falar de ressurreição dos mortos, uns zombavam e outros diziam: A respeito disso te ouviremos em outra vez.” (Atos 17:32)

Então se a história tivesse sido deliberadamente inventada, com o intuito de fundar uma nova religião, provavelmente eles teriam escolhido algo que pudesse se misturar e difundir com idéias já existentes, para que pudesse ganhar mais aceitação e adeptos.

Conclusões?

Essas análises provam, sem sombra de dúvidas, que tudo que aconteceu é realmente verdade?
Não!
Não provam. Mas elas servem como pistas de que os relatos foram honestos.
Em última análise, mesmo supondo-se que elas servissem como prova incontestável, ainda assim isso não significaria que os relatos são verdadeiros, apenas que seus autores acreditavam no que estavam escrevendo.
Existem algumas teorias pra suportar essa idéia, a teoria de que eles houvessem se confundido e crido na ressurreição que não ocorreu, e a idéia de que Jesus sofreu um processo de mitificação ao longo dos anos.
Vamos analisar primeiro a segunda hipótese.
2) A mitificação de Jesus
Vamos avaliar aqui um caso de uma história provavelmente real que sofreu uma mitificação ao longo dos anos.

“Rômulo e Remo eram filhos gêmeos do deus Marte e de Reia Sílvia. Para garantir o trono, Amúlio assassina os descendentes varões de Numitor e obriga sua sobrinha Reia Sílvia a tornar-se vestal (sacerdotisa virgem, consagrada a deusa Vesta), no entanto, esta engravida do deus Marte e desta união foram gerados os irmãos Rômulo e Remo. Como punição Amúlio prende Reia em um calabouço e manda jogar seus filhos no rio Tibre. Como um milagre, o cesto onde estavam as crianças acaba atolando em uma das margens do rio, onde são encontrados por uma loba que os amamenta; próximo às crianças estava um pica-pau, ave sagrada para os latinos e para o deus Marte, que os protege. Tempos depois, um pastor de ovelhas chamado Fáustulo encontra os meninos. Ele os recolhe e leva-os para sua casa onde são criadas por sua mulher Aca Laurência. Rômulo e Remo crescem junto dos pastores da região praticando caça, corrida e exercícios físicos; saqueavam as caravanas que passavam pela região a procura de espólio. Em um dos assaltos, Remo é capturado e levado para Alba Longa. Fáustulo, então, revela a Rômulo a história de sua origem. Este parte para a cidade de seus antepassados liberta seu irmão, mata Amúlio, devolve Numitor ao torno e dá a sua mão todas as honrarias que lhe fossem devidas. Percebendo que não teriam futuro na cidade, os gêmeos decidem partir da cidade junto com todos os indesejáveis para então fundarem uma nova cidade no local onde foram abandonados. Rômulo queria chamá-la Roma e edificá-la no Palatino, enquanto Remo desejava nomeá-la Remora e fundá-la sobre o Aventino. Como forma de decidir foi estabelecido que deveria-se indicar, através dos auspícios, quem seria escolhido para dar o nome à nova cidade e reinar depois da fundação. Tal gerou divergência entre os espectadores o que gerou uma acirrada discussão entre os irmãos que terminou com a morte de Remo. Uma versão alternativa afirma que, para surpreender o irmão, Remo teria escalado o recém-construído pomerium quadrangular da cidade e, tomado em fúria, Rômulo teria assassinado-o.”

Bom, essa é uma história que provavelmente aconteceu. Alguém fundou Roma. Só que essa pessoa foi mitificada ao longo dos anos. Para que esse tipo de mitificação ocorra, é necessário que se passem várias gerações.
Em outras palavras, para que o mito esteja totalmente consolidado é necessário que já não tenha mais nenhum resquício de alguém que conheça a história real, visto que essa pessoa poderia facilmente negar a história e acabar com o mito.
Não é o que acontece com Jesus.
A primeira epístola de Paulo aos tessalonicenses data de cerca de 50 anos depois de Cristo. E ela já fala da ressurreição. Isso dá um intervalo de apenas cerca de 20 anos entre a morte de Jesus e a fé na ressurreição!
É muito pouco tempo entre o evento real e a consolidação do mito. Alguns estudiosos acreditam que a mensagem da ressurreição já era maciçamente pregada apenas 50 dias após o evento!
Aliás, o apóstolo Paulo fala em testemunhas oculares ainda vivas, que poderiam ser consultadas:

“Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas e, depois, aos doze. Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem.” 1 Coríntios 15:3-6

Tácito, historiador romano, também cita os cristãos em 64d.C. durante o incêndio que assolou Roma na época de Nero. (http://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A1cito_e_os_crist%C3%A3os)
Algumas pessoas conjecturaram que essa citação seria uma fraude ou interpolação, porém isso foi descartado e hoje sabe-se que a escrita é autêntica.
Ou seja, o cristianismo e a ressurreição de Jesus já estavam consolidados em um intervalo de tempo muito menor do que se espera para consolidação de um mito.
Mas mesmo Jesus não escapou da mitificação. Veja o trecho sobre a ressurreição narrada no evangelho apócrifo de Pedro:

Citação:
34. Pela manhã, ao despontar do sábado, veio de Jerusalém e das vizinhanças uma multidão para ver o túmulo selado. Ressurreição de Jesus 35. Mas durante a noite que precedeu o dia do Senhor, enquanto os soldados montavam guarda, por turno, dois a dois, ressoou no céu uma voz forte 36. e viram abrir-se os céus e descer de lá dois homens, com grande esplendor, e aproximar-se do túmulo. 37. A pedra que fora colocada em frente à porta rolou donde estava e se pôs de lado. Abriu-se o sepulcro e nele entraram os dois jovens. X 38. À vista disto, os soldados foram acordar o centurião e os anciãos, pois também estes estavam de guarda. 39. E enquanto lhes contavam tudo o que tinham presenciado, viram também sair três homens do sepulcro: dois deles amparavam o terceiro e eram seguidos por uma cruz. 40. A cabeça dos dois homens atingia o céu, enquanto a daquele que conduziam pela mão ultrapassava os céus. 41. Ouviram do céu uma voz que dizia: “Pregaste aos que dormem?” 42. E da cruz se ouviu a resposta: — “Sim”.

Esse, sim, é um relato floreado a respeito da ressurreição de Jesus. Repare que ele diz que todo o povo estava reunido em volta do túmulo esperando pra ver a ressurreição, que os anjos batiam com a cabeça nas nuvens e Jesus mais alto ainda…
Esse é um relato do século II. Ou seja, dois séculos após o evento. Aí havia tempo o bastante para a criação de um mito. Esse evangelho de Pedro muito provavelmente foi escrito pelos gnósticos, e foi desconsiderado como inspirado por Deus durante o concílio de Nicéia, junto com outros evangelhos igualmente fantasiosos.

Então não existem mitos de tempo presente?

Sim, existem. Isso também é possível. Existe um caso muito peculiar, aqui no Brasil mesmo.
Conta a história que duas pontes estavam sendo construídas sobre o rio Capibaribe, em Pernambuco. As construções atrasaram e o povo falava que era mais fácil fazer um boi voar do que ver a ponte terminada. Maurício de Nassau resolveu terminar essa ponte, e para atrair mais pessoas para sua obra, disse que iria fazer um boi voar, ali, na frente de todos.

“Conforme a crónica de frei Manuel Calado, a fim de obter um maior número de pessoas pagando pedágio na ponte, no dia da sua inauguração, Nassau havia feito anunciar que um boi manso, pertencente Melchior Álvares, iria voar.
Para a festa, para a qual foram convidados os membros do Supremo Conselho, mandou abater e esfolar um boi, e encher-lhe a pele de erva seca, tendo posto esta encoberta no alto de uma galeria que tinha edificada no seu jardim. Pediu a Melchior Álvares emprestado um boi muito manso que aquele tinha, e o fez subir ao alto da galeria e, depois de visto pelo grande número de pessoas presentes, mandou-o fechar em um aposento, de onde tiraram o outro couro de boi cheio de palha, e o fizeram vir voando por umas cordas com um engenho, para grande admiração de todos. Tanta gente passou de uma para outra parte da ponte que, naquela tarde, rendeu mil e oitocentos florins, não pagando cada pessoa mais que duas placas à ida, e duas à vinda.
O episódio é recordado, entre outros, numa canção de Chico Buarque, “Boi Voador Não Pode”.”

Um caso mais recente é o do ilusionista Criss Angel. Muita gente afirma que o ilusionista tem um pacto com satanás, de onde ele tira poderes pra realizar proezas sobre-humanas em seus shows. Dezenas de pessoas o viram levitar entre dois prédios em plena rua de Nova Yorque.

“has anyone considered that criss angel may well be a ET a lot of people are saying hes pretending to be jesus or evil, perhaps I feel that in the very near future we will hear a lot more from criss, lets be open minded people “

Esse forista acredita que o Criss Angel é um extraterreste. Quando alguém ele retrucou ele ainda respondeu:

“ok thats fine can you please enlighten me on how he walks on top of water and levitates above the trees, do you think it is possible that he maybe a ET or do you feel overall that they dont exist, in the video of him levitating at the golf course was that a ufo in the sky? if not was it a illusion, plane or some other vehicle in the sky. im truly interested in knowing how he does it.”

As pessoas tendem a atribuir ao sobrenatural aquilo que elas não sabem explicar. O que os dois casos possuem em comum é que maravilhas foram realizadas bem diante dos olhos de várias pessoas.
Ou seja, a criação de um mito de tempo presente necessita de um evento extraordinário acontecendo. E é isso que advogam os adeptos da primeira teoria dita mais atrás. Uma sucessão de eventos aconteceu que fez com que as pessoas tivessem a impressão de que Jesus realmente ressuscitou.
Então vamos tentar analisar a plausibilidade de todas essas teorias.
3) A teoria do desmaio

Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede. Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissope, lha chegaram à boca. E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.” (João 19:28-30)

Algumas pessoas afirmam que Jesus na verdade nunca morreu na cruz. Inclusive, algumas chegam a supor que o vinagre relatado no caso acima seria alguma espécie de fitoterápico que simula uma espécie de anestésico, que daria a impressão de que Jesus havia morrido, quando na verdade ainda vivia.
Acho muito difícil, pra não dizer impossível, que essa teoria se sustente por alguém com bom senso crítico.

Jesus não poderia resistir aos ferimentos

Em primeiro lugar Jesus não dormiu na noite anterior àquela que foi crucificado. Ele foi espancado várias vezes e açoitado, e entrou em colapso a caminho da crucificação, carregando a cruz.
Em segundo lugar Jesus foi traspassado por uma lança após o momento da sua morte.

“O peso da evidência histórica e médica indica claramente que Jesus estava morto antes de ter sido ferido em seu lado e sustenta a visão tradicional de que a lança, que penetrou entre sua costela direita, provavelmente perfurou não somente o pulmão direito, mas também o pericárdio e o coração, assegurando, assim, sua morte. Conseqüentemente, interpretações baseadas na posição de que Jesus não morreu na cruz não vão de encontro ao conhecimento médico da atualidade.”

Esse parágrafo foi publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA). Quem quiser pode ler o original aqui:
Na verdade eu, como estudante de medicina posso simplificar as coisas:
O que os médicos do JAMA analisaram e disseram foi que provavelmente o líquido que saiu junto com o sangue de Jesus foi o líquido pericárdico (líquido que fica entre o coração e a membrana que o envolve, o pericárdio), o que seria uma evidência cabal da morte de Jesus.
Mas mesmo se a gente desconsiderar esse fato, Jesus provavelmente teria morrido de choque hipovolêmico (hemorragia maciça) ou asfixia por doença pulmonar restritiva (o peso do corpo sobre o pulmão o impediria de respirar, eventualmente).

Mesmo se Jesus não estivesse morto na cruz, não sobreviveria ao sepultamento

Ainda que tal droga conseguisse mimetizar tão perfeitamente o estado de morte que pudesse enganar os soldados (que checaram a morte dele 2x e nem lhe quebraram as pernas), Jesus teria ficado sepultado por 3 dias sem oxigênio, água ou alimentos. Além disso ele provavelmente teria sido levado a outras complicações letais, como infecções e choque. Não teria como ele sobreviver os 3 dias sem tratamento médico.
Mas ainda que ele tivesse sobrevivido a isso tudo, ele dificilmente conseguiria sair de lá dentro. Como um homem no estado dele conseguiria remover sozinho a pedra do túmulo? E passar despercebido pelos guardas?

Sobrevivendo a isso tudo, ele conseguiria pregar o cristianismo?

“É impossível que um homem que fugira de um túmulo, semi-morto, e que vagueara de um lado para outro fraco e doente, necessitado de cuidados médicos e da aplicação de bandagens às suas feridas, precisando de encorajamento e outros cuidados, pudesse dar aos discípulos a impressão de que era um vitorioso sobre a morte e sobre o túmulo, de que era o príncipe da vida, uma impressão que iria constituir a base para o futuro ministério deles. Recobrando-se de um desmaio somente, ele teria enfraquecido a impressão que deixara neles em vida e na sua morte, e, quando muito, teria emprestado à sua imagem um tom de lirismo, mas absolutamente não poderia haver transformado seu sofrimento em entusiasmo, nem elevado sua reverência, tornando-a adoração.” (David Friedrich Strauss)

Além da teoria do desmaio, existe uma outra teoria para explicar o túmulo vazio de Jesus. O roubo do corpo. Então vamos analisar a plausibilidade dessa teoria.
4) O corpo foi roubado
Esta é provavelmente a teoria mais difundida entre os céticos da ressurreição. Em primeiro lugar vamos analisar a hipótese do túmulo ter sido encontrado vazio.

O túmulo vazio

Nós temos diversas evidências na história de fontes históricas extra-bíbicas falndo sobre a morte de Jesus na cruz e sua condenação por Pôncio Pilatos. Então nós sabemos que ele foi sepultado, e também sabemos que a história da ressurreição só poderia se espalhar com a velocidade com que se espalhou se o túmulo estivesse vazio.

“A ressurreição não poderia ser sustentada em Jerusalém por um dia sequer, ou mesmo por uma hora, se o túmulo vazio não fosse aceito por todos como um fato consumado.” – > Paul Althaus, Universidade de Erlangen, Alemanha (citado por Josh McDowell; “As evidências da Ressurreição de Cristo”; Editora Candeia; São Paulo, 1994; p.119)

Vamos lembrar que história da ressurreição começou a ser pregada em Jerusalém, e seria muito fácil desconfirmar a história, bastaria visitar o túmulo e ver o corpo.
Na verdade creio que nenhum estudioso sustenta a idéia de que houvesse um corpo dentro do túmulo.

“Quando cada argumento é pesado e considerado, a única conclusão plausível para o historiador deve ser a de que as mulheres que foram prestar seu último lamento a Jesus encontraram, para sua consternação, não um corpo, mas um túmulo vazio.” Geza Vermes (The Ressurrection)

Detalhe que Geza Vermes é judeu! Ele não é cristão, mas admite que tudo indica que o túmulo estava, de fato, vazio.
O Dr. Paul L. Maier professor de História Antiga na Universidade de Western Michigan, conclui: “Se toda a evidência é verificada cuidadosamente e com justiça, é realmente justificável, de acordo com os padrões da pesquisa histórica, concluir que o túmulo no qual Jesus foi sepultado estava realmente vazio na manhã da primeira Páscoa. E nenhum sinal de evidência apareceu ainda, nas fontes literárias, epigrafia ou arqueologia, que pudesse negar esta afirmação”.
Só um adendo na objetivação do dr. Paul, já existe uma evidência contrária na arqueologia, o túmulo de Talpiot, mas ele é amplamente desconsiderado, especialmente depois do documentário “The Jesus Tomb Unmasked”.
Bom, como quase nenhum estudioso contesta o fato do túmulo vazio, também não vou me prender nele. O que os mais céticos contestam são as circunstâncias pelas quais o corpo desapareceu. Vamos analisar cada uma delas aqui.

Os motivos

Os romanos:
Bom, os romanos não eram candidatos a querer o corpo desaparecido. Vamos lembrar que o surgimento de uma doutrina filosófica poderia colocar em risco a aceitação passiva dos judeus em relação ao domínio que o império romano exercia sobre eles.
Tanto isso é verdade que Roma foi uma feroz combatente do cristianismo até que Constantino adotou a religião de forma oficial, três séculos mais tarde.
Os principais entre os judeus:
Esses eram outros que não queriam a nova filosofia se expalhando. primeiro porque ela colocava em xeque a autoridade deles, segundo porque foram eles mesmos que levaram à morte de Jesus. Eles não iriam potencializar a filosofia contra a qual eles lutaram tão arduamente.
Os discípulos:
Eles poderiam até ter os motivos, (ainda que isso seja meio obscuro) mas será que tinham os meios? Vou discutir sobre isso um pouco mais adiante.
Alguém não conectado a Jesus:
É difícil teorizar porque alguém teria a intenção de roubar o corpo de Jesus, não sendo um desses três. Poderia ser alguém como Leonardo da Vinci, que roubava corpos de um cemitério para estudar anatomia. Ainda assim a escolha pelo corpo de Jesus, em particular, parece ser obtusa, ainda mais porque o corpo estava sendo vigiado por soldados romanos.
José de Arimatéia:
Ele era o dono do sepulcro onde Jesus foi enterrado. Ele poderia ter roubado o corpo secretamente, de maneira que os discípulos pensassem que Jesus ressuscitou. Mas ele enfrentaria as mesmas dificuldades que os citados acima, que discutirei agora.

Os meios

Este é o decreto de Nazaré. Ou a Inscrição de Nazaré.
A origem dela é meio obscura. Ela fazia parte do acervo pessoal de um colecionador chamado Franz Cumont. Ele morreu em 1925 seu lote foi doado. A única inscrição nela que remete à algum dado histórico diz “marble slab sent from Nazareth in 1878” (laje de mármore enviada de Nazaré em 1878). Sua autenticidade já foi questionada, mas hoje sabe-se que ela é datada por volta de 42.D.C. e é autêntica. Na fonte tem mais dados sobre ela.
A inscrição diz:

“Édito de César: É minha decisão que túmulos e tumbas permaneçam perpetuamente inviolados. Mas se alguém delatar que outra pessoa destruiu, ou de alguma forma retirou aqueles que foram sepultados, ou moveu o corpo para outro lugar com intenção maléfica, ou cometeu algum crime contra o morto, ou removeu a pedra que sela o sepulcro, contra esses eu ordeno que haja um julgamento, principalmente se for por motivo religioso. Pois é necessário que se honre aqueles que foram sepultados. Ninguém deve retirar o corpo sob nenhuma circunstância. Mas se alguém não cumprir minha ordem, é meu desejo que sofra a pena capital, sob acusação de violação da sepultura”

Quando ela foi descoberta, divulgou-se de que ela seria uma reação do imperador romano (Cláudio, o César da época) à notícia do desaparecimento do corpo de Jesus. Isso poderia ser a prova indiscutível da ressurreição de Jesus.
Na verdade os céticos argumentam que mesmo a origem dela é incerta. Segundo eles, Nazaré era uma cidade portuária e mercantil (embora não se saiba muito a respeito da cidade) e que a laje poderia ter sido comprada por alguém lá e lá ficado até ser adquirida pelo colecionador. Além disso, eles também argumentam que esse tipo de decreto era comum entre os romanos, e que isso não seria uma reação à descoberta do desaparecimento do corpo.

Independente disso, esse decreto deixa uma certeza: as leis sobre a violação de túmulo eram extremamente rígidas! Quem quer que o violasse, estaria sujeito à pena capital, seja o dono do sepulcro, ou familiares e pessoas próximas ao morto.

Sem contar que o ladrão do túmulo teria uma missão difícil para roubar o corpo. Ele estava guardado por soldados romanos. Quem quer que o fizesse precisaria esperar que os guardas dormissem, remover a pedra de duas toneladas silenciosamente, e sair com o corpo sem serem notados.
A resposta de Pilatos aos fariseus foi “Vocês têm uma guarda”, o que pode ser interpretado a partir dessa frase é: eles tinham uma guarda do exército romano ou já tinham a sua própria guarda como a polícia do templo. As autoridades predominantes concluem que uma guarda romana fora colocada lá. De outra forma, por que os fariseus iriam pedir a Pilatos que mantivesse o sepulcro em segurança? Eles não precisariam de sua autorização para colocar uma guarda que estava sob suas ordens.
As guardas romanas eram da ordem de cerca de 10 a 30 soldados.
Apesar disso, o número de guardas é apenas uma especulação. Ninguém sabe ao certo quantos guardas havia. Alguns estudiosos afirmam que seria apenas 4. Outros que havia mais de 25 ali, que se revezavam em turnos.
Além disso, os guardas colocaram o selo romano no túmulo.
“E, indo eles, seguraram o sepulcro com a guarda, selando a pedra.”
(Mateus 27:66)
O livro de Mateus coloca uma luz sobre o assunto:

“E, congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados, 
Dizendo: Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram.
E, se isto chegar a ser ouvido pelo presidente, nós o persuadiremos, e vos poremos em segurança.
E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado este dito entre os judeus, até ao dia de hoje.” (Mateus 28:12-15)

Algumas pessoas argumentam que esse já era um boato que ocorria na época, como se percebe quando Mateus usa a expressão “até os dias de hoje”. Com isso, eles alegam que os soldados poderiam ter sido subornados pelos ladrões do corpo.
Mas vejam, se os soldados aceitassem o suborno eles estariam arriscando suas próprias vidas! Na situação descrita em Mateus o corpo já havia desaparecido. Ou eles aceitavam o suborno e contavam com um aliado pra dissuadir o imperador da pena capital, ou eles mantinham a história da ressurreição miraculosa e perdiam a vida. Os guardas colocaram o selo romano no túmulo pra ter certeza de que ele jamais seria rompido, pois uma vez rompido o selo, os guardas também pagariam com suas vidas.
Além do mais, como eu já disse, a ideia de todos os guardas dormindo ao mesmo tempo, e dos ladrões conseguindo remover a pedra silenciosamente e roubar o corpo furtivamente é muito ilógica. Fora o risco altíssimo ao qual eles estariam se submetendo. Sem contar que o caráter moral dos judeus da época considerava um sacrilégio fazer isso no dia de sábado.
Representação dos túmulos da época de Jesus.

A disposição dos lençóis

Existem dois dados relevantes aqui acerca dos lençóis que envolveram Jesus.
1) “Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão. Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.” (João 20:6-7)
O Sudário não estava junto com os panos no chão. Ele estava enrolado e em um lugar à parte. Isso não demonstra a ideia de fuga! Os lençóis, aparentemente, também não estavam jogados.

“Não sei dizer o porquê disso, mas a ARA omite uma palavra do verso 6 e do verso 7. No verso 6, é dito que ele [Pedro] “também viu os lençóis.” Em grego, a frase diz literalmente: “e viu os lençóis colocados” ( καὶ θεωρεῖ τὰ ὀθόνια κείμενα ). Neste caso, a expressão τὰ ὀθόνια κείμενα (ta othonia keimena) diz que os lençóis estavam dispostos, colocados, não jogados. Inclusive, segundo o Analytical Lexicon of the Greek New Testament, o verbo κείμαι (keimai), que na expressão aparece no particípio presente passivo plural acusativo neutro (em concordância com e qualificando τὰ ὀθόνια ), significa, literalmente, o resultado de colocar algo em algum lugar, com ênfase no sentido espacial [2]. Em outras palavras, κείμενα significa colocados espacialmente, dispostos. Ainda, segundo Lidell, o verbo κείμαι, originalmente, significa deitar esticado, reforçando o sentido de que os lençóis estavam dispostos, organizados, esticados e não jogados [3].
No verso 7, é dito que o lenço ( σουδάριον ) “não estava com os lençóis.” Em grego, a frase diz literalmente: “não com os lençóis colocado” ( οὐ μετὰ τῶν ὀθονίῶν κείμενον ). Nesse caso κείμενον (keimenon) se refere à σουδάριον (soudarion), ambos no neutro singular, e não à τῶν ὀθονίῶν (tōn othoniōn), genitivo plural. O que está sendo dito é que ao invés de estar colocado espacialmente, o lenço está ἐντετυλιγμένον (entetyligmenon), dobrado, em outro lugar. Assim, João está contrapondo o lugar onde os lençóis e o lenço estão, mais do que a sua disposição. Enquanto os lençóis estão dispostos, organizados de um lado, o lenço está em outro lugar dobrado. Apesar de não podermos, taxativamente, afirmar, biblicamente, que os lençóis estavam dobrados, podemos com segurança afirmar que eles estavam, no mínimo, organizados e não jogados.”

2) O segundo é mais óbvio. Se alguém fosse roubar o corpo de Jesus, bastava pegar o corpo e levá-lo. Para que alguém se daria ao trabalho de desenfaixar o cadáver e levar o corpo nu de Jesus?

Outras teorias para explicar o sumiço do corpo

Teoria do túmulo errado: Essa teoria pra mim não é nem digna de nota. Estou colocando porque sei que ela existe e quero fazer uma compilação bem completa.
Acho que é muita forçação de barra acreditar que todo mundo esqueceu qual era o túmulo e foi procurar o corpo em outro. Até porque as mulheres já haviam estado lá antes. Se o próprio império romano tivesse realocado o corpo nesse ínterim, eles o teriam apresentado na época pra acabar com os crescentes rumores da ressurreição.
Teoria do não-sepultamento: Essa teoria diz que Jesus em vez de sepultado foi jogado em uma vala qualquer junto com os outros crucificados. Mas se esse fosse o caso os evangelhos não teriam como ser tão específicos sobre o túmulo onde Cristo foi enterrado. Ele foi enterrado no túmulo de José de Arimatéia, um membro do conselho! Se isso fosse uma invenção qualquer um em Jerusalém teria descreditado os relatos e a história da ressurreição não teria crescido ali naquele local.
Uma outra coisa que depõe contra o fato de que o corpo de Jesus foi roubado é que Jesus apareceu para muita gente depois. Vamos analisar esse fato.
5) As aparições de Jesus
Os evangelhos dizem que Jesus apareceu a:
1) Maria Madalena (João 20:10-18)
2) Maria e outras mulheres (Mateus 28: 1-10)
3) Pedro (1 Corintios 15:5)
4) Dois discípulos (Lucas 2:13-35)
5) Dez discípulos (Lucas 24:36-49; João 20:19-23)
6) Onze discípulos (João 20:24-29)
7) Sete discípulos (João 21)
8) Todos os discípulos -> grande comissão (Mateus 28:16-20; Marcos 16:14-18)
9) Quinhentas pessoas (1 Corintios 15:6)
10) Tiago (1 Corintios 15:7)
11) Todos os apóstolos -> ascensão (Atos 1:4-8)
12) Paulo (Atos 9:1-9; 1 Corintios 15:8)
O caso do apóstolo Paulo é emblemático.
Ele era um judeu convicto e um feroz perseguidor do cristianismo. Ele chegou inclusive a matar alguns cristãos, como o caso de Estêvão, narrado no livro de Atos. Ele era um perseguidor tão contumaz que pediu permissão para ir para outra cidade, Damasco, para combater o avanço do cristianismo lá também.
Só que nesse caminho ele teve uma visão e a partir daí, de ferrenho combatente se tornou um dos maiores cristãos.
Existem duas fontes diferentes que relatam a visão de Paulo. O evangelista Lucas (autor do livro de Atos), e próprio Paulo confirma a história.
Ele teve sua vida transformada naquele momento, além disso, ele creditava sua própria salvação ao fato de que Jesus ressuscitou:

“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” (Romanos 10:9)

Vale lembrar que o apóstolo Paulo morreu torturado e decapitado por Nero, em 67d.C. exatamente por sustentar essa versão da história.
Então alguma coisa certamente ele viu.
Vamos analisar a teoria que tenta explicar isso.

A teoria da alucinação

Essa teoria diz que as aparições de Jesus são apenas fruto da imaginação dos que viram. Do mesmo jeito que muitas pessoas vêem espíritos em casas mal assombradas apenas porque acreditam que eles estejam lá, os discípulos viram Jesus apenas porque isso era algo que eles queriam ver.
Como diz o ditado: “A assombração sabe pra quem vai aparecer”.
Então vamos analisar essa hipótese.

A pré-disposição para ver Jesus existia?

Tudo indica que não. Eis aqui os motivos:
1) Os discípulos provavelmente não entenderam que Jesus haveria de ressuscitar, ou não acreditaram, porque eles se reuniram em Jerusalém para discutir como eles fariam para fugir de lá e voltarem para suas vidas de pescadores.
2) A princípio, ninguém acreditou que Jesus havia ressuscitado:
“E no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro. Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.” (João 20:1-2)
Reparem que Maria Madalena, a princípio, não acreditou na ressurreição, mas sim que o corpo havia sido roubado.
“Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.” (João 20:24-25)
3) Eles não reconheceram Jesus quando o viram.
“E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus.” (João 20:14)
Nada disso demonstra um estado de sugestionamento. Além deles não crerem quando contaram que Jesus havia ressuscitado, não o reconheceram quando o viram. Isso é totalmente diferente das visões de pré-sugestionamento, onde qualquer coisa diferente que se vê ou escuta é logo atribuída àquilo que se quer ver ou interpretar.
4) A mudança de postura.
O apóstolo Paulo perseguia e matava cristãos. A visão dele não pode ser de maneira nenhuma atribuída à idéia de alguém sugestionado, visto que a última coisa que ele iria querer ver é alguém que colocasse em xeque tudo aquilo que ele julgava ser o mais correto padrão ideológico que existia.

As alterações da percepção

Essas são as alterações da percepção que nós temos, segundo os conhecimentos atuais da psiquiatria:
5. FALSAS PERCEPÇÕES:
a. PAREIDOLIAS: percepções fantásticas em um objeto real (imagens de animais quando se olha para as nuvens, mas o observador sabe que o objeto observado é uma nuvem);
b. ILUSÕES: percepções deformadas do objeto real momentaneamente aceita pelo juízo de realidade.
c. ALUCINAÇÕES: aparecimento de uma imagem na consciência sem um objeto real (imagem alucinatória), com as características de uma imagem perceptiva real e por isso aceita pelo juízo de realidade:
– Alucinações Visuais: podem ser elementares (fagulhas, clarões), diferenciadas (figuras, visões), lilipudianas (diminuídas) e guliverianas (gigantes);
– Alucinações auditivas: são as mais comuns, podem ser elementares (zumbidos, estalidos) e diferenciadas (vozes). Na esquizofrenia as vozes se dirigem ao paciente (primeira pessoa) e na alucinose alcoólica falam dele (terceira pessoa).
– Alucinações olfativas e gustativas: são raras e quase sempre associadas, consistem em cheiros desagradáveis (gás, lixo, animais mortos).
– Alucinações táteis: formigamento, picadas, queimaduras, animais repugnantes, relacionadas ao uso de cocaína e anfetaminas.
– Alucinações cenestésicas: relacionadas a sensibilidade visceral. Por exemplo, o paciente diz que seu intestino está amolecendo e apodrecendo.
– Alucinações sinestésicas: fusão e troca de duas imagens de qualidades sensoriais diferentes. Por exemplo, ver a cor do som.
– Alucinações cinestésicas: relacionada aos movimentos.
– Alucinações hipnagógicas (ocorre ao adormecer) e hipnopômpicas (ao acordar). Não significam doença, pois podem ocorrer em indivíduos sem doenças psiquiátricas.
d. PSEUDO-ALUCINAÇÕES: não possui projeção no espaço e nem corporeidade. Surge como vozes internas ou imagens internas e podem ocorrer nas mesmas situações das alucinações.
e. ALUCINOSES: possuem projeção no espaço externo e ocorre certa estranheza do paciente quando ao fenômeno perceptivo ocorrido, podem surgir no rebaixamento do nível de consciência e em lesões pedunculares e occipitais, assim como no alcoolismo (por exemplo: alucinose alcoólica).
A visão de Jesus se encaixaria, provavelmente, no critério Alucinação, e precisaria haver uma superposição de várias delas. Mas existem muitas coisas que depõem contra a teoria da alucinação.
As alterações da percepção são muito particulares. Se você for hoje a um hospital psiquiátrico vai ver pessoas com os mais variados distúrbios possíveis. Uns acham que são ETs, outros que são um sapo, outros que conversam telepatiamente com o Lula, outros que vêem monstros asquerosos, etc.
Alguém pode argumentar que na época de Freud e de outros, em que esses distúrbios começaram a ser descritos era muito clássico pessoas que achavam que eram Napoleão Bonaparte. Ele era uma figura história importante e relevante na época. No contexto histórico do Brasil atual, é extremamente raro distúrbios psiquiatricos envolvendo Napoleão. Da mesma forma, poderia ser comum que as pessoas vissem Jesus, já que a pregação da sua ressurreição já era um fato notório.
Mas mesmo assim não é comum que as pessoas vejam exatamente a mesma pessoa, e que ela faça a mesma cena. Aliás, essas percepções particulares passam pela mente das pessoas, como as pessoas que alegam verem ETs, e que todas elas vêem aquele mesmo padrão holywoodiano de um humanóide com cabeção e pele geralmente acinzentada ou esverdeada.
Jesus, por outro lado, fez coisas surpreendentes nessas aparições, o que contraria a lógica de um distúrbio psiquiátrico. Vejam:
“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.” (Atos 1:9)
Além do mais, mesmo que a alucinação pudesse se apresentar dessa forma, ainda assim não seria coerente crer que mais de 5 centenas de pessoas tivessem tido a mesma alucinação, simultaneamente.
Eles também não pareciam ser pessoas atormentadas por alterações constantes de percepção. O apóstolo Paulo parecia estar em seu perfeito juízo. Vejam esse trecho:
“Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios. Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor.” (Gálatas 2:15-18)
Percebam que ele cria toda uma linha argumentativa pra expôr o motivo pelo qual ele fala sua mensagem. Ele queria dizer aos gálatas que não havia necessidade de se circuncidarem mais, como os judeus, para se relacionarem com Deus, então se eles vivem pela fé mas voltam para a lei, então já estão trasngredindo a lei, por terem-na abandonado em primeiro lugar.
Essa linha de argumentação mostra uma pessoa em plena capacidade cognitiva, não uma pessoa atormentada por distúrbios psiquiátricos.
E mesmo sabendo que esse tipo de alucinação pode ocorrer em pessoas normais e até intelectuais, como nos casos de luto ou evento pós-traumático agudo, psicoses transitórias ou histeria, em nenhum momento o apóstolo Paulo se mostrou como sendo uma pessoa suscetível a esse tipo de transtorno, até porque ele também se baseava no testemunho de outras pessoas.
Mas tem mais.

Atitudes físicas

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” (Lucas 24:39)
“Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; O que ele tomou, e comeu diante deles.” (Lucas 24:42-43)
Jesus foi tocado pelos discípulos, e comeu com eles. Alucinação não se alimenta. Ou ainda que se tenha uma visão de alguém se alimentando, essa visão não pode consumir a comida oferecida, se esta for real. Alucinações também não podem ser tocadas, ainda que existam algumas formas de alucinações táteis, elas não coexistem com alucinações visuais.
Além disso, as alucinações geralmente duram alguns segundos ou minutos, e tendem a mudar constantemente. Jesus ficou com eles por quarenta dias!
“Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.” (Atos 1:3)
Por fim, uma última hipótese, que é uma espécie de superposição de algumas dessas já apresentadas.
6) A teoria da conspiração
Essa teoria diz que os discípulos, de alguma forma, sumiram com o corpo e criaram uma história fantasiosa a respeito de Jesus.
Em primeiro lugar, como eu já mostrei, os escritos não parecem ser forjados, e as teorias do sumiço do corpo também são bem obscuras, além dessa atitude não condizer com a conduta moral dos apóstolos.
De qualquer forma, creio que a mais contundente prova contra a teoria da conspiração é a seguinte: todos os apóstolos entregaram suas vidas para defender a mensagem do evangelho!
Vou repetir aqui o que coloquei no outro post, a morte dos discípulos:

ANDRÉ
Foi discípulo de João Batista, de quem ouviu a seguinte afirmação sobre Jesus: “Eis aqui o Cordeiro de Deus”. André comunicou as boas notícias ao seu irmão Simão Pedro: “Achamos o Messias” (João 1.35-42; Mateus 10.2). O lugar do seu martírio foi em Acaia (província romana que, com a Macedônia, formava a Grécia). Diz a tradição que ele foi amarrado a uma cruz em forma de xis (não foi pregado) para que seu sofrimento se prolongasse.
BARTOLOMEU
Tem sido identificado com Natanael. Natural de Caná de Galiléia. Recebeu de Jesus uma palavra edificante: “Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo” (Mateus 10.3; João 1.45-47) Exerceu seu ministério na Anatólia, Etiópia, Armênia, Índia e Mesopotâmia, pregando e ensinando. Foi esfolado vivo e crucificado de cabeça para baixo. Outros dizem que teria sido golpeado até a morte.
FILIPE
Natural de Betsaida, cidade de André e Pedro. Um dos primeiros a ser chamado por Jesus, a quem trouxe seu amigo Natanael (João 1.43-46). Diz-se que pregou na Frigia e morreu como mártir em Hierápolis.
JOÃO
O apóstolo que recebeu de Jesus a missão de cuidar de Maria. “O discípulo que Jesus amava” (João 13.23). Pescador, filho de Zebedeu (Mateus 4.21 O único que permaneceu perto da cruz (João 19.26-27). O primeiro a crer na ressurreição de Cristo (João 20.1-10). A tradição relata que João residiu na região de Éfeso, onde fundou várias igrejas. Na ilha de Patmos, no mar Egeu, para onde foi desterrado, teve as visões referidas no Apocalipse (Apocalipse 1.9). Após sua libertação teria retornado a Éfeso. Teve morte natural com idade de 100 anos.
JUDAS TADEU
Foi quem, na última ceia, perguntou a Jesus: “Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?” (João 14:22-23). Nada se sabe da vida de Judas Tadeu depois da ascensão de Jesus. Diz a tradição que pregou o Evangelho na Mesopotâmia, Edessa, Arábia, Síria e também na Pérsia, onde foi martirizado juntamente com Simão, o Zelote.
JUDAS ISCARIOTES
Filho de Simão, traiu a Jesus por trinta peças de prata, enforcando-se em seguida.(Mateus 26:14-16; 27:3-5).
MATEUS
Filho de Alfeu, e também chamado de Levi. Cobrador de impostos nos domínios de Herodes Antipas, em Cafarnaum (Marcos 2.14; Mateus 9.9-13; 10.3; Atos 1.13). Percorreu a Judéia, Etiópia e Pérsia, pregando e ensinando. Há várias versões sobre a sua morte. Teria morrido como mártir na Etiópia.
MATIAS
Escolhido para substituir Judas Iscariotes (Atos 1.15-26). Diz-se que exerceu seu ministério na Judéia e Macedônia. Teria sido martirizado na Etiópia.
PAULO
Israelita da tribo de Benjamim (Filipenses 3.5). Natural de Tarso, na Cilícia (hoje Turquia). Nome romano de Saulo, o Apóstolo dos Gentios. De perseguidor de cristãos, passou a pregador do evangelho e perseguido. Realizou três grandes viagens missionárias e fundou várias igrejas. Segundo a tradição, decapitado em Roma, nos tempos de Nero, no ano 67 ou 70 (Atos 8.3; 13.9; 23.6; 13-20).
PEDRO
Pescador, natural de Betsaida. Confessou que Jesus era “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.16). Foi testemunha da Transfiguração (Mateus 17.1-4). Seu primeiro sermão foi no dia de Pentecostes. Segunda a tradição, sua crucifixão verificou-se entre os anos 64 e 67, em Roma, por ordem de Nero. Pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por achar-se indigno de morrer na mesma posição de Cristo.
SIMÃO, o Zelote
Dos seus atos como apóstolo nada se sabe. Está incluído na lista dos doze, em Mateus 10.4, Marcos 3.18, Lucas 6.15 e Atos 1.13. Julga-se que morreu crucificado.
TIAGO, O MAIOR
Filho de Zebedeu, irmão do também apóstolo João. Natural de Betsaida da Galiléia, pescador (Mateus 4.21; 10.2). Por ordem de Herodes Agripa, foi preso e decapitado em Jerusalém, entre os anos 42 e 44.
TIAGO, O MENOR
Filho de Alfeu (Mateus 10.3). Missionário na Palestina e no Egito. Segundo a tradição, martirizado provavelmente no ano 62.
TOMÉ
Só acreditou na ressurreição de Jesus depois que viu as marcas da crucificação (João 20.25). Segundo a tradição, sua obra de evangelização se estendeu à Pérsia (Pártia) e Índia. Consta que seu martírio se deu por ordem do rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, no ano 53 da era cristã.

Uma mentira só é sustentada enquanto há lucro para quem a diz. Essas pessoas foram perseguidas, torturadas e mortas por pregar a mensagem da ressurreição de Jesus!
7) Considerações finais
Bom, as últimas considerações quero fazer são a de que além de todas essas teorias dificilmente se sustentarem sozinhas, a maior parte delas depende de outras, o que torna tudo muito menos provável. A teoria da alucinação, por exemplo, depende de uma teoria de sumiço do corpo, visto que mesmo vendo Jesus em visão, a presença do corpo inviabilizaria a idéia da ressurreição, assim como a teoria do mito espontâneo. A teoria do desmaio depende da teoria da conspiração. Etc.
Se alguém for analisar as evidências sem conclusões pré-estabelecidas vai ver que tudo indica que Jesus realmente ressuscitou. 
Quero deixar uma citação para reflexão de todos. É de Pinchas Lapide, judeu ortodoxo, e inclusive cônsul israelense na Itália. Já escreveu mais de 30 livros, e um deles especificamente sobre a ressurreição. Sem negar suas tradições judaicas ou se converter ao cristianismo ele afirmou o seguinte:

Citação:
Eu entendo, com base em minhas pesquisas, que a ressurreição de Jesus não foi uma invenção da comunidade de discípulos, mas um evento real (…) Quando que um bando de temerosos apóstolos poderia repentinamente se transformar numa só noite numa confidente sociedade missionária? … Nenhuma visão ou alucinação poderia explicar uma transformação tão revolucionária.

Fonte: Fórum.

Leia a 1ª parte aqui e a 3ª parte aqui!

Evidências da ressurreição de Jesus Cristo (#‎AlfabetizaçãoPolíticoCientífica‬)

[Escrito no facebook aos 2 de novembro] #‎BomDia‬ Hoje, dia dos que já morreram, venho eu lhe fazer raciocinar sobre morte, ressurreição, Jesus Cristo e ciência!

Que Jesus existiu e morreu isto é fato histórico. Mas, Ele ressuscitou? O método científico historicista sugere que SIM, muito embora não muitos da comunidade científica estejam interessados em investigar o tema.
Por quê? Simples: a existência, a morte e a RESSURREIÇÃO de Jesus colocaria em xeque o estilo de vida rebelde de crentes e descrentes, e quem gosta de ter sua liberdade questionada? Bom, se você é um seguidor de Cristo, como eu, sua liberdade é definida pelo que Ele diz e não pelo outros dizem, certo? No entanto, a ciência materialista e os professores que educam nessa direção não pensam assim e influenciam seus adeptos a viverem de modo a ignorar as claras evidências da ressurreição (e de outros milagres como a origem da vida, da Matemática e do universo) e suas implicações! (Se Jesus é real, o Gênesis bíblico é real, a criação é real, o casamento heterossexual e monogâmico é real, os 10 Mandamentos originais são reais, o pecado é real e o Plano da Redenção da humanidade é real, culminando com a vinda de Cristo em breve! Uau, quantas implicações negativas para quem opta por ser deliberadamente libertino, hein?)
Só pra você ter uma ideia do que estou falando:
“Creio na evolução não porque haja evidência coerente, mas porque é a única alternativa à Criação” (D. Watson, professor de Evolução, Universidade de Londres).
“A evolução não é provada e é improvável; acreditamos nela porque é a única alternativa à Criação, que é impensável” (Arthur Keith, antropólogo).
“Não quero crer em Deus. Assim, escolho crer no que sei ser cientificamente impossível: evolução” (George Wald, prêmio Nobel, Harvard).
“A razão de nos lançarmos sobre a Origem das Espécies é que a ideia de Deus interfere com nossos hábitos sexuais” (Julian Huxley, Unesco).
Então, querido(a), se você segue a Jesus, vou te dar razões científicas para fazê-lo de modo coerente. Se você ignora Jesus, vou tirar suas desculpas.
” [O] modo cético de pensar alcança sua culminação no argumento de Jesus, enquanto um ser humano, jamais existiu e tudo não passou de mito […] Porém, acima de tudo, se nos dedicamos ao Novo Testamento deveríamos aplicar os mesmos tipos de critérios de investigação que usamos para escritos antigos contendo material histórico. Hoje não podemos mais rejeitar a existência histórica de Jesus como também não podemos rejeitar uma multidão de personagens seculares cuja a realidade histórica jamais pode ser questionada. Certamente, existem todas aquelas discrepâncias entre um evangelho e o outro . Mas nós não negamos, por exemplo, que um evento tenha realmente acontecido apenas porque Tito Lívio ou Políbio parecem tê-lo de maneira diferente […] Hoje nenhum acadêmico sério se aventuraria a postular a não historicidade de Jesus” (Michael Grant, 1977; este cidadão era ateu confesso…).
“Se Cristo não ressuscitou dos mortos, o longo curso dos atos redentores de Deus para salvar Seu povo termina numa rua sem saída, numa tumba. Se a ressurreição de Cristo não é uma realidade, então não temos nenhuma segurança de que Deus é o Deus vivo, pois a morte tem a última palavra. A fé é fútil porque o objeto dessa fé não vindicou a Si mesmo como o Senhor da vida. Se Cristo está, de fato, morto, a fé cristã, então, está encarcerada numa tumba juntamente com a suprema e mais elevada autorrevelação de Deus em Cristo” (George Eldon Ladd, 1974).
Isto é só a ponta do iceberg. Te dou três vídeos com detalhes históricos e arqueológicos capazes de varrer a ignorância e a teimosia de qualquer mente disposta a aprender:
Evidências da ressurreição (com o pesquisador Dr. Rodrigo P. Silva):
Um forte abraço e sugiro a você que encare a morte com esperança, pois Jesus prometeu a ressurreição de Seus filhos e, diferentemente do blá blá blá de muitos políticos, Ele mesmo ressuscitou!
Por Hendrickson Rogers via facebook.

(Confira uma segunda parte desta pesquisa AQUI.)

Por que a Medicina ignora a teoria da evolução?

Ao mesmo tempo em que a Medicina avançou muito no século 20, ela também cometeu atrocidades ao abraçar o dogmatismo evolucionista. Milhares de pacientes “tratados” com os princípios médicos darwinianos sofreram desnecessariamente, experimentando confusão, cirurgias dolorosas e desumanas e até mesmo a morte. Um dos exemplos e o mais notório dentre eles foi a defesa médica da promoção e prática de eugenia.
A eugenia surgiu de uma missão em melhorar a composição genética geral da raça humana por meio de experiências científicas, onde os médicos eugenistas selecionavam e produziam biologicamente pessoas “superiores” ao forçar a eliminação de “defeitos” genéticos por esterilização, aborto ou eutanásia de pessoas “inferiores”. Essa prática foi devida à medicina darwiniana [1]. Muitas vidas foram destruídas durante a primeira manifestação em grande escala a partir da crença de Charles Darwin de que “as raças civilizadas do homem quase certamente exterminaria e substituiria as raças selvagens em todo o mundo” [2: p.241-242].
Os métodos eugenistas utilizados ganharam destaques científicos e serviram como um protótipo para a introdução de ideias evolucionistas na medicina [3]. Foram criadas revistas científicas, tais como os Annals of Eugenics e Eugenics Quarterly desde fóruns de discussão intelectual com revisão por pares. As principais revistas de ciência da época também promoveram a eugenia. Aos defensores da medicina darwiniana foram dadas altas honras acadêmicas, enquanto os dissidentes foram marginalizados.
Essas ações deram à eugenia uma aparência de respeitabilidade científica, seguida de aceitabilidade médica. Qual foi o resultado? Somente nos Estados Unidos, mais de 70.000 vítimas foram esterilizadas, incluindo 8.000 procedimentos em Lynchburg, Virginia [4]. Em muitos outros países, como o genocídio dos Hereros (povo que habita a Namíbia) e mais notoriamente na Alemanha, milhares de incontáveis sofreram os horrores da eugenia [5, 6].
Portanto, a Medicina darwiniana esteve diretamente à serviço do nazismo, e muitos cientistas médicos seguiram Hitler sem resistência [7, 8]. Mas por que a evolução está ausente nos pensamentos e práticas dos médicos modernos? A literatura relata que “quando os horrores nazistas foram divulgados no final da II Guerra Mundial, as publicações científicas sobre evolução e medicina cessaram de repente” [9: p.1801].
E o que dizer do conceito de órgãos vestigiais? Por causa do livro The Descent of Man de Darwin e da subsequente medicina darwiniana, que considerou órgãos perfeitamente saudáveis como rudimentares e inúteis, a Ciência estagnou e/ou regrediu durante décadas [3]. Milhares de órgãos foram extirpados “profilaticamente”! Muitos desses órgãos, discutidos nos capítulos anteriores, somente hoje suas funções são reconhecidas cientificamente.
Entretanto, ignorando o histórico médico darwiniano, alguns cientistas neodarwinistas ainda hoje alegam que a Medicina seria “impossível” sem uma profunda crença na teoria da evolução [10, 11]. Aliás, é visível o desespero da comunidade científica representada principalmente por biólogos evolucionistas na tentativa de trazer a Medicina de volta para o seu lado, e até mesmo em discipliná-la rigorosamente na forma como devem aprender, quando devem aprender e como devem aprender [9, 10].
Biólogos neodarwinistas defendem a introdução de uma nova disciplina no curso de Medicina: medicina darwiniana [9, 10]. Eles oferecem garantias de que a aplicação de princípios evolutivos para o cenário atual da saúde pública não deve ser temido, porque, eles escrevem, “novas abordagens evolutivas para a medicina são quase inteiramente desconectadas com esses movimentos anteriores” [9: p.1801]. Dois proponentes do neodarwinismo, George Williams da Universidade Estadual de Stony Brook, e Randolf Nesse da Universidade de Michigan, afirmam:
Biologia Evolutiva […] não tem sido enfatizada nos currículos médicos. Isso é lamentável, porque novas aplicações de princípios evolutivos para problemas médicos mostram que os avanços seriam ainda mais rápidos se os profissionais médicos estivessem tão sintonizados com Darwin como têm sido para Pasteur [12: p.2].
No entanto, é provável que os autores desconheçam o fato de que as contribuições de Louis Pasteur para a medicina foram completamente independentes de hipóteses evolutivas [3]. Ele dirigiu a investigação em áreas que têm inegavelmente salvado milhões de vidas ao contrário das explicações insignificantes da abordagem darwinista. Outro exemplo é o de Paul Sherman, biólogo evolucionista da Universidade de Cornell, o qual analisa se os sintomas são “adaptações úteis” ou verdadeiras patologias. Ele refere que:
“[…] uma febre ligeira […] é muitas vezes a resposta natural do organismo à infecção. Estudos mostram que uma febre leve induz a um tempo de recuperação mais rápido. […] Com este conhecimento, […] um médico pode sugerir que uma febre leve pode ser vencida [sozinha] como a cura mais facilitada para uma doença. […] [Sherman] observou que a abordagem da medicina darwiniana é um acréscimo à caixa de ferramentas do médico para oferecer uma ampla gama de tratamentos, incluindo aconselhamento de um paciente em alguns casos, para ajudar o [próprio] sistema evoluído do corpo a fazer a cura” [13].
As teorias darwinianas “inovadoras” sobre a doença incluem: 1) o daltonismo ligado ao X evoluiu para ajudar os caçadores masculinos paleolíticos a enxergar camuflagem; 2) a coceira associada a picadas de insetos evoluiu para que as pessoas evitassem ser mordidas; 3) a miopia pode ser resultado de uma interação entre genes e de uma característica do trabalho próxima de sociedades alfabetizadas; 4) salivação, lacrimejamento, tosse, espirros, vômitos (particularmente “doença matutina”), e diarreia evoluíram para expulsar substâncias nocivas e agentes microbiológicos; e 5) repugnância natural dos seres humanos para com lixo, fezes, vômito, e purulência é uma defesa evoluída contra o contágio [14, 15].
Como pode ser visto a medicina darwiniana não acrescenta nada à caixa de ferramentas do médico. Por exemplo, o único aspecto darwiniano para a interpretação de Sherman acerca da interação febre-infecção observada é a suposição inexplicável de que a febre é uma resposta evoluída [3]. Tais explicações falham diante dos padrões científicos aceitos, visto que não podem ser testadas. Mesmo aquelas observações benéficas putativas da seleção natural, tais como a resistência bacteriana aos antibióticos, a vantagem heterozigota da doença falciforme na resistência à malária e a deficiência da enzima G6PD que causa anemia hemolítica, mas também oferece proteção contra a malária, não são baseadas em medicina darwiniana, mas foram observadas através das ciências básicas relevantes de microbiologia e genética molecular.
É também importante notar que nenhuma das explicações darwinianas integra (muito menos são baseadas em ensaios) de filogenia ou desenvolvimento evolutivo físico real do próprio organismo [3]. Hipóteses evolucionistas sobre a fisiologia humana são notoriamente difíceis de investigar, dado longos períodos de geração dos seres humanos [16]. Essa falha, juntamente com necessidades acrescidas de ensinar uma nova pesquisa médica se dá, possivelmente, porque a medicina evolutiva foi deixada de fora dos currículos de cada escola médica americana [3]. “Adicione a isso o fato de que o campo não conseguiu até agora fornecer resultados clinicamente úteis e você verá por que as escolas de medicina não têm interesse”, admitiu o proponente da medicina evolutiva Stephen Lewis [16].
Mas não se engane! Stephen Lewis não é o único a admitir a falta de utilidade da teoria que ele próprio defende. O biólogo neodarwinista Jerry Coyne também afirmou na revista Nature:
“Verdade seja dita, a [teoria da] evolução não tem produzido muitos benefícios práticos ou comerciais. Sim, a bactéria evolui resistência aos medicamentos, e sim, nós devemos tomar medidas defensivas, mas além disso não há muito o que dizer. A [teoria da] evolução não pode nos ajudar a predizer quais novas vacinas a fabricar porque os micróbios evoluem de modo imprevisível. Mas a [teoria da] evolução não ajudou a guiar o melhoramento do cruzamento animal e de plantas? Não muito. A maioria do melhoramento do cruzamento de plantas e animais ocorreu muito antes de nós sabermos qualquer coisa sobre a [teoria da] evolução, e isso veio pelas pessoas que seguiram o princípio genético de que “os semelhantes geram semelhantes”. Mesmo hoje, como seus praticantes admitem, o campo da genética quantitativa tem sido de pouco valor em ajudar a melhorar as variedades. Os avanços futuros quase que certamente virão dos transgênicos, que não são de jeito nenhum baseados na [teoria da] evolução” [17: p.984].
No entanto, até mesmo a resistência bacteriana ao antibiótico a qual Coyne se refere não tem nada a ver com a macroevolução. Na verdade, a suposição de que as características de resistência têm realmente evoluído em patógenos é errônea [18]. A resistência aos antibióticos envolve a seleção natural e o embaralhamento genético de genes que a bactéria já possui. É por isso que a resistência aos antibióticos em uma população de bactérias pode desenvolver-se rapidamente, sem a necessidade de milhões de anos. Além do mais, bactérias que exibem um crescimento mais rápido e um aumento na capacidade competitiva das cepas (metabolização de citrato na ausência de oxigênio ou resistência a antibióticos, por exemplo), também apresentam custo de fitness, ou seja, perda de informação genética devido à ocorrência de acúmulo de mutações deletérias, o que resulta em diminuição de seus genomas [19, 20].
Entretanto sabemos que, contra fatos, não há argumento. Sendo assim, em 2007, uma pesquisa norte-americana realizada pelo Seminário Teológico Judaico, em âmbito nacional, analisou 1.472 médicos e descobriu que 38% deles acreditam que os seres humanos evoluíram naturalmente, sem envolvimento sobrenatural. Por outro lado, do total de entrevistados, 34% acham que uma inteligência superior desempenhou um papel na origem dos seres humanos [44]. Essa é uma parte muito significativa dos médicos que apoiam o design inteligente. Além disso, metade dos médicos pesquisados acredita que as escolas deveriam ser autorizadas, mas não obrigadas, a ensinar a teoria do design inteligente (TDI).
Diante desses resultados, alguns neodarwinistas se adiantaram em argumentar que médicos não são cientistas. Para David Gorski, cirurgião e pesquisador da Universidade Estadual de Wayne, por exemplo, “a maioria dos médicos não são cientistas. Isso não é uma crítica negativa, mas eles são mais parecidos com os engenheiros” [45]. Será mesmo? Como vimos anteriormente [arquivo 1 e 2], cientistas médicos fizeram parte dos principais avanços da “História da ciência médica”, e olha que nessa compilação nem mesmo de longe se encontram os principais contribuintes. Para conhecer mais cientistas que fizeram a diferença nas ciências médicas, sem, no entanto, se utilizar dos princípios evolutivos, eu sugiro a leitura do livro de Henry Morris, intitulado Men of Science, Men of God: Great Scientists Who Believed the Bible.
Percebemos em sua fala que, Gorski tenta justificar sua afirmação com uma tentativa de compensação comparando médicos a engenheiros. Mas consideremos sua afirmação por um breve momento. Para os proponentes do design inteligente, exercer uma rotina diária e estafante é algo que os biólogos evolucionistas nunca o fazem [46]. A responsabilidade do médico ou do engenheiro é manter, desenvolver ou construir sistemas complexos, mesmo a partir do zero, sistemas estes que devem operar de forma contínua, sem falha. Se o sistema falhar, então o médico ou o engenheiro fracassou em seu trabalho. Nesse sentido, os resultados de uma falha podem ser fatais − para o paciente na mesa de operações ou para o passageiro do avião, por exemplo.
Para Michael Egnor, neurocirurgião do departamento de Pediatria da Universidade Stony Brook e proponente do design inteligente, “se você precisou de tratamento para um tumor no cérebro, sua equipe médica iria incluir um físico (que projetou a ressonância magnética que diagnosticou o tumor), um químico e um farmacologista (que fez o medicamento para tratá-lo), um engenheiro e um anestesista (que projetou e usou a máquina que lhe dar anestesia), um neurocirurgião (que fez a cirurgia para remover seu tumor), um patologista (que estudou o tumor sob um microscópio e determinou que tipo de tumor era), e as enfermeiras e oncologistas (que cuidaram de você para que se recuperasse e garantisse que o tumor não voltaria). Não haveria biólogos evolutivos em sua equipe” [47].
Portanto, em um ponto os neodarwinistas estão certos: os médicos não precisam da teoria da evolução. Segundo o Pacific Standard, “embora os médicos usem muitos insights da Biologia, muitos realmente não precisam entender ou acreditar na evolução corretamente para fazer seus trabalhos” [45]. Para Gilbert Omenn, médico e pesquisador da Universidade de Michigan, “cuidados médicos de rotina não requer um monte de pensar sobre a biologia subjacente ou evolução”. Ele acrescenta que: “o porquê e até mesmo a forma como [se dá tal processo] não é essencial se você tem [um bom conjunto] de evidências publicadas de algo que funciona e você já viu isso funcionar em alguns de seus pacientes, então, é suficiente para tentar ajudar o seu paciente no melhor que puder”.
Como podemos perceber neste capítulo, está claro que a medicina darwiniana é uma farsa! Nenhum prêmio Nobel de medicina já foi concedido para o trabalho na biologia evolutiva. Por muito tempo ela se ergueu sobre os ombros de verdadeiros pesquisadores, se apropriou dos principais insights médicos, e, em seguida, os afirmou como sendo seus, enquanto desviava grandes quantidades de dinheiro para longe da boa e significativa pesquisa médica [3]. O legado das ideias de Darwin para a medicina é irrelevante e desastroso.
Além do desperdício de tempo, talento e recursos da comunidade médica, o legado mais duradouro de Darwin para esse campo é, e sempre será, o sofrimento de milhares incontáveis de pessoas a quem a medicina foi originalmente concebida para curar. Que a Medicina, como a conhecemos hoje, permaneça fiel à ciência empírica, distante dos caminhos escuros os quais passou sob o domínio do dogmatismo evolucionista!
REFERÊNCIAS
[1] Weikart R. From Darwin to Hitler: Evolutionary Ethics, Eugenics, and Racism in Germany. New York: Palgrave Macmillan, 2004. Edwin Black documentou a reprodução seletiva da América e do programa de esterilização forçada em “War Against the Weak: Eugenics and America’s Campaign to Create a Master Race”.
[2] Darwin C. The Descent of Man. London: John Murray, 1901.
[3] Guliuzza RJ. Darwinian Medicine: A Prescription for Failure. Acts & Facts 2009; 38 (2):32. Disponível em: http://www.icr.org/…/darwinian-medicine-prescription-for-f…/
[4] Wieland C. The Lies of Lynchburg. Journal of Creation 1997; 19(4):22-23. Disponível em: http://creation.com/the-lies-of-lynchburg
[5] Bullock A. Hitler: A Study in Tyranny. 5. Ed. New York: Harper Perennial, 1991.
[6] Ambler M. Herero genocide. Journal of Creation 2005; 27(3):52–55. Disponível em: http://creation.com/herero-genocide
[7] Newsmakers. Science. 2008; 319(5865):883.
[8] Abbott A. Lessons from the dark side. Nature. 2008; 451:755.
[9] Nesse RM, Bergstrom CT, Ellison PT, Flier JS, Gluckman P, Govindaraju DR, Niethammer D, Omenn GS, Perlman RL, Schwartz MD, Thomas MG, Stearns SC, Valle D. Making evolutionary biology a basic science for medicine. Proc Natl Acad Sci U S A. 2010; 107(Suppl 1):1800-7.
[10] Nesse RM, Stearns SC, Omenn GS. Medicine needs evolution. Science. 2006; 311(5764):1071.
[11] Collins FS. The Language of God: A Scientist Presents Evidence for Belief. New York: Free Press, 2006, p.133.
[12] Williams G, Nesse R. The Dawn of Darwinian Medicine. The Quarterly Review of Biology. 1991; 66(1):1-22.
[13] Ramanujan K. Intelligent design? No smart engineer designed our bodies, Sherman tells premeds in class on Darwinian medicine. Cornell University press release, 2005. Disponível em: http://www.news.cornell.edu/…/intelligent-design-no-smart-e…
[14] Nesse RM, Williams GC. Why We Get Sick. New York: Random House, 1994.
[15] Rannala B. Evolving Health: The Origins of Illness and How the Modern World Is Making Us Sick. Journal of the American Medical Association 2003; 289(11):1442-1443.
[16] Baker M. Darwin in medical school. Stanford Medicine Magazine, 2006. Disponível em: http://sm.stanford.edu/…/2006sum…/evolutionary-medicine.html
[17] Coyne JA. Selling Darwin: Does it matter whether evolution has any commercial applications? Nature. 2006; 442(7106), 983-984.
[18] Mitchell E. Do Medical Schools Need To Teach More Evolution? Answers in Depth, v. 8, 2013. Disponível em: https://answersingenesis.org/…/do-medical-schools-need-to-…/
[19] Behe MJ. Experimental Evolution, Loss-of-Function Mutations and ‘The First Rule of Adaptive Evolution’. Quarterly Review of Biology 2010; 85(4):419-445.
[20] Koskiniemi S, Sun S, Berg OG, Andersson DI. Selection-Driven Gene Loss in Bacteria. PLoS Genet. 2012; 8(6):e1002787.
[21] Mumey N. Vaccination: bicentenary of the birth of Edward Jenner. Denver: Range Press, 1949, p.37.
[22] Riedel S. Edward Jenner and the history of smallpox and vaccination. Proc (Bayl Univ Med Cent). 2005; 18(1): 21–25.
[23] Museu: Dr. Jenner’s house. What he did? 2015. Disponível em: http://www.jennermuseum.com/
[24] Morris HM. Men of Science, Men of God: Great Scientists Who Believed the Bible. Green Forest, AR: Master Books, 1982.
[25] Dunn P. Sir James Young Simpson (1811–1870) and obstetric anaesthesia. Arch Dis Child Fetal Neonatal Ed. 2002; 86(3): F207–F209.
[26] Lister J. On a New Method of Treating Compound Fracture, Abscess, etc. With observations on the conditions of suppuration. The Lancet 1867; 1(2273):357-359.
[27] Lamont A. Joseph Lister: Father of Modern Surgery. Journal of Creation 1992; 14(2):48–51. Disponível em: http://creation.com/joseph-lister-father-of-modern-surgery
[28] Worboys M. Joseph Lister and the performance of antiseptic surgery. Notes Rec R Soc Lond. 2013; 67(3):199-209.
[29] Vallery-Radot P. Louis Pasteur: A great life in brief. Tradutor: Alfred Joseph. New York: Alfred A. Knopf Publishing, 1959.
[30] Dao C. Man of Science, Man of God: Louis Pasteur. Acts & Facts 2008; 37(11):8. Disponível em: http://www.icr.org/article/science-man-god-louis-pasteur/
[31] Gillen AL, Sherwin III FJ. Louis Pasteur’s Views on Creation, Evolution, and the Genesis of Germs. Answers Research Journal 2008; 1:43-52. Disponível em: https://cdn-assets.answersingenesis.org/…/pdf-versions/Loui…
[32] Paulescu NC. Recherche sur le rôle du pancréas dans l’assimilation nutritive. Archives Internationales de Physiologie 1921; 17:85-103.
[33] Silvestru E. Denied the prize. Journal of Creation 2006; 28(3):45–47. Disponível em: http://creation.com/denied-the-prize
[34] Fleming A. On the Antibacterial Action of Cultures of a Penicillium, with Special Reference to Their Use in the Isolation of B. influenzae. British Journal of Experimental Pathology 1929; 10(3):226-236.
[35] Bergman J. Ernst Chain: Antiobiotics Pioneer. Acts & Facts 2008; 37(4):10. Disponível em: http://www.icr.org/article/ernst-chain-antibiotics-pioneer/
[36] Chain E, Florey HW, Gardner AD, Heatley NG, Jennings MA, Orr-Ewing J, Sanders AG. Penicillin as a Chemotherapeutic Agent. The Lancet. 1940; 2(6104):226–228.
[37] McMurray E. Notable Twentieth-Century Scientists. Detroit, MI: Gale Research Inc., 1995, p.334.
[38] Damadian R. Tumor Detection by Nuclear Magnetic Resonance. Science. 1971; 171(3976):1151-1153.
[39] Partain CL. The 2003 Nobel Prize for MRI: Significance and Impact. J Magn Reson Imaging. 2004; 19(5):515.
[40] Thomas B. Creation Scientist’s Invention Continues to Improve Lives. [Dez. 2009]. Technology. Institute for Creation Research, 2009. Disponível em: http://www.icr.org/…/creation-scientists-invention-continu…/
[41] Clark GM, Black RC, Forster IC, Patrick JF, Tong YC. Design criteria of a multiple-electrode cochlear implant hearing prosthesis. Journal of the Acoustical Society of America 1978; 63(2):631-633
[42] Clark GM. Science and God: Reconciling Science with The Christian Faith. Sydney: Anzea Books, 1979.
[43] Sarfati J. Science, Creation and Evolutionism. Journal of Creation, 2008. Disponível em: http://creation.com/science-creation-and-evolutionism-refut…
[44] HCD Research. Survey: Protestants Back Intelligent Design. The Christian Post, 2005. Disponível em: http://m.christianpost.com/…/survey-protestants-back-intel…/
[45] Diep F. Why Do Some Doctors Reject Evolution? [Mai. 2015]. Health & Behavior. Pacific Standard, 2015. Disponível em: http://www.psmag.com/health-and-behavior/how-ben-how
[46] Klinghoffer D. Doctors and Evolution. [Mai. 2015]. Medicine News. Evolution News and Views, 2015. Disponível em:
http://www.evolutionnews.org/…/05/how_is_it_possi096181.html
[47] Egnor M. ‘Why would I want my doctor to have studied evolution?’ [Mar. 2007]. Evolution News and Views, 2007. Disponível em: http://www.evolutionnews.org/…/why_would_i_want_my_doctor_t…