julho 25, 2026

Blog do Prof. H

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Apocalipse – Possibilidades (capítulo 17)

Apocalipse 17

ApTexto (ARA, 3ª ed)Leitura com a fundamentação das possibilidades que tentam alcançar a intenção do profeta João e a intenção do Revelador Jesus Cristo
17.1Veio um dos sete anjos que têm as sete taças e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águasEu, João, recebi um dos sete anjos literais, responsáveis pelos desastres sobre os falsos filhos de Deus, o qual falou comigo assim: “Vou lhe apresentar por meio de símbolos e também de cenas reais a execução da sentença que o Juiz Jesus determinou em Ap 16.19, em Seu Tribunal celestial, contra o papado, o qual tem conquistado sua perdida popularidade e construído seu domínio e sua tirania mundialmente, sobre muitas pessoas e muitos países;

Este capítulo detalha a sexta e a sétima pragas (16:12-21)” (BÍBLIA, 2015, p. 1670).

“No capítulo 17 do Apocalipse é predita a destruição de todas as igrejas que se corrompem pela devoção idólatra ao serviço do papado, os que beberam do vinho da fúria da sua prostituição. [Citado Ap 17:1-4]” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 1099).

Um dos sete anjos. Ver com. de Ap 1:11; cf. 21:9. A identificação deste anjo como um dos que trazem os flagelos dos cap. 15 e 16 subentende que a informação prestes a ser dada a João se relaciona às sete últimas pragas. Esta ligação é confirmada quando se anuncia que o assunto do capítulo, ‘o julgamento da grande meretriz’, acontece durante o sétimo flagelo (ver Ap 16:19). […]

Falou comigo. A palavra grega traduzida por ‘comigo’ (meta) pode ser interpretada como a sugestão de proximidade entre João e o anjo. É possível que o anjo tenha se dirigido a João antes de conduzi-lo em visão ver com. de Ap 1:2, 10)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 941).

“Provavelmente o sexto anjo das taças (16:12), uma vez que as águas deste versículo são as do rio Eufrates” (BÍBLIA, 2015, p. 1671).

“A figura de uma prostituta simboliza frequentemente no AT um povo ou uma cidade idólatra, cf. Is 1,21; 23,16-18; Ez 16,15-63; Os 2; 5,3; Na 3,4. […] o vidente a considera [a besta] já aniquilada pelo julgamento de Deus, que a reserva para a perdição” (ECUMÊNICA, 1994, p. 2445).

“Apocalipse 17 e 18, e os dez primeiros versículos do capítulo 19 (isto é, Apocalipse 17:1 a 19:10) constituem a divisão que intitulamos: ‘A Queda de Babilônia’” (MAXWELL; GRELMANN, 2004, p. 471).

“Como Jerusalém (21,9), Babilônia é personificada por mulher (cf. 12,1; Dn 4,27+)” (BÍBLIA DE JERUSALÉM, 2002, p. 2159).

“Assim como em Apocalipse 12 uma mulher pura é símbolo adequado da igreja fiel, aqui aparece uma meretriz como símbolo de uma igreja que se prostituiu; que teve uma queda doutrinária. A Bíblia de Jerusalém comenta que a prostituição é o símbolo da idolatria. Um antecedente bíblico ajuda a entender este ponto de vista, encontramo-lo em Ezequiel 16:15: ‘confiaste na tua formosura, e te entregaste à lascívia, graças à tua fama; e te ofereceste a todos o que passava para seres dele’. Outro exemplo: ‘com seus ídolos adulteraram … ainda isto Me fizeram … profanaram os Meus sábados’ (Ezequiel 23:37, 38)” (BELVEDERE, 1987, p. 86).

“A mulher de Apocalipse 17 representa crenças deturpadas, oposição organizada e aberta às verdades e ao povo de Deus. Apocalipse 12:1 retrata a verdadeira Igreja Cristã como mulher virtuosa. Apocalipse 17 representa a depravação e deslealdade de ‘Babilônia’, no fim do tempo, pela figura de uma prostituta” (COFFMAN, 1989, p. 137).

“No versículo 19 do capítulo anterior somos informados de que ‘E lembrou-se Deus da grande Babilônia para dar-lhe o cálice do vinho do furor da sua ira.’ O profeta considera agora mais particularmente o tema desta grande Babilônia, e para apresentar um quadro completo dela retrocede e lembra-nos alguns fatos da sua história. Os protestantes crêem, em geral, que a mulher apóstata apresentada neste capítulo é um símbolo da Igreja Católica Romana” (SMITH, 1979, p. 317).

A besta (Roma) leva sentada ·sobre si uma igreja prostituída, o que dá a entender claramente que teria sua sede em Roma, a cidade dos 7 montes. Outra revelação que nos faz Deus neste capítulo de Apocalipse é que essa igreja de Roma seria católica (católica quer dizer universal), pois estava sentada sobre muitas águas que significam ‘povos, multidões, nações e línguas’ (Apocalipse 17:15)” (BELVEDERE, 1987, p. 86).

“UMA MENSAGEM DE JUÍZOS.

A. O anjo que falou com João – um dos anjos das sete taças. Apoc. 17:1; comp. com Apoc. 16:17, 19; 17:5.

B. A revelação da cena.

1. Juízo sobre a meretriz – Apoc. 17:1, 16.

2. Juízo sobre a besta – Apoc. 17:8, 11.

3. Juízo sobre os sete cabeças – Apoc. 17:10.

4. Juízo sobre os dez chifres – Ap. 17:14” (THIELE, Edwin R.; BERG, 1960, p. 308).

“A declaração de Apoc. 17:1 esclarece o secamento do Rio Eufrates que deverá ocorrer durante a sexta praga (Apoc. 16:12)” (COFFMAN, 1989, p. 137).

“Há duas palavras no grego, língua original do Apocalipse, que se referem a juízo: CRISIS e KRIMA. Quando se usa CRISIS, temos um juízo em andamento, mas quando se usa KRIMA, é a pronúncia do resultado, que poder ser positivo, absolvição, ou negativo, condenação. Aqui João usa a palavra KRIMA, é a sentença que será pronunciada sobre Babilônia, uma vez que o juízo que antecede a Volta de Jesus já foi concluído quando Ele deixou o Santuário Celestial (Apocalipse 15:8) e as pragas já estão caindo sobre a Terra (Apocalipse 16)” (OLIVEIRA et al., 2015, p. 60).

“Julgamento. Do gr. krima, ‘sentença’, ‘decisão’, ‘veredito’, ‘decreto’. Neste caso, trata-se do veredito celeste contra a ‘grande meretriz’, considerando suas acoes criminosas (ver com. dos v. 4-6; cf. com. de Ap 18:10). Observe que o anjo não mostra para João a execução da sentença; neste caso, teria usado a palavra krisis, termo traduzido por ‘juízo’ (Ap 18:10). Ele simplesmente fala sobre isso. Krisis pode denotar o ato de investigar um caso ou de executar a sentença (ver com. de Ap 16:19; 18:5;19:2; cf. Is 23:11).

“Apocalipse 17 é formado por duas partes distintas: (1) a visão simbólica dos v. 3 a 6, que João contempla; e (2) aquilo que ele ouve (v. 7) como explicação da visão, nos v. 8 a 18. A primeira parte expõe os crimes de Babilônia. E, portanto, o auto de acusação do Céu, uma declaração do motivo da sentença divina a ser pronunciada sobre ela (ver com. do v. 6). A segunda parte declara a sentença em si e o meio de sua execução.

“A carreira criminosa de Babilônia chega ao clímax durante a sexta praga (ver com. de Ap 16:12-16), ao passo que a sentença decretada chega ao ponto de execução durante a sétima (ver com. de Ap 16:17-19; 17:13-17; 18:4,8;19:2). Por isso, a primeira parte está mais ligada aos acontecimentos da sexta praga, e a segunda, aos da sétima.

“Logo, Apocalipse 17 é um esboço da crise final, quando Satanás fará os maiores esforços para aniquilar o povo de Deus (cf. Ap 12:17) e todos os poderes da Terra se arregimentarão contra o remanescente (cf. GC, 634). Deus permite que Satanás e seus instrumentos humanos se aliem a ele para prosseguir até a beira do sucesso na trama para exterminar os santos. Mas, no momento em que o golpe estiver prestes a ser dado, o Senhor intervirá para livrar Seu povo. As hostes do mal, flagradas no ato de tentar matar os santos, ficam sem qualquer justificativa diante do padrão de justiça divina (ver Dn 12:1; cf. PE, 282-285; GC, 635,636; LS, 117). Não espanta que João tenha se enchido de admiração ao contemplar o auge do grande drama do mistério da iniquidade (ver com. do v. 6)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 941, 942).

“Moedas antigas e outras obras de arte retratam as cidades como uma deusa rica entronizada ao lado de um rio. A Babilônia real convivia com ‘muitas águas’ (Jr 51.13; ver ‘Babilônia’, em Is 13), a exemplo de muitas outras cidades antigas, inclusive Roma. As ‘águas’ podem simbolizar poder internacional” (BÍBLIA, 2013, p. 2066).

“Jeremias 51:13 indica que a expressão ‘muitas águas’ se refere ao rio Eufrates. Posteriormente, o anjo explica para João que essas águas simbolizam os poderes civis, seculares e políticos do mundo (Ap 17:15). Essa Babilônia – a união de autoridades religiosas no tempo do fim – é retratada como estando assentada sobre os poderes mundiais, ilustrando que, no tempo do fim, essas duas entidades são distintas, ao contrário do que acontecia no passado. Ao longo da história, sobretudo durante a Idade Média, os poderes políticos e as autoridades religiosas instituídas andavam de mãos dadas. As nações eram governadas por poderes político-religiosos. Apocalipse 13:1 a 10 retrata a igreja medieval, liderada pelo papado, como o poder político- religioso que dominou o mundo ocidental durante o período profético de 1.260 dias.

“No entanto, no tempo do fim, essas duas entidades permanecerão distintas, mesmo trabalhando juntas para um propósito comum. Assim como a Babilônia antiga dependia do rio Eufrates para existir, a Babilônia do tempo do fim dependerá dos poderes mundiais civis, seculares e políticos para fazer vigorar seus planos e propósitos. Essa confederação religiosa do tempo do fim formará uma aliança com os poderes mundiais governantes. Esses poderes se colocarão a serviço desse sistema religioso apóstata, trabalhando contra Cristo e Seu povo fiel durante a crise do tempo do fim” (STEFANOVIC; NASCIMENTO, 2018, p. 97).

Sentada sobre muitas águas: Águas representam multidões (Apocalipse 17:15). Em muitas terras onde o evangelho de Cristo foi pregado, Babilônia manda seus emissários para desfazer o trabalho, semeando joio entre o trigo. Ela domina as nações religiosamente, assim como a besta o faz politicamente” (FEYERABEND, 2005, p. 148).

Sentada sobre muitas águas. Isto é, exerce poder despótico sobre muitos outro, ‘povos’ e ‘nações’ (ver v. 15). A forma verbal do grego retrata a ‘grande meretriz’ como em poder na época e continuando a exercer esse poder. Assim como a antiga cidade de Babilônia se situava sobre as águas literais do Eufrates (ver com. de Jr 50:12, 38) e repousava, figuradamente, ‘sobre muitas águas’ ou povos (Jr 51:12, 13; cf. Is 87, 8., 14:6; Jr 50:23), a Babilônia moderna é representada assentada sobre os povos da Terra, oprimindo-os (ver com. de Ap 16:12)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 942).

“A primeira informação do texto é que a meretriz achava-se sentada sobre muitas águas. A mesma descrição é feita da besta de Apocalipse 13, pois ela surge do mar. O anjo explicou a João: ‘As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas’ (Apocalipse 17:15), ou seja, o sistema papal que surgiu num local densamente povoado. É-nos dito também que com esta meretriz se prostituíram os reis da Terra. Isto significa uma união ilícita que tem havido entre a igreja e o estado” (OLIVEIRA et al., 2015, p. 61).

17.2com quem se prostituíram os reis da terra; e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra.“e a união diabólica entre Igreja e Estado – católicos, evangélicos e espíritas unidos nos EUA, e exportando essa união perversa para todos os demais países da Terra –, essa Nova Ordem Mundial encabeçada pelo papado é fruto da sedução deste para com os políticos das nações. As doutrinas equivocadas e interpretações bíblicas mentirosas do catolicismo romano, e do pseudoprotestantismo, repletas de espiritismos e autorrevelações, embriagam esses estadistas e as sociedades conservadoras, com a falsa esperança de moralidade nas escolas, crescimento econômico, preservação do meio ambiente e conservação da família. Todos esses se alinharão ao papado acreditando que estão fazendo a vontade de Deus e vencendo o mal na política e nas sociedades.”

O texto especifica dois grupos que serão seduzidos pela Babilônia na crise final. O primeiro corresponde aos ‘reis da terra’, os quais se prostituíram com a meretriz Babilônia (Ap 17:2). São os poderes políticos que governam o mundo. No Antigo Testamento, a linguagem relativa à fornicação é usada com frequência para se referir às ocasiões em que Israel se aliava a nações pagãs (Is 1:21; Jr 3:1-10; Ez 16:23). O relacionamento adúltero entre os ‘reis da terra’ e a meretriz Babilônia simboliza uma união ilícita entre a confederação religiosa do tempo do fim e os lideres políticos que governam o mundo durante a crise final (Ap 17:2).

“O segundo grupo mencionado são ‘os que habitam na terra’, que estão espiritualmente embriagados com o vinho da imoralidade de Babilônia (Ap 17:2, 8; cf. Ap 14:8). Trata-se da população comum, não dos lideres mundiais. Ao passo que os líderes do mundo cometem adultério com a meretriz Babilônia, o restante dos moradores da Terra é inebriado por seus ensinos e atos enganosos que os seduzem a adorar a besta (Ap 14:8; 18:3). Quando as pessoas ficam bêbadas, não pensam com sobriedade e reconhecem tarde demais a natureza de suas escolhas e ações ruins.

“Os dois grupos são igualmente enganados e se colocam sob o controle da Babilônia para obter benefícios políticos e econômicos. O Apocalipse nos revela que, no tempo do fim, o mundo vai se unir mais uma vez e que a religião o dominará da mesma forma como o fez durante a Idade Média. Chegará o momento em que a população mundial reconhecerá as escolhas ruins que fez e se voltará contra Babilônia, mas será tarde demais” (STEFANOVIC; NASCIMENTO, 2018, p. 98).

Prostituíram. Do gr. porneuō, a forma verbal derivada de pornē (ver com. do v. 1). Uma expressão equivalente é usada no AT (cf. Ez 23:30; Os 4:12). Em sentido figurado, como aqui, refere-se a uma aliança ilícita de professos cristãos com outro senhor que não Cristo. Neste caso, trata-se do pacto religioso e político entre uma igreja apostatada (ver com. de Ap 17:5) e as nações da Terra (comparar com Is 23:15,17).

Reis da terra. Isto é, os poderes políticos da Terra (ver com. do v. 12), que colocam sua autoridade e seus recursos à disposição da ‘grande meretriz’ (v. 1; ver com. do v. 13) e por meio dos quais ela planeja colocar em prática sua ambição de exterminar o povo de Deus (ver com. dos v. 6, 14) e governar sobre todos ‘aqueles que habitam sobre a terra’ (cf. v. 8). Os ‘reis da terra’ são seus cúmplices no crime.

Com o vinho. Isto é, ao beber do vinho. Este ‘vinho’ é a política enganosa de Satanás de unir o mundo inteiro sob seu controle, junto com as falsidades e ‘sinais’ que ele usa para fazer seu plano avançar (cf. Ap 13:13, 14;18:23;19:20).

De sua devassidão. Ou, ‘[que é] sua prostituição’. A aliança entre o cristianismo apostatado e os poderes políticos da Terra é o meio proposto por Satanás para unir o mundo sob sua liderança.

Embebedaram. Isto é, deixaram completamente embriagados. Os poderes normais da razão e do julgamento foram entorpecidos, e a percepção espiritual, amortecida (comparar com Jr 51:7; 2Ts 2:9, 10; Ap 13:3, 4, 7,18; 14:8; 18:3; 19:20). A embriaguez dos habitantes da Terra é mencionada aqui após a referência à aliança ilícita entre Babilônia e os reis do mundo. Ao que tudo indica, Babilônia age por intermédio dos reis da terra para conquistar o controle daqueles habitantes que não se submeteram voluntariamente a ela. Tanto governantes quanto súditos são enganados.

Os que habitam. Como resultado do rumo que seus líderes tomaram, os habitantes da Terra são enganados (ver com. do v. 8) e induzidos a cooperar com a política da grande meretriz (ver com. de Ap 13:8)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 942 e 943).

“Entre esta igreja e os reis da Terra tem havido relações ilícitas. Os habitantes da Terra foram têm sido embriagados com o vinho da sua fornicação, ou com as suas falsas doutrinas” (SMITH, 1979, p. 317).

“Babilônia tem estado a promover doutrinas venenosas, o vinho do erro. Esse vinho do erro é composto de doutrinas falsas” (WHITE, 2008, p. 65).

“Compare Apocalipse 14:8 com 18:3. ‘Babilônia tem estado a promover doutrinas venenosas, o vinho do erro. Esse vinho do erro é composto de doutrinas falsas.’ – Testemunhos Para Ministros, pág. 61. A faculdade humana de raciocínio e discernimento nas coisas espirituais é entorpecida. As pessoas adotam os erros dessa meretriz, não sendo mais capazes de fazer distinção entre o que é certo e o que é errado” (COFFMAN, 1989, p. 138).

“A grande meretriz de Apocalipse 17 ‘cometeu prostituição’ com os ‘reis da Terra’. Verso 2. A grande igreja cristã da Idade Média envolveu-se em relações imorais com outros governos cristãos, de modo a conseguir o poder necessário para perseguir os verdadeiros seguidores de Deus. Esta união imoral da Igreja com o Estado resultou em um grande número de mártires. Resultou igualmente num rebaixamento geral da moralidade cristã. Os líderes religiosos frequentemente falharam em reprovar os pecados dos líderes governamentais, por temerem a perda de seu poder de influência e apoio financeiro” (MAXWELL; GRELMANN, 2004, p. 475).

17.3Transportou-me o anjo, em espírito, a um deserto e vi uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres.Então, aquele anjo me trouxe uma visão espiritual: vi o papado conduzindo os políticos do século 21 e seus exércitos e poderio bélico, inicialmente sem o apoio massivo das pessoas e seus países, como de 538 a 1798; esse período desértico se refere ao pós ferida mortal, ocorrida no século 18. Essa liderança política global estava muito parecida com a mente imperialista do Vaticano, e havia adotado as doutrinas católicas blasfemas como a inerrância papal, a missa, o confessionário, a mariolatria e a criação de uma teocracia cristã mundial sem a Bíblia, como o reino de Deus na Terra sem Ele no trono, e em lugar Dele e de Sua Palavra, o papa e seus assistentes políticos dentro de cada país do mundo. A história estava se repetindo: assim como o império católico romano na Idade Média, perseguidor e assassino dos verdadeiros filhos de Deus, o qual foi o sétimo fantoche de Satanás após os impérios egípcio, assírio, babilônico, medo-persa, grego e romano, o papado retoma seu aspirado domínio europeu com o auxílio da liderança política norte-americana, nova e brevemente, após a ferida francesa de 1798 que o fez colapsar diante do mundo inteiro. Essa será a oitava tentativa satânica de dominar o planeta a partir da Europa.

Um entendimento antigo de alguns estudiosos adventistas (e muito provavelmente eles herdaram esse conhecimento dos reformadores) é que o deserto NÃO é símbolo do secamento do rio Eufrates na sexta praga, mas se refere ao mesmo deserto da mulher de Apocalipse 12. “Durante o período dos 1.260 anos (538 A.D. a 1798 A.D.) a Igreja verdadeira esteve no ‘deserto’ (Apoc. 12:6 e 14). Por meio das forças da apostasia, o diabo procurou destruir o povo de Deus. Toda a Terra tornar-se-á literalmente um deserto, como resultado das sete últimas pragas. O ‘deserto’ de Apocalipse 17:3 representa tempos e condições muito difíceis para o povo de Deus” (COFFMAN, 1989, p. 138 e 139).

Em Apocalipse – Possibilidades, embora o autor já tenha passado por esse entendimento antigo, ele optou pelo período pós ferida mortal/deserto como melhor interpretação. Ou seja, deserto aqui, embora seja uma paródia do deserto da noiva de Cristo, a falsa noiva Babilônia está no deserto gerado pelo secamento do Eufrates, na sexta praga, e não o deserto medieval dos 1260 anos (de 538 a 1798 AD.) da noiva verdadeira. A introdução do capítulo 17 sugere isso, apesar de o desenvolvimento do capítulo, por seus flashbacks, dê a entender que mesmo após o deserto da falsa noiva, ela receberá apoio da besta e dos reis. Na verdade não. Esse apoio é anterior ao secamento do Eufrates e, portanto, anterior aos capítulos 17 e 16. A falsa noiva é vista no deserto, no verso 3, ainda montada na besta de 7 cabeças e 10 chifres, e logo em seguida, no verso 16, ela é odiada pelos 10 chifres e queimada pelo Cordeiro (v. 14). Ou seja, embora os versos de Apocalipse 17 não estejam em ordem cronológica, eles contém as peças que os capítulos anteriores já usaram para montar a história do fim da Babilônia de Satanás.

Transportou-me. Sem dúvida, a sensação de movimento tinha o propósito de ajudar João a fazer a transição mental de sua época e lugar para os da visão (cf. Ez 3:12-14; 8:3; 40:2, 3; Ap 21:10).

Em espírito. Ver com. de Ap 1:10; .4:2; 21:10. A ausência de artigo definido no grego enfatiza a qualidade ou a natureza da experiência.

Deserto. Do gr. erēmos, ‘lugar desolado’ (ver com. de Ap 12:6). O verbo relacionado usado no v. 16 significa ‘desolar’, ‘descartar’, ‘despir’’, ‘abandonar’. O ‘deserto’ era uma região desabitada, onde a vida só podia ser preservada em meio a dificuldades e perigos. Seria difícil obter alimento, abrigo e até mesmo água. Haveria também risco de animais selvagens e talvez de salteadores. Por isso, alguns consideram que, no sentido figurado, como aqui, ‘deserto’ corresponde a uma situação repleta de dificuldades e perigos, aparentemente para o povo de Deus (ver v. 6, 14).

“A ausência do artigo definido antes da palavra ‘deserto’ no grego torna o termo claramente qualitativo e descritivo. Em outras palavras, especifica uma condição, em vez de um local em particular. Considerando que Apocalipse 17 parece tratar mais especificamente do tempo das sete últimas pragas (ver com. do v. 1), alguns defendem que a situação desértica mencionada aqui caracteriza a experiência do povo de Deus na época. A situação é semelhante à do ‘deserto’ do cap. 12:6, 13 a 16, embora não seja a mesma.

Mulher. Diversas vezes no AT, os profetas representam o povo apóstata como uma mulher libertina (cf. Ez 16:15-58; 23:2-21; Os 2:5; 3:1, etc.). Esta ‘mulher’, a ‘grande meretriz’ (Ap 17:1) ou ‘Babilônia, a Grande’ (v. 5), é culpada do ‘sangue […] de todos os que foram mortos sobre a terra’ ao longo da história (Ap 18:24). A Babilônia mística consiste em uma oposição religiosa organizada contra o povo de Deus, provavelmente, desde o início dos tempos; aqui, porém, a referência é, sobretudo, ao fim das eras (ver com. de Ap 17:5)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 943).

“‘Conforme já foi aprendido no estudo do livro de Daniel, uma besta, em profecia, representa algum grande poder ou reino terreno; uma cabeça, um poder governante; chifres, um número de reinos; cabeças ou chifres coroados, poder político; águas, ‘povos, e multidões, e nações, e línguas.’ Apoc. 17:15. As bestas a que se referem Daniel e S. João são impérios. A besta de dez chifres é o poder romano… A cabeça é o poder governante do corpo. As cabeças dessa besta representam governos sucessivos.’ — O Romanismo e a Reforma (em inglês), por H. Grattan, págs. 144 e 145” (ESTUDOS BÍBLICOS, 1984, p. 224).

“A Igreja e o Estado. – Esta profecia é mais concreta do que outras aplicáveis ao poder romano, porque faz uma distinção entre a Igreja e o Estado. Temos aqui a mulher, a Igreja, sentada sobre uma besta escarlata, o poder civil, pelo qual ela é transportada, e que ela dirige e guia para seus próprios fins, como um cavaleiro dirige o cavalo sobre o qual está sentado” (SMITH, 1979, p. 317).

“No capítulo 17, é declarado que a mulher ‘se acha sentada sobre muitas águas’. O verso 15 explica que as águas representam as massas humanas nas nações da Terra. O verso 2 indica que os reis colocam sua autoridade e recursos à disposição dessa mulher que o verso 3 afirma estar sentada numa ‘besta escarlate’ – Satanás e seus representantes terrestres. O quadro de seu poder mundial e da fonte do qual ele provém nos deixa perplexos, como aconteceu com o apóstolo João (verso 6)” (COFFMAN, 1989, p. 138).

Como entender que a mulher está montada sobre Satanás, no sentido de guiá-lo como se faz com um equino, sob suas rédeas? Do jeito que ela senta nas águas (v. 1) ela senta na besta (v. 3). Ou seja, ela está entronizada. Deve ser uma mulher possessa sobre um animal possesso. Ela não está sobre Satanás e sim sobre seus fantoches. Ela é uma boneca achando que é rainha, mas que não passa de outro brinquedo do Diabo cavalgando outros brinquedos satânicos.

Montando uma besta escarlate: Assim como o cavaleiro coloca as rédeas em seu cavalo e o conduz para onde quer, assim a igreja conduz o Estado e o guia para onde quer. A igreja, montada sobre uma besta escarlate, que é o poder civil sobre o qual ela se ergue e o qual ela controla e guia de acordo com o seu desejo, acaba ficando como um cavaleiro no controle do animal em que está montado” (FEYERABEND, 2005, p. 148).

“Representa o poder político do mundo inteiro apoiando a Babilônia do fim do tempo” (BÍBLIA, 2015, p. 1671).

Montada. A forma verbal denota ação contínua. No v. l, a ‘grande meretriz’ é representada em controle direto dos seres humanos nas esferas individual e religiosa. Aqui ela é retratada dirigindo as políticas do governo civil (ver com. do v. 18). Sempre foi característica do cristianismo apostatado querer unir igreja e estado, a fim de consolidar o controle religioso por meio de políticas públicas (cf. vol. 4, p. 921, 922; comparar com a declaração de que o reino de Deus ‘não é deste mundo’, Jo 18:36).

Besta. Na profecia bíblica, as bestas representam poderes políticos (Dn 7:3-7, 17; 8:3, 5, 20, 21; cf. Ap 12:3; 13:1). A cor da besta pode sugerir que ela é a síntese do mal. Os nomes de blasfêmia que a cobrem indicam que ela faz oposição a Deus. Logo, a besta pode ser identificada com Satanás atuando por intermédio dos agentes políticos que, em todas as eras, se submeteram a seu controle. Em certos aspectos, esta besta se parece com o dragão vermelho do cap. 12:3 e, em outros, com a besta semelhante ao leopardo do cap. 13:1 e 2 (ver com. dessas passagens). O contexto revela que a segunda comparação parece mais próxima. A principal diferença entre as bestas de Apocalipse 13 e 17 é que a primeira, identificada com o papado, não faz distinção entre os aspectos religioso e político do poder papal, ao passo que, na segunda, os dois são distintos, a besta representa o poder político, e a mulher, o poder religioso.

Escarlate. Cor brilhante que certamente atrairia a atenção. Em Isaías 1:18 escarlate é a cor do pecado (comparar com o ‘dragão, grande, vermelho’, de Ap 12:3).

Repleta. A apostasia e a oposição a Deus são completas.

Nomes de blasfêmia. Ou, ‘nomes blasfemos’ (ver com. de Mc 2:7; 7:2). Em Apocalipse 13:1 (ver com. ali), os nomes se encontram nas sete cabeças; aqui, estão espalhados por toda a besta. Estes nomes revelam o caráter da besta; ela pretende usurpar a prerrogativa da Divindade. O fato de estar ‘repleta’ de nomes de blasfêmia indica que ela se dedica completamente a esse objetivo (comparar com Is 14:13, 14; Jr 50:29, 31; Dn 7:8, 11,20, 25; 11:36,37)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 943, 944).

“Alguns argumentam que […] a ‘besta que sobe do mar’, do capítulo 13, é mostrada na figura da ‘meretriz’, no capítulo 17. E a ‘besta de dois chifres’ é substituída por outro símbolo, a ‘besta escarlate’. Essa seria uma possibilidade na interpretação dos símbolos. Já identificamos, em Apocalipse 13, a besta que sobre do mar como sendo Roma, em suas duas fases, pagã e papal. E a segunda besta que sobe da terra, como sendo os Estados Unidos da América do Norte. Agora, no capítulo 17, temos uma ampliação destas entidades” (OLIVEIRA et al., 2015, p. 61).

“A besta que a mulher cavalgava, como as outras bestas da profecia, representa o poder político ou civil. Sustentada pelo poder do Estado, esta mulher, símbolo da igreja apóstata, é vista conduzindo e controlando as nações. Ela o faz para os seus próprios fins. Estudantes de História reconhecem nisto o padrão do catolicismo romano durante os últimos 15 séculos, pelo menos onde ela tenha sido suficientemente forte para obter o controle.

“Por ocasião do jubileu do papa Leão XII, foi cunhada uma medalha, trazendo de um lado a efígie do papa e do outro um símbolo da igreja católica romana. Nesta medalha, vemos uma mulher sustentando em sua mão esquerda uma cruz, e na direita um cálice, com esta legenda em torno: ‘Sedet super universum’ (o mundo todo é sua sede). Este positivo cumprimento da profecia é apenas um dos muitos que poderiam ser mencionados. A apostasia e o anticristo que o apóstolo predisse haveriam de surgir, e se assentariam no templo de Deus, querendo parecer Deus (11 Tes. 2:3 e 4), não é alguma coisa para o futuro – está no mundo hoje” (ANDERSON; TREZZA, 1988, p. 194).

“A mulher do capítulo dezessete, a ‘grande prostituta’, vira o profeta no deserto, lugar da habitação dos demônios. A besta côr de escarlata sôbre a qual a mulher se assenta, tem tôdas as características do dragão vermelho do capítulo doze e muita semelhança com a bêsta do capítulo treze. O dragão, diz a própria profecia, é Satanás sendo também Roma-pagã ou Satanás no controle do império romano. A bêsta do capítulo treze que recebera poder do dragão é Roma-papal, sucessora de Roma-pagã. Assim podemos ter uma idéia da bêsta sôbre a qual a igreja de Roma fôra vista ‘assentada’ ou dos poderes que a sustêm no mundo.

“Mas, a mulher aparece tão naturalmente cavalgando a bêsta, sem o uso de freio ou chicote aparentes, como se a tivesse domado e ensinado a obedecer, com temor e tremor, às suas ordens de comando. Assim foi a igreja de Roma por 1260 anos, desde 538 a 1798, na supremacia temporal do papado na Europa. O papado é o poder clerical sob um único homem e a igreja é a mão firme propagadora e mantenedora do poder do papado no mundo. Foi pela igreja que o papado pôde subjugar a Europa medieval e reduzi-la à escravidão.

“A igreja tornou-se igreja do Estado, nos escuros séculos medievais em tôda a Europa, e foi tão mais forte que êle que o pôde dirigir a seu bel prazer. Envenenados e entorpecidos pelo vinho da sua prostituição e sem terem direito às suas próprias consciências, os Estados e os estadistas da Europa nada tinham mais a fazer senão acatar e executar as ordens da igreja, mesmo os mais hediondos crimes contra os santos por ela denominados hereges. O período do consórcio da igreja católica com o Estado, na Idade Média, foi o pior período jamais registado na história do mundo” (MELLO, 1959, p. 494).

“A ‘bêsta côr de escarlata’ estava cheia de ‘nomes de blasfêmias’. O mesmo é dito da bêsta do capítulo treze ‘semelhante ao leopardo’. […] Assim era a bêsta sôbre a qual a mulher estava assentada – estava cheia de blasfêmia contra Deus, Cristo e Seu Espírito. Tal foi a história dos poderes com os quais a igreja romana se aliou e sôbre os quais dominou por quase treze séculos na Europa. Ela os ensinou a blasfemar contra o Todo-poderoso (Ap 13:5-6)” (MELLO, 1959, p. 494, 495).

“Da mesma forma que o dragão com sete cabeças e dez chifres (Apoc. 12:3) dá ‘seu poder, seu trono e grande autoridade’ (Apoc. 13:2) à besta semelhante a leopardo, de Apocalipse 13, também a besta escarlate com sete cabeças e dez chifres de Apocalipse 17:3 apóia a mulher Babilônia (versos 4-6). O império romano deu lugar ao império papal da Idade Média. As nações que sucederam ao império romano deram apoio político à igreja estabelecida. Nos primeiros séculos do cristianismo, ensinamentos não-bíblicos foram aceitos pela igreja a tal ponto que sua teologia se tornou confusa. Essa foi a base da moderna Babilônia. Desde o segundo século até a Idade Média, os erros foram penetrando na igreja cristã. Paulo fala do surgimento gradual da moderna Babilônia em II Tessalonicenses 2:3-7” (GULLEY, 1996, p. 3).

“As sete cabeças são sucessivas, existem cada uma num tempo. Apoc. 17:10” (THIELE, Edwin R.; BERG, 1960, p. 311).

17.4Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição.E nos símbolos que o anjo me mostrou dessa vez, em lugar de apenas um predador – o dragão Satanás e seus sete fantoches históricos –, havia uma mulher montando o predador, sendo conduzida por ele no sentido de não apear dele, mas também cavalgando-o, no sentido de guiá-lo. A mulher vaidosa e mundana foi a metáfora usada para a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) como sistema religioso, não como congregação de pessoas, pois dentro dos sistemas religiosos, incluindo o católico, há filhos verdadeiros de Deus e falsos filhos de Deus. Ela vestia a cor do pecado, o brilho do materialismo e esnobava a contradição de professar o reino do pobre Cristo (“Filho do homem”), mas se enriquecer às custas Dele. Ela se embriagava com suas mentiras em forma de doutrinas “cristãs”, elaboradas ao longo de dois milênios e sempre com base em ilusionismos satânicos e/ou invencionices e fraudes humanas, as quais dava de beber aos seus iludidos seguidores, obrigando alguns e aliciando interesseiros, o que sempre foi visto pelo Juiz Jesus como uma abominação, uma blasfêmia, um insulto ao Seu Reino e Seus ensinamentos, a contrafação de Sua noiva e Seu corpo na Terra. E por sempre usar como método a imposição, em vez do exemplo e da coerência, as ameaças, a violência e os assassinatos, multidões eram conduzidas por esse sistema religioso, o qual seduzia os políticos ambiciosos, uma vez que a ambição desses também é controlar as massas! Uma fornicação entre monstros – uma organização criminosa (vista pelo seu pior aspecto), disfarçada de igreja de Cristo, coabitando com lideranças políticas despóticas (vistas pelo seu pior aspecto), disfarçadas de crentes cristãos, num contexto de simbiose macabra, pois só beneficiavam a si mesmas, e não ao povo a quem hipocritamente professavam servir.

O ato de se adornar era uma prática das prostitutas na Antiguidade para aumentar seu poder de sedução (Jr 4:30)” (STEFANOVIC; MODZEIESKI, 2019, p. 91).

“Há muitos paralelos entre a meretriz Babilônia e o sumo sacerdote do AT (Êx 28:1-43). O falso sistema religioso do tempo do fim (ver Ap 16:13, 19) é herdeiro da união medieval entre igreja e estado” (BÍBLIA, 2015, p. 1671).

“A cor escarlate da roupa da mulher corresponde à cor escarlate da besta na qual ela está montada (v. 3, 4). Essa também é a cor do sangue e da opressão, o que está de acordo com o caráter desse sistema religioso, embriagado ‘com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus’ (v. 6). A purpura é usada em vestes reais (Jz 8:26; Et 8:15; Dn 5:7) e se adequa à busca da meretriz pelo controle do mundo.

“A roupa da mulher evoca a vestimenta do sumo sacerdote no Antigo Testamento, que incluía as cores púrpura, escarlate e dourado (Ex 28:5,6). A inscrição na testa lembra a epígrafe ‘Santidade ao SENHOR’, que ficava na mitra do sumo sacerdote (v. 36). Além disso, a taça na mão dela reflete a libação oferecida no santuário (Êx 30:9; Lv 23:13). A descrição é notavelmente semelhante à nova Jerusalém (Ap 21). Tudo isso sugere que a Babilônia de Apocalipse 17 se refere a um sistema religioso do tempo do fim, não a um poder político.

“Com uma aparência histórica de cristianismo, esse sistema religioso do tempo do fim vai se tornar uma ferramenta poderosa de Satanás para enganar e seduzir o mundo à apostasia durante a crise final. Embora ela apareça com roupagem religiosa, Babilônia é uma meretriz e mãe de prostitutas, seduzindo o mundo para longe de Deus.

“Ela está embriagada com o sangue dos santos que morreram por causa do testemunho sobre Jesus Cristo (cf. Ap 6:9). Esse sistema religioso, que embriaga todas as pessoas com seus falsos ensinos, está ele próprio bêbado com o sangue dos seguidores de Cristo. Isso relaciona com clareza a Babilônia do tempo do fim com a besta de Apocalipse 13, que representa o cristianismo medieval apostata na Europa ocidental. Este era liderado pelo sistema papal e foi responsável pela morte de milhões de cristãos perseguidos por seu testemunho fiel ao evangelho. Contudo, está chegando o momento em que Deus julgará essa ‘grande meretriz’ e vingará ‘o sangue dos Seus servos (Ap 17:1; 19:2)” (STEFANOVIC; NASCIMENTO, 2018, p. 99).

“O poder que por tantos séculos manteve despótico domínio sobre os monarcas da cristandade, é Roma. A cor púrpura e escarlata, o ouro, as pérolas e pedras preciosas, pintam ao vivo a magnificência e extraordinária pompa ostentadas pela altiva Sé de Roma. E de nenhuma outra potência se poderia, com tanto acerto, declarar que está ‘embriagada do sangue dos santos’, como daquela igreja que tão cruelmente tem perseguido os seguidores de Cristo. Babilônia é também acusada do pecado de relação ilícita com ‘os reis da Terra.’ Foi pelo afastamento do Senhor e aliança com os gentios que a igreja judaica se tornou prostituta; e Roma, corrompendo-se de modo semelhante ao procurar o apoio dos poderes do mundo, recebe condenação idêntica” (WHITE, 2013, p. 334).

O profeta Daniel, falando sobre o rei do norte, escreveu: “Mas, em lugar dos deuses, honrará o deus das fortalezas; a um deus que seus pais não conheceram, honrará com ouro, com prata, com pedras preciosas e coisas agradáveis”, Daniel 11:38.

Falando sobre o propósito dos adornos e da magnificência da primeira Babilônia, Ellen G. White (2007b, p. 91, 92) escreveu: “[os] construtores de Babel resolveram conservar unida a sua comunidade, em um corpo, e fundar uma monarquia que finalmente abrangesse a Terra inteira. Assim, a sua cidade tornar-se-ia a metrópole de um império universal; sua glória imporia a admiração e homenagem do mundo, e tornaria ilustres os fundadores. A magnificente torre, atingindo os céus, tinha por fim permanecer como um monumento do poder e sabedoria de seus construtores, perpetuando a sua fama até as últimas gerações. […] Todo o empreendimento destinava-se a exaltar ainda mais o orgulho dos que o projetaram, e desviar de Deus a mente das futuras gerações e levá-las à idolatria”.

“A mulher estava esplendidamente adornada com ouro e jóias, numa descrição do esplendor e grandiosidade da igreja de Roma, com suas vestes e ornamentos de toda espécie. A igreja tem se vangloriado na sua superioridade e magnificência, superando até mesmo a antiga Roma no ápice da sua prosperidade” (FEYERABEND, 2005, p. 148).

“Assim é representado o poder papal, que, com todo engano da injustiça, por meio da atração exterior e da exibição suntuosa, engana todas as nações, prometendo-lhes, como o fez Satanás a nossos primeiros pais, todo o bem àqueles que recebem sua marca e todo o mal aqueles que se opõem a suas falácias. O poder que tem a mais profunda corrupção interna fará a maior exibição e se vestirá dos mais elaborados sinais de autoridade. A Bíblia afirma claramente que isso cobre uma perversidade corrupta e enganadora […] (Carta 232,1899)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 1099).

“De várias maneiras, Babilônia estava ‘vestida para matar’. A roupa azul e vermelha indicava riqueza, e o ouro, as pedras preciosas e as pérolas mais tarde contribuíram para seu esplendor. João retrata uma prostituta de alta classe que intoxicava as nações com sua imoralidade irresistível (v. 2) e se embriagava com o sangue dos santos (v. 6)” (BÍBLIA, 2013, p. 2066).

“Deus compara o Seu povo a uma mulher ‘formosa e delicada’, ou ‘uma mulher dedicada ao lar’ (margem). Jer. 6:2. Mas esta [de Ap 17] não é uma mulher caseira. Ao contrário, ela corteja reis e vive em relação ilícita com o mundo. Não está vestida de ‘linho fino’ que é ‘a justiça dos santos’ (Apoc. 19:8), mas está prodigamente ataviada em púrpura e escarlate, e adornada com ouro e jóias de alto preço. João viu que ela estava também embriagada com o sangue dos mártires de Jesus Cristo [v. 6]. Ele contemplava esta igreja apóstata subseqüente aos séculos de perseguição. Ela sustentava em sua mão um cálice de ouro cheio de ‘abominações’. Na Escritura, as palavras ‘abominação’, ‘mentira’, ‘imagem de escultura’ e ‘falsos deuses’ são usadas como sinônimo. Ver I Reis 11:7, 2, 3, Isa. 44:15, 19, 20. Este não é o cálice da salvação pelo qual Davi no passado orava (Sal.116:13), mas está cheio de falsos deuses e abominações mentirosas, como a contrafação doutrinária do sacerdócio – um falso sacerdócio que se arroga o poder de perdoar pecados e decidir casos.

“Santo Alfonso de Liguori, escrevendo com imprimatur papal, diz: ‘O sacerdote tem a posse das chaves, ou o poder de livrar do inferno os pecadores, de tomá-los dignos do paraíso, e de mudá-los de escravos de Satanás em filhos de Deus. E o próprio Deus está obrigado a manter o julgamento de Seus sacerdotes, de perdoar ou de não perdoar.’ – Dignity and Duties of the Priest, editado pelo Rev. Eugene Grimm, 1927, pág. 27.

“‘Quando S. Miguel vem a um cristão moribundo que invoca sua ajuda, o santo arcanjo pode expulsar os demônios, mas não pode livrar seu cliente de suas cadeias até que um sacerdote venha absolvê-lo.’ – Idem, pág. 31. Blasfêmia incrível! Milhões de almas sinceras, porém, crêem nisto e vivem em harmonia com esta crença.

“E a mulher tinha na mão ‘um cálice de ouro’’. Uma das doutrinas mais importantes desta igreja apóstata é o sacrifício diário da missa. A hóstia, no ostensório de ouro, eles dizem ser o Cristo vivo. Sagrada como seja a doutrina da transubstanciação para o católico romano devoto, é sem dúvida idolatria dizer que esse pedaço de pão é, na realidade, o Criador do Céu e da Terra. Desde que lhe foi infligida a ferida mortal em 1798, o papado tem procurado reaver o antigo prestígio e poder. Nada talvez tenha contribuído mais para isto do que os Congressos Eucarísticos internacionais levados a cabo em todo o mundo, no qual a elevação do ‘Cristo Eucarístico’ é o ponto dominante de todo o programa” (ANDERSON; TREZZA, 1988, p. 192 e 193).

“‘Não pode haver dúvida nenhuma de que muito cerimonial esplêndido, que a Igreja de Roma conhece para tão bem fascinar as raças impressionáveis do sul da Europa, deve sua origem a uma amalgamação, ou a uma imitação das formas mais familiares do ritual pagão. As maravilhosas obras primas da escultura e da pintura antiga; as vestes de púrpura, longos cortejos triunfais, fulgurantes, encaminhando-se através de ruas festivas para os tempos dos deuses imortais: as variadas exibições aparatosas que século após século embelezaram as mais refinadas devoções de uma fé que apela aos sentidos, e subordina as supersticiosas imaginações do vulgo, sugeriam naturalmente, ou como dizem alguns, tornaram necessário a pompa do culto católico.’ – Jolin G. Sheppard, The Fall of Rome, p. 669” (THIELE, Edwin R.; BERG, 1960, p. 311).

“Ao apreciarmos a profecia do capítulo doze, verificamos que o seu tema é uma mulher cujos símbolos que a cercam a relacionam inteiramente com o seu Criador e atestam defini-la como emblema da verdadeira igreja de Deus na era cristã. Mas, no capítulo dezessete, que agora temos diante de nós, uma outra mulher é apresentada, uma mulher ‘vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas’. Uma mulher que tem em sua mão ‘um calix de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição’ […] Enquanto aquela representa a santa igreja de Cristo no mundo, esta outra, por suas características proféticas indiscutíveis, não deixa dúvidas que designa a igreja de Roma” (MELLO, 1959, p. 491).

“O cálice é belo, mas está cheio de falsas doutrinas e enganos. A idéia é a de que ele representa o irresistível fascínio das falsidades que a mulher apresenta ao mundo. Sua habilidade para seduzir e sua impureza moral são representadas pelas vestes de púrpura e de escarlata que ela está usando. A mulher adotou as cores da realeza, mas na realidade é uma meretriz. Que contraste com a noiva do Cordeiro descrita em Apocalipse 19:7 e 8!” (COFFMAN, 1989, p. 139).

Nas vestes da mulher predominam a cor púrpura e escarlate. A cor escarlata, ou vermelho, é usada na Bíblia como símbolo de pecado (Isaías 1:18) e associada também com Satanás (Apocalipse 12:3). A mulher tem um cálice de ouro em suas mãos. O ouro é símbolo de fé e amor (Tiago 2:5; Gálatas 5:6). A igreja apostatada professa fé pura, no entanto, está cheia de corrupção, como representada pelo ‘vinho’. O vinho com o qual embebedou os habitantes da Terra é símbolo de suas falsas doutrinas, tais como: imortalidade da alma, tormento eterno dos ímpios, negação da pré-existência de Cristo, confissão de pecados ao sacerdote, existência do purgatório, santidade do primeiro dia da semana e outros” (OLIVEIRA et al., 2015, p. 61).

“No estudo das sete igrejas e dos sete selos, vimos como a corrupção penetrou na igreja nos primeiros séculos. Sua pureza se perdeu tão logo ela cortejou os favores do mundo. Mesmo antes do tempo de Dante, no décimo segundo século, pensadores literatos e verdadeiros teólogos, coerentemente aplicaram esta profecia à igreja de Roma. Em sua Divina Comédia, Dante acusou diretamente a igreja estabelecida de seus dias.

“Desta obra-prima da literatura, Ignaz Döllinger declara que foi ‘a mais ousada, a mais incomparável, a mais incisiva denúncia poética que já se compôs’.

A Vossa Avareza

Pisando os bons e exaltando os perversos, entristece

O mundo. De vós, Pontífices simonistas,

Fala o Evangelista S. João

Quando vê prostituir-se aos reis da Terra

Aquela que tem mando sobre muitas nações,

Aquela que nasceu com as sete cabeças

E que dos dez cornos teve argumento de poder e autoridade .…

Criastes para vosso uso um deus de ouro e de prata .…

Ah! Constantino, de quantos males foi princípio,

Não o teres-te feito cristão, mas a doação

Que fizeste do Primeiro pontífice rico!

Canto 19.

(Tradução em prosa, do Dr. César Falcão.)

O Inferno de Dante, pág. 89.

“A carência de espaço e de tempo nos impedem de citar muitos outros que escreveram durante esses séculos. A aplicação desta profecia à igreja de Roma é praticamente universal. Naturalmente, esses escritores antigos, como Dante, eram também membros da igreja romana; e isto foi centenas de anos antes do surgimento do protestantismo” (ANDERSON; TREZZA, 1988, p. 193, 194).

“As principais cores usadas nas vestes de papas e cardeais são púrpura e escarlata. Segundo testemunhas oculares, entre as miríades de pedras preciosas que adornam seu culto, a prata é raramente conhecida e o ouro parece pobre. E da taça de ouro que está na sua mão – símbolo de pureza de doutrina e profissão de fé, que devia ter contido só o que é puro e de acordo com a verdade – saem só abominações e vinho da sua fornicação, símbolo adequado das suas abomináveis doutrinas e ainda mais abomináveis práticas.

“Diz-se que por ocasião do Jubileu Papal foi usado o símbolo de uma mulher com um cálice na mão. ‘Em 1825, por ocasião do Jubileu, o Papa Leão XII cunhou uma medalha, tendo num lado a sua própria imagem, e no outro, a da Igreja de Roma simbolizada como uma ‘mulher’, segurando com a mão esquerda uma cruz e com a mão direita um cálice, com a legenda em volta dela: Sedet super universum, ‘Todo o mundo é o seu assento’. – Alexander Hislop, The Two Babylons, pág. 6” (SMITH, 1979, p. 318).

“Um dos anjos das pragas, provavelmente o quinto, foi incumbido de mostrar ao profeta a ‘grande prostituta’ que estava ‘assentada sôbre muitas águas’. Na introdução já definimos que esta mulher é a igreja romana. E por que esta igreja é denominada de ‘prostituta’ na revelação? Ora, quando no caso de espôsos a mulher abandona a seu marido e procura viver ilicitamente com outros homens, então ela torna-se uma prostituta. Caso idêntico ocorreu com a igreja de Roma, a mulher desta profecia. Antes da auto-exaltação desta igreja, fazia ela parte do todo da igreja cristã nos primórdios séculos do cristianismo. Mas ela exaltou-se a si mesma, repudiou a pura verdade do evangelho de Cristo e abandonou o próprio Senhor Jesus como espôso legítimo de Sua igreja, para ligar-se a um homem que começou a adorar como se fôra até mesmo um deus na terra.

“Eis porque a igreja apóstata é considerada prostituta no Apocalipse. E, como irredutível prova de que esta profecia trata realmente da igreja católica, é mencionado que a ‘grande prostituta’ está ‘assentada sôbre muitas águas’. E o versículo quinze nô-lo esclarece que estas águas ‘são povos, e multidões, e nações, e línguas’.

“A bêsta sôbre a qual a mulher aparece assentada é figura da Europa inteira — as águas da profecia. E hoje esta igreja jaz assentada numa mais vasta área do glôbo, no mundo todo. Sua influência nos cinco continentes é tão corrutora no que respeita a Cristo e à religião cristã, como o é a influência de uma prostituta natural no seio da sociedade humana. […]

“Aqui vemos outras relações ilícitas da igreja de Roma. Suas relações com os reis ou governantes da terra. Esta tem sido a história, desta igreja desde o quarto século até aos nossos dias. Deixou de ser propriamente uma igreja para ser um Estado em meio aos Estados; do mundo. Sua influência entre os govêrnos da terra, com raras excepções, é a mais poderosa de tôdas as influências humanas.

“E, como igreja, não está ela ligada ao Estado por afinidades espirituais para espiritualizá-lo, mas por afinidades políticas, isto é, para: fazer do Estado um dócil instrumento de sua política sob o véu de religião. Esta igreja não dá a César o que lhe é devido — o direito de governar sem a sua intromissão — e isto porque deixou de dar a Deus o que também Lhe é devido — a honra a que Êle tem direito como Deus. Houve em verdade uma prostituição de direitos pela igreja católica — os direitos de César e os direitos de Deus. E quão calamitosa é esta prostituição deparamos na vida espiritual e material das massas humanas e nas relações internacionais. Horroriza-nos a declaração da profecia de que os governantes do mundo foram prostituídos por suas relações com a Sé de Roma” (MELLO, 1959, p. 492, 493).

“A púrpura e a escarlata são as principais côres simbólicas da igreja papal. Os mantos usados pelos papas e cardiais são precisamente de púrpura e escarlata. ‘O trono papal sôbre o qual o papa é levado, o pálio que é estendido sôbre êle, todo o seu séquito e ainda êle mesmo, tôdas as igrejas de Roma, todos os palácios e todos os pavimentos por onde anda, são cobertos de púrpura e escarlata; os cardiais pretendem não só a dignidade real, senão que usam um traje talar vermelho e purpúrio e um chapéu da mesma côr, como o são também até as mantas dos cavalos que montam’ (Los Videntes y lo Porvenir, L. R. Conradi, 670).

“E quem quiser comprovar o cumprimento da profecia com seus próprios olhos, basta dirigir-se a Roma. Ainda a revelação fala de seus adornos de ‘ouro, e pedras preciosas e pérolas’. Na verdade miríades de pedras preciosas e pérolas adornam as cerimônias papais. Só a tríplice coroa papal já é o cumprimento da profecia. ‘Sôbre a armação ou esqueleto, forrado de seda, ostenta três coroas de ouro, que levam incrustados tesouros de rara pedraria. A primeira côroa tem dezesseis rubis, três enormes esmeraldas, uma água-marinha e uma safira. A segunda ostenta dez esmeraldas, oito rubis, duas águas-marinhas e três safiras. E a terceira, dezenove gigantescos rubis e uma multidão de safiras, águas-marinhas, crisólitos e granates, além de pérolas que leva cada uma das três coroas e que reúnem noventa pérolas por fileiras. No fim, rematando tão preciosa jóia, fulgura a cruz feita com onze soberbos brilhantes de singular limpidez e tamanho’ (Algures).

“Mas estas evidências purpúreas e as custosas jóias de Roma, não são apenas prioridade do papa e de seus cardeais, mas de seus arcebispos, bispos e igrejas de tôda a terra. Isto evidencia que os pormenores proféticos concernentes aos adornos da mulher é mais uma prova inconteste de que ela representa perfeitamente a igreja do papado, o seu instrumento no mundo” (MELLO, 1959, p. 495).

“A igreja caída serve às nações o vinho do cálice de suas doutrinas adúlteras. Com elas tem embriagado os crentes, os quais não percebem os erros mencionados. Vejamos alguns poucos dos muitos exemplos que lamentavelmente existem. Contrastaremos a doutrina pura com a adulterada para facilitar a compreensão.

a. A doutrina pura: A Bíblia é a Palavra de Deus, regra de fé e de doutrina (II Timóteo 3:15-17; II São Pedro 1:19). O vinho adulterado: a tradição (São Marcos 7:6-13; Gálatas 1:6-9; Apocalipse 22:18, 19).

b. A doutrina pura: Cristo é o único e suficiente Salvador (Atos 4:10-12); Cristo é o único suficiente Mediador (I Timóteo 2:5; São João 14:6). O vinho adulterado: a mediação de outros, ex.: Maria, os santos.

c. A doutrina pura: Somos salvos pela graça (Efésios 2:8, 9) e justificados pela fé, gratuitamente (Romanos 3:24). O vinho adulterado: as penitências, obras meritórias.

d. A doutrina pura: A fé não anula a lei (Romanos 3:31), mas descreve a conduta ética cristã que vive aquele que foi perdoado e justificado pela fé na graça (São João 8:3-11; I São João 3:4; Efésios 4:28; I São João 2:3-5). O crente guarda a lei como fruto da nova vida em Cristo; como expressão de amor a Cristo (São João 14:15). A lei não foi mudada por Jesus e Ele não autorizou mudança nenhuma (São Mateus 5:17, 18). Por isso o crente guarda os mandamentos (Apocalipse 14: 12). O vinho adulterado: Ensina que se pode mudar a lei e adulterá-la.

e. A doutrina pura: O segundo mandamento da Santa Lei de Deus proíbe adorar ou venerar e/ou render culto a imagens (Exodo 20:4-6). Há muitíssimas declarações bíblicas que falam que é irracional pedir auxílio e render culto a objetos inanimados (Isaías 44:9-20; 46:8-10). Deus disse que não quer ser adorado através das imagens (Isaías 42:8, 17). Ele é Espírito e pede um culto espiritual (São João 4:23, 24). O vinho adulterado: Fazer imagens, acender velas perante imagens, pedir-lhes alguma graça, fazer promessas, orar ajoelhado diante de imagens, etc. Tirar este mandamento ao ensinar o povo por meio do catecismo. Mas na Bíblia o mandamento está escrito.

f. A doutrina pura: O quarto mandamento ensina observar o santo sábado (Êxodo 20:8-11). Nosso Senhor Jesus guardou o sábado (São Lucas 4:16), a bem-aventurada virgem Maria e outras piedosas mulheres o guardaram (São Lucas 23:54-56); Jesus disse que não se pode mudar a lei (São Mateus 5:17, 18). O anticristo mudaria (Daniel 7:25). Mas os fiéis guardariam os mandamentos de Deus (Apocalipse 14:12), por isso no novo Céu e na Nova, Terra seguir-se-á guardando o sábado (Isaías 66:22, 23). O vinho adulterado: Deixaram de guardar o sábado e ensinam a guardar o domingo (São Tiago 2:10; São Lucas 6:46).

g. A doutrina pura: Os mortos estão dormindo (São João 11: 1-14), inconscientes (Eclesiastes 9:5, 6) até a ressurreição (São João 5:28, 29) quando receberão a vida eterna (1 Coríntios 15:20-23). Não há outra oportunidade depois da morte (Hebreus 9:27) nem pode alguém ser salvo por méritos de outra pessoa que está fazendo penitências (Romanos 14:12). O vinho adulterado: as doutrinas do purgatório, indulgências, etc., derivadas da idéia errônea de que os mortos vivem. E existem muitos outros exemplos mais” (BELVEDERE, 1987, p. 87).

“Note-se que se trata do ‘vinho da sua prostituição’. A igreja tornou-se prostituta porque abandonou a Cristo. E somente alguém pode abandonar a Cristo quando abandona a verdade de Cristo, o Seu perfeito evangelho que encerra um maravilhoso corpo de doutrinas que constituem o fundamento da verdadeira fé cristã. E não se discute que tôda esta preciosa verdade foi abandonada pela igreja de Roma, quando ela se prostituiu, unindo-se a um marido arranjado ilicitamente, o papado, e também por sua união ilegal com César, os govêrnos civis.

“É claro que, uma vez pondo de lado as santas doutrinas fundamentais da fé apostólica e cristã, pelo abandono de Cristo para unir-se com outros, a igreja papal tinha que arranjar outras para substituir aquelas. E é o seu corpo de errôneas doutrinas ou ensinamentos, que constitui o ‘vinho da sua prostituição’, com o qual ‘os que habitam na terra se embebedaram’. Veja-se Capítulo quatorze verso oito: O vinho de Babilônia.

“Embriagados que estão, pois, as multidões da terra com o vinho da prostituição da ‘grande prostituta’, não podem entender as verdadeiras doutrinas básicas do evangelho do Senhor Jesus. Suas mentes estão embotadas pelo vinho do êrro da ‘grande Babilônia’ e por mais clara que se torne a verdade de Cristo a seus olhos e ouvidos, não a podem crer e aceitar. Estão entorpecidos pelo venenoso vinho de Roma. Terrível tragédia para um mundo que poderia ser salvo para Cristo!” (MELLO, 1959, p. 493, 494).

“Em profecia bíblica, ‘mulher representa a comunidade do povo de Deus, […] A mulher vestida com o sol (Apocalipse 12:1 e 2) simboliza a genuína igreja ideal de Deus. A prostituta vestida em vermelho, e que segura o ‘cálice’ de blasfêmia, transbordante do ‘vinho’ do sangue dos mártires, representa a igreja cristã que apostatou, perseguiu e praticou ‘prostituição’. Apocalipse 17:2-6. O conceito simbólico de ‘prostituição’ ou ‘fornicação’ provém de Ezequiel 16. Nesse texto, os israelitas – que eram o povo de Deus nos tempos do Antigo Testamento – são vinculados a uma pobre mulher que Deus tornou muito bela e depois, graciosamente, recebeu como esposa. Mas Israel, em atitude de infidelidade, praticou ‘imoralidade’ com as idólatras nações vizinhas. Avidamente aceitou o paganismo, estabeleceu tratados de auxílio mútuo com estas nações e oprimiu, de igual modo, os genuínos adoradores de Deus” (MAXWELL; GRELMANN, 2004, p. 474, 475).

De púrpura e de escarlata. Comparar com Ez 27:7; Ap 18:7, 12, 16, 17, 19. Estas eram as cores da realeza (ver com. de Mt 27:28), da qual esta mulher afirmava fazer parte (cf. Ap 18:7). Escarlate também pode ser considerada a cor do pecado e das prostitutas (ver com. de Ap 17:3). Esta meretriz, uma organização religiosa apóstata,é retratada em toda sua habilidade de sedução, vestida de maneira extravagante e vulgarmente adornada. Ela faz contraste gritante com a esposa do Cordeiro, a quem João viu trajada de linho finíssimo, branco e puro (ver Ap 19:7, 8; cf. T1, 136; Ed, 248, ver com. de Lc 16:19).

Abominações e […] imundícias. Ou ‘atos impuros, inclusive as imundícies de sua prostituição’. O ouro do cálice engana as pessoas quanto à natureza de seu conteúdo (ver com. do v. 2)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 944).

17.5Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA.Eu, João, li na testa da mulher, ou seja, vi seu caráter explícito: a ICAR era a continuação do sistema babilônico pagão, a versão “cristã” ou o disfarce eclesiástico d.C./AD do reino de Satanás na Terra, no qual o princípio ativo sempre foi unir as massas sob a liderança de um punhado de tiranos, prometendo o que não podem dar – o perdão de Jesus, a justiça de Jesus, a salvação de Jesus e a vida eterna que somente Jesus possui. Desde Caim, Ninrode, os magos egípcios, o paganismo/ocultismo dos caldeus, dos medo-persas, o espiritualismo hedonista mundano greco-romano, Satanás vem aperfeiçoando seu reino e conduzindo à perdição eterna a muitos. E por meio do papado e da ICAR, sobretudo no século 21, ele alcançará o estado da arte da dissimulação, construindo um fantoche seu que parece acreditar ser a esposa do Cordeiro. Mais do que isso: até os que protestaram contra esse fantoche, por não serem fiéis à Palavra que seus pais protestantes estudaram e seguiram, têm se tornado fantoches juniores, uma imagem e uma homenagem ao papado, com seu credo babilonizado, parte Bíblia, parte invencionice católica/pagã. A mulher imita a verdadeira igreja de Cristo dando à luz – não a um filho varão, mas a prostitutas como ela, as quais também coabitam com lideranças políticas interesseiras e corruptas.

Segundo o pensamento hebraico, o nome é um reflexo do caráter” (BÍBLIA, 2015, p. 1671).

“Na testa, o frontal do cérebro, está a sede da razão e da consciência. Por este motivo, não devemos pensar que a igreja católica ignora que ela é o que a inscrição profética diz a seu respeito. Pois, como esta igreja nada mais é que um ardiloso grêmio-clerical mundial sob um falso manto religioso-cristão, interessado unicamente em finanças, – pouco se lhe dá de sua condenatória inscrição que traz em seu frontal” (MELLO, 1959, p. 498).

“A palavra Babilônia teve sua origem na torre de Babel. Babel quer dizer ‘o portão do Senhor’, ou o portão do Céu. Foi isso que os homens tentaram erigir por seu próprio esforço na construção da torre de Babel, a qual devia alcançar o Céu. Foi um esforço do homem para, por si mesmo, alcançar o Céu, sem ajuda divina. Babel significa caminho para o Céu feito pelo próprio homem. O resultado da tentativa do homem de erigir por si mesmo uma via para o Céu foi a confusão das línguas, a babilônia das línguas. Babilônia tornou-se sinônimo de confusão. Começou com um esforço humano para alcançar o Céu; terminou em total confusão e derrota. O método utilizado pelo homem para se autojustificar pretende ser um portão para o Céu, mas é, na verdade, confusão. Ele sobe por outra via e não passa pela porta do aprisco. Jesus diz que aquele que sobe por outra via é ‘ladrão e salteador’ (João 10:1)” (FEYERABEND, 2005, p. 147).

“Ela trazia escrito o nome ‘Mistério, a grande Babilônia’. Quando os cultos misteriosos da antiga Babilônia entraram na igreja, foram postos os fundamentos para o mistério da iniqüidade. Como salientado na página 34, os mistérios tomaram a forma de religião apenas pouco tempo depois do dilúvio, tendo sido uma definida tentativa de destruir o conhecimento do verdadeiro Deus na mente dos homens. Ninrode, ‘poderoso caçador diante da face do Senhor’ (Gên. 10:9), fundou o reino de Babilônia, e a lenda diz que depois de sua morte, a rainha, depravada e licenciosa, ávida por manter sua influência sobre o povo, instituiu certos ritos em que era adorada como Rhea, a grande ‘mãe’ dos deuses. Esta rainha caldéia é um apropriado protótipo desta mulher do Apocalipse em cuja testa está escrito o nome ‘Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da Terra’” (ANDERSON; TREZZA, 1988, p. 194).

A prostituta identificada com Babilônia. Quando João viu a prostituta em Apocalipse 17, percebeu que ela trazia o seu nome escrito na testa. Nos dias de João, as prostitutas excêntricas costumavam escrever seus nomes sobre faixas que carregavam sobre a testa. […] O nome que ela própria escolheu para si foi: ‘Babilônia, a Grande, a Mãe das Meretrizes e das Abominações da Terra’. Verso 5” (MAXWELL; GRELMANN, 2004, p. 476).

Fronte. O caráter refletido no nome ‘Babilônia’ é uma escolha ponderada da mulher. Isto pode ser subentendido pelo fato de o nome aparecer em sua fronte (comparar com Ap 13:16).

Achava-se escrito um nome. Ou melhor, ‘um nome permanece escrito’, isto é, foi escrito no passado e permanece lá. O nome reflete o caráter.

Mistério. Esta palavra descreve o título não parte dele; por isso, é tão apropriado o termo ‘Babilônia mística’ (ver com. de Ap 1:20).

Babilônia, a Grande. Embora, em certo sentido, a Babilônia mística possa ser considerada representante dos sistemas religiosos apóstatas ao longo da história, no Apocalipse, ‘Babilônia, a Grande,’ designa, de maneira especial as religiões apostatadas unidas no fim dos tempos (ver com. de Ap 14:8; 16:13, 14; 18:24). Em Apocalipse 17:18, a Babilônia mística é chamada de ‘a grande cidade’ (cf. Ap 16:19; 18:18). Sem dúvida, aqui, a Babilônia é denominada grande porque o capítulo aborda mais especificamente o grande esforço final de Satanás para garantir a lealdade da raça humana por meio da religião. ‘Babilônia, a Grande’ é o nome escolhido pela Inspiração para dar nome à grande união religiosa tríplice do papado, protestantismo apostatado e espiritismo (ver com. de Ap 16:13, 18, 19; cf. com de Ap 14:8; 18:2; cf. GC, 588; Dn 4:30; Zc 10:2, 3; 11:3-9). O termo ‘Babilônia’ e refere às organizações em si e a seus líderes, não aos membros do movimento. Estes são chamados de ‘muitas águas’ e ‘os que habitam na terra’ (v.2; cf. v.8).

Mãe das Meretrizes. Conforme já observado, ‘Babilônia, a grande’, inclui o protestantismo apostatado na época em questão. As filhas desta ‘mãe’ representam os vários grupos religiosos que constituem o protestantismo apostatado” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 944, 945).

“PARECE UMA IGREJA. AGE COMO UMA IGREJA. DlZ SER A ÚNICA igreja verdadeira. É chamada mistério porque o seu verdadeiro caráter está escondido sob um exterior falso. Duas vezes antes, no Apocalipse, sua queda foi predita (Apocalipse 14:8; 16:19)” (FEYERABEND, 2005, p. 147).

“S. Paulo já se referira a êste mistério que o denominou de ‘mistério da injustiça’ (II Ts 2:7). Não era um mistério Roma-pagã fazer sua obra pagã em perseguir a igreja cristã. Mas, uma igreja que se diz cristã e mãe da cristandade, e ainda embriagar-se ‘do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus’, é um mistério verdadeiro.

“‘Uma igreja jatando-se a si mesma de ser a noiva, e ainda ser prostituta; intitulando-se a si mesma de Sião e ser Babilônia — isto é um mistério. Um mistério é, que, quando ela diz a todos — Vinde a mim — a voz do céu clama — ‘sai dela, povo meu’. Um mistério é, que aquela que se orgulha como cidade dos santos, tornou-se a habitação dos demônios; que aquela que pretende ser infalível, está falando para corromper a terra; que, denominando-se ‘mãe das igrejas’, é chamada pelo Espírito Santo ‘mãe das prostitutas’; que aquela que se orgulha ser indefectível, deve um dia ser destruída, e que os apóstolos devem regozijar-se em sua queda; que aquela que tem, como ela diz, em suas mãos as chaves do céu, será lançada no lago de fogo por Aquêle que tem as chaves do inferno. Tudo isto, em verdade, é um grande mistério’” (Source Book for Bible Students, 71).

“E quem quer que pergunte a razão desta ou daquela das doutrinas abomináveis de sua taça, a igreja responde por seu clero — Mistério! Sim, mistério é a palavra chave da sua manhosa evasiva para não declarar a realidade de seus ensinos e pretensões anti-evangélicos.” (MELLO, 1959, p. 496).

“‘Babilônia’, a confederação final da apostasia religiosa é retratada como mulher impura. Representa os professos seguidores de Deus que adotaram o erro e estabeleceram ilícita conexão com os poderes políticos da terra (Apoc. 17:1 e 2)” (COFFMAN, 1989, p. 153).

“A cidade de Babilônia tornou-se a capital de um império mundial que procurou dominar as consciências humanas e impor sua idólatra religião que tinha por fundamento a salvação pelas obras em desprêzo ao plano original de Deus da salvação pela fé. As Sagradas Escrituras contêm decisivas profecias que foram proferidas contra Babilônia por vários profetas. Sua própria destruição e mesmo o estado de suas ruínas, foram traçados por profecias infalíveis e definidas. Mas, a Babilônia espiritual, segundo a nossa consideração, é a igreja católica-romana. Esta não é uma declaração humana mas da própria inspiração” (MELLO, 1959, p. 497).

“A prostituta Babilônia considera-se como uma ‘porta de Deus’, como a porta de Deus. Estra, ecclesiam non salus est, foí durante séculos a sua doutrina oficial em latim. ‘Fora da igreja [romana] não há salvação.’ Evidentemente, no entanto, aos olhos de Deus ela era um lugar de confusão. Seus ensinamentos, uma corruptora mistura de verdade e erro, criaram uma confusão monumental.

“Ela ensinou que o dia do juízo ocorrerá por ocasião do segundo advento – mas também ensinou que os pecadores são condenados ao inferno imediatamente depois que morrem. Ela ensinou que Deus é amor – mas diz também que Ele faz os pecadores queimarem em tormento literalmente para sempre e sempre. Ela ensinou que a Bíblia é a Palavra de Deus – mas quando os concílios eclesiásticos divergem da Bíblia, eles são mais claros e possuem maior autoridade que esta. Ela ensinou que todos os dez mandamentos são laços morais indissolúveis – mas em seus catecismos ela removeu do segundo mandamento a proibição de culto às imagens e modificou o mandamento do sábado, de modo a colocar o domingo como dia santificado em lugar do sábado de Deus” (MAXWELL; GRELMANN, 2004, p. 476, 477).

“Comparando a igreja de Roma com a antiga Babilônia, faz a revelação a mais drástica denúncia contra esta igreja, elevando-a ao mais alto índice como responsável pela corrupção da fé cristã e lavrando tão certamente o seu aniquilamento como o fêz com aquela outra Babel da antiguidade. Numerosos teólogos reconhecem em Roma a Babilônia do Apocalipse.

“O Dr. Guthrie, da igreja Presbiteriana, asseverando que sua igreja saiu de Roma, diz por fim: ‘Saíram de Babilônia limpos?’ (O Conflito dos Séculos, E. G. White, 384). Os valdenses ‘declararam ser a igreja de Roma a Babilônia apóstata do Apocalipse, e com perigo de vida erguiam-se para resistir às suas corrupções’ (O Conflito dos Séculos, E. G. White, 65).

“Inúmeros, personagens históricos do cristianismo reconheceram na igreja católica a Babilônia do Apocalipse. Agostinho, Jerônimo, Tertuliano, Primosius em seu comentário, Vitorino bispo de Petau, André de Cesaréia, Eusébio, Clemente de Alexandria, Papias bispo de Hierápolis, Ecumenius, — e numerosos outros antigos e contemporâneos. Entre a antiga Babilônia oriental e a moderna Babilônia mundial, a igreja católica romana, há um paralelo real: Ambas exerceram poder mundial sôbre muitas águas (Ap 17:1 e 3). Ambas embebedaram as nações com vinho duma taça (17:4). Ambas são idólatras na história. Ambas pretenderam eternidade, supremacia universal, poder sôbre as consciências e exerceram crueldade contra o povo de Deus.

“Mas o fim de cada uma das Babilônias é assegurado sob um mesmo símbolo — o afundamento e o afogamento violentamente nas águas (18:21). E, ‘caiu Babilônia’, é o grito profético sôbre ambas (14:8). E, um outro grito profético, de alerta ao povo de Deus, é êste: ‘Sai dela povo meu’ (18:4). Terrível paralelo!” (MELLO, 1959, p. 497).

A ICAR é 1/3 da Babilônia espiritual, como vimos em Apocalipse 16.19. Os outros 2/3 se referem ao paganismo/espiritismo e ao pseudoprotestantismo.

“A visão do Apocalipse revela que Roma é a igreja-mãe. Esta tem filhos que a deixaram e filhas que saíram dela, mas apesar de havê-la abandonado conservam muito de seus vícios e da sua conduta religiosa equivocada. Saíram da casa da mãe meretriz, mas embriagados com o vinho doutrinário que ela havia adulterado. Este versículo nos ajuda a entender que evidentemente Babilônia é uma espécie de sobrenome ou nome de família e que a grande Babilônia inclui Roma e as outras igrejas guardadoras do domingo, etc. Isto pode causar admiração, mas Deus o revela com clareza” (BELVEDERE, 1987, p. 88).

“Apocalipse 17 não se aplica apenas ao período medieval. Babilônia tem filhas. Ela é a ‘mãe das prostituições e abominações que se cometem na Terra’ (Apoc. 17:5). As filhas da igreja medieval estabelecida são as igrejas modernas que se identificam com aspectos de seus ensinos. Perto do final dos tempos, os poderes representados pela besta e seus dez chifres irão odiar Babilônia e destruí-la. Babilônia ‘é a grande cidade que domina sobre os reis da Terra’ (verso 18)” (GULLEY, 1996, p. 4).

“Mas, quem são estas ‘prostitutas’ das quais a igreja católica é a mãe? ‘Como suas filhas devem ser simbolizadas as igrejas que se apegam às suas doutrinas e tradições, seguindo-lhe o exemplo em sacrificar a verdade e aprovação de Deus, a fim de estabelecer uma aliança ilícita com o mundo’ (O Conflito dos Séculos, E. G. White, 384). Em outras palavras, as ‘prostitutas’ filhas da igreja ‘mãe’, são as igrejas protestantes que dela saíram e com ela comungam em muitos pontos de doutrinas.

“O termo Babilônia significa confusão. Dêste modo a Babilônia ‘mãe’ e suas filhas são acusadas da confusão reinante no seio do cristianismo com suas centenares de denominações e de falsas doutrinas. São também responsáveis pela confusão política e social do mundo, pois se lhe ministrassem a pura revelação do evangelho de Cristo, êle por certo estaria em melhores condições do que está. Que a igreja católica é considerada pelo clero como ‘mãe’, segundo reza a profecia, declara o próprio papa Pio XII, num de seus discursos. Eis as suas palavras: ‘A Igreja é Mãe, ‘Santa Mater Eclesia’, a verdadeira mãe de tôdas as nações e de todos os povos, assim como de todos os homens individualmente. Precisamente por ser mãe não pertence com exclusividade a êste ou àquele povo, mas a todos igualmente. A Igreja é Mãe e portanto não é estrangeira em parte alguma. Vive e por sua natureza deve viver entre todos os povos’ (O Conflito dos Séculos, E. G. White, 65)” (MELLO, 1959, p. 497, 498).

“No credo do Papa Pio IV, uma autorizada declaração da fé Católica Romana é encontrada no seguinte asserto: ‘Reconheço a Santa Igreja Católica Apostólica como mãe e soberana de todas as e igrejas.’ – Artigo 10. Quando as professas igrejas protestantes repudiaram o princípio fundamental do protestantismo, pondo de parte a autoridade da Palavra de Deus, aceitando em seu lugar a tradição e especulação humanas, adotaram o princípio fundamental da moderna Babilônia, e podem ser chamadas filhas de Babilônia. Sua queda está então incluída na de Babilônia, e exige uma proclamação da queda da moderna Babilônia.

“Muitos representantes do moderno protestantismo têm rejeitado, dum modo ou doutro, muitas das doutrinas fundamentais da Bíblia, tais como:

A queda do homem.

A doutrina bíblica do pecado.

A infalibilidade das Escrituras.

A perfeição das Escrituras como regra de fé e prática.

A divindade de Cristo, e Sua consequente liderança sobre a igreja.

A conceição miraculosa de nosso Senhor e Seu nascimento de uma virgem.

A ressurreição de Cristo.

A morte vicarial, expiatória e propiciatória de Cristo.

A salvação pela graça, mediante a fé no Senhor Jesus Cristo.

A regeneração pelo poder do Espírito Santo.

A eficácia do nome de Cristo na oração.

O ministério e guarda dos santos anjos.

Os milagres como manifestação e intervenção direta do poder e Deus.

“Ainda que muitos líderes do moderno protestantismo, conhecidos como altos críticos, não tenham formalmente adotado o credo da Igreja de Roma, e não se tenham tornado parte orgânica desta corporação, mesmo assim pertencem à mesma classe ao rejeitar a autoridade da Palavra de Deus, aceitando em seu lugar o produto de suas próprias argumentações. Há tanta apostasia num caso como no outro, e ambos devem ser incluídos, portanto, em Babilônia, e ambos se acharão envolvidos, afinal, em sua queda” (ESTUDOS BÍBLICOS, 1984, p. 214).

“O protestantismo assumiu sua posição ao lado da Bíblia, e da Bíblia somente, no século [1]6. Foi esse princípio que causou a sua separação de Roma. Mas o protestantismo de hoje está repudiando essa plataforma e voltando-se outra vez para a tradição. Essas igrejas são filhas que sempre obedecem à mãe caída. E, com o seu abandono da Bíblia e seus ensinamentos, ‘caiu, caiu, Babilônia’. Entre as doutrinas tradicionais, mas não bíblicas, aceitas pelos protestantes de hoje, estão o tormento eterno para os perdidos, o batismo de crianças, o batismo por aspersão e a guarda do domingo” (FEYERABEND, 2005, p. 149).

“Mediante os dois grandes erros — a imortalidade da alma e a santidade do domingo — Satanás há de enredar o povo em suas malhas. Enquanto o primeiro lança o fundamento do espiritismo, o último cria um laço de simpatia com Roma. Os protestantes dos Estados Unidos serão os primeiros a estender as mãos através do abismo para apanhar a mão do espiritismo; estender-se-ão por sobre o abismo para dar mãos ao poder romano; e, sob a influência desta tríplice união, este país seguirá as pegadas de Roma, desprezando os direitos da consciência” (WHITE, 2013, p. 513).

Prostituta, e mãe de prostitutas. Na tiara que traz à testa, a prostituta identificou-se como ‘Babilônia, a grande, a mãe das meretrizes’. Durante muito tempo tem a Igreja Católica se rotulado como a ‘Igreja-mãe’. Em determinado sentido, ela tem estado correta ao assim proceder, pois ela deu origem a muitas igrejas-filhas. Triste é dizê-lo: quando observadas pelo seu pior aspecto, as filhas também demonstram uma forte tendência para se tornarem ‘prostitutas’. As filhas não nascem como prostitutas. Tornam-se assim por livre escolha. Solteiras, são conhecidas pelo nome da mãe. As filhas prostitutas das quais estamos falando, são também conhecidas como ‘Babilônia’, a exemplo do que ocorre com a mãe.

“Antes que prossigamos, recordemos novamente que os livros de Daniel e Apocalipse tendem a considerar seletivamente a situação de pessoas perseguidas e igrejas e nações perseguidoras. Assim, eles enfatizam o aspecto mais negativo dessas igrejas e estados, de modo a advertir os crentes. Excepcionalmente, Apocalipse 2:19 faz referência à especialíssima contribuição feita à sociedade pela Igreja Católica – e isso é correto, pois durante a Idade Média (para não falar das contribuições positivas dos dias atuais) a Igreja providenciou praticamente os únicos hospitais e escolas existentes no Ocidente. Ela também ajudou a manter vivo um certo conhecimento a respeito de Deus e Seu Filho Jesus. […] Para o nosso benefício, Daniel e Apocalipse há muito tempo estão nos advertindo de que o quadro teria um outro lado, bastante escuro.

A Igreja Romana se caracterizaria por (1) oposição aos mandamentos de Deus, (2) negação ou obscurecimento do ministério de Cristo no santuário celestial e (3) perseguição dos mais fiéis seguidores de Deus. […] A Igreja Católica Romana tem revelado essas três características em maior ou menor grau praticamente desde a sua implantação. Por outro lado, as principais igrejas protestantes vieram à luz com a determinação de procederem melhor que a ‘igreja-mãe’.

“Maninho Lutero, fundador da Igreja Luterana, redescobriu os três grandes pilares da verdade divina, quais sejam: ‘justificação pela fé’, ‘a Bíblia somente’ como autoridade final e o ‘sacerdócio dos crentes’. João Calvino, inspirador das igrejas Congregacional e Presbiteriana, trouxe novamente à luz a verdade de que Deus, e não um sacerdote ou os ‘santos’, decidirá se nós seremos salvos ou nos perderemos. João Wesley, líder da Igreja Metodista e da Igreja do Nazareno, redescobríu a ‘livre graça’, de que a salvação não é concedida apenas a umas poucas pessoas previamente selecionadas por Deus (conforme ensinava Santo Agostinho), mas se encontra livremente disponível a todo aquele que crer. Os batistas redescobriram o ‘batismo dos crentes’, ou seja, que não se deve esperar que as pessoas se tornem membros da igreja antes que compreendam e aceitem aquilo que a igreja ensina.

“À medida que vinham à existência, cada uma dessas principais igrejas protestantes resplandecia sob a luz de algum novo aspecto, restaurado, da maravilhosa verdade de Deus. Todos os cristãos da atualidade podem sentir-se imensamente agradecidos pelas magníficas descobertas realizadas pelos fundadores dessas igrejas. Também podemos ser agradecidos, evidentemente, à Igreja Católica, pelos vários aspectos da verdade que ela preservou durante a Idade Média.

“Tragicamente, na década de 1840, no clímax do grande reavivamento religioso da América, por ocasião do grande despertamento do segundo advento, os líderes da maioria das igrejas protestantes dos Estados Unidos rejeitaram a tríplice mensagem angélica de Apocalipse 14:6 a 12. Ao assim procederem, eles (1) negligenciaram o sábado dos dez mandamentos de Deus, ou até mesmo se opuseram a ele, (2) negaram o novo ministério de Cristo no lugar santíssimo do santuário celestial – um ministério de juízo e expiação. Por vezes, naquela ocasião, e muitas outras vezes desde então, eles (3) proferiram palavras duras – em livros, jornais, rádio e TV – contra os fiéis cristãos observadores do sábado.

“Quando se cumprir a profecia de Apocalipse 13, essas denominações e outras mais provavelmente se unirão ao Estado com o objetivo de infligir cruel boicote, e até mesmo a penalidade de morte, aos observadores do sábado. Elas farão com que ‘todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos’ recebam uma ‘certa marca sobre a mão direita, ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta, ou o número do seu nome’. Apocalipse 13:16 e 17” (MAXWELL; GRELMANN, 2004, p. 477, 478).

“Era costume de meretrizes audaciosas pendurar um sinal com os seus nomes para que todos soubessem quem elas eram. O que significa esse nome? 1. Seu lugar de moradia: ‘a Grande Babilônia’. Não a Babilônia literal, mas um lugar com mistério em seu nome, algo que lembra a velha Babilônia. 2. Seu infame jeito de se portar: ela não somente é uma meretriz, mas mãe de meretrizes, criadora de meretrizes, que cuidou delas e as treinou para a idolatria e todos os tipos de lascívia e perversidade. Ela é a mãe e a incentivadora de todas as religiões falsas. 3. Sua dieta: ela saciava-se com o sangue dos santos e mártires de Jesus. Ela bebeu o sangue deles com tanta avidez que chegou a intoxicar- se com ele” (FEYERABEND, 2005, p. 148, 149).

“A visão do Apocalipse revela que a igreja de Roma é a igreja-mãe, pois possui filhas e estas filhas são simbolizadas como as igrejas que se apegam às doutrinas e tradições de Roma que não se baseiam na Bíblia. Muitas destas filhas saíram dela, mas apesar de havê-la abandonado, conservam muitos dos seus vícios e de sua conduta religiosa equivocada. Saíram da casa da mãe, mas continuam embriagados com seu vinho” (OLIVEIRA et al., 2015, p. 61).

17.6Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto.Eu, João, assisti às cenas simbólicas significando a ICAR perseguindo e assassinando os verdadeiros filhos de Deus assim como a besta do mar, o predador de Apocalipse 13.1-10, o fez no período dos 42 meses proféticos ou 1260 anos literais, de 538 a 1798. Eu fiquei pasmo, pois antes Igreja e Estado/reinos estavam tão ligados que foram representados num único símbolo – o predador. Mas, agora, eu vi a mulher e o predador separados, mas um se aproveitando do outro para silenciar aqueles que, por conhecerem o AT e o NT, as profecias escatológicas e o significado do Santuário bíblico, se mantêm separados desse ecumenismo, o qual além de não ligar a criatura ao Criador, gera os mesmos sentimentos invejosos e assassinos de Caim contra os Abéis do tempo do fim – os que obedecem à Palavra de Deus, em vez das invencionices dos homens. Como isso é possível? Pessoas que se dizem de Deus com ódio diabólico contra os que não dizem que são de Deus, mas O representam verdadeiramente em seu caráter manso e estilo de vida saudável e fiel à Bíblia! E mais: no princípio do mundo, eram apenas dois irmãos. Mas, no fim, é uma igreja corrupta enorme invejando e odiando um pequeno número de cristãos, e cavalgando sobre a máquina estatal – usando-a como no passado – para censurá-los, prendê-los e assassiná-los em pleno século 21 e antes dos 7 últimos desastres!

Apocalipse 13 nos diz que a besta que sobe do mar pelejaria contra os santos e os venceria (13:7). Agora, este mesmo poder, o sistema papal, a igreja de Roma, são retratados no capítulo 17, como estando embriagados com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus. Essa é uma linguagem figurada para falar dos milhares que foram perseguidos e mortos por este poder religioso. Durante a Idade Média milhares de cristãos fiéis foram injustamente designados ‘hereges’, e foram perseguidos e mortos simplesmente por não concordarem com os erros e tradições da igreja de Roma. Quando cair a terceira praga, e os ímpios não tiverem água para beber, em seu desespero, eles beberão sangue. O Apocalipse diz: ‘porquanto derramaram sangue de santos e de profetas, também sangue lhes tens dado a beber; são dignos disso’ (Apocalipse 16:6)” (OLIVEIRA et al., 2015, p. 62).

Embriagada. Ver com. do v. 2. Literalmente, ‘continuando em estado de embriaguez’. No sentido geral, Babilônia pode ser considerada ‘embriagada’ com o sangue dos mártires de todas as eras (cf. Ap 18:24), mas, em sentido mais imediato, com o dos mártires e mártires em potencial das cenas finais da história da Terra. Deus considera Babilônia responsável pelo sangue daqueles cuja morte e decretou, mas que foi impedida de assassinar (ver GC. 628). A Babilônia se encontra completamente bêbada, devido a seu sucesso passado na perseguição dos santos (ver com. de Dn 7:25; Mt 24:21; cf. Ap 6:9-11; 18:24) e da perspectiva de logo ter a satisfação de completar a tarefa sanguinária (ver com. de Ap 16:6; 1714; cf. GC, 628)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 944).

“Perseguir seus santos e suas testemunhas, disse Jesus, é a mesma coisa que perseguir a Êle próprio (Lc 10:16). A expressão – estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus – revela as extensas carnificinas da igreja papal e o grande derramamento de sangue que lhes causou. Sôbre as perseguições desta igreja contra os santos veja-se o versículo sete do capítulo treze do Apocalipse” (MELLO, 1959, p. 498, 499).

“O segredo da sua admiração era este: Todas as perseguições testemunhadas procediam de Roma pagã, inimiga declarada de Cristo. Não era de estranhar que pagãos perseguissem os seguidores de Cristo. Mas quando João olhou adiante e viu uma igreja que professava ser cristã perseguir os seguidores do Cordeiro, e embriagar-se com o seu sangue, não pôde deixar de admirar-se com grande espanto” (SMITH, 1979, p. 318, 319).

Sangue dos santos e mártires de JesusClamores e cânticos dos mártires. Leia Apocalipse 6:9-11 e 20:4. Os clamores das almas debaixo do altar nunca se extinguiram. Mas a recompensa dos mártires para Deus está além de nossa imaginação. Eles sentar-se-ão em tronos com Cristo” (COFFMAN, 1989, p. 139).

Por que devia João maravilhar-se? Seria a perseguição uma coisa estranha para o povo de Deus em seus dias? Ele havia testemunhado a feroz perseguição do poder romano. Mas essa perseguição vinha da Roma pagã, inimiga declarada de Cristo. Agora, ele via cristãos perseguindo cristãos” (FEYERABEND, 2005, p. 149).

Testemunhas. Do gr. martures (ver com. de Ap 2:13; comparar com Is 47:6; Jr 51:49; ver com, de Ap 18:24).

De Jesus. O provável sentido é ‘que deram testemunho acerca de Jesus’, primeiro primeiro por suas palavras e depois mediante o martírio. Foram mortos porque persistiram em testemunhar de Jesus e Sua verdade. Foram leais ao nome de Cristo à custa da própria vida.

Quando a vi. Não fica claro se isto se refere ao que João relata nos v. 3 a 6 ou somente a sua conduta no v. 6, o clímax de sua carreira de crimes. A resposta do anjo à admiração de João (v. 7) pode subentender a primeira opção.

Admirei-me com grande espanto. Literalmente, ‘admirei-me com grande admiração’. O grego reflete uma expressão idiomática típica do hebraico. O anjo havia chamado João para testemunhar a sentença a ser pronunciada sobre Babilônia, a prostituta religiosa (v. 1), e é provável que o apóstolo esperasse ver uma cena de ruína e degradação totais. Em vez disso, porém, ele contempla uma mulher trajada com vestes exuberantes e dispendiosas, bêbada e assentada em uma besta de aspecto temível. Um anjo já contara a João algo sobre essa ‘mulher’ ímpia (ver Ap 14:8; 16:18, 19), mas agora ele ouve um relato mais completo e espantoso de seus crimes. Aquilo que João vê o enche de espanto absoluto, muito além do que o expresso nas outras partes de Apocalipse. Os crimes da Babilônia mística, mencionados na acusação do anjo, podem ser listados da seguinte forma (cf. com. de Ap 18:4):

Sedução. Ela seduz os reis da Terra a uma união ilícita com ela, a fim de promover os reis da Terra a uma união ilícita com ela, a fim de promover os próprios desígnios sinistros (ver com. do v.2; Ap 18:3).

Opressão. Ela se assenta sobre ‘muitas águas’, oprimindo os povos da Terra (ver com. de Ap 17:1). Contribuição à delinquência humana. Ela embebeda todos os que habitam sobre a Terra, à exceção dos santos, com o vinho de sua política pública, levando-os a se tornar cúmplices de sua trama perversa (ver com. do v. 2).Com sua ‘prostituição’, ela corrompe a Terra (Ap 19:2).

Embriaguez. Ela está ‘embriagada com o sangue dos santos’, os quais a ofenderam ao se recusar a beber de sua porção maligna de erro e a se submeter a sua ambição de governar a Terra.

Homicídio e tentativa de homicídio. Ela trama o assassinato da noiva de Cristo, a ‘mulher’ de Ap 12 (ver com. de Ap 17:6, 14; 18:24)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 945).

17.7O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta que tem as sete cabeças e os dez chifres e que leva a mulher:O anjo que me fez ter a visão, ao ver minha reação, falou: “Por que você está pasmo? Eu irei lhe dar o significado das cenas simbólicas sobre a ICAR e os políticos envolvidos com ela, os quais seguem um padrão milenar estabelecido por Satanás ao usar falsas religiões e o Estado para perseguir os verdadeiros filhos de Deus na Terra ao longo de toda a história, desde antes dos países europeus e da própria ICAR:

O restante do capítulo consiste na interpretação que o anjo faz do ‘mistério’, ou seja, do simbolismo da visão dos v. 3 a 6. A ‘besta’ é explicada nos v. 8 a 17; a ‘mulher’, no v. 18” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 945, 946).

Veremos que os estudiosos Mello (1959) e Smith (1979) entendem as 7 cabeças da besta como sendo todas romanas, enquanto os demais autores enxergam esses símbolos como poderes perseguidores dos filhos de Deus anteriores à Roma pagã e posteriores a ela.

“O dragão do capítulo doze do Apocalipse é em primeiro lugar emblema de Satanás, depois de Roma, pois os dez chifres o identificam com o quarto animal de Daniel sete citado, que é Roma-pagã, e S. João contemplou esta potência com mais os detalhes das sete cabeças. Sendo, pois, o dragão, o império romano, suas sete cabeças são impreterivelmente romanas, por meio das quais o império ou o dragão falava e governava.

“Doutro lado, o dragão está ligado à história da igreja cristã da nova dispensação, não podendo êle representar poderes anteriores a Roma e nem mesmo nesta profecia relacionar-se com a igreja israelita da velha dispensação. No capítulo que estamos considerando, a bêsta escarlata com sete cabeças e dez chifres é identificada pelo quarto animal da profecia de Daniel, pelo dragão do Apocalipse doze e pela bêsta semelhante a um leopardo do Apocalipse treze, como sendo a mesma potência perseguidora — Roma” (MELLO, 1959, p. 498, 499, 500).

Só um lembrete: tudo indica que o quarto animal de Daniel 7 só possui uma cabeça.

“Ela [a mulher] se encontra em posição de domínio temporário (até v. 16). A religião passa a controlar a esfera política, assim como acontecia durante a Idade Média” (BÍBLIA, 2015, p. 1671).

“A identidade da meretriz que cavalga a besta não tem sido um ponto de discussões tanto quanto a identidade da besta, suas sete cabeças e seus dez chifres. Uma das interpretações mais correntes tem sido que a besta em questão aponta para a mesma entidade representada pela besta de Apocalipse 13, e que seria o Império Romano, cuja capital foi considerada a ‘cidade das sete colinas’, como sugere Apocalipse 17:9. Essa interpretação enfrenta um problema, pois em Apocalipse 17:16, a besta ‘escarlate’ e os ‘reis da Terra’ odeiam e destroem a meretriz, que já identificamos como Roma, o que requer necessariamente uma distinção entre essas duas bestas. […]

“Apresentaremos a seguir duas possíveis interpretações para esta besta escarlate:

a) Besta escarlate – símbolo do próprio Satanás

Há uma grande semelhança entre a besta do capítulo 17 e o dragão do capítulo 12, símbolo de Satanás. Ambos possuem sete cabeças e dez chifres (12:3 e 17:7). Eles possuem a mesma cor – escarlate ou vermelho (12:3 e 17:3). Os dois poderes se opõem a Jesus (12:13 e 17:14). Falando sobre este poder, Apocalipse 17:8 diz: ‘a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição…’. A palavra abismo aparece no Apocalipse sete vezes. Em Apocalipse 20, um anjo desce do céu com a chave do abismo em sua mão e aprisiona Satanás por mil anos. Depois deste período ele é solto, para logo em seguida ser destruído.

b) Besta escarlate – símbolo dos Estados Unidos da América do Norte

Há ainda uma segunda possibilidade. Aplicar o simbolismo desta besta escarlate aos Estados Unidos da América. No panorama escatológico do Apocalipse, é este o último poder político-militar de alcance global (Apocalipse 13:12), e que assumirá atitudes imperiais como os sete impérios anteriores a ele, que é ‘procedente’ da Europa e, portanto, tem uma relação com os anteriores em termos de origem. Sendo que as cabeças da besta escarlate representam sete impérios mundiais (Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma e Roma papal), a oitava cabeça pode ser, portanto, o poder americano, conforme representado pela besta de dois chifres em Apocalipse 13:11, pois é este poder que ‘apoia’, no capítulo 13, ou ‘carrega’, no capítulo 17, a besta que sai do mar ou grande prostituta” (OLIVEIRA et al., 2015, p. 62).

17.8a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá.“o predador que lhe mostrei nesta visão, é semelhante ao predador do capítulo 13.1-10, ou seja, é a parte política imperialista/dominionista daquela besta: os reis e príncipes (os ‘diademas’, 13.1) de 538 a 1798 usados pelo papado como sua guarda pretoriana e por ele ameaçados quando cogitavam não se colocar sob suas rédeas. Sendo que, após esses 12 séculos, o papado sofreu uma ferida (13.3) e os políticos das nações, distanciando-se dos papas, desenvolveram sistemas de governo diferentes, saindo da monarquia/teocracia do deus papa para a democracia, algo detestado por Satanás e por seu fantoche papal, pois descentraliza o poder. Comunismos, nazismos, fascismos, socialismos e capitalismos, são sempre tentativas do dragão de manter as massas sob o domínio centralizado de um punhado de ditadores. Os séculos 18, 19 e 20 ensejaram o florescimento do protestantismo e do republicanismo, começando pela ferida papal do século 18! Mas, esta visão que lhe dou agora, João, do ponto de vista da época do início do julgamento celestial da ICAR, de suas filhas pseudoprotestantes e do predador político – tudo isso estará em standby de 1844 até o século 21, onde o papado ressuscitará daquela ferida mortal, imitando o Cordeiro que foi morto na cruz. Ressuscitará por obra de Satanás, suas engenharias e providências angélicas, vindas do profundo abismo de sua mente perversa e condenada; mas, ele sabe que pouco tempo lhe resta, para ele e seu projeto de poder – tudo será destruído pelo Rei Jesus. E os cristãos nominais que seguem líderes religiosos carismáticos e tentam se beneficiar deles, esses que não mantêm um relacionamento com o Cordeiro, mas com lobos, e são ignorantes da Bíblia, das revelações proféticas cuja função é impedir que a humanidade seja massa de manobra de Satanás e seus fantoches religiosos e políticos; esses terão seus nomes retirados do Livro da Vida do Cordeiro, pois receberão a marca da rebeldia de Caim, o falso sábado, o domingo de Constantino, em vez de aceitarem receber o selo de Deus – o verdadeiro sábado. Essa desobediência deliberada ao Criador, em um período específico no século 21, fará com que sejam julgados pelo Juiz Jesus no Tribunal celestial e sentenciados à morte eterna, por desenvolverem um caráter rebelde, amadurecendo-o para a colheita da perdição. E serão essas pessoas o rio Eufrates, sustentador da tirania babilônica, que será secado no derramamento do 6º desastre, ou seja, a igreja amazona montada no predador político, cujo relacionamento foi desenvolvido no período desértico pós-ferida mortal (sécs. 18 a 20), voltará a estar sobre muitas águas, 13.1 e 17.1, como no período medieval, sécs. 6 a 18.

O início do v. 8 é paródia dos títulos de Deus (1,4+) e de Cristo (1,18)” (BÍBLIA DE JERUSALÉM, 2002, p. 2159).

“Conforme previamente explicado, a meretriz Babilônia simboliza a união de autoridades religiosas no tempo do fim, e a besta representa uma união mundial política. Essas duas são inseparáveis, pois a prostituta deriva seu caráter e poder da besta. Assim como a igreja medieval usava o poder politico para controlar a mente e as crenças das pessoas, a Babilônia utilizará os poderes políticos governantes no tempo do fim. A besta escarlate é identificada como aquela que ‘era e não é, está para emergir do abismo’(Ap 17:8). Essa expressão consiste, em primeiro lugar em uma paródia do nome divino Yahweh – ‘Aquele que era, que é e que há de vir’ – em Apocalipse 4:8 (cf. Ap 1:4, 8). Segundo, essa fórmula tríplice mostra ainda que a besta passou por três fases de sua existência: passado, presente e futuro.

“Primeiro, a besta ‘era’. Isso quer dizer que ela existiu no passado. Existem liga coes claras entre a besta escarlate e a besta do mar de Apocalipse 13, que se recuperou de sua ferida mortal. As duas estão cheias de nomes de blasfêmia e têm tanto sete cabeças quanto dez chifres (Ap 17:3,7). Isso mostra que a fase ‘era’ da besta se refere a suas atividades durante o período profético de 1.260 dias (cf. Ap 13:5). Então, com sua ferida mortal, a besta entra na fase ‘não é’ (Ap 13:3). Em outras palavras, desapareceu por um tempo, mas sobreviveu. A besta voltará à vida em plena ira satânica contra o povo fiel a Deus durante o tempo do fim (Ap 12:17). A ressurreição da besta despertará a admiração daqueles ‘que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo’ (Ap 17:8b).

“Essa besta de Apocalipse 17 é a besta do mar de Apocalipse 13, após a cura de sua ferida mortal. É nessa besta ressuscitada que a meretriz Babilônia monta. Esse sistema religioso do tempo do fim consiste em uma continuação do poder politico-religioso que oprimiu o povo de Deus ao longo do período profético de 1.260 dias” (STEFANOVIC; NASCIMENTO, 2018, p. 100).

Só abrindo parênteses no comentário dos autores acima, a ferida mortal foi sobre a cabeça papal, não sobre toda a besta. Outro ponto: a besta de Ap 13.1 também estava associada à Babilônia – ‘boca de leão’. Ou seja, a besta e a mulher de Ap 17, ambas, são a besta de Ap 13.1

“O Apocalipse deixa claro que a religião dominará e controlará a política mais uma vez, assim como o fez durante a Idade Média. Contudo, existe uma diferença notável entre o período medieval e o tempo do fim. Enquanto a besta do mar, representante da igreja medieval, era um poder politico-religioso, a besta escarlate tem caráter exclusivamente politico. Os poderes religiosos e políticos são distintos no tempo do fim” (STEFANOVIC; NASCIMENTO, 2018, p. 100, 101).

Mas, esta besta na qual a mulher está assentada é blasfema, não semente a mulher Babilônia! Ap 13.1 e 17.3 revelam blasfêmias sobre as cabeças da besta do mar e sobre a besta que carrega a mulher, dando a entender que, assim como na Idade Média havia uma mistura homogênea entre Igreja e Estado, ou o Estado mesmo não sendo teocrático, tinha suas rédeas na mão da Igreja.

Tabela 3 – A besta que era e já não é

A besta que era”

e não é”

mas aparecerá”

Roma pagã

Intervalo entre o fim da perseguição pagã e o começo da perseguição papal

Roma papal

Período da besta e suas sete cabeças

Intervalo entre o ferimento da sétima cabeça e a restauração da besta como oitava cabeça

Restauração da besta ao tornar-se a oitava

Satanás através dos séculos

O milênio de Apocalipse 20

Breve período de atividade de Satanás no fim do milênio, e então sua destruição

Fonte: Coffman (1989, p. 140 e 141).

A besta que viste. Isto é, a besta do v. 3. João não viu a besta no estado em que ela ‘era e não é’, mas, sim, em condição reavivada, após o período do ‘não é’. Todavia, o anjo relata brevemente a carreira passada dessa criatura temível identificando a besta da forma que João a vira (ver com. dos v. 8-11). Na introdução da visão (v. 1, 2) e na visão em si (v. 3-6), a atenção de João se dirige quase que exclusivamente para a mulher, e a besta é mencionada de forma secundária. No grego dos v. 1 a 6, de acordo com o texto de Nestle, 102 palavras são dedicadas à mulher e apenas 12 à besta. Porém, na explicação (v. 7-18), o anjo se demora muito mais na besta, com suas cabeças e chifres. No grego dos v. 7 a 18, somente 36 palavras se referem à mulher, contra 243 direcionadas à besta.

“Essa diferença digna de nota entre a visão e a explicação pode sugerir que, embora o assunto anunciado seja a sentença divina pronunciada sobre a Babilônia mistica e conquanto ela seja a personagem principal dos eventos retratados pela visão, seu breve triunfo e a queda súbita só podem ser compreendidos por meio de um estudo cuidadoso da contribuição feita pela besta, tanto para seu sucesso momentâneo quanto para a derrota final.

Era e não é. Em algum momento do passado, a besta estivera em atividade, mas depois desapareceu. A expressão é repetida no final do v. 8 e, mais uma vez, no v. 11. Alguns identificam o período em que a besta ‘era’, com Roma pagã, e o período em que ‘não é’ com o breve intervalo entre o fim da perseguição pagã e o início da perseguição papal; já o período que ‘está para emergir’ corresponderia a Roma papal.

“Outros creem que a época do ‘era’ equivale ao representado pela besta e suas sete cabeças; o período do ‘não é’ seria o intervalo entre a ferida da sétima cabeça e o reavivamento da besta como ‘o oitavo’; já o período que ‘está para emergir’ corresponderia ao reavivamento da besta, quando ela se torna ‘o oitavo’.

“Os defensores do primeiro ponto de vista fazem uma correspondência entre o período em que a besta ‘era’ com o do dragão de Apocalipse 12, ao passo que os defensores da segunda perspectiva também incluem a besta semelhante ao leopardo do cap. 13. O tempo presente ‘não é’ enfatiza a sequência temporal.

Está para emergir. Ou, ‘está prestes a ascender’. O anjo continua a falar da trajetória da besta antes de ela emergir do ‘abismo’. Na época em que João contemplou a besta em visão, ela já havia emergido ‘do abismo’. Quando a expressão ‘era e não é’ se repete ao fim do v. 8, as palavras ‘mas aparecerá’ preferivelmente, ‘está para ser’, tomam o lugar de ‘está para emergir do abismo’, expressão usada no início do versículo (ver abaixo no com. de ‘mas aparecerá’). Por isso, a besta ‘aparecerá’ quando ‘emergir do abismo’.

“As palavras comparáveis nesta sequência tríplice se encontram no v. 11: ‘é ele, o oitavo’. Logo, quando a besta emerge ‘do abismo’ e aparece, ela existe como ‘o oitavo’, literalmente, ‘um oitavo’. No v. 8, a besta resvala para a ‘destruição’ após emergir do ‘abismo’ e existir como o ‘oitavo’, por um período não especificado.

“Quando a besta voltar a existir como ‘o oitavo’, ‘aqueles que habitam sobre a terra cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão vendo a besta’. Uma declaração semelhante é feita em Apocalipse 13:3,8 (cf. v.4. que fala da atitude do mundo em relação à besta daquele capítulo, quando sua ferida mortal é curada: ‘toda a terra se maravilhou seguindo a besta […] e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo’.

“Se Apocalipse 13 se refere ao mesmo acontecimento do cap. 17:8, conclui-se que a declaração ‘essa ferida mortal foi curada’ (Ap 13:3) equivale à expressão ‘está para emergir do abismo’ (Ap 17:8; cf. 20:3, 7). De maneira semelhante, a palavra ‘sobreviveu’ (Ap 13:14) seria correspondente às expressões ‘mas aparecerá ‘e é ele, o oitavo’ (Ap 17:8, 11); a ferida na cabeça (Ap 13:3), a ida ‘para cativeiro’ e ‘ferida à espada’ (Ap 13:10, 14) encontrariam seu correspondente na descida da ‘besta’ ao ‘abismo’ (Ap 17:8); sua ‘morte’ (Ap 13:3) equivaleria à fase em que a besta passa no ‘abismo’

“As semelhanças destacadas aqui tendem a identificar a sétima cabeça da besta com a cabeça papal (ver com. de Ap 17:9, 10). No entanto, esta similaridade não comprova a identidade (ver a relação entre as bestas de Ap 13 e l7 no com. de Ap 17:3).

Abismo. Do gr. abussos, termo que sugere um espaço vasto, impossível de se medir (ver com, de Mc 5:10; Ap 9:1). Na LXX, costuma se referir às profundezas do mar ou a águas subterrâneas. No Salmo 71:20 e em romanos 10:7, a LXX emprega o termo para aludir ao submundo, ou ao local dos mortos, chamado de Hades (ver com. de Mt 11:23; cf. com. de 2Sm 12:23; Pv 15:11; Is 14:9). A descida ao ‘abismo’ seria um termo adequado para representar a morte da besta que parece ter sido ferida.

Destruição. Do gr. apōleia, ‘destruição completa’, ‘aniquilação’ (ver com. de Jo 17:12). Isto indica o fim definitivo da besta (cf. Ap 17:11; ver com. de Ap 19:20; 20:10).

Aqueles que habitam. Isto é, aqueles sobre os quais a ‘meretriz’ se assentou (v. 1) e que ‘se embebedaram’ ‘com o vinho de sua devassidão’ (v. 2; comparar com Ap 13:3, 4, 18, 12, 14; ver com. de Ap 17:1, 2).

Não foram escritos. Isto é, não se encontram listados entre aqueles que Deus aceita como candidatos a Seu reino. […]

Desde a fundação. Pode-se compreender que o grego subentende que a escrita dos nomes que aparecem no livro da vida já foi realizada ‘desde a fundação do mundo’ ou simplesmente que o livro existe desde essa época. Aqui, é pretendido o segundo significado (comparar com Ap 13:8). “Aqueles […] se admirarão. Do gr. thaumazō, ‘ficar deslumbrado’, ‘maravilhar-se’ (ver com. do v.6). Os habitantes da Terra se surpreendem ao contemplar a besta, que eles tinham visto descer para o ‘abismo’ (v. 8), voltar e retomar suas atividades anteriores. Eles se admiram primeiramente e depois a adoram (ver Ap 13:3, 4, 8, 12, 14), isto é, concedem apoio voluntário à besta, ao empreender suas artimanhas blasfemas (ver a relação entre a besta dos capítulos 13 e 17, no com. de Ap 17:3).

Mas aparecerá. Evidências textuais (cf. p. xvi) favorecem a variante ‘está para ser’ ou ‘está para vir’” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 946, 947).

“Roma, na sua forma pagã, foi um poder perseguidor em suas relações com o povo de Deus, e durante este tempo constituiu a besta que era. Mas quando o império converteu-se nominalmente ao cristianismo, houve uma transição do paganismo para outra fase de religião falsamente chamada cristã. Durante um breve período, enquanto esta transição se realizava, perdeu o seu caráter feroz e perseguidor, e então podia dizer-se da besta que não era. Com o passar do tempo, desenvolveu-se o papado, e de novo assumiu o seu caráter sanguinolento e opressor” (SMITH, 1979, p. 319).

O poder que era: Durante 1.260 anos, esse poder praticamente controlou o cenário político na Europa, coroando reis e excomungando até mesmo ‘hereges’ da realeza. Mas ele recebeu uma ferida mortal nas guerras napoleônicas, e até o próprio papa foi levado prisioneiro em 1798. Este período durou de 538 a 1798. O poder que não é: Depois de 1798, desdobrou-se outro período de sua existência. Ela foi levada ao cativeiro (Apocalipse 13:10), e muitos escritores daquele tempo acreditavam que o papado nunca mais se levantaria. De 1798 a 1929, vários livros foram publicados por historiadores seculares que enfatizaram essa crença. O poder que será: Em 1854, o dogma papal da Imaculada Conceição de Maria foi declarado. Em 1870, a igreja enunciou o dogma da infalibilidade papal. Em 1929, o papa recebeu reconhecimento como soberano governador. Em 1951, a igreja deu a conhecer o dogma da Assunção da Virgem Maria. Em 1984, o presidente Ronald Reagan indicou William A. Wilson como embaixador na Cidade do Vaticano. De 1929 até a vinda de Cristo, esse poder político-religioso crescerá” (FEYERABEND, 2005, p. 150).

“[…] na história profética de Roma, vemos que esta potência tem três fases distintas. Em suas formas pagã e papal, é apresentada como um poder perseguidor e opressor do povo de Deus e denominada na profecia como — ‘a bêsta que era’.

“Quando em 1798 Roma, na forma papal, recebera a ferida mortal da espada de França revolucionária e deixou de existir como poder temporal, a profecia, desde então, a considera como — ‘bêsta que… já não é’.

“Porém, quando num futuro próximo, em harmonia com várias profecias bíblicas, Roma-papal ascender a seu antigo despotismo temporal e novamente torna-se poder opressor do povo de Deus e das consciências dos homens, então a profecia a considerará — ‘a bêsta que… há de subir do abismo’. Do abismo da confusão e do caos reinantes no mundo internacional — religioso e político — surgirá outra vez Roma, para infligir novamente o seu tacão sôbre todos os que não lhe deram irrestrito apoio e não lhe submeteram suas consciências. E novamente o mundo verse- á envolto pelos escuros séculos da Idade Média e suas despóticas tragédias. Mas, graças a uma cláusula desta profecia, o poder romano a ressuscitar ‘irá à perdição’ ou será aniquilado pelos séculos eternos sob o poder de Deus e de Jesus Cristo. Tudo isto constitui uma solene advertência de Deus a todo homem e tôda mulher sinceros, a não ter nenhum compromisso com o poder romano sentenciado a perecer” (MELLO, 1959, p. 500).

“O símbolo de uma besta com sete cabeças e dez chifres é empregado três vezes no Apocalipse: 1) O dragão vermelho com diademas sobre as suas cabeças (capítulo 12); 2) A besta semelhante a leopardo, sem diademas (capítulo 17) [o autor escreveu de modo confuso, mas quis dizer assim: 1) Ap 12; 2) Ap 13 e 3) Ap 17].

“Identificamos a besta de sete cabeças em Apoc. 13 com o papado porque os seus característicos são diretamente paralelos aos da ponta pequena em Daniel 7. No entanto, em Apoc. 17, a mulher sentada sobre a besta simboliza o papado. Portanto, em Apoc. 17, a besta de sete cabeças parece identificar outra entidade que não seja o papado.

“Em Apocalipse 17, a besta de sete cabeças é mais semelhante ao dragão de sete cabeças em Apocalipse 12. Os dois são vermelhos. Em sua aplicação primária, o dragão vermelho é identificado com Satanás (Apoc. 12:9). No sentido secundário, o dragão pode ser identificado com Roma pagã, pois foi por meio desse poder ou ‘cabeça’ que Satanás agiu para destruir a Jesus.

“Pode-se dizer que Satanás ‘era, e não é, mas aparecerá’ (Apoc. 17:8 e 11)?

a) Ele existia, batalhando contra Deus por meio de diversas instrumentalidades simbolizadas pelas sete cabeças. Esse período pode ser considerado como o tempo em que ele ‘era’.

b) Por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, Satanás será lançado no ‘abismo’ por mil anos (Apoc. 20:3). Esse período de inatividade pode ser descrito pela frase ‘não é’.

c) Satanás será solto no fim do milênio e sairá do ‘abismo’ (Apoc. 17:8) para ‘seduzir as nações que há nos quatro cantos da Terra’ (Apoc. 20:8). Neste sentido, ele ainda ‘aparecerá’.

d) Quando Satanás conduzir os ímpios ressuscitados contra a Nova Jerusalém, ocorrerá a fase executiva do juízo final (Apoc. 20:11-15).

“Como resultado, o dragão vermelho irá ‘para a destruição’. Será destruído no lago de fogo, junto com a besta semelhante a leopardo e o falso profeta (Apoc. 20:10). Um paralelo que parece confirmar esta interpretação de que Satanás é a besta de sete cabeças de Apocalipse 17 pode ser extraído de comparações ou imitações no Apocalipse. (Ver Apoc. 1:18.) Na realidade, Jesus estava dizendo a João: 1) Eu era. (Ele viveu antes do Calvário.) 2) Eu não era. (Sua morte no Calvário.) 3) Eu estou vivo. (Sua ressurreição e vida posterior a ela.) Afigura-se que Satanás (sob o símbolo do dragão) é, em certo sentido, retratado imitando a experiência de Cristo” (COFFMAN, 1989, p. 141 e 142).

17.9Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis,“Uma vez que Deus está revelando o futuro e dizendo através desta revelação profética o que vai acontecer e quem irá adorá-Lo e aqueles que O rejeitarão, aqui está o conhecimento que torna o ser humano preparado para tomar as decisões acertadas: as sete cabeças são as sete nações que eu mencionei anteriormente, ligadas ao dragão/ao predador/à Satanás, usadas por ele para impor o paganismo, a falsa religião ao povo de Deus, perseguindo os verdadeiros filhos de Deus, maltratando-os e assassinando-os; além dessa dica, o Vaticano – centro da ICAR –, está localizado na cidade de Roma, a qual, geograficamente/literalmente está entre sete colinas. Repito, João: os sete instrumentos da serpente ou as sete tentativas satânicas de domínio global, representadas pelas sete cabeças do predador,

O anjo faz então um apelo por sabedoria. A sabedoria mencionada nessa passagem é a mesma aludida em conexão com o número da besta: 666 (Ap 13:18). Essa sabedoria diz respeito ao discernimento espiritual, não a uma habilidade mental e intelectual brilhante – tal discernimento é transmitido unicamente pelo Espírito (Tg 1:5). Somente por meio dessa sabedoria concedida por Deus, o povo do Senhor no tempo do fim será capaz de reconhecer o verdadeiro caráter desse poder satânico.

“O anjo explica que a existência e as atividades da besta são identificadas com suas cabeças. Ao longo da história, a besta governou e foi ativa por meio de suas cabeças. O anjo conta a João que essas sete cabeças são ‘sete montes’, que, na verdade, simbolizam ‘sete reis’ (Ap 17:9, 10). As águas – os montes, a besta e os reis são símbolos utilizados para descrever os poderes políticos que apoiam a Babilônia do tempo do fim em sua obra de perseguição ao povo de Deus.

“Com frequência, os montes representam poderes mundiais ou impérios (Jr 51:25; Dn 2:35). Portanto, os sete montes sobre os quais a Babilônia se assenta simbolizam sete impérios sucessivos que dominaram o mundo ao longo da história e por meio dos quais Satanás tem atuado para se opor a Deus. […] Ao compartilhar essas características de governo e coerção politico-religiosa, esses impérios perseguiram e destruíram o povo de Deus” (STEFANOVIC; NASCIMENTO, 2018, p. 101).

“É significativo que Roma tenha começado como uma rede de sete povoados, cada um numa colina, na ribanceira esquerda do rio Tibre. O título ‘cidade das sete colinas’ é muito comum entre os escritores romanos (e.g., Virgílio; Marcial; Cícero)” (BÍBLIA, 2013, p. 2066).

“As sete cabeças são as sete colinas de Roma (v. 9), e os dez chifres são reis vassalos (v. 12), que se revoltam contra o jugo do império (v. 16)” (BÍBLIA DE JERUSALÉM, 2002, p. 2159).

“a) Alguns acham que essas cabeças representam oposição a Deus e Seu povo através da História, sem qualquer identificação de poderes políticos específicos.

“b) Outros identificam as cabeças com sete nações mencionadas nos livros de Daniel e do Apocalipse. As quatro primeiras são as nações de Daniel 2 e 7: Babilônia, Média-Pérsia, Grécia e Roma. A quinta cabeça representa o mesmo poder que é representado pela ponta pequena de Daniel 7 e 8, bem como pela besta semelhante a leopardo, de Apocalipse 13 (o papado). Acredita-se que a sexta cabeça tenha sido a França revolucionária (Apoc. 11:7). A sétima cabeça é identificada com a segunda besta de Apocalipse 13 – os Estados Unidos da América.

“c) Outro conceito considera as cabeças da perspectiva do tempo do apóstolo João (96 A.D.). As cinco nações que já haviam caído são identificadas com o Egito, Assíria, Babilônia, Média-Pérsia e Grécia. A que ‘existe’ referia-se a Roma pagã. A que estava para vir era o papado.

“d) Outro conceito ainda identifica as cabeças com as bestas da profecia. Cinco haviam caído (ou desapareceram do palco da ação): leão, urso, leopardo, animal terrível e espantoso, e o dragão. O dragão de Apocalipse 12, que é principalmente Satanás, ainda está atuando, mas não como antagonista direto da pessoa de Jesus Cristo. O que ‘existe’ refere-se à besta semelhante a leopardo (o papado). O que ‘ainda não chegou’ é a besta de Apocalipse 13:11-17” (COFFMAN, 1989, p. 142).

“[…] esses montes são sucessivos, não simultâneos” (STEFANOVIC; MODZEIESKI, 2019, p. 93).

Por quê? Qual a evidência textual para essa crença?

“Esses montes não simbolizam reis de maneira individual, pois o Apocalipse não lida com indivíduos, mas com sistemas” (STEFANOVIC; MODZEIESKI, 2019, p. 93).

“Satanás planejou destruir a Cristo e a Igreja cristã primitiva por meio de Roma pagã, dos Césares, pelo que este dragão [do capítulo 12] também a representa como instrumento de Satanás. Ajudam-nos a entendê-lo assim, as 7 cabeças (Apocalipse 13:2) que representam os 7 montes (Apocalipse 17:9) onde estava edificada Roma, cidade das 7 colinas. Os 10 chifres (Apocalipse 12:3) são os 10 reinos que surgiram da desintegração de Roma pagã (Daniel 7:24, 25), onde também nos diz que, depois do surgimento das nações européias, apareceria o anticristo” (BELVEDERE, 1987, p. 70).

“‘As sete cabeças são as sete colinas de Roma’ (Comentário da Bíblia de Jerusalém Apocalipse 17:3). A besta (Roma) leva sentada ·sobre si uma igreja prostituída, o que dá a entender claramente que teria sua sede em Roma, a cidade dos 7 montes. Outra revelação que nos faz Deus neste capítulo de Apocalipse é que essa igreja de Roma seria católica (católica quer dizer universal), pois estava sentada sobre muitas águas que significam ‘povos, multidões, nações e línguas’ (Apocalipse 17:15)” (BELVEDERE, 1987, p. 86).

Aqui está o sentido, que tem sabedoria. Comparar com Ap 13:18. O anjo inicia aqui sua explicação sobre a ‘besta que era e não é, mas aparecerá’ do v. 8. Aquilo que João vira era um ‘mistério’ (cf. v. 7; ver com. do v. 5), no sentido de que a realidade fora oculta em linguagem simbólica, e seria necessária ‘sabedoria’ para entender conceitos figurados expressos em termos literais. Embora seja provável que esta declaração do anjo se refira, de maneira mais específica, ao enigma do v. 8 e, por isso, à explicação dos v. 9 e 10, também se aplica à visão inteira e à explicação dos v. 10 a 18 como um todo.

Sete cabeças. Ao que tudo indica, elas representam os sete principais poderes políticos por meio dos quais Satanás tentou destruir o povo e a obra de Deus na Terra (ver com. dos v. 2, 3, 6, 10). Não fica claro se estas sete cabeças devem ser identificadas com sete nações específicas da história, uma vez que, no Apocalipse, o número ‘sete’ costuma ter valor simbólico, em vez de literal (ver com. de Ap 1:11). Por isso, alguns entendem que as sete cabeças representam toda a oposição política ao povo e à causa de Deus na Terra ao longo da história, sem especificar sete nações distintas.

“Outros presumem que os poderes representados pelas sete cabeças devem ser as sete nações especificas já mencionadas nas várias profecias de Daniel e Apocalipse. Identificam as quatro primeiras cabeças com os quatro grandes impérios mundiais de Daniel 2 e 7; a quinta com o chifre pequeno de Daniel 7 e 8 e com a besta semelhante ao leopardo de Apocalipse 13; a sexta com o poder representado em Apocalipse 11:7; e a sétima, com a besta de dois chifres de Apocalipse 13:11. De acordo com esse padrão interpretativo, os poderes representados pelas cinco primeiras cabeças seriam Babilônia, Pérsia, Grécia, o império romano e o papado. A sexta e a sétima cabeça corresponderiam à França revolucionária e aos Estados Unidos, ou os Estados Unidos mais uma organização mundial, ou os Estados Unidos e o papado restaurado.

“Outros ainda consideram que as sete cabeças representam os principais poderes perseguidores desde que Deus escolheu um povo e organizou Sua obra na Terra. Por isso, especificam que são Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia,Grécia, o império romano e o papado. Aqueles que seguem este padrão interpretativo chamam a atenção para o papel importante desempenhado pelo Egito e pela Assíria em relação a Israel tanto na história quanto nas profecias do AT. Eles também apontam para as circunstâncias a seguir, quando cada um desses sete poderes tentou aniquilar o povo de Deus, ou subjugá-lo, ou suprimir seu caráter religioso distintivo:

(1) Egito, no mar Vermelho (Êx 14:9-30);

(2)Assíria, sob a liderança de Senaqueribe (Is 8:4-8; 36:1-15; 37:3-37);

(3) Babilônia, durante o cativeiro (Jr 39:9, 10;52:13-15);

(4) Pérsia, sob a influência de Hamã (Et 3:8, 9; 7:4;9:1-6);

(5)Grécia, sob o comando de Antíoco Epifânio (1 Macabeus 1:20-64; 3:42;4:14,36-54);

(6) Roma, nas perseguições a judeus e cristãos (Dn 8:9-12 24, 25;Mt 24:15, 21; Lc 21:20-24; Ap 2:10 13);

e (7) o papado ao longo de sua história (Dn 7:21, 25; 8:24;11:33, 35).

“Considerando que não foi revelado se as sete cabeças representam sete nações em particular, nem em que período da história elas devem ser encontradas, este Comentário considera insuficientes as evidências para fazer uma identificação final das mesmas. Apocalipse 17 trata da besta durante o período em que ela ‘aparecerá’, quando for ‘o oitavo’ (ver com. dos v. 8, 1l) e, felizmente, a interpretação da mensagem básica do capítulo não depende da identificação das sete cabeças.

Montes. Símbolo profético frequente, que designa poderes religiosos ou político-religiosos (ver Is 3: Ir 17:3; 31:23; 51:23-25; Ez 17:22, 23 etc.). Este símbolo também pode ser uma alusão à cidade de Roma com suas sete colinas. Com frequência, os escritores clássicos se referiam a Roma como a Cidade das Sete Colinas (Horácio, Carmen Saeculare, 7; Virgílio, Eneida, vi.782-784; Geórgicas, ii.534, 535; Marcial, Epigramas, iv.64.11, 12; Cícero, Cartas a Ático, vi.5; Propércio, Elegias, iii.l1 etc.).

“Nos primeiros séculos d.C., os cristãos tinham o costume de se referir a Roma como ‘Babilônia’ (ver com. de 1Pe 5:13; Ap 14:8 [Roma depois de 1844? Por que João consideraria a segunda mensagem angélica como se estivesse se referindo ao império romano?]), provavelmente para evitar serem considerados subversivos ao falarem e escreverem sobre as atividades romanas contrárias aos cristãos e sobre os juízos iminentes de Deus sobre o império. Considerando a relação histórica da Babilônia antiga com o povo de Deus dos tempos do AT, o título ‘Babilônia’ aplicado a Roma em suas relações com o cristianismo era particularmente apropriado.

A mulher está sentada. Aqui, o anjo diz que a ‘mulher’ estava sentada nas sete ‘cabeças’, ao passo que, no v. 3, ela é mencionada assentando-se simplesmente na ‘besta’ (ver com. ali). Logo, tudo indica que sentar-se nas sete cabeças é o mesmo que se assentar na besta. Portanto, não há distinção acentuada entre a besta e suas cabeças. É provável que não haja a intenção de estabelecer uma distinção.

São também sete reis. Ou, ‘e sete reis eles são’. Esses ‘reis’ não são um acréscimo às ‘cabeças’ e aos ‘montes’; em vez disso, presume-se que é possível identificá-los com tais elementos. Não fica claro, porém, se há alguma distinção entre os ‘reis’ e os ‘montes’” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 947 – 949).

“Aqui está o assento ou o local, sede de Roma, apontado pela revelação. Uma cidade, é claro, edificada sôbre sete montes ou colinas. Pois, no versículo 18, lemos: ‘E a mulher que viste é a grande cidade que reina sôbre os reis da terra’. Não era propriamente a cidade que reinava, e sim o poder que nela tinha seu assento. E não é a cidade de Roma chamada — ‘a cidade das sete colinas’, denominadas: Aventino, Palatino, Quirinal, Viminal, Ceoli, Janículo e Esquilino? Não dominou o poder romano, quer pagão quer papal, da cidade de Roma? Assim, em primeiro plano, as sete cabeças apontam para a cidade de Roma e significam Roma” (MELLO, 1959, p. 500, 501).

“As sete formas de governo pelas quais passou o Império Romano foram: realeza, consulado, decenvirato, ditadura, triunvirato, império e papado. Os cinco primeiros tinham desaparecido no tempo de João. Ele estava vivendo no tempo do império, sendo que mais duas formas de governo se levantariam depois. Uma continuaria por um curto período, e daí não ser usualmente mencionada entre as cabeças, enquanto a última, que é chamada a sétima, na verdade, é a oitava. A cabeça que sucederia a imperial e ‘durar pouco’ não podia ser a papal, porque esta continuou por muito mais tempo que as anteriores juntas. Portanto, entendemos que a cabeça papal é a oitava, e que uma cabeça de curta duração interveio entre a imperial e a papal.

“Como cumprimento, lemos que depois de a imperial ter sido abolida, houve um governador de cerca de sessenta anos que governou Roma sob o título de ‘Exarca de Ravena’. Assim, temos o elo que une as cabeças imperial e papal. Já demonstramos que esta besta simboliza o poder civil, que de acordo com o relato que nos ocupa, passa por sete fases representadas também pela besta semelhante ao leopardo, mencionada em Apocalipse 13, até que aparece uma oitava que continua até o fim” (SMITH, 1979, p. 320).

“Tudo, pois, enfatiza altamente que as sete cabeças são indiscutivelmente romanas e jamais apontam outro poder antecedente a Roma. Mas, se em Roma só governaram romanos, que ‘sete reis’ são êstes da explanação da profecia? A palavra ‘reis’, do original grego, vem do vocábulo ‘basileus’, que também significa ‘dignidades’. Dêste modo temos que o poder romano exercido de Roma caracterizou-se, em sua história, por sete ‘dignidades’ políticas governativas. E a história romana fomece-nos exatamente estas sete ‘dignidades’, como seguem abaixo:

“1. Reis (753); 2. Cônsules (510). 3. Ditadores (500). 4. Tribunos (493). 5. Decênviros (450). 6. Imperadores (30). 7. Papado (538 A.D.).

“Os cônsules depuseram a realeza e estabeleceram a República; os ditadores eram nomeados como tais quando necessário para salvar a pátria em perigo; os tribunos eram os defensores dos direitos da plebe; os decênviros eram os redatores das leis; os imperadores eram, por assim dizer, os únicos administradores do império; e o Papado cuja história bem conhecemos.

“Em sua exposição detalhada, refere a inspiração que, ao tempo desta profecia do ano 94 A. D., cinco das sete ‘dignidades’ já haviam caído, isto é, as cinco primeiras. Uma delas, a sexta, existia reinante, que era a imperial, na pessoa dos imperadores, que suplantou as cinco primeiras em esplendor político. A sétima ‘dignidade’ viria no futuro, após a queda da imperial. E, ao cair Roma Imperial, em 476 A.D., a ‘dignidade’ que se seguiu foi a papal, a sétima cabeça do dragão chamada ainda romana” (MELLO, 1959, p. 501).

“O anjo explicou para João: ‘Aqui está o sentido, que tem sabedoria: as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São também sete reis’ (Apocalipse 17:9). Os sete ‘montes’ devem ser considerados como na mentalidade hebraica, ou seja, como reinos. Por meio de um paralelismo, Isaías usa de forma intercambiável ‘montes’ e povo/nação (Isaías 37:32; Salmo 48:2; Jeremias 51:25, Daniel 2:34-35; Zacarias 4:7). O mesmo ocorre com o termo ‘rei’, que os judeus usavam como equivalente de ‘reino’ (Daniel 7:17; 8:21, 23).

“Assim ‘montes’ e ‘reis’ devem apontar para reinos ou impérios representados nas cabeças da besta. Como a explicação do anjo é feita da perspectiva temporal do profeta, ou seja, no primeiro século, cinco deles já tinham se passado (Egito, Assíria, Babilônia, Medo-pérsia e Grécia), um existia (Roma) e o sétimo ainda viria (Roma Papal), que só se estabeleceu em 538 a.D. A afirmação do anjo de que o sétimo reino (Roma Papal) teria de durar ‘pouco’ (1260 anos) pode ser entendida da perspectiva da garantia da vitória dos fiéis de Deus alcançada na cruz e não do ponto de vista do tempo cronológico.

“O adjetivo ‘pouco’ (OLÍGON) é também usado em Apocalipse, ao se afirmar que o diabo, após a cruz, sabia que tinha ‘pouco tempo’ (Apocalipse 12:12). Entretanto já se passaram mais de dois mil anos. O sentido de OLÍGON não se refere a tempo cronológico. Por outro lado, ao falar que o dragão será solto após o milênio, mas por ‘pouco tempo’, João usa MIKRON (Apocalipse 20:3), indicando um tempo cronometrado. Assim, o conhecimento destas duas palavras gregas nos permite concluir que a expressão ‘pouco tempo’, não é um empecilho para aplicarmos esse símbolo da besta escarlate ao próprio Satanás” (OLIVEIRA et al., 2015, p. 62, 63).

17.10dos quais caíram cinco, um existe, e o outro ainda não chegou; e, quando chegar, tem de durar pouco.“cinco dessas tentativas já estão no passado: Assíria, Egito, Babilônia, Medo pérsia e Grécia; hoje, no finalzinho do século 1, enquanto estou trazendo essas revelações pra você, João, uma cabeça ou tentativa satânica existe, a sexta: o império romano. A sétima cabeça/tentativa será o papado medieval, o qual durará 1260 anos, os quais serão abreviados, de acordo com o Revelador Jesus Cristo em Mateus 24.22. Do ponto de vista da história humana, esse tempo é uma fração aproximadamente 1/7 da duração total do grande conflito entre Miguel e Satanás aqui na Terra. E essa fração é o tempo determinado por Deus para a atuação dessa sétima tentativa satânica.

As 3 linhas de pesquisa ou premissas mais frequentes entre os reformadores e os adventistas do sétimo dia, sobre as sete cabeças/montes/reis, são resumidas no parágrafo logo abaixo:

Caíram cinco. Não é especificado o momento em que cinco das cabeças ‘caíram’, uma ‘existe’ e a outra ‘não chegou’. De modo geral, os estudiosos adventistas defendem um dos três pontos de vista diferentes a seguir acerca do momento referido nesta passagem:

(1) segundo o padrão interpretativo que considera as sete cabeças representantes de todos os poderes que se opõem ao povo e à obra de Deus na Terra, independentemente do número, esta declaração significa apenas que a maioria dos poderes havia se extinguido da história;

(2) aqueles que interpretam as cinco primeiras cabeças como Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma e o Papado entendem que elas já haviam caído quando a ferida mortal foi finalmente aplicada à cabeça papal da besta em 1798 (ver com. de Ap 13:3, 4);

e (3) os defensores de que as cinco primeiras cabeças são o Egito, a Assíria, Babilônia, Pérsia e Grécia interpretam que o momento indicado pelo v. 10 é a época de João, quando a visão foi dada (ver com. do v. 9).

Um existe. De acordo com o segundo ponto de vista, a França ou os Estados Unidos, após 1798; de acordo com o terceiro, o império romano nos dias de João (ver com. acima sobre ‘caíram cinco’).

O outro. Segundo o primeiro ponto de vista, a minoria dos poderes políticos que ainda desempenharia seu papel; de acordo com o segundo, os Estados Unidos ou alguma organização mundial como as Nações Unidas; conforme o terceiro, o papado (ver com. sobre ‘caíram cinco’). É possível observar que, se os eventos preditos em Apocalipse 17 forem parcialmente idênticos aos do cap. 13 (ver com. de Ap 17:3, 8), conclui-se que a cabeça papal corresponde à chamada aqui de ‘o outro’.

Pouco. Do gr. oligos, termo usado 34 vezes no NT com o sentido de ‘pouco’, ‘pequeno’, para especificar quantidade, e 8 vezes com o sentido de ‘curto’, para especificar tempo (ver com. de Ap 12:12). A frase pode ser traduzida por: ‘É necessário que ele permaneça um pouco’, ou ‘É necessário que ele continue brevemente’, no sentido de um ‘período limitado’, em contraste com um prazo ilimitado. Em Apocalipse 12:12, oligos se refere ao ‘pouco tempo’ destinado a Satanás após sua derrota na cruz (cf. DTN, 758, 761; GC, 503). É possível que, nesta passagem, o anjo dê a João a garantia de que Satanás e o poder (ou os poderes) representado pela sétima cabeça nunca alcançarão totalmente seus objetivos. Ou que seu direito de posse foi estritamente limitado. Alguns interpretam oligos de maneira literal nesta passagem, como indicativo de um curto período de tempo” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 949).

“6. Cinco já caíram – Babilônia, Egito, Assíria, Medo-Pérsia, Grécia. Apoc. 17:10. 7. Um existe – é Roma pagã. Apoc. 17:10. 8. Um ainda não chegou – Roma Papal. Apoc. 17:10. a. Durará um pouco de tempo Apoc. 17:10; comp. Sal 37:10; Hab 10:37; Ageu 2:3; João 16:16; Apoc. 1:1; 22:12” (THIELE, Edwin R.; BERG, 1960, p. 316).

“As sete cabeças são sucessivas. Uma vez que João é o ponto de referência, esse ‘um’ que ‘existe’ seria a Roma de sua época (v. 8). Os cinco reis caídos seriam, então, o Egito, a Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia” (BÍBLIA, 2015, p. 1671).

O anjo explica ainda a João que cinco desses impérios mundiais caíram, um é, e o sétimo ainda não estava ativo na época de João. Lembre-se de que o anjo explicava o significado desses reinos a João da perspectiva temporal do apóstolo, não da nossa. Assim, o reino que ‘existe’ é o Império Romano da época de João. Os cinco que caíram são os impérios que governaram o mundo e causaram dano ao povo de Deus antes da época do revelador:

  • O Egito foi o poder mundial que escravizou e oprimiu Israel, tentando destruí-lo.

  • A Assíria destruiu e dispersou as dez tribos de Israel.

  • A Babilônia destruiu Jerusalém e levou Judá para o exílio.

  • A Pérsia quase aniquilou os judeus da época de Ester.

  • A Grécia oprimiu e tentou destruir os judeus por meio de Antioco IV Epifanio.

O sétimo reino que ‘ainda não chegou’ era uma manifestação futura desde a perspectiva de João, tendo surgido após a queda do Império Romano. A melhor interpretação é que a sétima cabeça consiste na besta do mar de Apocalipse 13, a qual representa a igreja medieval, liderada pelo papado. O texto revela que o sétimo reino permaneceria por pouco tempo (Ap 17:10). Nesse caso, o adjetivo grego para ‘pouco’ é oligon, que significa ‘curto’ ou ‘pequeno’. É diferente de mikron, usado no Apocalipse para indicar ‘pouco tempo’ (cf. Ap 6:11; 20:3).

“Em contraste, oligon não indica uma duração de tempo; em vez disso, é um termo usado com sentido qualitativo. Por exemplo, Apocalipse 12:12 afirma que, depois de ser expulso do Céu, Satanás percebeu ‘que pouco tempo lhe resta’. Esse ‘pouco tempo’ não diz respeito a uma duração de tempo, pois faz milhares de anos desde que foi expulso do Céu. Em contrapartida, indica que Satanás reconheceu que seu tempo era limitado.

“O fato de que o sétimo reino deveria durar pouco não aponta para a duração de sua existência, mas para a ruína desse reino, já determinada de antemão por Deus (‘tem de’; Ap 17:10), pois depois chegaria ao fim. A ferida mortal que ela recebeu ocorreu durante a Revolução Francesa, em 1798. A sétima cabeça reapareceria como a oitava para exercer poder político assim como o fez durante a Idade Média. É por meio dessa oitava cabeça que a besta escarlate atua. Vivemos na era da sétima cabeça, e a oitava cabeça com seus dez reinos unidos ainda não tem poder. Ela aparecerá no cenário mundial durante o tempo do fim e imporá seu sistema religioso apóstata sobre os habitantes da Terra” (STEFANOVIC; NASCIMENTO, 2018, p. 101, 102).

“A sexta fórmula, reinante ao tempo de São João, era a Imperial que, como vimos caiu em 476 A.D.. E a sétima fórmula ou o sétimo ‘rei’ de Roma que viria ao cair a sexta, foi, sem contradição alguma — o papado romano, de 538 a 1798. Entre as tantas evidências de que o papado é a sétima cabeça do dragão e das duas bêstas — dos capítulos treze e dezessete — a continuação da antiga Roma-Cesariana, contam-se estas: Seu nome é romano, pois assim se denomina a si mesmo; a sede de seu trono mundial é a mesma Roma de Rômulo e dos Césares; arroga as mesmas pretensões romanas; pretende títulos divinos como os imperadores romanos; seu idioma é o mesmo da velha Roma — o latim; blasfema de Deus como os seis anteriores ‘reis’ de Roma; e propaga a idolatria como Roma-pagã.

“Verdadeiramente não há dúvida alguma de que o papado é a sétima cabeça da bêsta romana, côr de escarlata e da outra do capítulo treze bem como do dragão vermelho do capítulo doze ou o próprio Império Romano sob um novo aspecto. E durou ‘um pouco de tempo’ realmente, aliás, 1260 anos, de 538 a 1798, quando a França, cumprindo outra profecia divina, arrebatou-lhe o poder temporal que exercia em tôda a Europa” (MELLO, 1959, p. 501, 502).

Anderson e Trezza (1988, p. 196) pensam diferente a respeito das cabeças/dos reis (versos 9 e 10) e da “besta, que era e não é” (próximo versículo), e explicam o motivo dessa interpretação distinta após a seguinte cronologia e seus marcos, construídos em seu livro (eles seguem a 2ª linha interpretativa apresentada na página anteiror):

Figura 3 – da quinta até a 8ª cabeça

F onte: Anderson e Trezza (1988, p. 196).

“Ao tempo em que esta profecia teve sua especial aplicação, cinco das sete cabeças da besta já haviam ‘caído’. Embora possa não ser sábio mostrar-se dogmático sobre a identificação dessas cabeças, é significativo que há sete diferentes e distintos poderes introduzidos nas Escrituras pelos símbolos proféticos. Estes estão claramente indicados: Babilônia (o 1eão, Dan. 7:4); Pérsia (o urso, verso 5); Grécia (o leopardo, verso 6); Roma pagã (a besta com dez chifres, verso 7); Roma papal, ou eclesiástica (a besta com sete cabeças dé Apoc. 13; também a ponta pequena que falava grandes coisas e proferia blasfêmias, Dan. 7:8; Apoc.13:2, 5); republicanismo ou democracia (a besta com dois chifres, verso 11); e a última grande confederação do mal (a besta escarlate, Apoc. 17:3).

“O ‘grande dragão vermelho’ de Apoc. 12 não pode ser símbolo de qualquer poder específico, pois embora represente os ataques de Roma pagã ao lnfante Jesus, versos posteriores do capítulo mostram suas perseguições ao último povo de Deus. Na realidade, ele cobre o período completo por todos esses poderes representados pelas bestas, pois por trás de cada ataque político ao povo de Deus está o dragão, ou príncipe do mal. Até mesmo o antigo Egito foi mencionado como o dragão.

“Mas as profecias apocalípticas de Daniel e do próprio Apocalipse, que desdobram o domínio dos grandes poderes gentílicos, começam com a derrubada do trono de Judá, que ocorreu sob o reinado de Nabucodonosor, rei de Babilônia, abrindo assim o caminho para o domínio gentílico do mundo. Jesus falou do ‘tempo dos gentios’. S. Lucas 21:24. Este tempo está terminando agora.

“Ao longo dos séculos, o diabo – o dragão – esteve esperando pela criança que devia nascer. Ele já existia, portanto, antes da Era Cristã, mais faria o seu mais severo ataque à igreja remanescente, ou última igreja. Este poder, denominado o dragão, é um símbolo de Roma mais que pagã. Como já temos salientado no capítulo 6, João foi levado em visão ao futuro e estava contemplando os acontecimentos do juízo. Ao tempo em que a grande cena se abriu no Céu (1844) [os autores creem assim pelo fato de, em Ap 17.1, o anjo falar sobre o “julgamento da grande meretriz”], o papado estava em maré baixa. Poucos anos antes havia ele recebido a ferida mortal.

“Ao tempo em que esta profecia de Apoc. 17 tem sua especial aplicação, cinco desses grandes poderes já haviam caído. Eram eles Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia, Roma pagã e Roma papal – sendo que a ferida mortal foi infligida ao papado em 1798. Observando agora a cena, o profeta diz que ‘um existe’, isto é, estava em ação após 1798. A Guerra Revolucionária na América subverteu o ‘direito divino dos reis’, mas arruinou também o direito divino das maiorias. Prelados e papas não têm tido lugar nesta progressiva nação. A democracia teve a sua real oportunidade na América, e, como já temos mencionado, surgiu ao tempo em que o papado decaía.

“Todavia, impressionante como possa parecer, esta profecia revela que esses grandes princípios de liberdade serão finalmente abandonados, e a que é agora uma América protestante livre, tornar-se-á realmente uma aliada de Roma, ‘fará uma imagem à besta que havia sido ferida à espada e vivia’. Apoc. 13:14. Seríamos cegos se deixássemos de ver que isto mesmo é o que está acontecendo ante nossos olhos hoje. […] Sim, ‘muita água passou por baixo da ponte da política internacional’ e o fundamento está sendo lançado para o súbito ressurgimento do papado para um domínio de amplitude mundial.

“Mas o anjo declarou: ‘Quando vier, importa que dure um pouco de tempo’. Apoc.17:10. Nunca mais este poder dominará por séculos como aconteceu no passado. Este poder será grande, mas só durará pouco tempo” (ANDERSON; TREZZA, 1988, p. 196-198).

Essa interpretação é interessante, mas por que colocar Babilônia, Medo-pérsia, Grécia, Roma, Roma Papal, Chifre Pequeno, Republicanismo como as 7 cabeças, e a Mulher montada sobre a besta escarlate como o 8º rei?

Acho interessante, pois os 1260 anos não parecem ser um curto período de tempo para aqueles que foram massacrados pelo papado, nem em comparação com a idade de um país ou evento histórico. O “durar pouco”, v. 10, realmente é algo que ainda estou estudando e preciso escavar mais. Talvez essa expressão tenha um significado histórico e escatológico, ou puramente escatológico e não histórico. Mas, o contexto no qual ela aparece é de aplicação dupla ou de uma aplicação apenas?

Por outro lado, sinto falta de uma fundamentação robusta e convincente para a diferenciação entre os períodos de Roma Papal e do Chifre Pequeno (por que dois períodos/fantoches distintos?), e do Republicanismo como uma tentativa satânica de destruir o povo de Deus! O Republicanismo, diferentemente do monarquismo e demais sistemas absolutistas onde uma minoria domina cruelmente sobre a maioria, é mais compatível com os princípios e valores bíblicos para uma nação. Mas, Anderson e Trezza (1988) entendem que o Republicanismo é a 7ª cabeça da besta, e não justificam essa crença.

O estudioso a seguir manifesta uma crença idêntica:

“No tempo a que se refere esta profecia, cinco das sete cabeças da besta haviam caído. Existem sete poderes diferentes e distintos aqui introduzidos pelos símbolos proféticos. São eles: Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma pagã, Roma papal ou eclesiástica, Republicanismo ou Democracia e a última grande confederação do mal. A Babilônia, a Pérsia e a Roma pagã já caíram. Em 1798, a Roma eclesiástica recebeu uma ferida mortal. Um existe: A democracia surgiu na América no mesmo tempo em que o papado caiu. O outro ainda não chegou: A besta de cor escarlate de Apocalipse 17 e a besta-leopardo de Apocalipse 13 não são a mesma coisa. Cada besta tem dez chifres. Os chifres do leopardo têm dez coroas, mas não há coroas na descrição da besta escarlate [v. 12]. A profecia descreve um tempo na História quando coroas e monarquias estariam fora de moda. Conta-se que, entre agosto e dezembro de 1914, mais de 200 realezas e pequenas monarquias abdicaram. Com o desaparecimento de reis, o estabelecimento de repúblicas tornou-se uma prática comum aos governos, e foi o que ocorreu em muitos países.

A oitava besta: O poder revitalizado do papado constitui outra cabeça; e quando, por um curto espaço de tempo, a besta e o falso profeta uniram seus poderes, eles constituíram outra cabeça – a oitava cabeça, que é uma das sete (Apocalipse 17:11).

Uma hora: Uma hora seria 1/24 de um dia ou ano profético, o que representa 15 dias. João diz que ‘tem de durar pouco’ (Apocalipse 17:10). É esse poder que decretará a sentença de morte a todos os que se recusarem a render-lhe homenagem [Ap 13.15]” (FEYERABEND, 2005, p. 150, 151).

17.11E a besta, que era e não é, também é ele, o oitavo rei, e procede dos sete, e caminha para a destruição.“O predador de Apocalipse 13.1-10, a união promíscua entre ICAR e Estado, orquestrada pelo dragão/Satanás, referente aos séculos 6 ao 18, mas que terá a cabeça papal ferida mortalmente nos séculos 18 ao 20, ressuscitará como a oitava tentativa satânica de dominar o planeta terra: a ICAR (e suas filhas) e os líderes políticos das nações no século 21; mas, assim como Deus destruiu essa união, Ele destruirá eternamente Satanás e seus fantoches humanos.

João foi ainda informado de que a besta escarlate é um oitavo poder mundial, embora seja uma das sete cabeças (poderes mundiais). Qual das sete? Visto que as cabeças estão em uma sequência de tempo, a oitava deve ser a sétima cabeça que recebeu a ferida mortal. Nos dias desse oitavo poder mundial, a besta escarlate aparece, levando a prostituta, Babilônia, e promovendo seus objetivos. Hoje, vivemos no momento da cura da ferida mortal. O oitavo poder mundial aparecerá em cena pouco antes do fim e caminhará para a destruição” (STEFANOVIC; MODZEIESKI, 2019, p. 93).

A besta, que era. Ver com. do v. 8.

É ele, o oitavo. Literalmente, ‘também ele mesmo é um oitavo’. Esta é a besta em seu estado reavivado, no período em que ‘aparecerá’, depois de emergir do ‘abismo’ (ver com. dos v. 8, 10). Alguns consideram que o oitavo poder corresponde somente ao papado; outros sugerem que representa Satanás. Aqueles que adotam o segundo ponto de vista destacam que, na época mencionada aqui, Satanás tentará personificar Cristo (ver com. de 2Ts 2:8).

Dos sete. Parece que a besta em si, ‘o oitavo’, é a mesma à qual foram anexadas sete cabeças (cf. Ap 13:11, 12). A ausência do artigo definido antes da palavra ‘oitavo’ sugere que a besta era a verdadeira autoridade por trás das sete cabeças. Portanto, ela é mais do que apenas mais uma cabeça, a oitava de uma série. É a síntese e o clímax delas, a própria besta. No grego, assim como na língua portuguesa, a palavra para ‘oitavo’ está no masculino; portanto, não pode se referir a uma cabeça, palavra do gênero feminino.

Destruição. Ver com. do v. 8.” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 949, 950).

“Tendo recebido reconhecimento político estatal em 538, pelo efetivo decreto de Justiniano, este poder apóstata em Roma começou o seu domínio, que devia durar 1260 anos. Durante esses séculos, ele praticamente controlou a cena política na Europa, coroando reis e excomungando ‘hereges’, até mesmo reis. Mas recebeu uma ‘ferida mortal’ nas guerras napoleônicas, e o próprio papa foi levado prisioneiro. Isto ocorreu em 9 de agosto de 1798. Alguns intérpretes bíblicos vêem neste episódio um particular cumprimento desta parte, até certo ponto difícil, da profecia. O poder que ‘era’, eles dizem, cessou de controlar, e outro período de sua existência foi desdobrado, comparativamente descrito como o período do ‘já não é’. Ele foi para o cativeiro (Apoc.13:10), e muitos autores desse tempo criam plenamente que o papado jamais ressurgiria.

“Livros foram publicados por historiadores seculares, dando destaque a essa opinião. Mas a João foi mostrado que ele voltaria e se tornaria um poder mundial. Nunca é sábio ser dogmático quando se estudam profecias não cumpridas. Um princípio bíblico é claro; Jesus disse: ‘disse-vos agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós creiais’. S. João 14:29. Os acontecimentos a se desdobrarem sem dúvida esclarecerão muitas dessas passagens difíceis.

“Durante o último século, a igreja de Roma tem estado a recuperar sua influência política, sendo hoje forte uma vez mais. Em 1854, foi proclamado o dogma da lmaculada Conceição, e em 1870 veio o da infalibilidade papal. Em 1929 o papa recebeu o reconhecimento como soberano governador. Em 1951, foi comunicado o dogma da Assunção da Virgem Maria. Coisas maiores, porém, estão ainda por vir, pois ‘todo o mundo’ se maravilharia ‘após a besta’. Apoc. 13:3.

“Assim, alguns interpretadores sustentam que se pode dizer que a besta, ou poder político do papado era de 538 a 1798; já não era de 1798 a 1929; e agora é. Seu poder será ainda maior antes da volta de nosso Senhor. Seu orgulho se elevará até o Céu. […] Como já fizemos notar em capítulos anteriores, quando João recebeu esta visão ele estava contemplando cenas no Céu em que ‘assentou-se o juízo e abriram-se os livros’. Assim, em visão, ele foi conduzido ao nosso tempo, e ao ser o rolo do livro da profecia aberto ante ele, recebeu instrução para escrever o que estava vendo. Conquanto essas mensagens tenham sido estudadas com proveito e inspiração através dos séculos, sua aplicação especial é para a última geração da Terra. Mediante o estudo de Sua Palavra, o Senhor, pelo Seu Espírito, está preparando um povo para resistir nos dias finais de engano e estar pronto para o aparecimento de nosso Senhor. O profeta estava, pois, testemunhando acontecimentos de nossos próprios dias” (ANDERSON; TREZZA, 1988, p. 195, 196).

“A versão de João Knox reza assim o versículo onze: ‘E a bêsta que uma vez viveu e agora está morta, deve ser reconhecida como o oitavo, ainda que êle é um dos sete; mas ela encontrará o caminho que a levará à sua destruição’. Diante dêste texto mais esclarecido, conviemos que o poder romano ia morrer. No capítulo treze versículo três, é isto enfatizado no que respeita a Roma-papal, nas seguintes palavras: ‘E vi uma de suas cabeças como ferida de morte’. No capítulo dezessete é dito que a bêsta morreu e pelo capítulo treze notamos que ela morreu porque ‘uma de suas cabeças’ foi ‘ferida de morte’. Assim a bêsta é o que são as suas cabeças. Morrendo ou sendo morta a sua cabeça reinante — morre ou é morta propriamente a bêsta.

“E a única vez que foi morta uma de suas cabeças e bem assim a própria bêsta ou poder romano, foi em 1798 quando o exército francês revolucionário destituiu o papado do seu poder temporal e aprisionou o Papa Pio VI que, levado para a França, ali morreu. Portanto, desde que o poder romano foi fundado em 753 A. C., com Rômulo, só em 1798 A. D. é que êste poder foi morto. Pois o poder romano é um só, quer na fórmula pagã quer na papal; a bêsta é um único poder e suas sete cabeças representam-na em tôda a sua história. A fórmula papal de Roma foi apenas uma transição dêste poder do paganismo real para o cristianismo irreal. Mudou tão somente de nome ou de título enquanto o poder permaneceu o mesmo.

“Dêste modo, a explanação mais completa do versículo onze, é a seguinte: ‘A bêsta que uma vez viveu e agora está morta’, é o poder romano transmudado de pagão para cristão ou de civil para eclesiástico. E, o oitavo rei de Roma, que será uma das sete cabeças e que também há de ser a própria bêsta ressurreta, é a mesma cabeça ferida de morte, ‘cuja chaga mortal’ será ‘curada’ ou a própria bêsta em sua fase papal morta em 1798.

“Assim o oitavo ‘rei’ de Roma, só poderia surgir posteriormente ao ano 1798, porque até êste ano dominou de Roma o sétimo ‘rei’, o papado. Ora, das sete cabeças da bêsta escarlata ou dos ‘sete reis’ que elas representam, o oitavo só poderá ser, em verdade, o mesmo papado, pois dos sete é o único que permanece com vida, vindo-se restaurando como oitavo rei de Roma desde 1800. Daí esta profecia nos atestar que o papado, novamente, como nos séculos medievais, reassumirá o poder temporal romano perdido, e da ‘cidade das sete colinas’ ditará suas leis aos potentados do govêrno civil para que as executem contra os que se lhe opuserem.

“O poder que Roma-papal exerceu no passado foi sôbre os dez reinos do versículo doze e a restauração outra vez, completa, de seu poder, terá de ser sôbre êles e em união com êles ou em um novo consórcio entre Igreja e Estado. O versículo três, do capítulo treze encerra, com mais evidência, a futura restauração total do poder temporal do papado — como o oitavo dos ‘sete reis’ ou das sete cabeças romanas. Porém, segundo assegura a profecia ainda, o papado ‘vai à perdição’, como já vimos. Outras profecias do Apocalipse e de Daniel dão mais ênfase à sua destruição sob os juízos de Deus” (MELLO, 1959, p. 502, 503).

17.12Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora.“Essa liderança política – na Idade Média estava representada pelos 10 chifres europeus com diademas, pois eram reis e príncipes –, mas num período específico do século 21, esses presidentes, chanceleres, ditadores, formarão um bloco político unido ao papado ressuscitado e agressivo como o predador político-católico medieval, recebendo de Satanás autoridade (como o predador recebeu, 13.2) para controlarem o planeta inteiro com uma só política, uma só religião, durante determinado período do século 21.

Esses poderes não existiam nos dias de João. com a besta. Período de domínio da oitava cabeça (Ap 17.11), a crise final(BÍBLIA, 2015, p. 1671).

“[…] somente o futuro revelará de forma plena a identidade desses poderes do tempo do fim. […] Seu número denota a totalidade das nações do mundo que se unem sob o controle da trindade satânica. Sem dúvida, são poderes políticos governantes que Apocalipse 17:2 cita, envolvidos no relacionamento adúltero com Babilônia. Essas potências mundiais dedicarão sua lealdade à besta, mas isso durará pouco tempo – uma hora em termos proféticos. A besta os usará para colocar seus planos e propósitos em ação” (STEFANOVIC; NASCIMENTO, 2018, p. 102).

“As evidências indicam que eles representam nações modernas que dão apoio político às exigências religiosas de ‘Babilônia’ (verso 13). O verso 16 denota que por fim as nações representadas pelos dez chifres voltar-se-ão contra a meretriz por reconhecerem que ela os enganou. (Ver O Grande Conflito, págs. 659-661)” (COFFMAN, 1989, p. 143).

As dez pontas. – Acerca deste assunto, ver os comentários feitos a Daniel 7:7, onde se demonstra que representam os dez reinos que saíram do império romano. Recebem poder por uma hora, (espaço indefinido de tempo) com a besta, isto é, reinam durante um espaço de tempo contemporaneamente com a besta, dando-lhe o seu poder e força. Croly apresenta o seguinte comentário ao versículo 12: ‘A predição define a época do papado ao mencionar a formação dos dez reinos do Império Ocidental. Recebem autoridade como reis, com a besta, ‘durante uma hora’. A tradução devia ser ‘na mesma hora (mían horan)’. Os dez reinos deviam ser contemporâneos, em contraste com as ‘sete cabeças’, que foram sucessivas. – Jorge Croly, The Apocalypse of John, págs. 264, 265. Esta linguagem se refere sem dúvida ao passado, quando os reinos da Europa davam unânime apoio ao papado” (SMITH, 1979, p. 321).

Dez chifres. Comparar com Dn 7:24; Ap 12:3; 13:1; ver com. de Dn 7:7; Ap 12:3.

Ainda não receberam reino. Alguns defendem que o número ‘dez’ especifica dez reis ou nações em particular. Outros interpretam ‘dez’ como um número arredondado, referindo-se, portanto, a todos os poderes da categoria chamada de ‘chifres’, independentemente do total aritmético preciso. Tal uso é comum em outras partes das Escrituras (ver com. de Ap 12:3). Alguns acreditam que os dez chifres representam os mesmos dez poderes especificados em Daniel e, anteriormente, no Apocalipse. Outros, baseados no fato de que estes dez ‘recebem autoridade como reis, com a besta, durante uma hora’, consideram que eles não podem, por esse motivo, ser identificados com as várias nações que surgiram com o esfacelamento do império romano.

Hora. Do gr. hōra, ‘estação’, ‘dia’ (em contraste com o período da noite), ‘um dia’, ‘uma hora [um doze avos das horas do dia]’ e um ponto específico de ‘tempo’. Em Mateus 14:15, hōra é traduzido por ‘hora’, no sentido de horas do dia (ver também Mt 18:1; Jo 16:2, 4, 25; 1Jo 2:18; Ap 14:15; Mc 6:35; Lc 2:38; Rm 13:11). Hōra também é traduzida como ‘tempo’ (2Co 7:8; 1Ts 2:17), ‘temporariamente’ (Fm 15) e ‘tarde’ (Mc 11:11). Com certeza, o significado de hora, em qualquer situação específica, deve ser determinado pelo contexto.

“Alguns interpretam a ‘uma hora’ de Apocalipse 17:12 como tempo profético, que representaria um período de cerca de duas semanas. Todavia, o contexto parece sugerir algo diferente. Concorda-se, de modo geral, que Apocalipse 18 apresenta uma explicação mais detalhada dos acontecimentos descritos no cap. 17:12 a 17. Mas o período chamado de ‘um só dia’ em Apocalipse 18:8 também é denominado ‘uma só hora’ no cap 18:10, 17, 19. Fica clara a referência a um breve período, sem especificar sua duração exata. Por isso, parece preferível interpretar a expressão ‘uma hora’ (Ap 17:12) com o mesmo sentido, indicando um período breve, mas não especificado.

“Nem sempre os períodos mencionados em passagens proféticas das Escrituras designam aquilo que se costuma conhecer como tempo profético. Por exemplo, os sete anos de fome preditos por José foram anos literais (Gn 41:25-31), assim como os quarenta anos de peregrinação dos israelitas (Nm 14:34). O mesmo se pode dizer dos quatrocentos anos (Gn 15:13), dos setenta anos (Jr 25:12; 20:10) e dos mil anos (Ap 20:4). A breve ‘hora’ (Ap 17:12) testemunha o clímax do plano satânico para a unificação do mundo por meio de um pacto entre as organizações religiosas apostatas da Terra, representadas pela mulher, e os poderes políticos do mundo simbolizados pela besta (ver com. de Ap 16:13, 14; 17:3). Parece que foi durante esta breve ‘hora’ que João viu a ‘mulher’ montada na ‘besta’, no apogeu de sua carreira, e ‘embriagada’ com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus (v. 3-6)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 950).

“Os dez chifres, reza a profecia, são dez reis ou reinos, que aparecem em várias profecias dos livros de Daniel e do Apocalipse. Em qualquer uma destas profecias vemos que os dez reinos saíram do império romano ou o dividiram entre si, e são êles hoje: Francos-França, Alamanes-Alemanha, Anglo Saxões-Inglaterra, Lombardos-Itália, Visigodos-Espanha, Suevos-Portugal, Borgundos-Suíça, Ostrogodos, Hérulos e Vandalos. Êstes três últimos foram removidos pelo papado, isto é, destruídos por serem seus oponentes. Foi em meio dêstes reinos que surgiu o papado como esclarece a profecia do capítulo sete do livro de Daniel. Ao tempo de S. João êstes dez reis não haviam recebido o reino e nem mesmo existiam como reinos; mas reinariam ‘conjuntamente com a bêsta’, o papado.

“Durante uma ‘hora’ reinariam êles com a bêsta. O vocábulo grego ‘oran’ — hora, tem três significados: ‘1) Um espaço definido de tempo, uma estação; 2) uma hora (de 60 minutos. Atos 5:7); 3) o tempo particular para alguma coisa (S. Luc. 14:17)’ (A New New Testament Interlinear Whit Lexicon Synonims, 109). Vemos que o vocábulo ‘hora’ também significa em grego mais do que uma hora literal — o tempo particular para alguma coisa. Os dez reinos não poderiam reinar com a bêsta apenas uma hora de 60 minutos. Com ela reinariam todo o tempo — tempo particular para alguma coisa — em que ela reinasse.

“Certa versão bíblica traduz o texto assim: ‘E os dez reinos que viste são dez reis que não receberam ainda um reino, mas como reis alcançarão poder por um tempo com a bêsta’. E que o papado, a bêsta, reinou ‘por um tempo’ ou de 538 a 1798, é fora de tôda dúvida. Os 1260 anos de reinado temporal do papado foram na verdade um ‘oran’, não de 60 minutos, mas de séculos, em que os dez reinos reinaram com êle” (MELLO, 1959, p. 503, 504).

“Uma diferença significativa entre a besta semelhante ao leopardo de Apoc. 13 e a besta cor de escarlate de Apoc. 17, deve ser posta em destaque. Cada uma delas tem dez chifres, mas enquanto os chifres no leopardo têm dez coroas, nenhuma coroa é mencionada na descrição da besta escarlate. Esta última besta, como já temos feito notar, é descritiva de um período na História em que coroas e monarquias, até certo ponto, estão fora de moda: Os dez chifres, disse o anjo, representam dez reis, embora sejam reis sem coroa; possuem, porém, poder dominante, e podem ser melhor chamados ditadores.

“Durante a Primeira Guerra Mundial, quatro grandes impérios desapareceram: O Gemânico, o Russo, o Austríaco e o Otomano. Estas grandes potências entraram em colapso, e não são mais impérios. Muitas outras monarquias também passaram nas últimas décadas. Diz-se que entre agosto e dezembro de 1914, mais de duzentas realezas e pequenas monarquias abdicaram. Com o desaparecimento dos reis, tomou-se moda o estabelecimento de repúblicas, e estas surgiram em muitos países. De qualquer modo, é preciso mais do que simples mudança de estrutura governamental para garantir a liberdade. A História revela que se o poder é posto nas mãos de homens cujo amor pelo poder é maior do que o seu amor pelo povo, então ‘a soberania de demos’, ou governo do povo, pode ser uma tirania tão cruel como qualquer autocrata que já haja ocupado um trono” (ANDERSON; TREZZA, 1988, p. 198, 199).

Mas, colocar o Republicanismo como a sétima cabeça da besta por causa de uma possibilidade de tirania é bem diferente do que o contexto da profecia sugere: as cabeças são agentes de Satanás para atrapalhar o plano da redenção divino e perseguir os adeptos desse plano. Daí, segue que, um chifre ou tirano sobre a cabaça republicana continua sem atender o contexto profético das bestas e suas cabeças. Na verdade, é preciso apresentar algum profeta interpretando a sétima cabeça e sugerindo que ela seja o Republicanismo, em vez de simplesmente afirmar que ela é o Republicanismo (como os autores acima fizeram no final do verso 10), para somente depois interpretar algum chifre dela, também mencionando um profeta inspirado.

“Estes 10 chifres representam poderes políticos durante o tempo da sétima cabeça, que apoiarão a besta (17:13). Estas nações têm o propósito de se unir com a besta para forçar os habitantes da Terra a ‘beber’ o vinho de Babilônia, isto é, unir o mundo sob seu controle e eliminar todos os que se recusam a cooperar” (OLIVEIRA et al., 2015, p. 63).

17.13Têm estes um só pensamento e oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem.“Eles curam completamente a ferida papal voltando a serem a guarda pretoriana do Vaticano: entre os séculos 6 e 18, na sétima tentativa satânica, o papado aliciou e dominou reis e príncipes; no século 21, por meio da popularidade da ICAR, ele fará o mesmo com as lideranças políticas dos países, recebendo deles tudo o que precisa para impor sua marca – o domingo de Constantino.

Quem é que dará seu reino a esse poder? O protestantismo, um poder que, embora professe ter a índole e o espírito de cordeiro e estar aliado com o Céu, fala com voz de dragão. Ele é impelido por um poder que vem de baixo (Mar [MM 1977], 185) […] ‘Têm estes um só pensamento’. Haverá um laço de união universal, uma grande harmonia, uma confederação de forças satânicas. ‘E oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem.’ Assim é manifestado o mesmo poder arbitrário e opressor contra a liberdade religiosa, contra a liberdade de adorar a Deus de acordo com os critérios da consciência, que foi manifestado pelo papado, quando no passado perseguiu os que ousaram recusar conformar-se aos ritos e cerimônias religiosas dos romanistas. Na peleja a ser travada nos últimos dias estarão unidos, em oposição ao povo de Deus, todos os poderes corruptos que apostataram da lealdade à lei de Yahweh. Nessa peleja, o sábado do quarto mandamento será o grande ponto em litígio, pois no mandamento do sábado o grande Legislador Se identifica como o Criador dos céus e da Terra (ME3, 392,393)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 1099).

“Isaías 8:9-15 fala a respeito de uma confederação que existirá nos últimos dias, a qual equivale à declaração acerca de dez reis com apenas uma mente [ou ‘um só pensamento’; cf. v. 17 também]. As duas citações são paralelas à passagem no capítulo 16 acerca de três espíritos imundos que reúnem os reis do mundo inteiro para a batalha (Apocalipse 16:13 e 14)” (FEYERABEND, 2005, p. 151). O autor não fundamenta o link que ele vê entre as profecias de Isaías e João.

“Satanás está pronto, ardendo em zelo por inspirar toda a confederação de agentes satânicos, a fim de que os possa levar a unir-se a homens maus e trazer sobre os crentes na verdade, rápido e severo sofrimento” (WHITE, 2006b, p. 212).

“As forças do mal estão-se arregimentando e consolidando-se. Elas se estão robustecendo para a última grande crise. Grandes mudanças estão prestes a operar-se no mundo, e os acontecimentos finais serão rápidos” (WHITE, 1949, p. 255).

“‘O assim chamado mundo cristão será o teatro de atos grandes e decisivos. Homens com autoridade decretarão leis para combater as consciências, segundo o exemplo do papado. Babilônia fará com que todas as nações bebam do vinho da ira, de sua fornicação. Todas as nações serão envolvidas… Estes têm o mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta. Haverá um grande laço de união universal, uma grande harmonia, uma confederação, das forças de Satanás… “No grande conflito a ser travado nos últimos dias estarão unidos em oposição ao povo de Deus todos os poderes corrompidos que apostataram da lealdade às leis de Jeová… Nesta guerra o sábado do quarto mandamento será o grande ponto de toque.’ E. G. White, Ms – 24 de 1891” (THIELE, Edwin R.; BERG, 1960, p. 317, 318).

Pensamento. Do gr. gnōmē, ‘opinião’, ‘intenção’, ‘propósito’, ‘resolução’, ‘decreto’. No v. 17. gnōmē aparece mais uma vez traduzido por ‘pensamento’. A ‘mente’ das nações da Terra é o total oposto da de Deus. Representadas pelos dez chifres, elas têm o propósito de se unir à ‘besta’ (ver com do v. 3) para forçar os habitantes da Terra a beber do ‘vinho’ de Babilônia (ver com. do v. 2), ou seja, unir o mundo sob seu controle e eliminar todos aqueles que se recusarem a cooperar (ver com. do v. 14; ver também PE, 34, 36, 282; GC, 615, 624, 626; PR, 512, 587; T5, 213; comparar com Ap 16:12-16).

Oferecem. Literalmente, ‘isto é, eles darão’.

Poder. Do gr. dunamis ‘capacidade [potencial]’, significando a habilidade de cumprir uma resolução. É por meio dos dez chifres que a besta se propõe a alcançar seu objetivo.

Autoridade. Do gr. exousia, ‘autoridade’ (ver com. de Mc 2:10; Rm 13:1). A declaração diz, literalmente: ‘Estes têm o propósito, a saber, darão sua capacidade e autoridade à besta’. O consentimento unânime de todas as nações é obtido mediante a ação dos três ‘espíritos’ malignos (ver com. de Ap 16:13, 14). Quando a porta da graça se fechar, Deus permitirá uma união político-religiosa mundial, cujo objetivo é aniquilar Seu povo. Tal plano foi contido por Ele desde os dias de Babel (ver com. de Gn 11:4-8; Dn 2:43; Ap 14:8), mas agora Ele retira Sua mão refreadora (Ap 17:17; cf. com. de 2Cr 18:18). ‘Haverá um elo universal, grande harmonia, uma confederação das forças de Satanás […] Na batalha a ser travada nos últimos dias, unir-se-ão, em posição ao povo de Deus, todos os poderes corruptos que apostataram da lealdade à lei de Yahweh’ (ver Ellen G. White, Material Suplementar sobre Ap 17:13, 14)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 950, 951).

“O inimigo tem usado a corrente da dependência para aproximar os homens. Eles se têm unido para destruir no homem a imagem de Deus, para opor-se ao evangelho pervertendo-lhe os princípios. São representados na Palavra de Deus como sendo atados em molhos para ser queimados. Satanás está unindo suas forças para perdição” (WHITE, 2004b, p. 222).

“Entre os ímpios, porém, há de prevalecer uma harmonia ilusória que só em parte encobrirá a perpétua discórdia. Achar-se-ão unidos na sua oposição à vontade e à verdade divinas, mas quanto ao mais estarão divididos pelo ódio, emulação, inveja e contenda mortal” (WHITE, 2004a, p. 96).

“O anjo da misericórdia está movendo suas asas, pronto para partir. O poder desperdiçado de Deus está sendo retirado da Terra, e Satanás está agitando os diversos elementos do mundo religioso, colocando as pessoas sob a liderança do grande enganador, que atua de acordo com todo tipo de engano da injustiça em relação aos filhos da desobediência. Os habitantes da Terra já estão marchando sob a direção do príncipe das trevas, e isso é só o começo do fim” (WHITE, 2006a, p. 57).

“A linha de separação entre cristãos professos e ímpios é agora dificilmente discernida. Os membros da igreja amam o que o mundo ama, e estão prontos para se unirem a ele; e Satanás está resolvido a uni-los em um só corpo, e assim fortalecer sua causa arrastando-os todos para as fileiras do espiritismo. Os romanistas, que se gloriam dos milagres como sinal certo da verdadeira igreja, serão facilmente enganados por este poder operador de prodígios; e os protestantes, tendo rejeitado o escudo da verdade, serão também iludidos. Romanistas, protestantes e mundanos juntamente aceitarão a forma de piedade, destituída de sua eficácia, e verão nesta aliança um grandioso movimento para a conversão do mundo, e o começo do milênio há tanto esperado” (WHITE, 2013, p. 513, 514).

“[…] Satanás, como poderoso general, tomou o campo, e neste último tempo que resta ele está trabalhando por todos os métodos concebíveis para fechar a porta à luz que Deus quer que chegue a Seu povo. Ele está arrastando todo o mundo para suas fileiras, e os poucos que são fiéis aos requisitos de Deus constituem os únicos capazes de resistir-lhe, e ele está procurando vencer até mesmo a estes” (WHITE, 2007a, p. 367).

“Agora, o profeta fica sabendo que esses assim chamados reis ‘têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta’. Verso 13. Isto quer dizer que eles abandonam à besta o seu poder, prova de sua confiança neste reino restaurado. Mas esta grande nova confederação de poder político e eclesiástico tem pouca duração. Eles reinam como reis juntamente com a besta ‘por uma hora’. Verso 12. Alguns interpretam a expressão ‘uma hora’ como real medida de tempo, ou seja, 1/24 de um dia; e 1/24 de um dia profético ou ano literal seriam 15 dias. Em qualquer caso, é sem dúvida um período breve de tempo, mas suficiente para que este ressurgido poder se mostre blasfemo e arrogante, ao dizer: ‘Estou assentada como rainha, não sou viúva.’ Apoc. 18:7.

“Para gravame de pecado, esta confederação maligna dita sentença de morte a qualquer que recuse render-lhe homenagem. Quem quer que se identifique com ela, a besta, receberá o seu sinal. Apoc. 13:16. Este poder restaurado do papado realmente constitui outra cabeça; e quando, por um breve tempo, a besta e o falso profeta unirem seus poderes, formarão então outra cabeça, isto é, ‘o oitavo rei’. Mas esta oitava cabeça ‘procede dos sete’. Apoc. 17:11.

“Ela diz que não é ‘viúva’. Enviuvara quando foi despojada de seu poder temporal em 1798, mas antes do fim do tempo ela será completamente reintegrada, e todos, ‘povos, e multidões, e nações e línguas’ lhe renderão homenagem. Apoc.17:15. Os reis da Terra cometerão com ela adultério espiritual. Em outras palavras, estarão com ela em aliança ilegítima. Apoc. 18:3. Esta será a maior união de igreja e Estado que o mundo já conheceu” (ANDERSON; TREZZA, 1988, p. 198, 199).

Mello (1959, p.504) usa a visão preterista, apenas, no entendimento deste verso: “Isto é também confirmado no capítulo treze. Poder e autoridade dos reinos europeus para atuar à sua vontade. Durante o reinado dêles com a bêsta-papal, 538-1798, isto foi plenamente confirmado. A França foi a primeira potência a entregar-lhe o poder e autoridade. E o papado, com o poder e a autoridade dos potentados em suas mãos, tornou tal aquêle ‘oran’ [hora] em que êles reinaram com êle, que a história chegou a denominá-lo de ‘Idade Escura’. Seriam necessários não poucos volumes para descrever todos os crimes, tôdas as astúcias e todos os deboches daquele ‘oran’ crucial para a Europa e o mundo sob o papado”.

17.14Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele.“Essa oitava tentativa satânica de dominar o planeta Terra, no século 21, por meio da ICAR, do protestantismo apostatado e de lideranças políticas do globo é a continuação, na verdade, da batalha que ocorreu no Céu, milhares de anos atrás (12.7), entre Miguel (o Jesus que viria) e Satanás (a serpente/o dragão que viria). Assim como Jesus como arcanjo Miguel triunfou lá em cima, Jesus como o Cordeiro vencerá o projeto de dominação satânico aqui embaixo também, pois Ele é o único Rei do universo – em particular da Terra –, e o único Senhor/Soberano; e juntamente com Jesus, vencerão os que foram chamados e aceitaram, os verdadeiros filhos de Deus ao longo da história humana, em especial no século 21, os Seus fiéis que escolheram receber o Seu selo sabático em lugar da marca papal dominical.”

Nesse momento, o Apocalipse descreve a batalha do Armagedom de forma breve mais uma vez – introduzida em Apocalipse 16:12 a 16 e concluída em Apocalipse 19:11 a 21” (STEFANOVIC; NASCIMENTO, 2018, p. 103).

“Em Apocalipse 17:13, 14, reitera-se, em poucas palavras, a batalha do Armagedom, introduzida em Apocalipse 16:12 a 16. Induzida pelos poderes demoníacos operadores de milagres juntamente com o dragão, a besta do mar e o falso profeta, a confederação política mundial guerreará contra o Cordeiro. Em outras palavras, a batalha do Armagedom não será um conflito bélico no Oriente Médio, mas o conflito final da segunda vinda de Cristo, no qual Satanás e sua confederação lutarão contra Cristo e sua hoste angélica” (STEFANOVIC; MODZEIESKI, 2019, p. 94).

“No Apocalipse, os remanescentes estão tão ligados com Seu Salvador, que o ataque a eles durante o tempo da angústia é contado como um ataque contra o próprio Cristo (Apoc. 17:14). É Ele quem enfrenta o inimigo e o derrota por nós (Apoc. 19:11-21)” (GULLEY, 1996, p. 4).

“Somos aqui levados a penetrar no futuro, e transportados para o tempo da grande batalha final, porque nesse tempo o Cordeiro leva o título de Rei dos reis e Senhor dos senhores, que assume ao terminar o tempo de graça, ao cessar Sua obra de intercessão sacerdotal. (Apoc. 19:11-16)” (SMITH, 1979, p. 321, 322).

Os dez reis contra o Cordeiro. A outra batalha feroz de Apocalipse 17, o primeiro dos dois conflitos aí registrados, ocorre quando os dez reis pelejam ‘contra o Cordeiro’‘e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com Ele’. Versos 13 e 14. Cristo aparecerá como Rei dos reis e Senhor dos senhores por ocasião de Sua segunda vinda, ao iniciar-se o milênio. Veja Apocalipse 19:11 a 16. Ele será acompanhado por Seu Pai, que é ‘Aquele que Se assenta no trono’. Apocalipse 6:16. Portanto, a segunda vinda de Cristo é a chegada dos ‘reis que vêm do lado do nascimento do sol’ (Apocalipse 16:12); e a batalha que ocorre nessa ocasião é a Batalha do Armagedom. […]

“Eles fazem guerra ao Cordeiro; mas G. B. Caird e outros observam que ‘a única forma pela qual os reis podem guerrear contra o Cordeiro, é através de Seus seguidores’ […]. ‘Eu sou Jesus, a quem tu persegues’, disse Jesus a Paulo nos tristes dias em que este era um perseguidor. Ao dirigir-se a Paulo nesses termos, Jesus identificou-Se com Seus seguidores a quem Paulo maltratava. Veja Atos 9:5. ‘Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um desses Meus pequeninos irmãos’, disse Jesus a todos nós durante o Discurso do Olivete, ‘a Mim afizestes’. S. Mateus 25:40. Apocalipse 12:17 diz que no tempo do fim o dragão irá ‘fazer guerra’ contra aqueles ‘que guardam os mandamentos de Deus’. O Armagedom não será uma guerra do Oriente contra o Ocidente, e sim uma guerra do erro contra a verdade, dos seguidores do dragão contra aqueles que guardam os mandamentos de Deus e seguem fielmente o Cordeiro” (MAXWELL; GRELMANN, 2004, p. 475, 476).

“Todo o poder que se alia com a bêsta batalha contra o Cordeiro, pois do contrário não poderá com ela aliar-se. Mas os dez reinos perderam seu tempo em aliarem-se à bêsta de Roma para batalhar contra o Cordeiro. Nada ganharam com isto, antes perderam, porque a profecia diz: ‘E o Cordeiro os vencerá, porque é Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com Êle, chamados, e eleitos, e fiéis’. Quem poderá vencer o Cordeiro de Deus? Quem vencerá os que estão com Êle? No capítulo seis é referido que, aos milhões que foram chacinados por aquêles reinos sob as ordens da bêsta, ‘foram dadas a cada um compridas vestes brancas’, emblema de vitória embora lhes fôsse derramado sangue pelos agentes de Satã. Os seus matadores sim, foram vencidos em vez de vencedores” (MELLO, 1959, p. 504, 505).

Pelejarão. Com o mundo unido (ver com. de Ap 16:12-16; 17:13) sob a liderança da ‘besta’ (v. 3, 8, 11), o palco final da longa guerra contra Cristo e Seu povo irá fervilhar de ação. Esta cena do conflito, chamada de ‘peleja do grande Dia do Deus Todo-Poderoso’ (Ap 16:14), é retratada em maiores detalhes no cap. 19:11 a 21 (ver com. ali). Durante a sexta praga, são feitos preparativos para a batalha (ver com. de Ap 16:12-16), que é travada na sétima. […]

Os vencerá. O fel povo de Deus, que sofreu tanto nas mãos de seus inimigos (ver Ap 16:9-11; 12:13-17; 13:7, 15), é livrado quando Aquele que é ‘o Senhor dos senhores e o Rei dos reis’ lançar mão de Seu braço forte e vir defender sua causa (ver com. de Ap 11:15, 17; 18:20; 19:2, 11-21). Cristo intervém no momento em que as forças do mal lançam seu ataque contra os santos, no início da sétima praga (ver GC, 635, 636; ver com. de Ap 16:17).

Senhor dos senhores. O título ‘o Senhor dos senhores e o Rei dos reis’ é usado nas Escrituras para se referir a Cristo quando Ele volta à Terra para vencer as hostes do mal e livrar Seu povo fiel (ver 1Tm 6:15; Ap 19:16; cf. Mt 25:31; Ap 1:5; 17:14; GC, 427, 428, 614, 614).

Chamados. Literalmente, ‘convidados’, isto é, no NT, para obter a salvação eterna (ver com. de Mt 22:3, 14).

Eleitos. Ou, ‘selecionados’. Nem todos os ‘chamados’ se qualificam para ser ‘eleitos’ (ver distinção entre ‘chamados’ e ‘eleitos’ no com. de Mt 22:14; cf. com. de Jo 1:12).

Fiéis. Ou, ‘dignos de confiança’, ‘confiáveis’. Os ‘eleitos’ devem permanecer ‘fiéis’ ‘até a morte’ (Ap 2:10), se necessário, a fim de ser contados ‘com ele’, isto é, com Cristo. O acréscimo da palavra ‘fiéis’ subentende que não é suficiente ser ‘chamado’ e ‘eleito’. Em outras palavras, aqueles que entram na experiência da graça mediante a fé em Cristo devem permanecer na graça para se qualificarem para entrar no reino da glória (ver com. de Jo 3:18-20; Ef 1:4, 5; cf. com. de 1Co 3:15; cf. Ez 3:20; 18:24; 33:12).

Com. Do gr. meta (ver com. do v. 1). Aqui significa ‘na companhia de’” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 951).

17.15Falou-me ainda: As águas que viste, onde a meretriz está assentada, são povos, multidões, nações e línguas.O anjo me disse também: “no início dessa visão, João, eu lhe mostrei a prostituta sobre muitas águas. O sistema papal sobre a ICAR a torna adúltera contra Deus, pois faz com que esse sistema religioso seja estruturalmente idólatra e corruptor, induzindo pessoas à desobediência aos mandamentos de Deus, em particular o mandamento sabático, enquanto professa servi-Lo e ser Sua igreja! Além disso, essa igreja adúltera possui relações promíscuas e de infidelidade com as lideranças políticas desde o império romano, usando o Estado para perseguir os civis que se opõem às suas infidelidades contra Deus. E são muitas as pessoas ao redor do planeta que estão sob sua jurisdição, seja voluntariamente, seja pela tirania dos papas.

O rio Eufrates representa o poder político mundial do fim do tempo” (BÍBLIA, 2015, p. 1671).

“O versículo dezoito [sic] contém a explanação do primeiro referente às águas onde a ‘grande prostituta’ estava assentada. Ela fôra vista assentada sobre uma bêsta côr de escarlata com ‘sete cabeças e dez chifres’, as cabeças representando Roma e os dez chifres a Europa. Aí estão os ‘povos, e multidões, e nações, e línguas’, sôbre os quais a mulher estava assentada, a todos dirigindo a seu prazer sem que pudessem dizer-lhe – não” (MELLO, 1959, p. 505).

Está assentada. Mais uma vez aqui, o anjo se refere ao que João viu nos v. 3 a 6, dentro do período temporal especificado nos v. 1l a 13 (ver com. da passagem)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 951).

17.16Os dez chifres que viste e a besta, esses odiarão a meretriz, e a farão devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo.“Mas, chegará o dia, no século 21, de modo um pouco semelhante como no século 18 na França, que os líderes políticos que mantinham relações promíscuas com a ICAR e todo o aparato militar e bélico que comandavam – eles se voltarão contra o papado e contra todo sistema religioso da Igreja Católica Apostólica Romana, bem como contra o pseudoprotestantismo, que os usaram para prender, torturar e assassinar os verdadeiros filhos de Deus, e farão o mesmo contra o papado e demais religiosos da coalizão babilônica. Isso ocorrerá na época do 5º e 6º desastres derramados por Deus sobre o Vaticano, no século 21, dias antes do advento de Jesus. O predador satânico-humano irá derrubar a amazona e predá-la diante de todo o planeta!

Então, de repente, os dez chifres e a besta (os poderes políticos) se voltam contra a meretriz Babilônia (o falso sistema religioso). Os poderes políticos e seculares que permitiram que a Babilônia dominasse o mundo retiram seu apoio e, irados, se voltam contra ela. Essa retirada do apoio à Babilônia é retratada na sexta praga, com o secamento do rio Eufrates (Ap 16:12). Conforme Apocalipse 16 revela, os poderes políticos enganados ficam desiludidos por causa da impotência da Babilônia em protegê-los das pragas (v. 10, 11). Sentem-se enganados e cheios de antagonismo e hostilidade. Então eles atacam a Babilônia e a arruínam.

“João utiliza o mesmo vocabulário do Antigo Testamento para se referir aos juízos que recaíram sobre a Jerusalém adultera (Jr 4:30; Ez 16:35-41; 23:22-29). Os poderes políticos furiosos e desiludidos deixarão a prostituta Babilônia ‘devastada e despojada, e lhe comerão as carnes, e a consumirão no fogo’ (Ap 17:16). Ser queimada com fogo era o castigo para a filha de um sumo sacerdote que se envolvesse com a prostituição (Lv 21:9). Isso é mais um indício de que a meretriz Babilônia denota um sistema religioso infiel a Deus que, no tempo do fim, perseguirá o povo do Senhor.

“A cena conclui com um lembrete de que Deus está no controle, e os ímpios não podem ir além do que Ele permite (Ap 17:17). As acoes dos poderes políticos enganados cumprem o juízo divino sobre a Babilônia e acabam por concluir os propósitos divinos na crise do tempo do fim. Apocalipse 18 dá continuidade ao tema da destruição da Babilônia que o capítulo anterior inicia. Esse sistema religioso apostata encheu sua taça de abominações e está prestes a receber o cálice do vinho da ira de Deus (Ap 16:19). No capítulo 17, o julgamento desse sistema religioso apostata do tempo do fim é retratado usando os termos da execução de uma prostituta (segundo a lei mosaica). Já no capítulo 18, é descrito como uma rica cidade comercial que afunda no mar” (STEFANOVIC; NASCIMENTO, 2018, p. 104, 105).

“Apocalipse 17 trata da extinção da Babilônia terrestre, o papismo, o protestantismo e o paganismo. Uma Babilônia que quase alcançou os limites do mundo conforme os planos do príncipe do mal. Mas, além dos planos de Satanás, é um privilégio feliz de todo verdadeiro filho de Deus contemplar adiante a vitória da Justiça e não do pecado; a vitória de Jesus e não de Satanás!” (RAMOS, 2006, p. 151).

“A sexta praga constitui um juízo sobre a Grande Babilônia. De algum modo ela perderá o apoio de seus súditos. Apoc. 17:16 indica que os antigos súditos de Babilônia se levantarão contra os seus líderes espirituais, a fim de destruir o sistema ao qual mostravam deferência” (COFFMAN, 1989, p. 132).

“Essa conspiração final e convulsiva dos dez reis é apenas uma parte do ‘julgamento’ executado contra as pretensões do cristianismo corrupto e apóstata. Em Daniel 7 o ‘chifre pequeno’ – que é essencialmente a mesma coisa que a prostituta – é mostrado como enfrentando o julgamento no Céu. Apocalipse 17 prediz uma horrível contrapartida do julgamento celestial. As nações que servilmente conspiraram com a prostituta, como forma de controlar a vida de seus cidadãos, vêem-na agora como a indesejável monstruosidade que ela realmente é. Em odiosa contenda, elas a desnudam e desgraçam, num dos dois terríveis conflitos preditos em Apocalipse 17” (MAXWELL; GRELMANN, 2004, p. 475).

“Como Apoc. 17:1 e 12-17 explica o simbolismo da sexta praga (Apoc. 16:12)? O secamento do Eufrates. Parece que as ‘sete cabeças’ da besta representam sete poderes sucessivos pelos quais Satanás atuou e continua atuando para frustrar o programa de Deus na terra. Os ‘dez chifres’ dizem respeito a poderes políticos representados pelos cornos que Daniel viu na cabeça do quarto animal (Dan. 7). Na visão que estamos considerando, seria melhor encarar os dez chifres como símbolos de poderes políticos que são contemporâneos do papado e lhe dão apoio.

“Foi previsto que no fim do tempo esses poderes políticos se unirão à apostasia religiosa denominada ‘Grande Babilônia’, a fim de ‘pelejar conta o Cordeiro’ (Apoc. 17:14). Afigura-se que isto constitui uma referência ao conflito final sobre a lei de Deus (o selo de Deus em oposição ao sinal da besta) descrito em Apoc. 13:14-17.

“Acontecerá alguma coisa durante as pragas que fará com que os ‘povos, multidões, nações e línguas’ (Apoc. 17:15) rejeitem a confederação religiosa que os enganou, desviando-os de Deus e da vida eterna. Evidentemente, as forças políticas que antes mantinham uma união ilícita com Babilônia, voltam-se contra ela e procuram destruí-la (ver O Grande Conflito, págs. 659-663). ‘As espadas que deveriam matar o povo de Deus, são agora empregadas para exterminar os seus inimigos. Por toda parte há contenda e morticínio.” – O Grande Conflito, p. 662” (COFFMAN, 1989, p. 143, 144).

“O anjo disse a João, chamando-lhe a atenção para este assunto, que lhe havia de mostrar a condenação desta grande prostituta. No versículo 16 essa condenação é especificada. Este capítulo tem, naturalmente, mais especial referência à mãe, ou à Babilônia católica. O capítulo seguinte, se não nos enganamos, trata do caráter e destino de outro grande ramo de Babilônia, as filhas caídas” (SMITH, 1979, p. 322).

“Êstes versículos [16 e 17] falam bem alto do juízo contra a igreja apóstata que infligiram os dez reinos europeus, depois de por algum tempo lhe terem emprestado o poder e autoridade. Em 1798 França foi a primeira nação sujeita a dar-lhe o golpe. E as demais cortaram também com ela as suas relações de Igreja e Estado unidos. A igreja ficou abandonada e privada de suas carnes, isto é, de seus chamados Estados vassalos. Como que queimada no fogo, ficou seu poder reduzido a um montão, aliás, circunscrito aos edifícios do Vaticano. Foi isto que o anjo dissera ao profeta no princípio da visão: ‘Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sôbre muitas águas’. E êste juízo dos dez reinos estava em harmonia com a vontade de Deus. Todavia a condenação sê-lo-á completada de cima” (MELLO, 1959, p. 505).

E a besta. Evidências textuais (cf. p. xvi) comprovam esta variante. Os chifres e a besta participam da execução da sentença divina contra Babilônia (sobre a identidade da besta, ver com. do v. 3).

Odiarão. Isto representa uma mudança de atitude por parte da ‘besta’ e dos ‘chifres’. Alguns aplicam esta atitude dos dez chifres à atitude de algumas nações da Europa ocidental em relação ao papado desde a Reforma; outros consideram que o cumprimento desta predição ainda é futuro. Até aqui, os chifres haviam apoiado as políticas defendidas pela mulher (ver com. dos v. 3, 9, 13), em especial a trama para matar os santos (ver com. do v. 14). Entretanto, quando Cristo os vence (v. 14), eles se voltam contra ela, reconhecendo que os enganou (ver com. do v. 2; ver GC, 654-656).

A meretriz. Ver com. do v. 1.

Devastada. Do gr. erēmoō, ‘desolar’, ‘descartar’ (ver com. do v. 3). A forma da palavra no grego sugere que a ‘meretriz’ permanecerá ‘devastada’ para sempre (ver com. de Ap 18:21-23). “Despojada. Isto é, despida de suas vestes ostentosas (v. 3, 4) e, assim, deixada em situação de embaraço e vergonha (ver GC, 655, 656; cf. Ez 23:29;Ap 16:15).

Carnes. Literalmente, ‘pedaços de carne’, que salienta a ação de devorar e a abrangência do ato. Assim como o animal carnívoro lacera e despedaça a vítima no processo de devorá-la, ‘a meretriz’ será destruída violentamente, sem a menor piedade, pelos mesmos poderes que tão pouco tempo antes a apoiavam.

A consumirão no fogo. Literalmente, ‘a queimarão completamente’ (comparar com Ap 18:8, que diz: ‘será consumida no fogo’). Uma mulher figurada, obviamente, é queimada de maneira figurada (ver com. de Ap 18:8, 9; cf. Ez 28:17-19)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 952).

17.17Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e deem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus.“Deus está no controle, João. Não é Satanás, não é o papado ou a ICAR, nem os líderes políticos. Embora tenham o livre-arbítrio, o Senhor soberano também é livre e sabe como administrar as mentes más. Uma hora Ele permite que estejam unidas contra Ele e Seu projeto de redenção da humanidade. Na hora seguinte, após a revelação de Suas verdades através Dele mesmo e de Seus filhos verdadeiros, Ele faz com que a união seja desfeita, e a serpente destrua os próprios instrumentos dela. Tudo isso Deus revelou na Bíblia e a preservou para que todos tenham a oportunidade de salvação e, até o cumprimento da última profecia bíblica – a destruição dos agentes malévolos e de seu mentor, e a inauguração do planeta Terra como a nova capital do Reino eterno de Jesus –, tudo continuará sob o controle de Deus.

Deus exerce supremo controle nos acontecimentos da história, inclusive em relação às ações satânicas (9:1-5; 2Ts 2:11)” (BÍBLIA, 2015, p. 1671).

Coração. Ou, ‘mente’.

Incutiu Deus. Os ‘dez chifres’ e a ‘besta’ (ver com. do v. 16) recebem autorização de Deus para executar o ‘julgamento’ ou a sentença divina contra Babilônia (ver com do v. 1; cf. com. de 1Sm 16:14; 2Cr 18:18 2Ts 2:11). Por isso, os v. l6 e 17 constituem o clímax do capítulo, apresentando ‘o julgamento da [ou ‘a sentença sobre’l grande meretriz’, o assunto anunciado pelo anjo no v. 1. Todo o restante consiste em preparativos ou explicações para este relato do destino de ‘Babilônia, a Grande’. Os v. 2 a 6 listam seus crimes (ver com. do v.6) e explicam o motivo da sentença pronunciada sobre ela, ao passo que os v. 8 a 18 mostram o meio, ou como, a sentença será executada (ver com. do v. 1). Babilônia receberá o cumprimento do veredito durante a sétima praga (ver Ap 16:19; cf. com. de Ap 16:19; 18:5, 21; 19:2).

Realizem o seu pensamento. Isto é executem o ‘propósito’ ou ‘decreto’ (ver com. do v. 13) do veredito celestial contra a ‘grande meretriz’ (ver com. do v. 16:19; 17:1).

Executem. Ver com. do v. 13.

“Deem […] o reino. Ver com. do v. 13.

“Cumpram. Isto é, até a sentença ser plenamente executada. A união das organizações religiosas apóstatas (ver com. de Ap 16:13) junto com seus líderes, é a primeira a cair (cf. GC, 656), quando o lado político da coalizão político-religiosa universal (ver com. de Ap 16:13; 17:2) se torna um instrumento nas mãos de Deus para executar a sentença contra o lado religioso da união (cf. Is 10:5; 13:4-9, 14:44, 6; 28:17-22:47:11-15; Jr 25:14, 34-48; 50:9-15; 29-31; 51:49; Ez 26:3; Dn 11:45; Zc 11:10; ver com. de Ap 19:2).

“Palavras de Deus. Isto é, Sua ‘vontade’ expressa na sentença contra a Babilônia mística (ver Ap 16:17, 19: 17:1)” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 952).

17.18A mulher que viste é a grande cidade que domina sobre os reis da terra.“Já lhe dei o significado do símbolo da amazona e o amplio com mais detalhes, João: a ICAR e seu sistema papal é como a antiga cidade de Babilônia – dentro dela há política tirânica patrocinada por religião mentirosa, enganando e dominando os líderes políticos dos países e as populações por eles representadas.

Roma era a Babilônia dos dias de João. A Babilônia do fim do tempo será uma falsificação religiosa da fé evangélica […]. domina. O tempo verbal é o presente contínuo. A grande cidade está por trás de toda a oposição a Deus ao longo da história” (BÍBLIA, 2015, p. 1671, 1672).

“A grande cidade que imperava sobre os reis no tempo de S. João era Roma, e aquela cidade deu o nome à organização representada pela mulher, a Igreja de Roma, ou o papado” (ESTUDOS BÍBLICOS, 1984, p. 211).

“Qual a cidade que reinava sôbre os reis da terra nos tempos de S. João? A resposta é uma só: Roma. Ora, uma mulher profética nunca foi apresentada como emblema de cidade. Na verdade não era a cidade de Roma que reinava sôbre os reis da terra, mas o poder romano que nela tinha o seu assento. A mulher vista sôbre a bêsta, na visão, não era a cidade de Roma, mas a igreja, também denominada Roma, que dela reinou sôbre os reis da terra ao cair o poder romano civil. A declaração de que a mulher era a cidade de Roma, foi apenas uma pista dada ao profeta, pelo anjo que o assistia, para que nós encontrássemos o caminho para entendermos o perfeito cumprimento da profecia” (MELLO, 1959, p. 506).

“Nove vezes, no Apocalipse, encontramos a expressão ‘grande cidade’, como aplicada a este sistema apóstata. A mulher representa o poder eclesiástico; a besta, o poder político. Neste símbolo, encontramos completa união da igreja e o Estado, e todos cujos nomes ‘não estão escritos no livro da vida’ ficam admirados ao testemunhar o surgimento, e influência deste tremendo poder políticoreligioso descrito como ‘a besta que era, e que já não é, e de vir’. Verso 8” (ANDERSON; TREZZA, 1988, p. 195).

“A grande cidade. Babilônia literal foi a ‘grande cidade’ dos tempos antigos (ver Nota Adicional a Daniel 4). Desde os dias de Babel, a cidade de Babilônia representa uma oposição organizada aos propósitos de Deus na Terra (ver com. de Gn 11:4-6; Ap 14:8). As cidades correspondem a uma associação extremamente integrada e organizada de seres humanos. Logo, é bem apropriado que ‘Babilônia, a Grande’ seja um símbolo profético de uma organização apóstata universal e bem ordenada” (NICHOL; DORNELES, 2014, p. 952, 953).

“Quem é Babilônia? Aqui estão nove sinais identificadores que, indubitavelmente, apontam para o papado:

1. A mulher estava sentada sobre a besta, como que apoiada por ela. A igreja romana sempre buscou o apoio de governos para executar os seus decretos através da força bruta.

2. Ela cavalga a besta como se a governasse. A igreja romana sempre tentou controlar os poderes do governo para conseguir o que queria.

3. Ela está sentada sobre muitas águas. Ela é apoiada por vastas multidões ao redor de todo o mundo.

4. Ela tem um cálice cheio de abominações na mão. A Roma papal oferece quantidades enormes de indulgências e absolvições, e definitivamente seduz as pessoas ao pecado.

5. Os mercadores ficam ricos com ela. Muitos enriquecem através do ímpio tráfico por ela conduzido.

6. Ela é adornada de modo extravagante. Qualquer um que tenha observado a obra da igreja romana não precisa de palavras para convencer-se da sua grandiosidade e ofuscante resplendor.

7. Estima-se que, durante a perseguição papal infligida aos valdenses, albingenses, boêmios, os seguidores de Wicliffe e a outros protestantes, os que pereceram são contados em milhões.

8. A besta em que ela está montada é cheia de nomes de blasfêmia. Isso cumpre-se com a proclamação da infalibilidade. Este cumprimento ultrapassa todos os outros. [Mas, se a besta aqui representa o Estado, então a infalibilidade papal fica deslocada… O Estado, e não apenas a mulher, se torna semelhante à besta das águas de Ap 13.1-10. É como se o Estado se tornasse uma daquelas cabeças cheias de nomes de blasfêmias, ou seja, praticasse o credo romanista.]

9. Os habitantes da Terra são levados por ela a pecar. E notório que a igreja papal induz as pessoas ao pecado da idolatria. O culto de Roma é, em grande medida, a adoração prestada a uma grande deusa” (FEYERABEND, 2005, p. 152, 153).

Referências:

ANDERSON, Roy A; TREZZA, Carlos A. Revelações do apocalipse. Tradução de Carlos A. Trezza. 1ª edição revisada. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1988.

BELVEDERE, Daniel. Seminário: As Revelações do Apocalipse. Edição do Professor, Casa Publicadora Brasi-leira, Tatuí, SP, 2ª ed., 1987. Disponível em: <https://drive.google.com/file/d/ 14s7DWbxGGSvt5h81TkGtG2mfcwW7wPZk/view>. Acesso em: abr., 2020.

BÍBLIA, Apocalipse. Português. Bíblia de Estudo Arqueológica NVI. Trad. Claiton André Kunz et. al. São Paulo: Editora Vida, p. 2042-2076, 2013.

BÍBLIA. Bíblia de Estudos Andrews. Tatuí, SP. Casa Publicadora Brasileira, 2015.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. 8ª impressão. São Paulo: Paulus, 2002.

COFFMAN, Carl. Lições da Escola Sabatina, 3º Trimestre de 1989, nº 375, Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, SP.

ECUMÊNICA, BÍBLIA. Tradução. TEB. São Paulo: Loyola, 1994.

ESTUDOS BÍBLICOS. Doutrinas Fundamentais das Escrituras Sagradas. Casa Publicadora Brasileira, SP, 1984.

FEYERABEND, Henry. Apocalipse, Verso por Verso: Como entender os segredos do último livro da Bíblia. 1. ed. Tradução de Delmar F. Freire. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2005.

GULLEY, Norman R. Lições da Escola Sabatina, 3º Trimestre de 1996, Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, SP.

MAXWELL, C. Mervyn; GRELLMANN, Hélio Luiz. Uma nova era segundo as profecias do Apocalipse. Casa Publicadora Brasileira, 2004.

MELLO, Araceli S. A Verdade Sôbre As Profecias Do Apocalipse, 1959. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/264320586/Araceli-S-Mello-A-Verdade-Sobre-As-Profecias-Do-Apocalipse-pdf >. Acesso em: abr. 2020.

NICHOL, Francis D.; DORNELES, Vanderlei (Ed.). Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. Série Logos, v. 7. – 1. Ed. – Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014.

OLIVEIRA, Arilton; BRANCO, Frederico; SOUZA; Jairo; QUEIROZ, Manassés; ANDRADE, Milton; IRAÍDES, Tár-sis. Apocalipse. Escola Bíblica, Novo Tempo. Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, SP, 2015.

RAMOS, Samuel. As Revelações do Apocalipse, v. 3, 2006.

SMITH, Urias. As profecias de Daniel e Apocalipse, vol. 2. O livro de Apocalipse, 1979.

STEFANOVIC, Ranko; MODZEIESKI, Carla N. O Livro do Apocalipse. Lição da Escola Sabatina. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, n° 495, jan., fev., mar., 2019. Adultos, Aluno.

STEFANOVIC, Ranko; NASCIMENTO, Cecília Eller. O Apocalipse de João: desvendando o último livro da Bíblia. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2018.

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