A Caixinha “Vazia”


Há certo tempo atrás, um homem castigou sua filhinha de 3 anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado. O dinheiro andava escasso naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menina envolvendo uma caixinha com aquele papel dourado e colocá-la debaixo da árvore de natal. Apesar de tudo, na manhã seguinte, a menininha levou o presente a seu pai e disse: “Isto é para você paizinho!” Ele sentiu-se envergonhado por sua furiosa reação, mas voltou a “explodir” quando viu que a caixa estava vazia. Gritou, dizendo: “Você não sabe que quando se dá um presente a alguém, a gente coloca alguma coisa dentro da caixa?” A pequena menina olhou para cima com lagrima nos olhos e disse: “Oh, paizinho, não está vazia. Eu soprei beijos dentro da caixa. Todos para você, papai”. O pai quase morreu de vergonha, abraçou a menina e suplicou que ela o perdoasse. Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado de sua cama por anos e sempre que se sentia triste, chateado, deprimido, ele tomava da caixa um beijo imaginário e recordava o amor que sua filha havia posto ali. 

De uma forma simples, mas sensível, cada um de nós humanos tem recebido uma caixinha dourada, cheia de amor e beijos de nossos pais, filhos, irmãos, amigos… e principalmente de Deus. Mas, quantas vezes nossa precipitação, nosso materialismo, nossa pressa e nossa raiva nos tornam cegos a ponto de só vermos caixas vazias, não concorda?

Acontece algo semelhante na relação Criador e criatura. Deus nos presenteia com liberdade, moralidade, espiritualidade, família, capacidade de raciocínio, revelações de Seu caráter e de Seu amor. O que Suas criaturas veem? Em verdade os seres humanos enxergam apenas o que querem e o que podem – o que querem no sentido de ignorarem muito do que Deus faz a ponto de produzirem uma geração que está acostumada ou condicionada a não enxergar! O profeta Jeremias presenciou há mais de 2600 anos atrás exatamente isso: “Até a cegonha no céu conhece as suas estações; a rola, a andorinha e o grou observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não conhece o juízo de JAVÉ (Jr 8:7)”.

Até os animais, dentro de sua esfera, veem o que os homens não enxergam.

O homem vazio de Deus enxerga um vazio, uma ausência de liberdade e cria sua própria definição de liberdade. Resultado: “até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens” (Rm 1:26,27).

O homem vazio de Deus enxerga um vazio, uma ausência da necessidade de uma moralidade absoluta. Resultado: “E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia. Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Rm 1:28-32).

O homem vazio de Deus enxerga um vazio, não vê a Bíblia como revelação divina autorizada e cria caminhos de Caim para chegar até Deus. Resultado: “Algumas pessoas vão pedir que vocês consultem os adivinhos e os médiuns, que cochicham e falam baixinho. Essas pessoas dirão: ‘Precisamos receber mensagens dos espíritos, precisamos consultar os mortos em favor dos vivos!’” (Is 8:19 NTLH). “pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador” (Rm 1:25). “Os pensamentos deles não têm valor, e a mente deles está na escuridão. Eles não têm parte na vida que Deus dá porque são completamente ignorantes e teimosos” (Ef 4:17,18 NTLH).

O homem vazio de Deus enxerga um vazio, a ausência da necessidade da preservação da família… Resultado: “Uma vez eu estava olhando pela janela da minha casa e vi vários rapazes sem experiência; mas notei que um deles era mesmo sem juízo. Esse rapaz estava andando pela rua, perto da esquina onde morava uma certa mulher. Ele passava por perto da casa dela, ao anoitecer, quando já estava escuro. E aconteceu que essa mulher foi encontrar-se com ele, vestida como uma prostituta e cheia de malícia. Ela era espalhafatosa e sem-vergonha e estava sempre andando pelas ruas. Ficava esperando em alguma esquina, às vezes numa rua, outras vezes na praça. Ela chegou perto do rapaz, e o abraçou, e beijou. Então, com um olhar atrevido, disse: — Paguei hoje os meus votos, e a carne dos sacrifícios de gratidão está comigo. Por isso saí procurando você. Eu queria encontrá-lo, e você está aqui! Já forrei a minha cama com lençóis de linho colorido do Egito. Eu a perfumei com mirra, aloés e flor de canela. Venha, vamos amar a noite toda. Passaremos momentos felizes nos braços um do outro. O meu marido não está em casa; ele foi fazer uma longa viagem. Levou bastante dinheiro e só voltará daqui a alguns dias. Assim, ela o tentou com os seus encantos, e ele caiu na sua conversa. E, num instante, lá foi ele com ela, como um boi que vai para o matadouro, como um animal que corre para a armadilha” (Pv 7:6-22 NTLH). “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (Pv 29:15).  

O homem vazio de Deus enxerga um vazio, e seu oco na cabeça se reflete em seus raciocínios, em sua ciência: “Que perversidade a vossa! Como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Ele não me fez; e a coisa feita dissesse do seu oleiro: Ele nada sabe” (Is 29:16). “Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te” (Lc 12:19). “Vi ainda debaixo do sol que não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor; porém tudo depende do tempo e do acaso” (Ec 9:11).

O homem vazio de Deus não O enxerga. E, a Terra, que um dia foi “sem forma e vazia” (Gn 1:2) voltará a ficar vazia, pois, o homem vazio de Deus a destrói, destrói seu próximo, destrói a si próprio, tudo porque se recusa a ver Deus ou, pelo menos, que Deus lhe recupere a visão.

Contudo, assim como a criancinha de nossa história mudou a história daquele homem, existem homens vazios de si, que oram humildemente a Deus, permitindo que Ele os preencha! E esses homens cheios de Deus, apontam para o conteúdo da caixinha, provam que ela não está vazia por meio de suas próprias vidas cheias de Deus, de liberdade, de moralidade, de verdadeira espiritualidade, de famílias iluminadas, de raciocínios científicos coerentes (mesmo que ainda não prováveis!) e de amor a Deus e ao próximo, a Bíblia e a Natureza!

E você, (o que) vê? (Hendrickson Rogers)
  

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