A Mecânica Quântica e a Graça Divina

O todo e as partes Há séculos, os métodos indutivo e dedutivo têm permitido que os cientistas caminhem do todo para as partes, e das partes para o todo, aprimorando o conhecimento do mundo natural a cada passo dado nessas caminhadas. Essa aquisição de conhecimento é possível porque há uma estreita ligação entre o conhecimento do todo e o conhecimento das partes – quanto mais partes você conhece, mas entende do todo, e, quanto mais você entende o todo, maior compreensão tem de cada uma de suas partes. Mas a esquisita teoria quântica garante que nada é garantido: o mundo quântico, ao contrário do mundo clássico, permite que você responda questões corretamente mesmo quando você não tem toda a informação que precisaria ter. É isso que garantem Thomas Vidick e Stephanie Wehner, da Universidade Nacional de Cingapura.


Ignorância clássica Se você não entende nada de mecânica quântica, não se preocupe: o celebrado físico Richard Feynman dizia que ninguém entende a mecânica quântica. Você apenas precisa saber que os dois físicos usaram a teoria quântica para demonstrar que é possível responder corretamente a praticamente qualquer questão sobre as partes de um sistema sem precisar conhecer o sistema inteiro. Ou que o conhecimento do todo não garante que você conseguirá responder tudo sobre suas partes. Imagine, por exemplo, que um aluno chega para um exame tendo lido apenas metade do livro que lhe ensinaria a matéria. O aluno tem um conhecimento incompleto sobre o todo – o livro – e terá que responder questões sobre suas partes – os assuntos contidos em suas páginas. O senso comum diria que o aluno será rapidamente desmascarado, tão logo ele chegue nas questões cujas respostas estão nas páginas que ele não leu. E, no mundo clássico, isso sempre foi e continuará sendo assim. A teoria quântica, porém, não concorda com esse senso comum, e afirma que o aluno poderá se sair muito bem no teste – ele poderá até mesmo tirar um 10 – se, em vez das informações clássicas de um livro clássico, estivermos lidando com informações quânticas.

Ignorância quântica No caso das informações quânticas, não há como saber qual informação o aluno não detém – nem mesmo se o professor ficar sabendo de antemão qual parte do livro o aluno leu. Ou seja, a chamada ignorância quântica estará preservada, e o aluno jamais será desmascarado. “Nós observamos esse efeito, mas de fato ainda não entendemos de onde ele surge,” admite Wehner, acrescentando que, conceitualmente, é algo muito esquisito e, uma vez mais, provando que Richard Feynman tinha razão. E não espere por explicações mais claras mais tarde, porque uma compreensão intuitiva dos fenômenos quânticos parece ser algo inatingível. Essa impossibilidade de desmascarar uma ignorância quântica parece ter vindo para se somar a uma série de outros fenômenos quânticos, impossíveis de se curvarem a uma explicação mecanicista tradicional.

Intuição quântica “Uma questão central do nosso entendimento do mundo físico é o quão nosso conhecimento do todo se relaciona com o nosso conhecimento das partes individuais,” descrevem os pesquisadores. Ou, ao inverso, o quanto nossa ignorância sobre o todo impede o conhecimento de ao menos uma das suas partes. “Baseando-nos puramente na intuição clássica, certamente estaríamos inclinados a conjecturar que uma forte ignorância do todo não pode vir sem uma significativa ignorância de ao menos uma de suas partes. “Curiosamente, entretanto, essa conjectura é falsa na teoria quântica: nós fornecemos um exemplo explícito onde uma grande ignorância do todo pode coexistir com um conhecimento quase perfeito de cada uma de suas partes,” concluem. Segundo eles, além das implicações teóricas, ainda não totalmente compreendidas, a descoberta pode ter sérias implicações para as pesquisas em criptografia quântica, que pretende criar meios de codificar informações à prova de qualquer ataque. A Drª Wehner foi uma das autoras da descoberta surpreendente, feita há menos de um ano, de uma relação entre a chamada ação fantasmagórica à distância e o Princípio da Incerteza de Heisenberg.


NOTA: Ao ler esta matéria não pude deixar de fazer alguns paralelos com a vida espiritual que o Criador da Mecânica Quântica (não sei se do jeito que os homens dizem que essa parte da Física é) nos convida a viver: Ele enviou-nos seus profetas a fim de que “Seu povo [tivesse] conhecimento da salvação” e para “redimi-lo dos seus pecados” (Lc 1:77). Isto implica que o “conhecimento” que nos vem dos profetas verdadeiros não é ambíguo, com várias interpretações, caso contrário, alguém poderia assimilar ou inventar uma das interpretações (aquela que lhe conviesse), basear sua vida nela e Deus seria obrigado a salvar esse pecador, independentemente das consequências de sua teologia personalizada! Portanto, a ideia de Teologia Quântica não é bíblica. Por outro lado, ser um teólogo ou um conhecedor profundo da vontade de Deus, conforme revelada na Bíblia, permitindo que ela e o Senhor Espírito Santo sejam seus únicos intérpretes, também não garante a salvação! Alguém aqui na Terra conseguiria elaborar uma prova, um teste, em que Satanás tirasse uma nota inferior a 100%? Certamente não, pois além de idade e convivência com a Trindade por vários anos, o inimigo da Verdade a conhece o suficiente para atacá-la em todos os pontos e desobedecê-la em todos os pormenores! Conclusão: “Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo” (II Pe 1:18). E mesmo para quem não aproveitou sua vida para produzir frutos para Deus e reconhece isto, mas se sente desanimado e sem esperança: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8,9). A graça de Deus sim parece ser quântica aos nossos olhos contaminados pelo pecado. Mas, e aos olhos do Salvador, será que existem a incerteza, a imprevisibilidade e a aleatoriedade? (Hendrickson Rogers)           

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