Podemos confiar no texto bíblico?

Capítulo 16

Podemos confiar no texto bíblico?

Embora a Bíblia seja a legítima Palavra de Deus franqueada a todas as pessoas, existe uma parte de seu estudo que demanda um empenho mais técnico e científico. A história de uma produção literária que reflete uma época e cultura longínquas pode, às vezes, ser misteriosa. Por isso, criou-se a Ciência Bíblica, mais comumente conhecida por Hermenêutica ou, nalguns casos, Exegese. A disciplina é dividida em muitas ciências auxiliares e especialidades que podem beneficiar o leitor comum em seu estudo das Escrituras Sagradas. É claro, no entanto, que em vista dos limites e da precariedade de qualquer ciência humana, essa também não está isenta de possíveis erros. Logo, ela não deve ser um fim em si mesma nem arvorar qualquer superioridade ao próprio texto da Bíblia.

E por falar em texto bíblico, destacamos a importância da Crítica Textual – uma disciplina que procura restaurar o texto original de um documento antigo que foi alterado no processo de cópia e recópia ao longo da história.

Como você sabe, antes da invenção da impressa, os livros eram escritos e reproduzidos à mão e isso ocasionava erros e descontinuidades das cópias em relação ao original. Imagine que um escriba estivesse copiando uma epístola e, num momento de “cochilo”, escrevesse “Bernardo”, enquanto o texto original trazia a palavra “Mercado”. Isso poderia criar um erro sistêmico, pois outro escriba que usasse sua cópia como texto iria reproduzir a falha, passando-a para um documento seguinte e assim por diante. Alguém ainda poderia confundir “Bernardo” – que já era um erro – com “Abelardo” e aí a coisa ficaria mais complicada, teríamos dois enganos em vez de um.

Isso, porém, não seria de modo algum um problema caso tivéssemos o autógrafo em mãos, isto é, o texto original que saiu das mãos do autor. Era só compará-lo com as demais cópias e ver qual estaria certa e qual(is) estaria(m) errada(s). Mas é aqui que inicia o problema hermenêutico das Escrituras: não possuímos o autógrafo de nenhum livro da Bíblia; temos apenas cópias mais ou menos exatas.

Todos os originais de Paulo, João, Pedro, Lucas e outros se perderam com o tempo. E, para piorar, as cópias preservadas são tardias; datam de pelo menos três ou quatro séculos depois de Cristo, excetuando, é claro, alguns fragmentos mais antigos que contêm apenas uns poucos versículos, como é o caso do Papiro John Rylands, comumente datado em torno do ano 130 d.C. e que contém no anverso o texto de João 18:31-33 e no verso, João 18:37 e 38. Quem garante, portanto, que os autógrafos não foram drasticamente modificados ao longo do tempo?

A indagação torna-se ainda mais séria se lembrarmos que os livros do Antigo Testamento são mais antigos que os do Novo. Logo, o hiato entre eles e a coleção disponível é bem maior. A cópia hebraica de Isaías, por exemplo, produzida por copistas judeus da Idade Média (chamados de massoretas), distava mais de mil anos de seu original.

Que houve mudanças durante esse tempo está claro no fato de que praticamente não existem duas cópias exatamente iguais dos manuscritos da Bíblia. Tanto o é que as diferenças já foram catalogadas nas edições críticas e receberam o nome técnico de “variantes textuais”. Um exemplo simples pode ser visto na passagem de Apocalipse 22:14. Alguns textos trazem “bem aventurados os que guardam seus mandamentos”, enquanto outros transcrevem “bem aventurados os que lavam suas vestes”. Grosso modo, é possível dizer que essa variante surgiu, da semelhança entre as palavras “mandamento” (entolas) e “vestes” (stolas), que são muito parecidas em grego, mesmo em sua forma acusativa plural. Aqui fica nítido que houve um descuido do copista, embora seja difícil – nesse caso – saber com exatidão qual era o texto original.

A questão, portanto, é quanto ao grau de modificação sofrida nos textos. Foi ela periférica ou afetou o conteúdo de modo substancial? Estaria a mensagem bíblica prejudicada pelas variantes?

Na verdade, são poucos os textos com elevado grau de incerteza, como o caso de Apocalipse 22:14. A grande maioria já foi cientificamente analisada, de modo que a Bíblia é o livro mais bem pesquisado em termos de crítica textual. Ela ganha disparado de todos os outros clássicos antigos da humanidade. Para se ter uma noção do que isso significa, basta dizer que só do Novo Testamento existem mais de 5.300 cópias antigas, fora umas 8.000 da Vulgata Latina e cerca de 9.300 em outras versões primitivas como o copta e o siríaco. Isso contrasta em muito com o segundo livro mais autenticado do mundo, A Ilíada, de Homero, da qual existem apenas 643 cópias manuscritas.

Veja no quadro comparativo20 a seguir um pequeno exemplo da “vantagem” textual do Novo Testamento sobre alguns antigos clássicos da humanidade:

Autor Quando foi escrito Cópia mais antiga que possuímos Intervalo entre o original e a cópia mais antiga que possuímos Número de cópias
Julio César (Guerra Gaulesa) 100-44 a.C. 900 d.C. 1000 anos 10
Tito Lívio (Anais do Povo Romano) 59 a.C.-17 d.C. 300 d.C. 360 anos 202
Sófocles 496-406 a.C. 1000 d.C. 1400 anos 193
Platão (Tetralogias) 427-347 a.C. 900 d.C. 1200 anos 7
Tácito (Anais e Histórias) 100 d.C. 1100 d.C. 1000 anos 2
Heródoto (História) 480-400 a.C. 900 d.C. 1300 anos 8
Plínio, o moço (História) 61-113 d.C. 850 d.C. 750 anos 7
Homero (A Ilíada) 900 a.C. 400 d.C. 1300 anos 643
Demóstenes 383-322 a.C. 1100 d.C. 1400 anos 200
Aristóteles 384-322 a.C. 1100 d.C. 1400 anos 49
Suetônio (História) 75-160 d.C. 950 d.C. 800 anos 8
Novo Testamento 50-100 d.C. 130 d.C. menos de 100 anos mais de 5.300

Como se pode ver, só o Novo Testamento em grego possui quase cinco vezes mais cópias do que a soma de todos esses clássicos. E essa comparação textual não pára por aqui. Bruce Metzger,21 um dos mais renomados especialistas em Crítica Textual, fez uma acurada comparação entre A Ilíada de Homero, o Mahabarata (livro sagrado dos hindus) e o Novo Testamento. Sua conclusão foi que, das quase 20 mil linhas que compõem o Novo Testamento, apenas 40 permanecem dúbias quanto ao seu original. Logo, 99,5% do texto é criticamente confiável. Da Ilíada, porém, percebeu-se que das suas 15.600 linhas, 764 eram questionadas pelos especialistas, ou 19 vezes mais que o montante bíblico! E, finalmente, do Mahabarata, que é 8 vezes maior que a Ilíada, teríamos pelo menos 26 mil linhas cuja originalidade também pode ser posta em dúvida – um número bem maior que o percentual bíblico.

Cabe ainda observar que nenhuma dessas disputadas passagens do Novo Testamento apresenta perigo à fé cristã. São cerca de 400 palavras dúbias como aquelas que aparecem no texto já mencionado de Ap. 22:14. Note-se também que nenhuma doutrina fundamental do cristianismo se assenta sobre outras passagens cuja leitura é disputada entre os especialistas. A doutrina da Trindade, por exemplo, não se sustenta no texto de 1 João 5:7, cuja autenticidade é seriamente questionada pelos especialistas.

Existem outros excelentes argumentos a favor da fidedignidade textual da Bíblia. Mas não os reproduziremos aqui por questão de espaço e por fugir ao objetivo deste trabalho. Não obstante, vejamos uma confirmação a mais, desta vez acerca da integridade textual do Antigo Testamento: trata-se da sensacional descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.

 

O Achado

Até a descoberta dos manuscritos do Mar Morto, a mais antiga cópia em hebraico que possuíamos do texto completo do Antigo Testamento datava de 1008 d.C. Era o Codex Babylonicus Petropolitanus, que fora produzido 1.400 anos após o Antigo Testamento haver sido completado – um hiato deveras longo para se estabelecer a fidedignidade textual das Escrituras. Havia, é claro, o Papiro Nash – uma porção hebraica de Deuteronômio 6:4 e 5 – que fora encontrada em 1902 e datada em torno do 1º século a.C., mas seu conteúdo, como se pode notar, era muito pequeno para grandes conclusões.

Assim, com cópias de manuscritos tão tardias em mãos, os especialistas em Teologia Bíblica se viam às voltas com o problema de provar que não houve graves alterações anteriores às cópias que possuíamos. Imagine se algum capítulo houvesse sido deliberadamente acrescentado ou suprimido?

Em 1939, Sir Frederic Kenyon,22 diretor do Museu Britânico, expressou seu pessimismo ao dizer que não acreditava na possibilidade de se encontrar sequer um manuscrito do texto hebraico que fosse anterior ao período da formação do texto massorético (copiado provavelmente entre 500 e 1000 d.C.).23 A “impossibilidade” tornou-se miraculosamente “possível”, num achado bastante providencial. E Kenyon viveu o suficiente para poder testemunhá-lo.

Tudo aconteceu por volta de 1947 quando, segundo uma das muitas versões, um garotinho beduíno chamado Muhammed Ahmed el-Hamed (conhecido “edh-Dhib,” o lobo) saiu à procura de algumas cabras perdidas e se deparou com uma gruta na região de Qumran, próximo ao Mar Morto, no sul da antiga Judéia. Curioso, ele jogou umas pedrinhas dentro da fenda (talvez para verificar se os animais estavam lá dentro) e o que ouviu foi o barulho de jarros se quebrando.

Correndo para o acampamento de sua tribo (os ta‘amireh), ele chamou um adulto e o levou até o local do achado, na esperança de que se tratasse de um grande tesouro. Juntos eles escalaram a parede (pois a fenda ficava num escorregadio terreno na ponta do platô) e se surpreenderam ao encontrar dentro da gruta jarros de barro com tampa, o que aumentou a idéia de conterem ouro ou pedras preciosas.

Para sua frustração, no entanto, o que encontraram nos potes foram rolos de manuscritos envoltos em tecido. Alguns dizem que eles venderam os vasos (sete ao todo) para um comerciante de Belém, que chegou a enfeitar sua loja com os antigos pergaminhos. Outros afirmam que foi para um sapateiro cristão sírio, que os comprou com o fim de usar o couro no remendo de sapatos. Seja como for, ao que parece, alguns membros do grupo, perceberam que os manuscritos poderiam ser valiosos para colecionadores e investigaram por conta própria outras cavernas em busca de novos pergaminhos. Até que, finalmente, foram presos pelo Departamento de Antiguidades da Jordânia, que proibia escavações clandestinas. O Estado de Israel (reconhecido formalmente apenas em 14 de maio de 1948) só ocuparia a Cisjordânia após a Guerra dos Seis Dias, em 1967; por isso, a região ainda estava sob o domínio da Jordânia.

Com as pistas dadas pelos beduínos e a ajuda dos arqueólogos da École Biblique de Jerusalém, da American School of Oriental Research (hoje Albright Institute of Archaeological Research) e do Archaeologycal Museum of Palestine (hoje Rockefeller Museum), 11 grutas foram descobertas, pesquisadas e catalogadas como contendo manuscritos antigos. Entre os rolos havia muitas cópias de textos do Antigo Testamento, datadas de aproximadamente 300 anos antes de Cristo,24 o que corresponde a cerca de 1000 anos mais antigas que as cópias massoréticas! Só para lembrar: a cópia massorética mais antiga de que dispomos data de 850 d.C.25

Quando se comparou, por exemplo, a cópia de Isaías encontrada em Qumran com o texto que hoje possuímos, verificou-se que, de fato, Deus protegeu a integridade do texto, pois, se houvesse qualquer mudança mais comprometedora, ela estaria evidente. Afinal, o texto qumrânico foi produzido muito antes de existir o cristianismo.

Na verdade encontram-se, nas grutas, cópias de todos os livros do Antigo Testamento, menos Ester, que talvez estivesse num estado fragmentário e acabou se perdendo junto com centenas de outros pergaminhos de todos os tamanhos que foram manipulados indevidamente pelos beduínos ou já estavam deteriorados pela ação do tempo.

A gruta 4 revelou-se a mais importante de todas. Embora nenhum manuscrito completo tenha sido encontrado ali, o relatório oficial supõe que, no mínimo, uns 15 mil fragmentos foram lá recolhidos.26 Era um verdadeiro quebra-cabeças gigante, que correspondia a um total de aproximadamente 584 textos. Desses, 127 são bíblicos e o restante culturais. Todos eles foram muito importantes para o estudo crítico-textual do Antigo Testamento e também para o conhecimento do substrato cultural de muitas idéias do Novo Testamento. Um exemplo é o fragmento de um apocalipse aramaico que traz as expressões “Filho de Deus” e “Filho do Altíssimo” aplicadas ao Messias vindouro:

“[Ele] será determinado Filho de Deus, e lhe chamarão Filho do Altíssimo. … Seu reino será um reino eterno, e todos os seus caminhos em verdade e direito. A Terra [estará] na verdade, e todos construirão a paz. Cessará a espada na Terra, e todas as cidades lhe renderão homenagem. Ele é um Deus grande entre os deuses [?]. … Seu domínio será um domínio eterno.”27

 

Quem Guardou os Textos?

A atitude de esconder objetos sagrados devido a uma ameaça iminente não era estranha nos tempos bíblicos. Em 2 Crônicas 34:14-30 está a descrição do momento em que, em meio à reforma do Templo, Hilquias encontrou os originais de Moisés que sacerdotes piedosos haviam escondido durante o idolátrico reinado de Manassés. A arca dos dez mandamentos, pelo que se sabe, foi escondida um pouco antes do ataque de Nabucodonosor a Jerusalém e ali permanece oculta nalgum lugar ainda não descoberto até os dias de hoje.

Os manuscritos do Mar Morto, também podem ter se originado desse procedimento. Pelo menos é o que dizem, com algumas diferenças, autores como Karl Heinrich Rengstorf,28 da Universidade de Münster, na Alemanha, e Norman Golb, um conceituado professor da Universidade de Chicago.29 Ambos acreditam que os manuscritos foram trazidos às pressas de Jerusalém (possivelmente da biblioteca do templo), para serem guardados nas grutas como medida de precaução devido ao avanço dos romanos sobre Jerusalém.

Outra teoria mais popular sugere que alguns manuscritos foram copiados no local. Pelo menos é o que sugere a localização dos restos de uma comunidade judaica que havia no platô. Eles possuíam ali uma escola, possivelmente sectária, que abrigava quartos, refeitórios, local de culto e até um scriptorium, isto é, um ambiente especial para o trabalho dos copistas. O achado de alguns tinteiros e canetas corrobora essa opinião.

Mas quem seriam os habitantes dessa comunidade? Bem, Josefo fala de três segmentos judaicos de sua época: fariseus, saduceus e essênios.[30] O terceiro é descrito como o mais “extraordinariamente interessado em antigos escritos”.[31] Além disso, o historiador Plínio, em sua História Natural, menciona a região do Mar Morto, entre Em Gedi e Massada como o lar dos essênios que moravam no deserto. Ora, os restos d Khirbet Qumran estão perfeitamente enquadrados nessa localização!

Ademais, autores como Todd Beall [32] e Magen Broshi [33] fizeram uma detida comparação entre as crenças essênias (recuperadas de antigas descrições como as de Josefo) e os textos de Qumran. Não só a semelhança é surpreendente, como admira-se que não haja ali nada que destoe do pensamento do grupo. O mesmo não pode ser dito nem dos fariseus nem dos saduceus, que possuíam muitas divergências doutrinárias com o conteúdo dos manuscritos encontrados.

Contudo, existem objeções também a essa teoria, supondo que a comunidade fosse outro grupo separatista ainda desconhecido, que teria rompido com o sistema do templo e, por isso, criou uma comunidade isolada no deserto. Outra idéia mais recente sugere que Qumran era originalmente uma escola de sacerdotes que se formou em Jerusalém, mas foi obrigada a migrar para o deserto por causa das perseguições de Antíoco Epifânio.

Seja qual for a teoria assumida, o fato é que os manuscritos mostraram para o mundo inteiro a integridade textual de mais de 90% da Bíblia Hebraica e isso, por si só, já é o bastante para se comemorar.

 

Especulações e Sensacionalismo

Como sempre aconteceu em toda a história da arqueologia bíblica, novamente aqui, os tablóides sensacionalistas não perderam tempo e começaram a divulgar idéias de um complô para impedir que o conteúdo dos manuscritos viesse à tona. Eles conteriam, segundo alguns jornalistas, uma gama de informações que comprometeriam a história do cristianismo.

De fato, houve certa demora na publicação dos textos, que deu combustível para a fogueira das especulações. O problema era que o trabalho de montagem de milhares de fragmentos, às vezes medindo pouco mais de um centímetro, não era tão simples assim.

Na mente leiga dos sensacionalistas, os manuscritos teriam sido encontrados como se fossem livros empoeirados numa estante de pouco mais de 50 anos. Bastava lê-los e dizer o seu significado. O meticuloso trabalho das equipes não era nem de longe parecido com isso.

Os milhares de fragmentos tinham de ser desdobrados e separados (pois, as vezes, estavam grudados uns aos outros). Então vinha o delicado trabalho de limpeza, que exigia bastante perícia e soluções muitíssimo caras. Então vinha a hora de classificá-los por grupo e começar o lento trabalho de montagem do quebra-cabeça.

Visto que faltavam muitas partes, algumas vezes era praticamente impossível reconstruir o parágrafo ou até mesmo um texto inteiro, embora o tivessem agrupado pela cor do pergaminho e pelo formato da letra. Toda essa identificação exigiu dinheiro, tempo, paciência e alto grau de habilidade. Por isso houve a demora.

Posteriormente, outras razões de ordem técnica e político (devido às guerras do Oriente Médio) resultaram num atraso para as publicações que deveriam vir ao público entre 1960 e 1970. Hoje, porém, passada toda essa efervescência, os manuscritos estão em sua maioria publicados em edições críticas e populares, inclusive em português.[34] Ao contrário da previsão dos minimalistas, nada houve que pudesse enfraquecer, numa vírgula sequer, a mensagem e o entendimento que temos acerca de Jesus Cristo. Pelo contrário, ampliou-se a compreensão do contexto histórico de seu movimento.

Os manuscritos do Mar Morto trouxeram à luz uma grande quantidade de dados que detalham de forma inédita o judaísmo praticado no 1º século antes e depois de Cristo. Seja ou não correta sua identificação com os essênios, o fato é que eles apresentam inúmeras informações sobre um grupo específico de judeus que, como os primeiros seguidores de Jesus, também não estavam contentes com muitas coisas que ocorriam na grande cidade de Jerusalém.

Tudo isso, é claro, além de apresentar de forma clara a confiabilidade textual das Escrituras Sagradas, a verdadeira e legítima Palavra de Deus.

SILVA, Rodrigo P. Escavando a Verdade: A arqueologia e as incríveis histórias da Bíblia. Casa Publicadora Brasileira, 2008, p. 146- 155.

Notas:

20 Esse quadro comparativo foi adaptado de várias fontes: F. F. Bruce, The New Testament Documents: Are they
Reliable? (Dowers Grove: InterVarsity, 1960), p. 16; Norman L. Geisler, “New Testament Manuscripts”, em Baker
Encyclopedia of Christian Apologetics, ed. Norman Geisler (Grand Rapids: Baker, 1999), p. 532; Richard M. Fales,
“Archaeology and History Attest to the Reliability of the Bible”, em The Evidence Bible, ed. Ray Comfort (Gainesville,
FL: BridgeLogos
Publishers, 2001), p. 163; e Paul D. Wegner, The Journey from Texts to Translations: The Origin and
Development of the Bible (Grand Rapids: Baker, 2002), p. 235.

21 Dessa obra de Tito Lívio, é importante acentuar que apenas 35 dos 142 volumes da obra original sobreviveram até
nossos dias. E dos 20 manuscritos apenas um (contendo o fragmento de três parágrafos) pode ser datado do 4º
século; os demais são bem mais tardios. Cf. F. F. Bruce, p. 16; Paul D. Wegner, p. 235.

22 Frederic G. Kenyon, Our Bible and Ancient Manuscripts (Nova York: Harper & Brothers, 1941).

23 Julio Trebolle Barrera, La Biblia Judía y la Biblia Cristiana: Introdución a la Historia de La Biblia (Madri: Editorial
Trotta, 1993), p. 318. Há, contudo, autores que colocam a produção do texto massorético apenas a partir de 750. Veja
Josef Scharbert, Das Sachbuch zur Bibel (Aschaffenburg: Paul Pattloch Verlag, 1965), p. 160.

24 A mais recente datação radiométrica, chamada de espectrometria com acelerador de massas, registrou que alguns
manuscritos de Qumran teriam cerca de 200 anos a mais que a data hasmonéia dada pelos paleógrafos (300 a.C. e não
100 a.C.). Veja o relatório em G. Bonani e outros, “Radiocarbon Dating of the Dead Sea Scrolls”, Atiqot 20 (1991), p. 2732;
“Radiocarbon Dating of Fourteen Dead Sea Scrolls”, Radiocarbon 34/3 (1992), p. 843849.

25 Até a descoberta de manuscritos em Qumran (Mar Morto), os mais antigos e mais importantes manuscritos do
Antigo Testamento em hebraico eram os seguintes:

1. Manuscrito Oriental nº 4.445 do Museu Britânico: trata-sede uma cópia do Pentateuco (Gênesis 39:20 a
Deuteronômio 1:33), cujo texto remonta a 850 d.C.

2. O Códice dos Profetas Anteriores e Posteriores da Sinagoga Caraíta do Cairo. Foi escrito em Tiberíades, em 895
d.C. Os Profetas Anteriores são: Josué, Juízes, Samuel, Reis. Os Posteriores são: Isaías, Jeremias, Ezequiel,
Os Doze (Profetas Menores).

3. O Códice Petropolitano, escrito em 916 d.C. (ou 930 d.C.), veio da Criméia. Contém apenas os Profetas
Posteriores. Está na biblioteca de Leningrado (Rússia).

4. O Códice de Alepo, de cerca de 980 d.C., contém todo o texto do Antigo Testamento. Era guardado zelosamente
pela sinagoga sefárdica de Alepo. Foi contrabandeado em anos recentes da Síria para Israel. Será utilizado
como base da Nova Bíblia Hebraica, em preparo pela Universidade Hebraica, de Jerusalém.

5. O Códice de São Petersburg (B19a). Também está na biblioteca de Leningrado. Foi escrito cerca do ano 1000
d.C. Foi copiado no ano 1008-9 d.C., no Cairo. Esse, por um tempo, foi o mais antigo manuscrito completo do
Antigo Testamento com data conhecida. Ele é a base da moderna Biblia Hebraica Stuttgartensiana.

26 R. de Vaux e J. T. Milik, “Qumrân grotte 4.II: Archéologie; II: Tefilin, Mezuzot et Tergums (4Q1284”157), em Benoit
[ed.], Discoveries in the Judaean Desert (Oxford: Clarendon, 1977).

27 4Q246 em Florentino García Martínez, Textos de Qumran (Petrópolis: Vozes, 1995), p. 179.

28 KarlHenrich
Rengstorf, Kirbert Qumran und die Bibliothek vom Toten Meer [coleção: Studia Delitzchiana] (Stuttgart:
Kolhammer, 1960).

29 A tese de Norman Golb pode ser encontrada em português sob o título Quem Escreveu os Manuscritos do Mar
Morto? (Rio de Janeiro: Imago, 1996).

30Guerras Judaicas 2. 8. 2.

31Antiguidades 18. 2.

32 Todd S. Beall, Josephus’ Description of the Essene Illustrated by the Dead Sea Scrolls, Society for New Testament
Studies Monograph, Series 58 (Cambridge: University Press, 1988).

33 Citado por Randall Price, Secrets of the Dead Sea Scrolls (Eugene: Harvest House, 1996), p. 105.

34 A primeira e mais importante publicação dos manuscritos da edição completa de todos os manuscritos em
microfichas que permitiam ao leitor ver os originais e visualizar os textos foi feita em 1993. Emanuel Tov e Stephen
Phann [ed.], The Dead Sea Scrolls on Microfiche: A Comprehensive Facsimile Edition of the Texts from the Judaean
Desert, (Leiden: IDCE.
J. Brill, 1993). No Brasil, temos a versão portuguesa de Valmor da Silva, feita a partir da
tradução espanhola de Florentino García Martínez, Textos de Qumran (Petrópolis: Vozes, 1995).

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