Quando a ciência é mal compreendida

                     O que ela é de fato?

Hoje em dia se usa a palavra ciência de várias maneiras. Por exemplo, “tomei ciência de que…”; “a história é uma ciência que…”, “a ciência está sempre mudando…”. Algumas dessas expressões são usadas em um contexto que deixa claro que seu significado nada tem a ver com metodologia científica. Em outros, a confusão se manifesta, ignorando séculos de estudo que levaram à descoberta da ciência e ao uso dessa palavra no contexto da metodologia científica. Frequentemente se confunde metodologia científica com protocolo aristotélico (observação, formulação de hipóteses, testes de hipóteses) e com atividades de pesquisa, chamando-se a tudo isso, de maneira indiscriminada, de ciência. Ao misturar-se esse uso com o de ciência como área do conhecimento, a confusão só aumenta. Esses significados todos não são sequer compatíveis entre si e essa confusão obscurece uma série de assuntos muito importantes. Continue Reading…

Richard Dawkins, o naturalismo e as formas de abuso infantil!

Há esperança no naturalismo??

Há esperança no naturalismo??

Quem nunca ficou incomodado com as muitas histórias de abuso infantil? O que torna essas tristes sagas ainda piores é que aqueles a quem as crianças são confiadas -professores, padres, pastores – violam essa confiança ao abusarem, muitas vezes sexualmente, dos que lhes foram confiados. Só Deus e os anjos sabem o quão sórdidos são os livros de registro do Céu com a listagem desses pecados ultrajantes. Infelizmente, nos últimos anos novas alegações de “abuso infantil” surgiram. Que abuso? Bom, trata-se do ensino de religião às crianças. O biólogo evolucionista Richard Dawkins, entre outros, já disse que os ensinos de doutrina religiosa, em particular sobre o julgamento e o inferno de fogo são, de fato, formas de “abuso infantil”. Veja, não estou defendendo tudo o que é ensinado às crianças sobre religião, e certamente também não o entendimento comum do inferno como tormento eterno. Claro que não. Como Ellen White disse: “Está além do poder do espírito humano avaliar o mal que tem sido feito pela heresia do tormento eterno. […] As opiniões aterrorizadoras acerca de Deus, que pelos ensinos do púlpito são espalhadas pelo mundo têm feito milhares, e mesmo milhões de céticos e incrédulos” (O Grande Conflito, p. 536). Continue Reading…

Uma pesquisa revela: é mais fácil perder do que conquistar a fama de honesto (e o que nossas escolhas revelam?)

A pesquisa: por exemplo, uma pessoa fictícia, Bárbara, trabalhava em um escritório e, algumas vezes, segurava a porta para os outros ou elogiava seus colegas. Outras vezes, ela furava as filas e espalhava fofocas. Os participantes deviam então avaliar a mudança no comportamento de Bárbara

A pesquisa: por exemplo, uma pessoa fictícia, Bárbara, trabalhava em um escritório e, algumas vezes, segurava a porta para os outros ou elogiava seus colegas. Outras vezes, ela furava as filas e espalhava fofocas. Os participantes deviam então avaliar a mudança no comportamento de Bárbara

Moral ou imoral?

É mais fácil ganhar uma má reputação do que se livrar dela.

De forma mais geral, parecer haver uma assimetria na forma como as pessoas avaliam o caráter moral dos outros, com pesos diferentes para o lado negativo e para o lado positivo. Continue Reading…

Outra revista científica cita Deus e causa alvoroço…

Se não é dom de Deus, é o quê?

Se não é dom de Deus, é o quê?

A declaração não é sutil; de fato, é a primeira sentença da introdução em “[Energia] Solar com condensador – uma revisão detalhada”. “A água é um presente de Deus e desempenha um papel-chave no desenvolvimento de uma economia, e em todo o bem-estar de uma nação.” O artigo em si contém algumas poucas similaridades com um artigo de 2010 sobre o mesmo tópico, “Destilação solar ativa – uma revisão detalhada”, que também apareceu na Revista de Energias Renováveis e Sustentáveis. Mas a primeira sentença do artigo é dada de forma ligeiramente diferente: “A água é um presente da natureza, e desempenha um papel-chave no desenvolvimento de uma economia e, e em todo o bem-estar de uma nação. No início deste mês, a PlosONE retratou um artigo que citou “o Criador”; nesse caso, todavia, um autor declarou que a redação resultou de um erro de tradução.

Existem algumas outras similaridades entre os artigos de 2010 e 2016. Por sinal, veja-se alguns excertos dos dois resumos – o primeiro, de 2010, segue: “Por todo o mundo, o acesso à água potável para as pessoas está diminuindo dia a dia. A maior parte das doenças humanas se deve a fontes de água poluídas ou não purificadas. Mesmo hoje, nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, encontra-se uma imensa escassez de água por causa de mecanismos não-planejados e poluição criada por atividades humanas. A purificação da água sem afetar o ecossistema é a necessidade do momento.”

E a versão de 2016: “O acesso à água potável às pessoas está diminuindo dia a dia por todo o mundo. A maior parte das doenças humanas são causadas por fontes de água poluídas ou não-purificadas. Purificação da água sem afetar o ecossistema é a necessidade do momento.”

Para ser justo, o artigo de 2016 cita a versão de 2010 na lista de referências – a despeito de que a referência aparece no fim da introdução, não onde as similaridades textuais aparecem primeiro. O artigo de 2010 foi citado 70 vezes, de acordo com o [índice] Thomson Reuters Web of Science; o artigo de 2016 não tinha sido ainda indexado.

A linguagem do [artigo] de 2016 recebeu uma forte reação no Twiter: “É preciso alguma audácia ao fazer plágio de um artigo – no mesmo periódico – e também ao jogar uma referência a Deus!”

Nós contatamos um representante da Elsevier, que publica a revista, o qual nos disse: “Há apenas uma referência a ‘Deus’ na primeira sentença da Introdução, onde diz ‘a água é um dom de Deus’ – isso parece ser uma referência ampla, talvez similar à referência ‘a água é um dom da natureza’, na primeira linha da introdução do artigo de 2010. Então, não pensamos que o artigo de 2016 seja um artigo criacionista, pois o resto do artigo fala sobre a ciência da destilação solar, etc. Nós também estamos pesquisando o artigo de 2016 por duplicação, mas essa é outra história.”

Fonte: Retraction Watch; tradução: Alexsander D. da Silva.

Nota: Deixando de lado o assunto do plágio (que deve mesmo ser condenado), mais uma vez chama a atenção a celeuma criada pelo simples fato de o artigo mencionar Deus. Quando se escreve que a “natureza é sábia” ou que a água é um “dom da natureza”, tudo bem, ainda que se atribuam, com isso, características quase divinas à natureza, numa espécie de adoração pagã repaginada. Se a água não é um dom de Deus, o que é, então? Fruto do acaso? Dois gases que se uniram casualmente para formar um líquido singular e vital (confira)? (Michelson Borges)

Revista científica PLoS ONE menciona o Criador

Ilustração utilizada no artigo da PLoS ONE

 Ilustração utilizada no artigo da PLoS ONE. Design pra lá de inteligente!

A revista científica PLoS ONE publicou há algumas semanas um artigo sobre as características biomecânicas de coordenação da mão humana (clique aqui para ler o artigo em inglês). O texto incluiu a palavra “Criador”, o que tem sido motivo de algumas polêmicas. O artigo trata da “arquitetura” surpreendente das mãos, seus tendões, articulações e músculos, cuja coordenação dá aos humanos a capacidade de flexionar e controlar a estrutura complexa que executa muitas tarefas de maneira precisa e confortável. A polêmica levou os responsáveis pela revista a pedir desculpas pela publicação de um conceito criacionista e a prometerem tomar providências. Tanta celeuma por causa disso? O artigo deixou de ser menos científico por apontar para a ideia de design inteligente? Ou se trata de puro preconceito mesmo? Preconceito de uma academia e de uma comunidade (científica) dominada pelo naturalismo ideológico que não suporta ver Deus colocando o pé na porta, tentando voltar ao cenário de onde vem sendo expulso há algum tempo.

Após a polêmica levantada pela publicação do artigo com a palavra proibida, alguns cientistas protestaram, como é o caso do paleontólogo Joshua Lively, que anunciou que, se o texto não for removido da PLoS ONE, ele não mais vai enviar qualquer pesquisa para publicação nela! Ou seja, enquanto o Criador estiver lá, eu me recuso a colocar meu nome junto, e mimimimi… O ecologista Daniel Marquina também fez uma alerta: segundo ele, “começam com a evolução da mão e acabam por negar a mudança climática ou as vacinas”, colocando, assim, no mesmo saco pessoas com ideias bem diferentes, tudo com o claro objetivo de descaracterizar o criacionismo.

O artigo na mira dos evolucionistas foi escrito por dois especialistas em biomecânica da Universidade Huazhong de Ciência e Tecnologia da China, e o trecho polêmico é este: “The explicit functional link indicates that the biomechanical characteristic of tendinous connective architecture between muscles and articulations is the proper design by the Creator to perform a multitude of daily tasks in a comfortable way” (“A ligação funcional explícita indica que a característica biomecânica da arquitetura conjuntiva dos tendões entre os músculos e as articulações é um projeto/design adequado pelo Criador para realizar uma infinidade de tarefas diárias de forma confortável”).

Essa polêmica toda ajuda a evidenciar, mais uma vez, o preconceito arraigado em certos círculos científicos que adotaram a priori o naturalismo filosófico e se recusam a enxergar a realidade com outras lentes conceituais. O método científico foi criado por cientistas que criam profundamente no Deus criador das leis, das constantes, da complexidade irredutível, da informação complexa e específica e do design inteligente. Alguns cientistas de hoje, contrariando seus predecessores, querem expulsar o Criador do cenário que Ele mesmo idealizou.

Fonte: Criacionismo.

Ciência versus naturalismo!

Dá pra confiar na cognição?

Dá pra confiar na cognição?

Por muito tempo, pelo menos desde o Iluminismo, acreditou-se que existia um conflito entre ciência e religião. Do ponto de vista teísta, esse é um erro colossal: como seres criados à imagem de Deus, os humanos enxergam na ciência a possibilidade de conhecer mais sobre a obra criativa de Deus no Universo. É um privilégio contemplar a magnitude da criação, sua ordem e beleza. Assim, no teísmo, a ciência é uma forma de conhecer mais sobre o Criador. Longe de ser um obstáculo à criação, a cosmovisão teísta incentiva os seres humanos a obter mais informações da criação. A ciência é o meio, por excelência, para tal processo. Logo, o teísmo incentiva fortemente o contato com a ciência. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito a respeito do naturalismo. Na verdade, há um conflito muito sério entre o naturalismo e a ciência, a crença no materialismo e a evolução biológica. Se o naturalismo for verdadeiro, segue-se logicamente que os seres humanos são apenas objetos materiais. Você pode poetizar essa última afirmação (“os humanos são poeira das estrelas”), mas sua verdade continua. Qual o problema disso?

O problema é que, (a) se o naturalismo é verdadeiro e (b) se um naturalista acredita na evolução, (c) segue que a cognição do ser humano não está preocupada com a criação de crenças verdadeiras, mas com a sobrevivência.

Na evolução é assim: a evolução NÃO é teleológica, isto é, ela não é planejada, não segue nenhuma finalidade específica, nem possui um telos último. O “objetivo” da evolução é que os seres sobrevivam e que os genes passem adiante. Só. Até o termo “objetivo” não é correto: a evolução não tem propósito último, nem finalidade última. Ela é um relojoeiro cego. Como diz Richard Dawkins:

“A única coisa que importa para a seleção natural é que cada lado está se esforçando para superar o outro porque, tanto para um quanto para o outro, os indivíduos que forem bem-sucedidos transmitirão seus genes que contribuíram para seu êxito” (Richard Dawkins, O Maior Espetáculo da Terra, p. 359).

Se a evolução não está “preocupada” em gerar crenças verdadeiras, mas apenas em gerar formas de sobrevivência, por que esperar que essas crenças sejam verdadeiras? Nesse ponto, por que acreditar que nossas faculdades cognitivas são confiáveis, no que diz respeito à geração de crenças verdadeiras?

Se o naturalismo for verdadeiro, e se um naturalista acredita na teoria da evolução, segue-se que sua cognição é fruto de adaptação, tendo em “vista” a sobrevivência, ou seja, a cognição humana é estruturada para ajudar os seres humanos a sobreviver. As crenças que ela gera são importantes na medida em que ajudam a superar os outros seres na “corrida” da seleção natural. Mas as crenças geradas por tal cognição não necessariamente são verdadeiras. A evolução não estrutura a cognição “pensando” em gerar crenças verdadeiras, mas sim crenças que ajudem os seres humanos a sobreviver. Richard Dawkins chama esse último de “mundo médio” (último capítulo de Deus um Delírio).

Por isso, a probabilidade de a cognição humana, no naturalismo, gerar crenças verdadeiras é de 50%, isto é, ela tanto pode gerar crenças verdadeiras quanto crenças falsas. Tanto faz. Não é essa a preocupação da evolução. A seleção natural se contenta com o que houver, desde que ajude as espécies a se adaptar.

Um naturalista pode dizer que sua cognição é fruto de uma boa adaptação (o gênero humano sobreviveu por muitos anos e, dada a evolução, é isso que importa), mas ele não pode dizer que sua cognição é confiável (ou seja, produz crenças verdadeiras). Sua cognição é fruto da adaptação, mas não se segue que, para sobreviver, a cognição necessariamente precise gerar crenças verdadeiras. O que ela precisa gerar é um comportamento apropriado, não crenças verdadeiras.

Seguindo o pensamento de um filósofo chamado Alvin Plantinga (Conhecimento de Deus), o naturalista tem um derrotador para a alegação de que suas faculdades cognitivas são confiáveis. E, se ele tem um derrotador para essa última crença, ele tem um derrotador para QUALQUER crença que seja produto dessa faculdade cognitiva que não é confiável, ou seja, para TODAS as suas crenças, incluindo a ciência, a razão e o próprio naturalismo. Ele é autorrefutável. Ele não pode ser racionalmente crido.

Logo, quem tem bons motivos para desconfiar da ciência não é o teísta, mas aqueles que acreditam no naturalismo.

Referências:

DAWKINS, Richard. O maior espetáculo da terra: as evidências da evolução. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

PLANTINGA, Alvin. Conhecimento de Deus: Alvin Plantinga e Michael Tooley. São Paulo: Vida Nova, 2014.

Fonte: Bruno Ribeiro via Criacionismo.