Explicações matemáticas simples para Adão e Eva!

PROBLEMA: Muitos eruditos modernos consideram os primeiros capítulos de Gênesis como um mito, e não os tomam como históricos. Mas a Bíblia parece apresentar Adão e Eva como pessoas reais, que tiveram filhos, dos quais todo o restante da humanidade proveio (cf. Gn 5).
SOLUÇÃO: Há uma boa [quantidade de] evidência[s] para crermos que Adão e Eva tenham sido pessoas reais. 
  1. Gênesis 1-2 apresenta-os como pessoas reais, e até mesmo narra os importantes acontecimentos de suas vidas (o que é histórico). 
  2. Eles tiveram filhos que foram pessoas reais, que também tiveram filhos reais (Gn 4:1,25; 5:1). 
  3. A mesma frase (“são estas as gerações de”) usada para registrar dados históricos posteriores em Gênesis (6:9; 9:12; 10:1, 32; 11:10, 27; 17:7, 9) é empregada com respeito a Adão e Eva (Gn 5:1).
  4. Cronologias posteriores do AT colocam Adão no topo da lista (1 Cr 1:1).
  5. O NT põe Adão no início da lista dos antecedentes de Jesus (Lc 3:38).
  6. Jesus referiu-se a Adão e Eva como os primeiros “macho e fêmea”, fazendo da união física deles a base do casamento (Mt 19:4). 
  7. Romanos declara que a morte literalmente reinou no mundo trazida por um “Adão” literal (Rm 5:14). 
  8. A comparação entre Adão (o “primeiro Adão”) e Cristo (o “último Adão”) em 1 Coríntios 15:45 manifesta que Adão é tomado literalmente como uma pessoa histórica. 
  9. A declaração de Paulo de que “primeiro foi formado Adão, depois Eva” (1 Tm 2:13) revela que ele fala de uma pessoa real.
  10. É lógico que teve de haver um primeiro casal real de seres humanos, macho e fêmea, pois, caso contrário, a raça humana não teria como começar a existir. A Bíblia chama a esse casal, que de fato existiu, de “Adão e Eva”, e não há por que duvidar de sua real existência.
(Norman Geisler e Thomas Howe. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia, 1999 p. 20-21)
É CIENTIFICAMENTE POSSÍVEL? Até aqui você teve uma explicação teológica para o assunto. Mas, e a ciência, tem algo a oferecer neste assunto? A lógica é a seguinte: Se houve um Adão e uma Eva no início, então, todos nós, geneticamente, somos parentes (bem distantes, obviamente) e deve existir uma probabilidade matemática para isso. Pois bem, encontrei um artigo do Prof. de Bioquímica Sérgio Danilo Pena (UFMG), denominado “A grande família” na coluna “Deriva genética”, o qual contém a seguinte explicação:
“Nós temos dois pais, quatro avós, oito bisavós, 16 trisavós, 32 tetravós etc. O número de antepassados cresce exponencialmente, de maneira muito rápida. Vinte gerações atrás (400 anos, se considerarmos 20 anos por geração) eu deveria ter um milhão de antepassados. Há meros 600 anos (30 gerações) eu deveria ter um bilhão e, há 800 anos, um trilhão de antepassados!!! Nessa época, porém, estima-se que a população mundial era de cerca de 260 milhões de pessoas, não de um trilhão! Como explicar essa discrepância? 

Todos diferentes, mas todos parentes 

Se a matemática aponta que eu tinha um trilhão de antepassados há 800 anos, isso significa que, no ano 1207, as 260 milhões de pessoas vivas tinham de preencher todas as vagas de meus antepassados. Obviamente, então, meus ancestrais de 1207 não podiam ser todos pessoas diferentes! No meu heredograma, alguns nomes vão ter de aparecer duas, três ou mesmo centenas de vezes. Significaria isso que eu sou descendente de todo mundo que vivia em 1207? 
Não, por duas razões. A primeira é que nem todos que viviam em 1207 têm descendentes na Terra hoje. A segunda é que seria difícil para algumas dessas pessoas serem meus ancestrais por razões de localização geográfica (por exemplo, é muito pouco provável, embora não impossível, que asiáticos como Confúcio ou Genghis Khan sejam meus antepassados). Excluindo tais exceções, todas as pessoas que viviam na Europa, Ásia central, norte da África, Oriente Médio e Américas em 1207 são certamente meus antepassados.
O grande geneticista nipo-americano Susumu Ohno (1928-2000) mostrou em elegante artigo que a principal razão do número de antepassados diferentes ser menor do que o esperado de acordo com a função exponencial é a consangüinidade entre eles. Ohno demonstrou que existe uma geração no passado de cada um de nós (que ele chama de AN SA, isto é, “ancestralidade saturada”) que abrange todos os adultos evolutivamente fecundos, responsáveis por linhagens familiares que se estendem até o dia de hoje.
Em gerações anteriores à AN SA, o número de ancestrais de uma dada pessoa diminui progressivamente, no que tem sido chamado de “colapso do heredograma”. Mas o importante de se ressaltar é que todos os antepassados dos indivíduos evolutivamente fecundos da geração AN SA são também automaticamente nossos antepassados.
Assim, quando digo que sou descendente de Nefertiti, Maomé, Julio César e Carlos Magno, não estou “surtando” e sim fazendo uma constatação matemática. Mas geralmente não faço muito alarde do fato de que também sou descendente de ladrões, assassinos, vigaristas, prostitutas, lavadeiras, camponeses, soldados, sapateiros, alfaiates e, inevitavelmente, de alguns clérigos.
Um corolário do fato de eu ser descendente de todas as pessoas que existiram em 1207 é que sou parente de praticamente todas as pessoas que vivem no mundo hoje. Mas isso não se aplica somente a mim, como também a você, leitor, “ – mon semblable, – mon frère ”, nas palavras do poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867), concluindo, em outro contexto, sermos todos semelhantes, todos irmãos. Estima-se que praticamente toda a população da Terra seja prima em um grau inferior ao 50º. Em outras palavras, toda a humanidade é uma grande família!” [Ênfase acrescentada].

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